Bachelet: gravidade da pandemia não foi reconhecida inicialmente no Brasil

4.set.2019 - A chilena Michelle Bachelet, Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, durante entrevista coletiva em Genebra - Fabrice Coffrini/AFP

Por Jamil Chade

Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, afirma que lideranças no Brasil adotaram uma postura inicial de negar a seriedade da pandemia. Numa conversa organizada pela Inter-American Dialogue nesta quarta-feira, a chilena foi questionada sobre as dificuldades encontradas pelo governo de Jair Bolsonaro, diante da saída de ministros, para lidar com a crise sanitária. Bachelet, falando de uma maneira geral e sem citar uma só vez o nome do brasileiro, indicou que a estabilidade política é importante neste momento.

Ela chegou a citar o exemplo de seu país – o Chile – onde houve uma espécie de compromisso da classe política de colocar a luta contra a pandemia como prioridade. Para ela, governos precisam estar dispostos a dialogar sobre como lidar como ameaça. Sobre a situação brasileira, ela admitiu que uma eventual turbulência política não é o “melhor dos cenários, especialmente num país que levou um certo tempo para que realmente reconhecesse o risco da pandemia”.

“No começo, não reconheceram, foi negado”, disse a chilena, sempre sem citar o nome de Jair Bolsonaro. “Alguns líderes e algumas imagens não foram positivos”, afirmou. “Quando todos falavam em distanciamento social, tem de liderar por exemplo”, disse. “Não é fácil”, admitiu.

Ela afirmou ainda que espera que todos os atores políticos possam se sentar e e entender que precisam ter uma “conversa séria”. “Isso é enorme”, alertou. Bachelet ainda destacou como o número de casos aumentou no Brasil e que o país já teve “muitas mortes”. Falando de uma forma genérica, ela ainda indicou que governos que não conseguirem se unir correm o risco de ter “muitas perdas”.

Doria desafia Bolsonaro: ‘Saia da sua bolha, venha ver as pessoas agonizando nos leitos’

João Doria, que foi criticado pelo presidente nesta manhã no Alvorada, rebateu fortemente Bolsonaro em coletiva de imprensa feita ao Estado de São Paulo sobre os informes a respeito do coronavírus. ‘Eu posso enumerar, presidente Jair Bolsonaro, algumas atitudes que você poderia ter tomado, mas não tomou’, começou o governador, questionando a resposta de Bolsonaro quando indagado sobre as mortes por covid-19 no país, em que falou ‘Quer que eu faça o quê?’.

Doria criticou severamente a postura do chefe do Executivo, relembrando o menosprezo do presidente pelo pandemia: ‘o coronavírus que o senhor se referiu como uma gripezinha, teve a coragem de reafirmar isso várias vezes. E agora, Presidente, diante de 5 mil mortos?

E continuou, afirmando que Bolsonaro despreza os profissionais da Saúde: ‘que ao contrário do senhor que vai treinar tiro em estande, esses profissionais estão trabalhando’, afirmou.

‘Pare com essa política da perversidade’, pediu Doria. ‘Que o senhor respeito o luto de mais de 5 mil famílias que perderam seus entes queridos’. E desafiou o presidente: ‘Venha aqui em São Paulo, saia dessa sua redoma de Brasília e venha visitar comigo o Hospital das Clínicas (…) venha ver a gripezinha e o resfriadozinho, venha ver as pessoas agonizando nos leitos e a preocupação dos profissinais de saúde (…) e se não quiser vir a São Paulo, vá a São Paulo ver o colapso do sistema de saúde. No mínimo para ver a realidade do país, não a sua realidade, no estande de tiro (…) saia da sua bolha, presidente Bolsonaro’.

Laboratório suíço prevê vacina para coronavírus em outubro

Do Valor:

A esperança de uma vacina para frear as mortes causadas pela covid-19 dá um certo ânimo nos mercados financeiros, e um laboratório suíço acredita ter chances nessa corrida desenfreada.

A Saiba Biotech, que reúne cerca de 50 pesquisadores em seu projeto, espera ser a primeira a produzir a vacina e a inocular grande parte da população suíça já nos próximos meses.

Martin Bachmann, um dos fundadores do laboratório e chefe de imunologia da Universidade de Berna, aponta chances reais de a vacina ser bem sucedida. “Esperamos ter vacinas suficientes até outubro para imunizar a maioria da população suíça”, disse ao Valor. “Vamos começar com os grupos de risco, em particular os idosos e depois imunizar a maioria do resto da população. Não vamos imunizar crianças.”

A vacina em desenvolvimento pela equipe suíça tem uma abordagem diferente dos outros laboratórios. Utiliza as chamadas partículas semelhantes ao vírus. Injeta um vírus sintético não infeccioso para o homem e proporciona uma boa resposta imunológica.

Medalha de ouro no Pan, ex-pivô Gerson morre aos 60 anos

(Foto: Arquivo pessoal)

Por Ivan Drummond, no Estado de Minas

Morreu nesta quarta-feira Gerson Victalino, o Gersão, um dos maiores pivôs da história do basquete nacional. Ele tinha 60 anos e sofreu uma parada cardíaca. Os últimos dias do ex-jogador foram de dor e angústia, já que lutava contra a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e vinha fazendo o tratamento com ajuda do clube pelo qual começou a carreira, o Ginástico, além de antigos colegas de equipe.
Uma das maiores glórias da carreira de Gérson foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. O Brasil bateu os anfitriões Estados Unidos por 120 a 115, com o pivô assinalando 12 pontos. Oscar Schmidt terminou a histórica partida como cestinha, com 46 pontos.
A história de Gersão com o basquete começa quando um ex-treinador do Ginástico, Luis Carlos Dias Corrêa, o Lu, soube por meio de um funcionário do Colégio Santo Agostinho que um colega tinha um filho com mais de dois metros de altura. Ele o procurou com o intuito de levar o menino para o clube.
A notícia se espalhou no Ginástico e todos ficaram fascinados e curiosos em ver o tal menino-gigante. Marcado o dia da ida de Gersão ao Ginástico, as arquibancadas ficaram lotadas. Todos queriam conhecê-lo. E tão logo Gersão chegou, o treinador da equipe principal, Elmon Rabelo, aproximou-se e falou que iria fazer dele um grande jogador.
Ao chegar até a quadra, Gersão conheceu um ex-jogador do clube, o então dirigente Gastão Sette Câmara, que tratou de ensiná-lo os primeiros movimentos. Mostrou-lhe como era o arremesso, como quicar a bola e fazer a bandeja.
Ao tentar fazer o movimento, Gersão bateu a cabeça na tabela, caiu e reclamou. “Esse esporte é muito perigoso!”. Mas o jovem não desistiu de jogar, e ali nascia o grande pivô do Brasil.
Gersão seguiu jogando no Ginástico. Comandado por Elmon Rabelo, foi campeão mineiro em 1979, junto com Bruno, Marcelo Cenni, Ricardão, Luiz Gustavo em jogo contra o Minas decidido na prorrogação.

(Foto: Arquivo pessoal)

Em 1981, o pivô chamou a atenção e foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Daí em diante, ficou sempre nas listas. Foi contratado pelo Corinthians e, do time paulista, seguiu para a Espanha, onde defendeu o TDK. No regresso ao Brasil tornou a representar o Corinthians e também o Jales, do interior de São Paulo. Ainda vestiu as camisas de Monte Líbano, Lençóis Paulistas, Sport e Clube do Remo, onde se aposentou em 2002.
Um dos momentos mais especiais de Gersão pela Seleção Brasileira foi nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987. O pivô foi um dos convocados do técnico Ary Vidal, ao lado de Oscar, Marcel, Guerrinha, Israel, Maury, Cadum, Paulinho Villas-Boas, Sílvio, Rolando, André e Pipoca.

Na apresentação para o início dos treinos, Ary Vidal chamou Gersão e lhe disse: “Você vai pra pegar rebote. É o que precisamos. Não tem de ficar fazendo cesta. Precisamos de rebote.”
O Brasil foi avançando, derrubando adversário por adversário e chegou à final contra os donos da casa, que tinham como destaque David Robinson, um dos maiores pivôs do basquete, que fez história no San Antonio Spurs e na Seleção dos Estados Unidos, ganhando um Mundial e dois ouros olímpicos.
Na final, Gersão foi destaque como reboteiro do jogo. E ainda marcou 12 pontos. O Brasil fez história e superou os Estados Unidos dentro de seus domínios.

Morre Gerson, ouro no basquete brasileiro no Pan de 1987 - Jornal ...

Jogador da Seleção Brasileira até 1994, Gerson participou de três edições dos Jogos Olímpicos – Los Angeles-1984, Seul-1988 e Barcelona-1992 – e dois Mundiais – Madri-1986 e Buenos Aires-1990.
Posteriormente, ao encerrar a carreira, Gersão voltou para Belo Horizonte e foi trabalhar como assistente-técnico no Ginástico. E foi o clube de origem, seus companheiros de quadra e os aficionados pelo basquete que o ajudaram até o fim de sua vida (foto acima).

Em suas redes sociais, a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) agradeceu mais uma vez pelo amor com que Gerson se entregava ao esporte e por todos os anos defendendo a camisa do Brasil. “É com grande pesar que informamos o falecimento do gigante Gerson Victalino. Campeão do Pan de Indianápolis com o Brasil em 1987, Gerson foi o jogador que mais vezes vestiu a camisa da Seleção Brasileira. Nosso eterno agradecimento e pêsames por sua partida. Força à família”, escreveu a entidade.

HOMENAGENS – No começo deste ano, Gerson foi homenageado pela CBB como um dos nomes das Conferências do Campeonato Brasileiro Adulto com um selo comemorativo. Na época, falou sobre a homenagem e sua luta contra a doença. “Me senti lisonjeado com esta homenagem. Ser escolhido dentre tantos nomes que fizeram e fazem história no nosso basquete. Quando recebi essa notícia, fiquei em êxtase, pois sei a importância de ter o nome vinculado a um evento da CBB”, disse.
“Passo por um problema temporário. Sei da gravidade, mas também sei que as lutas vem na nossa vida para lutarmos e mostrarmos nossas forças. Para os médicos, a cura não existe, mas não posso me apegar no que eles pensam e sim na minha certeza que há um caminho para a cura. Imagina uma coisa até tempos atrás que não tinha cura e hoje tem. Com certeza eu vou ser o primeiro desta moléstia (risos) porque tenho fé em Deus e não me entrego facilmente”, contou Gerson.

Ministro do STF suspende nomeação de Ramagem para diretoria da PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal. A decisão é liminar – ou seja, provisória – e foi tomada em ação movida pelo PDT.

“Defiro a medida liminar para suspender a eficácia do Decreto de 27/4/2020 (DOU de 28/4/2020, Seção 2, p. 1) no que se refere à nomeação e posse de Alexandre Ramagem Rodrigues para o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal”, escreveu Moraes no despacho.

Conselheiro de Bolsonaro, Renato posiciona-se contra volta imediata do futebol

Da Folha de S.Paulo.

Renato Gaúcho virou uma espécie de consultor informal de Jair Bolsonaro sobre o futebol brasileiro. O treinador do Grêmio foi procurado pelo presidente da República na semana passada para falar sobre o retorno de treinos e jogos no país. A posição de Portaluppi foi clara: não é hora de forçar a volta da rotina nos clubes e campeonatos.

Bolsonaro e Renato conversaram por telefone no final da semana passada. O presidente chegou a mencionar a conversa em entrevista concedida na segunda-feira (27), quando citou personagens do futebol contatadas, mas não havia revelado quem era do outro lado da linha.

A revelação foi feita por GaúchaZH e confirmada ao UOL Esporte. Renato Gaúcho chegou a ameaçar liderar greve no futebol brasileiro quando do avanço da pandemia do novo coronavírus. A declaração foi dada após jogo contra o São Luiz-RS, pelo Gauchão, em 15 de março. No dia seguinte, a Federação Gaúcha de Futebol paralisou o campeonato.

Bolsonaro ouviu de Renato que é inviável o retorno dos treinos agora, mesmo diante de protocolos de prevenção. A circulação de um grande número de pessoas nas instalações do clube é um dos motivos. Outro é o confronto em campo contra adversários que podem não ter testado para a Covid-19.