
Por Jamil Chade
Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para Direitos Humanos, afirma que lideranças no Brasil adotaram uma postura inicial de negar a seriedade da pandemia. Numa conversa organizada pela Inter-American Dialogue nesta quarta-feira, a chilena foi questionada sobre as dificuldades encontradas pelo governo de Jair Bolsonaro, diante da saída de ministros, para lidar com a crise sanitária. Bachelet, falando de uma maneira geral e sem citar uma só vez o nome do brasileiro, indicou que a estabilidade política é importante neste momento.
Ela chegou a citar o exemplo de seu país – o Chile – onde houve uma espécie de compromisso da classe política de colocar a luta contra a pandemia como prioridade. Para ela, governos precisam estar dispostos a dialogar sobre como lidar como ameaça. Sobre a situação brasileira, ela admitiu que uma eventual turbulência política não é o “melhor dos cenários, especialmente num país que levou um certo tempo para que realmente reconhecesse o risco da pandemia”.
“No começo, não reconheceram, foi negado”, disse a chilena, sempre sem citar o nome de Jair Bolsonaro. “Alguns líderes e algumas imagens não foram positivos”, afirmou. “Quando todos falavam em distanciamento social, tem de liderar por exemplo”, disse. “Não é fácil”, admitiu.
Ela afirmou ainda que espera que todos os atores políticos possam se sentar e e entender que precisam ter uma “conversa séria”. “Isso é enorme”, alertou. Bachelet ainda destacou como o número de casos aumentou no Brasil e que o país já teve “muitas mortes”. Falando de uma forma genérica, ela ainda indicou que governos que não conseguirem se unir correm o risco de ter “muitas perdas”.