O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) evitou hoje a imprensa em Brasília no que foi a primeira aparição pública dele após apoiar manifestações marcadas para 15 de março que incluem o fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele chegou ao Palácio da Alvorada por volta das 15h45 e parou na portaria do Palácio da Alvorada para falar com cerca de 15 simpatizantes. Enquanto falava com os apoiadores, o comboio de carros o acompanhava por questão de segurança e para que não precisasse se aproximar mais dos jornalistas presentes.
Questionado pela imprensa sobre o ato de repassar vídeos chamando as pessoas às ruas, que é visto por parte de parlamentares como crime de responsabilidade — o que pode resultar em impeachment —, a relação com o Congresso e sobre a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, Bolsonaro apenas acenou e não respondeu.
Bolsonaro tem distribuído nos bastidores mensagens de apoio às manifestações marcadas para 15 de março. Bolsonaristas marcaram o evento a partir de uma convocação do general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), para protestar contra o Congresso Nacional.
IMPEACHMENT NA PAUTA
O PT deve entrar com pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na volta do carnaval, afirmou hoje o líder do partido no Senado Federal, senador Rogério Carvalho (SE), ao UOL. Bolsonaro tem distribuído nos bastidores mensagens de apoio às manifestações marcadas para 15 de março. Bolsonaristas marcaram o evento a partir de uma convocação do general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), para protestar contra o Congresso Nacional.
Na semana passada, o ministro disse que o Legislativo estava chantageando o Executivo por causa de divergências em relação à distribuição do orçamento. Há postagens nas redes sociais pedindo até mesmo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), o que contraria a Constituição Federal. Por conta disso, a iniciativa de Bolsonaro gerou repúdio entre políticos e ministros do STF. Segundo Carvalho, a atitude do presidente é “um ato muito ofensivo à democracia e precisa de uma resposta à altura”.
Na avaliação de parlamentares de oposição e de centro, Bolsonaro pode ter cometido crime de responsabilidade ao apoiar os protestos convocados por bolsonaristas e ativistas conservadores. A pena para o crime pode ser de perda do mandato. Ou seja, um impeachment. A decisão deve ser tomada até o início da semana que vem, quando o PT terá se reunido com mais partidos de oposição para definir quais medidas adotarão no retorno ao Congresso Nacional depois do feriado.
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a CF e, contra: I – a existência da União; II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação
“Na última vez em que fecharam o congresso foram 21 anos de tortura, estupros, assassinatos, arrocho salarial, endividamento e um regime que quebrou o país. Não vamos repetir essa tragédia, agora é a hora de todos se mobilizarem em defesa da democracia. Ditadura nunca mais”.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi às redes sociais para cobrar a reação do Congresso Nacional contra a convocação golpista feita por Jair Bolsonaro nesta terça-feira. “É urgente que o Congresso Nacional, as instituições e a sociedade se posicionem diante de mais esse ataque para defender a democracia”, disse ele.
“O que o Brasil precisa é gerar empregos, tirar o povo da pobreza. Bolsonaro nunca combinou com democracia. É um falso patriota que entrega nossa soberania aos EUA e condena o povo à pobreza. Um falso moralista que acoberta o Queiroz e outros corruptos e criminosos”, disse Lula.
Marcelo Bonfá, batera da Legião Urbana, canta “Tempo Perdido” e um trecho de “Será” da sacada do hotel para a multidão nas ruas de Cametá na tarde desta segunda-feira, 24. À noite, a banda fez um show épico na cidade, para uma plateia de mais de 30 mil pessoas.
Abaixo, o texto postado no perfil da Legião Urbana no Instagram:
Saímos de casa às 4:30 da madrugada. 14 horas, dois voos, um ônibus, uma balsa e uma lancha depois chegamos em Cametá. Na frente do hotel passava o bloco Fofó dos pretinhos, com todo mundo pintado de preto da cabeça aos pés. Da sacada, @marcelobonfa pede o microfone que é lançado pelo cantor do trio. Então aconteceu isso. A Legião está em todos os cantos do país. É nosso patrimônio e ninguém nos tira. Por isso sempre repito que a arte vai salvar das trevas. O Brasil é um país ducaralho! @legiaourbana30anos
O cantor e compositor Arnaldo Antunes gravou um vídeo para anunciar que irá acionar judicialmente Olavo de Carvalho por ter usado a música ‘Pulso’ em uma postagem para chamar os atos que estão sendo organizados para o dia 15 de março em defesa de Jair Bolsonaro e pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
“Esse uso é indevido, não autorizado, e vai contra tudo o que eu prezo e acredito”, diz o artista no vídeo postado em suas redes sociais. A música é uma composição de Arnaldo Antunes com Marcelo Fromer e Tony Bellotto, e cantada na voz de Antunes, pela banda Titãs.
O vídeo postado por Olavo mostra imagens de Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, FHC, Lula, Ciro Gomes, João Doria, Gilmar Mendes, Joice Hasselmann, Alexandre Frota, José Serra, Cid Gomes, o general Santos Cruz e outros “inimigos” dos bolsonaristas.
“Eu creio que as instituições preservam aquilo que nos resta ainda de democracia e têm que ser preservadas”, defende ainda o músico. “É muito revoltante ver uma criação minha sendo usada contra todos os meus princípios. Queria dizer que já estamos acionando judicialmente pedindo para que tirem do ar e se responsabilidade quem fez esse uso indevido”, concluiu.
Mazola Júnior começou a trabalhar hora depois de desembarcar em Belém. Pela manhã, ele comandou pela primeira vez o treino do time principal e em seguida concedeu entrevista coletiva. A conversa durou mais de 30 minutos e o técnico abordou diversas questões, desde possíveis contratações até a antiga rivalidade com o torcedor azulino, em razão da sua passagem pelo Paissandu em 2014.
“Está aqui [mostra a carteira]. Eu não sou um torcedor do Paysandu. Trabalhei no Paysandu e, no meu contrato de imagem, tinha uma cláusula que eu teria que participar de todas as ações de marketing do clube e foi isso que eu fiz”, afirmou.
– Para quem não sabe, é declarado isso, talvez eu não tivesse que falar, mas como sou um cara muito autêntico, muito frontal, dizem que treinador não pode falar o clube que torce. Eu falei e falo, sem vergonha nenhuma. No final de 2018, eu falei o clube que torço [Ponte Preta]. E eu sou extremamente profissional. Hoje eu sou sócio torcedor do Remo e vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que o Remo saia vencedor e alcance todos os seus objetivos nesse ano – completou Mazola.
O treinador contou que acertar com o Remo era algo que ele mesmo almejava antes mesmo de ser procurado pela atual diretoria azulina.
“Já era uma intenção, sem hipocrisia nenhuma, do Fábio e da diretoria do Remo. Desde o ano passado a conversa começou a ficar um pouco mais estreita. E eu tinha uma vontade imensa de voltar a Belém. Ao contrário do que algumas pessoas andaram falando, eu gosto muito de Belém, gosto muito do povo paraense e, da culinária então, nem se fala. Eu tinha muita vontade de voltar aqui. Depois de 2014 só voltei aqui como adversário. Me dei muito bem aqui e consegui, em um ano que trabalhei aqui, fazer grandes amigos, que até hoje eu mantenho contato quase que semanalmente”, explicou.
Natural de Campinas (SP), Mazola tem 54 anos e chega ao Leão Azul após um curto período sabático. Foram dois trabalhos em 2020, em Ponte Preta e Londrina, que o próprio técnico avaliou como ruins. Demitido em novembro do time paranaense, Mazola optou por reavaliar a carreira.
“Devido a tudo que aconteceu ano passado, que profissionalmente foi um ano muito ruim para mim, tive um problema seríssimo familiar. Não sei se vocês sabem, mas meu pai faleceu há dois anos e minha mãe está com um problema sério, internada em uma clínica de terapia, enfim… foi um ano profissionalmente muito ruim. No final do ano tive uma escolha ruim, em um clube maravilhoso, presidente espetacular, mas não foi uma escolha muito boa. Eu resolvi dar um tempo, raciocinar e não começar o ano trabalhando. Procurei fazer um recálculo da minha situação profissional, no mercado, e um dos mercados que visualizei foi o Remo. Acho que eu deveria voltar aqui para mudar um pouco a minha imagem e reabrir essa porta dessa casa maravilhosa e foi isso que eu fiz”, afirmou.
“A partir do momento que houve a demissão do Jaques, eu me interessei em vir para o Remo, entrou-se em conversações, houve interesse do clube e cá estou, para reconstruir minha história no Pará, em Belém e, principalmente, para reabrir a porta do profissional em um clube gigantesco que é Remo”
Mazola pediu duas semanas para avaliar o grupo e poder apontar possíveis mudanças. Revelou que terá uma conversa “de mano” com Eduardo Ramos e que o time pode ser ele “e mais dez”, além de ressaltar que sempre foi muito respeitado por torcedores do Remo, mesmo quando esteve no PSC. Sua estreia será domingo, às 10h, no Baenão, contra o Carajás.
SOBRE O TIME: PACIÊNCIA
“Acho que seria uma prepotência muito grande minha chegar aqui e já indicar tudo o que está acontecendo de certo e de errado. Tenho experiência, sou treinador há 17 anos já. Vamos ter um pouco de dificuldade no começo para detectar esses problemas que você falou porque eu estou afastado da Série C há muitos anos, desde 2014. Tem muitos jogadores desse campeonato que não conheço e vários estão aqui no Remo. Isso só o dia a dia, o campo, vai fazer com que eu faça uma análise mais detalhada. Alguns que conheço de jogar contra ou que trabalharam comigo, vamos fazer uma análise do momento atual que estão vivendo. O presidente me falou assim: ‘Mazola, se você detectar que existe a necessidade realmente, a gente tem condições de ir buscar mais uma, duas ou até três peças ainda para o estadual’. Eu vou ter essa primeira semana, quatro ou cinco treinos, e depois a outra semana cheia. Aí eu pretendo, sim, ter uma diretriz do que deu errado, do que está precisando, do que faltou. Uma coisa eu garanto: não só o Jaques errou, porque, na nossa cultura, a primeira corda que estoura é sempre no treinador, porque é a parte mais fraca do processo, mas pode ter certeza que quando acontece essas coisas a culpa não é só do treinador. Vamos analisar. Peço apenas um pouco de paciência”.
SATISFAÇÃO – “Estou muito contente e muito satisfeito. Sei do sacrifício que foi feito por esse que aqui está [Fábio Bentes], e o Remo também sabe. E o presidente sabe o que eu falei para ele. Não vim para cá para passar vergonha. Tenho certeza que nós vamos ter um sucesso muito maior até do que tivemos do outro lado da avenida”.
CONTRATAÇÕES – “Para mim não existe ‘jogador de confiança’. Existem jogadores que se adaptam ao meu tipo de trabalho, à minha maneira de ser e à minha forma de jogar. Jogadores que tiveram comigo em dois ou três clubes por causa disso. Tem que ser uma situação para o clube. Eu trabalho para o clube, não trabalhei para jogador nenhum, nem para empresário nenhum e nem para fundo de investimento nenhum. O que for interessante para o Clube do Remo, vai ser interessante para mim”.
(Com informações da Rádio Clube, DOL e Globo Esporte/Fotos: Samara Miranda, Ascom Remo)
“Eu já falei com ele hoje aqui, vou ter uma conversa com o Eduardo, hoje, de ‘mano’, e dependendo do que acontecer nessa conversa, se ele estiver bem e depois que tiver sido treinado por mim, é ele e mais dez”. Foi a frase mais forte da apresentação de Mazola Jr. na manhã desta terça-feira como técnico do Remo. No estilo franco e direto de sempre, o treinador já deu pistas de como pretende tirar o time da pasmaceira atual. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)