Greve chega ao 13º dia e já mobiliza 20 mil petroleiros

Os petroleiros chegam ao 13º dia de greve nesta quinta-feira 13 com anúncio de ampliação das paralisações. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), já são 113 bases do Sistema Petrobras, em 13 estados do país, com mais de 20 mil petroleiros mobilizados. Na quarta-feira 12, a FUP contabilizava 108 unidades paralisadas.

De acordo com a organização, estão em greve 53 plataformas, 23 terminais, 11 refinarias, 7 campos terrestres, 7 termelétricas, 3 Unidades de Tratamento de Gás (UTGs), 1 usina de biocombustível, 1 fábrica de fertilizantes, 1 fábrica de lubrificantes, 1 usina de processamento de xisto, 2 unidades industriais e 3 bases administrativas.

De um dia para o outro, houve adesões de três plataformas na Bacia de Campos, entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A FUP diz que 33 das 39 plataformas da região entraram na greve. Em Manaus, no estado do Amazonas, também aderiram trabalhadores das termelétricas Jaraqui e Tambaqui, informa a organização.

Em greve desde 1º de fevereiro, os petroleiros cobram a suspensão da demissão de mil trabalhadores na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), previstas, segundo a FUP, para terem início na sexta-feira 14. Eles também exigem o cumprimento de outros pontos relacionados ao Acordo Coletivo de Trabalho. Segundo os trabalhadores do setor, a gestão da Petrobras tem se recusado a negociar.

Ministro bilionário tem vida de parasita

Da Coluna Painel, de Camila Mattoso, na Folha de S.Paulo

Além do salário de R$ 30,9 mil, Paulo Guedes (Economia) recebe dos cofres públicos R$ 7.733 por mês de auxílio-moradia, o teto permitido por lei, e passagens para ir de Brasília ao Rio, onde tem moradia fixa. Até julho, Guedes recebia também diárias (R$ 7.501 ao todo) para dar expediente na cidade onde mora, incluindo em datas sem compromisso na agenda. Entre as 60 viagens bancadas com dinheiro público no ano passado, 38 aconteceram a partir de quinta-feira, tendo como destino o Rio. 

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O contracheque do ministro traz também um aporte mensal de R$ 458 a título de auxílio-alimentação.

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Guedes é alvo de críticas de servidores desde que os comparou a parasitas que estariam matando o hospedeiro, no caso o governo, que em suas palavras “está quebrado” e gasta 90% da receita com o funcionalismo.

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Antes de ingressar na política, Guedes era presidente da Bozano Investimentos, que administrava fundos avaliados em R$ 2,7 bilhões. Como nunca foi candidato a cargo eletivo, o tamanho do seu patrimônio não é público.

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A consulta ao Portal da Transparência mostra que, dos 22 ministros, ao menos 5 não recebem auxílio para alimentação e 11 não ganham o de moradia.

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O Ministério da Economia diz que os auxílios estão previstos em lei e que Guedes não tem imóvel próprio em Brasília. 

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Globo noticia encontro no Vaticano, mas aproveita para atacar Lula

O Jornal Nacional dedicou 49 segundos da edição desta quinta-feira, 13, para falar sobre a visita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Papa Francisco no Vaticano. Do total do rápido registro, que não aparece declaração do ex-presidente, embora ele tenha feito vídeo nas redes sociais falando sobre o encontro, o apresentador William Bonner dedicou 31 segundos para falar da condição jurídica do ex-presidente. 

“Lula não sofre restrições para sair do Brasil. Ele foi condenado à prisão em segunda instância, e está solto porque o Supremo Tribunal Federal entendeu que os condenados podem permanecer em liberdade até o esgotamento dos recursos judiciais. A defesa do ex-presidente conseguiu adiar o depoimento que ele prestaria nesta semana como réu na Operação Zelotes. Lula responde pela suposta venda de uma medida provisória para beneficiar empresas do setor automobilístico. O depoimento foi remarcado para quarta-feira que vem”, disse Bonner.

Nas redes sociais, internautas protestaram contra a cobertura da Globo ao encontro. 

“Jornal Nacional falou do encontro do Papa com Lula, mas fez questão de citar toda a ficha policial do ex-presidente. Foi mais tempo apontando o dedo do que explicando o fato do dia”. Felipe Alves, no Twitter

Antes e depois de Jesus

POR GERSON NOGUEIRA

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O futebol brasileiro nunca mais será o mesmo depois da passagem fulgurante do furacão Jorge Jesus por aqui. Ganhou quase tudo o que disputou no semestre final de 2019, com um jeito especial de jogar que transformou a visão acerca do que se praticava nos clubes nacionais. Ninguém foi tão ofensivo e destemido quanto o Flamengo no ano passado.

Talvez o legado mais importante da presença do português no Brasil seja o de quebrar o conformismo vigente. É fato que, até antes de Jesus, o torcedor se contentava com o pouco que os times entregavam. Joguinho retrancado, feio e amarrado no meio-campo e pouco agressivo no ataque. Era o que havia por aqui e quase todo mundo achava que estava bom.

Como diz aquela antiga canção do Clube da Esquina, nada será como antes – depois de Jesus. Anteontem, depois de vencer o Fluminense e se classificar para a final da Taça Guanabara, Jesus falou com aquele ar blasée sobre o jogo, desdenhando do campeonato estadual, reafirmando o pouco caso em relação à competição e ainda cutucando os outros técnicos brasileiros.

Até nisso, Jesus é um inovador, um exterminador de etiquetas. Pode ser um exemplo ruim, quando exagera na soberba e deslegitima um campeonato estadual que tem raízes históricas e tradicionais. Mas, ao mesmo tempo, pode fazer bem quando defende ferrenhamente que os melhores jogadores devem jogar sempre, não devem ser poupados, como alguns antigos treinadores brazucas adoravam fazer.

O discurso franco e ácido desagrada muita gente. É natural. Até porque é proferido pelo cara que está ganhando tudo e que parece se colocar acima de todos. Em vencedor, o vencedor desperta admiração e repulsa. Ainda mais quando o supercampeão tem imensa popularidade e rejeição, visto como beneficiado em vários momentos justamente pelo tamanho que tem.

Jesus passa ao lago das questões domésticas. Fala para o mundo. Quando solta uma frase mais cortante, parece estar se dirigindo a plateias brasileiras e portuguesas, onde mantém sua base. Lá, como cá, divide opiniões. Jornalistas de Lisboa alertaram desde o começo que, ao se perceber vitorioso, Jesus iria liberar o lado mais egocêntrico.

Já deu pitaco sobre comportamento de adversários em campo, embora sem se retratar quando seus comandados extrapolam. Franco, refere-se ao Flamengo como mera plataforma para cavar espaço na Europa e não esconde que o projeto pessoal é assumir o comando de um gigante, como Real ou Barcelona.

Desfruta de aceitação e paciência da mídia esportiva por estar em alta, vencendo e convencendo. Tenho cá minhas dúvidas se continuará a ser gentilmente tratado caso o time não repita os feitos de 2019. O melhor a extrair da passagem de Jesus – que pode findar em maio próximo – é sua disciplina férrea e a fé cega em conceitos técnicos que casam perfeitamente com a essência do futebol brasileiro. O resto é perfumaria.

Fim da interiorização enfraquece os grandes

O que ocorre no campeonato estadual do Rio, com clubes pequenos optando por jogar sempre no Maracanã – principalmente contra o Flamengo –, a fim de garantir faturamento, é vergonhoso e configura atentado à equidade da competição. Pena que não seja uma exceção.

Com a preocupação óbvia de faturar o seu quinhão, as federações  costumam avalizar (e aplaudir em silêncio) os remanejamento de jogos, que subvertem uma das faces mais ricas dos certames estaduais: a interiorização do futebol.

O Parazão 2020 segue essa tendência. Já teve quatro jogos remanejados para Belém e outros ainda virão pela frente, negando às torcidas do interior o imenso prazer de ver Remo e PSC de perto.

Quando a velha rivalidade, alicerçada nos campeonatos domésticos, começar a ser abalada por esses deslizes talvez seja muito tarde para corrigir a rota. No âmbito do Pará, a dupla Re-Pa deveria ser a mais interessada em preservar a interiorização, por ser quem tem mais a perder com o caráter metropolitano da disputa.

Por estanha ironia, ao contrário do que pode parece, os maiores prejudicados (a longo prazo) são os clubes de massa. O raciocínio é simples: sem proximidade afetiva com os times locais, o torcedor interiorano tende a bandear exclusivamente para clubes cujos jogos a TV mostra à exaustão, nacionais e estrangeiros.

O patrimônio afetivo é a base da paixão pelos clubes. Resiste ao tempo e às intempéries mais hostis. Mas, como todo sentimento, não sobrevive ao abandono e à indiferença.

Leão tem jogo-chave para encaminhar classificação

Depois da classificação à segunda fase da Copa do Brasil, o Remo ganhou a tranquilidade necessária para tentar se reabilitar no Campeonato Estadual no jogo de amanhã diante do Águia, no estádio Jornalista Edgar Proença. O revés no clássico havia deixado muitas dúvidas quanto à capacidade de o time brigar pelo tricampeonato estadual.

As indefinições e erros cometidos pelo técnico Rafael Jaques na escolha da equipe titular ampliaram as desconfianças, culminando com o insucesso no Re-Pa. Depois do triunfo sobre o Freipaulistano, o treinador ganha crédito para seguir buscando a melhor formação.

Vinícius; Nininho, Mimica, Fredson e Jansen; Charles, Djalma e Douglas Packer; Gustavo Ermel, Jackson e Lukinha. Aos olhos de quem acompanha treinos e jogos, esta é a melhor formação possível do Remo. Jaques, pelo que demonstra, não pensa da mesma forma.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 14)

Copa do Brasil: Remo e PSC têm horários e locais definidos na 2ª fase

Copa do Brasil 2020 — Foto: Divulgação/CBF

Classificados na Copa do Brasil, Remo e Paissandu já sabem data e horário de suas partidas na segunda fase da competição. A confirmação saiu no início da noite desta quinta-feira, dia 13, pelo site oficial da CBF. O Papão receberá o CRB na próxima quarta-feira, dia 19, às 19h30, na Curuzu.

O Remo encara o Brusque na próxima quinta-feira, dia 20, às 21h30, no Estádio Augusto Bauer, em Santa Catarina. Esta será a segunda vez que as equipes irão se enfrentar pelo torneio nacional. Em 2017, os azulinos perderam por 2 a 1 no mesmo local, ainda pela primeira fase.

Os jogos de Remo e Paysandu terão transmissão ao vivo pelo canal Sportv.

Gratidão à Estrela Solitária

Paulo Autuori, técnico do Botafogo

A intimidade com a estrela solitária vem de longa data, mas há 19 anos que Paulo Autuori não era associado ao termo “técnico do Botafogo”. Nesta quinta-feira, aos 63 anos, ele foi apresentado para assumir mais uma vez o comando do time, substituindo Alberto Valentim.

– É um orgulho e satisfação estar no Glorioso. Tudo o que eu devo e eu sou eu devo ao Botafogo. Foi o clube que me abriu as portas. As pessoas que me abriram as portas foram corajosas e até loucas, porque era um profissional sem nenhum lastro – comentou o treinador, campeão brasileiro em 1995, mas Autuori não quer saber mais de falar do passado:

– A partir de hoje, para os jogadores, eu não vou mais me referir a esse tempo. Queremos criar um solo forte para que mais conquistas possam acontecer. Nosso olhar tem que ser para frente.

Autuori deixou de lado a promessa de que não treinaria mais times no Brasil – a intenção dele em território nacional era ser coordenador técnico, cargo que executou em Athletico-PR e Fluminense recentemente. Ficar no banco, só se fosse em times do exterior, como o fez em Atlético Nacional (COL) e Ludogorets (BUL). Mas o chamado do Botafogo não poderia ser recusado.

– Só abri mão porque é o Botafogo. Tenho que dar uma reciprocidade a tudo o que esta instituição me proporcionou. Foi o único motivo que aceitei deixar a função que estava para contribuir para que possamos nesse momento de mudanças e transformações poder dar um contributo – explicou Autuori.

Paulo Autuori chega acompanhado pelo auxiliar Renê Weber. A missão dele é comandar um time que tem como principal astro o japonês Keisuke Honda, que ainda não estreou.

– Todos nós já conhecemos pelo seu currículo extenso. E foi o técnico que nos deu o título brasileiro de 1995. Foi uma escolha que fizemos no comitê do futebol. Ficamos muito contentes com a vinda dele. Tenho certeza que irá nos trazer grandes alegrias e até títulos.

(Do Extra)

“Matei mesmo, mas eram todos bandidos”

Do Congresso em Foco

Em meio à confusão que se transformou a visita do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) e Éder Mauro (PSD-PA) discutiram e quase se agrediram fisicamente, mas foram separados por colegas. Após a confusão Glauber falou para a imprensa que o deputado Éder havia confessado assassinatos. Procurado pela reportagem, Éder disse que o diálogo realmente aconteceu.

Em meio à confusão que se transformou a visita do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) e Éder Mauro (PSD-PA) discutiram e quase se agrediram fisicamente, mas foram separados por colegas. Após a confusão Glauber falou para a imprensa que o deputado Éder havia confessado assassinatos. Procurado pela reportagem, Éder disse que o diálogo realmente aconteceu.

“Ele me chamou de miliciano e eu disse que já matei muita gente sim, mas eram todos bandidos”, afirmou Éder Mauro. O hoje deputado se refere ao tempo em que atuou como delegado de polícia no Pará.

Moro e a visita tumultuada

A sessão que tratava da prisão em segunda instância, que contava com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, acabou com uma grande confusão. “Eu não tenho outra coisa a dizer, a não ser chamar um ministro da Justiça que blinda a família Bolsonaro quanto a estes temas [envolvimento com as milícias] de capanga da milícia”, disse o deputado Glauber Braga (Psol-RJ).

Uma confusão começou e o presidente da comissão, Marcelo Ramos (PL-AM), tentou controlar a situação, mas quando Sergio Moro retrucou Glauber, o chamando de desqualificado, a confusão tornou-se generalizada. Éder Mauro (PSD-PA) foi pra cima de Glauber Braga e colegas parlamentares precisaram intervir para que os dois não se agredissem fisicamente.

A imprensa levantou questionamentos sobre a fala de Glauber e do governo Bolsonaro, mas o ex-juiz saiu em silêncio diante dos questionamentos. Glauber, porém, falou com os jornalistas e afirmou que Éder confessou assassinatos enquanto estava no Plenário.

Papa recebe e abençoa Lula

Na tarde desta quinta-feira (13), o ex-presidente brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou no Vaticano com o Papa Francisco.

No encontro, o sumo pontífice e terminou o encontro com um aperto entre sorrisos, e chegou a abençoar Lula antes de sua partida. Através do Twitter do Instituto Lula, o ex-presidente qualificou o encontro como “histórico”, e contou que eles ” discutiram e pensaram soluções para as injustiças e desigualdades no mundo”.

A conversa entre Lula e Francisco também foi marcada por assuntos como a questão da Amazônia e o clima político na América do Sul. Em declaração ao chegar à Itália, o líder do PT afirmou que se colocará à disposição do seu anfitrião: “vim para ouvir”.

A preocupação de Francisco com a situação na Amazônia, expressada inclusive nos últimos tuítes do pontífice, tem a ver com devastação pelos recentes incêndios e as ameaças aos povos indígenas, devido às políticas de Jair Bolsonaro que priorizam os interesses do garimpo e do agronegócio, colocando em risco algumas áreas demarcadas.

No caso da política sul-americana, um dos temas foi a questão do lawfare, algo que também já foi criticado por Francisco, e que teve em Lula uma de suas vítimas – o líder máximo da Igreja Católica chegou a abençoar um terço e enviar de presente ao ex-presidente, quando ele estava preso.

O ex-presidente brasileiro desembarcou em Roma nesta quarta-feira (12), acompanhado de seu ex-chanceler, Celso Amorim, e aproveitou a viagem para realizar outros compromissos, como se encontrar com líderes políticos locais, como o atual secretário-geral do Partido Democrático (um dos dois partidos que governa a Itália), Nicola Zingaretti, e o ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema, que havia visitado Lula na prisão, em Curitiba. Ele também se reuniu com representantes da CGIL (sigla em italiano da Confederação Geral dos Trabalhadores da Itália), entidade similar à CUT.

De quem é a mão que balança o berço? A quem serve o criminoso?

Hans River dispara suas mentiras na CPI, observado pelo presidente da comissão, senador Angelo Coronel, e pela relatora, deputada Lídice da Mata - Ane de Araújo/Agência Senado

Por Reinaldo Azevedo

Hans River do Rio Nascimento mentiu à CPI das Fake News, o que é crime. E tem de arcar com as consequências de seu ato. A relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), já decidiu que vai acionar o Ministério Público Federal. Há mais do que o ataque abjeto dirigido contra a jornalista Patrícia Campos Mello (já chego a ele). O tal rapaz afirmou ainda ter participado de uma campanha política de quem ninguém ouviu falar. E há inconsistências sobre a data em que trabalhou na Yacows, a empresa envolvida no impulsionamento de disparos de WhatsApp. Dito isso, vamos adiante.

Nascimento falava à CPI como testemunha, condição que o obriga a falar a verdade ou a responder criminalmente pelas mentiras. E ele mentiu. Patrícia pode recorrer à Justiça em razão dos crimes que ele cometeu contra a sua honra: inquestionavelmente, incorreu em injúria e difamação. E me pergunto se não cabe também a imputação de calúnia: segundo o rapaz que foi depor à CPI com uniforme de gigolô de pornochanchada da década de 70, ela o teria convidado a mentir em troca, ora vejam, de sexo! E tal troca implicaria o que seria um crime contra uma campanha eleitoral.

A partir de agora, Nascimento não terá uma vida fácil. A questão primeira que precisa ser respondida, em algum momento da investigação, é esta: de quem é a mão que balança o berço? Quem resolveu, e com quais meios, instrumentalizar o rapaz para que mentisse? Quem o convidou a levar o esgoto a céu aberto que corre nas redes sociais para uma CPMI que apura justamente a indústria de fake news? Comece-se, pois, pelas quebras do sigilo telefônico e bancário.

Chega a ser ocioso — e é preciso tomar cuidado para não ser ofensivo com a própria Patrícia, com as mulheres jornalistas e com todas as mulheres, indistintamente — lembrar a carreira e os feitos de uma das mais brilhantes e capazes profissionais da imprensa. E por que é preciso esse cuidado? Para que, sem querer, não minimizemos a gravidade do que se viu na CPMI.

Todos os grupos profissionais contam com uma elite, com o conjunto dos melhores e mais destacados em razão da qualidade do seu trabalho, da reputação firmada junto ao público e a seus pares, da excelência dos métodos a que recorre para chegar ao resultado esperado. Felizmente para ela e para nós, seus leitores e colegas, Patrícia integra essa turma.

Experiente que é, a jornalista documentou cada passo de sua aproximação com a fonte, as idas e vindas do sr. Nascimento, suas hesitações etc. E tão logo ele resolveu atacar a sua honra na CPMI, cometendo crimes de dimensão privada e pública, veio à luz a desmoralização do meliante moral. Mas é bom frisar: não é o tamanho que tem Patrícia que evidencia o fundo do poço a que chegamos. O alvo dos criminosos — E É PRECISO FALAR NO PLURAL — poderia ser alguém em início de carreira, emocionalmente mais frágil, sem estrutura para resistir aos ataques da máquina criminosa montada nas redes sociais para atacar, de maneira mais ampla, o jornalismo profissional e independente.

Sim, o alvo é particularmente Patrícia (e já direi por quê). Mas o que está sob ataque, reitere-se, é e o jornalismo que tem compromisso com a verdade, com os fatos, com os fundamentos do estado democrático e de direito. E este, convenha-se, não é agredido apenas por tipos como esse tal Nascimento. Todos os dias, às portas do Palácio da Alvorada, o sr. presidente da República, com a autoridade que lhe confere o cargo, dispara uma saraivada de aleivosias e de boçalidades contra os profissionais de imprensa, o que é imediatamente replicado pela esgotosfera que canta as suas glórias.

Não por acaso, quem deu a senha para a tentativa de massacrar a honra de Patrícia foi o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Vomitou, por exemplo, o seguinte no Twitter:
“Eita! Sr. Hans diz que Patrícia Campos Mello, correspondente internacional da Folha, se insinuou sexualmente para conseguir extrair informações dele. Agora imagine se fosse um homem se insinuando para cima de uma mulher?”

Observem que, além de admitir como verdadeira a mentira estúpida, Eduardo aproveita para naturalizar o assédio de um homem contra uma mulher. Ou por outra: dada a falsa imunidade de Patrícia para assediar, ele reivindica, então, por linhas tortas, que os homens não tenham de responder por um comportamento inadequado.

Eduardo também não disfarçou a quem interessava atacar a honra de Patrícia. Escreveu:
“Patrícia Campos Mello foi a jornalista da Folha q entre o 1º e 2º turno da eleição 18′ fez matéria acusando JB de contratar empresa q fazia disparos em massa de whatsapp. Com este artigo o PT entrou no TSE p tentar impugnar a candidatura de JB, mas perdeu”.

E teve início, então, o esforço para massacrar a honra e a carreira da jornalista, tendo na vanguarda o tal “Terça Livre”, de Allan dos Santos. Pergunta: quando é que os crimes destes senhor, que também têm dimensão pública, merecerão a devida atenção do Ministério Público Federal. Ao conferir, como fez, ares de verdade a uma armação torpe, Santos participa da mesma arquitetura criminosa que levou a mentira mais sórdida à CPMI das Fake News.

A vigorosa reação dos profissionais de imprensa — das mulheres em particular — é necessária. Não se trata mais, ainda que já fosse detestável, de uma campanha de natureza política contra a imprensa independente. Ultrapassou-se a linha que separa a abjeção moral do crime.

E, também nesse caso, é preciso chegar aos mandantes.