POR GERSON NOGUEIRA
A dupla Re-Pa contratou, até o momento, duas dezenas de supostos reforços para o começo da temporada. Um número ainda modesto em relação à vertiginosa quantidade de atletas importados no ano passado – cerca de 70. Ir às compras ao fim de cada ano virou rotina para os grandes da capital, incapazes de formar seus próprios jogadores.
Por enquanto, de 12 contratados, o Remo já utilizou oito (Xaves, Charles, Douglas Packer, Jackson, Giovane Gomez, Robinho, Gustavo Ermel, Lukinha) nos três jogos realizados pelo Parazão. Alguns foram escalados em todas as rodadas – Ermel, Jackson, Xaves, Lukinha e Robinho – e outros tiveram chances menores, casos de Giovane, Packer e Charles.

Dos que jogaram mais vezes, o rendimento menos satisfatório tem sido do volante Xaves, titular da meia-cancha, posicionado à frente da linha de zagueiros. Talvez por falta de adaptação às condições climática da competição, com gramados sempre encharcados, o volante não repetiu até agora as boas atuações que teve pelo Imperatriz na Série C 2019. Tem mostrado pouca combatividade e falhas na saída de bola.
Outro que ainda não conseguiu se encaixar foi Robinho, utilizado às vezes como ponta e outras como meia-armador. Não foi bem em nenhuma. Lukinha também apareceu em todos os jogos, mas não conseguiu o destaque exibido pelo Bragantino no ano passado. Circula pelo meio, avança pelo lado direito do ataque, mas produz pouco.
Ermel e Jackson têm sido exceções. Jackson, que entrou no final da partida com o Tapajós, assumiu a camisa 9 contra Carajás e Independente marcando um gol em cada jogo, com boa movimentação e desempenho elogiado por todos. Ermel atuou pelos dois lados, com melhor rendimento pelo lado direito, mas chamou atenção pela facilidade para o drible e chutes de fora da área.
Do outro lado da Almirante Barroso, o número de reforços é menor. Proporcionalmente, os jogadores tiveram menos chances de atuar nos três jogos porque a formação titular se baseia no time da última temporada.
O meia Alex Maranhão teve chance como titular em todas as partidas. Foi razoavelmente bem na estreia contra o Itupiranga, marcando um gol, mas caiu bastante de produção nos jogos seguintes.
O volante Serginho também teve três oportunidades e até agora não disse a que veio, com atuações discretas ou mesmo fracas, como a de domingo diante do Castanhal. Marca razoavelmente, mas não tem qualidade de passe para liderar a transição do meio para o ataque.
Deivid Souza entrou nas três partidas e não apareceu, talvez por desentrosamento ou condicionamento abaixo do nível geral. Contra o Castanhal, foi escalado de cara e não contribuiu para o funcionamento ofensivo. Fez a torcida sentir saudade de Elielton, que estava no banco.

Uilliam entrou em duas partidas e acabou se sobressaindo mais. Domingo, participou com a assistência no gol de Caíque e estava na área brigando pela bola no lance do segundo gol (de Nicolas).
Outro importado, Wesley Matos, teve atuação muito criticada, falhando seguidamente diante do rápido ataque castanhalense. Lento, não mostrou conexão com o restante da zaga, principalmente com o central Micael, tão perdido e alheio ao jogo quanto ele.
Dos novatos bicolores, a honrosa exceção tem sido o goleiro Gabriel Leite, que teve atuações seguras e convincentes contra Itupiranga e Bragantino, sem ter qualquer influência na derrota de domingo.
É importante ressalvar sempre que a competição está no começo e alguns dos jogadores avaliados agora têm condições de reagir nas próximas rodadas, levando em conta que o clássico Re-Pa cria uma oportunidade extra de afirmação perante as torcidas.
Há, ainda, um aspecto relevante a ser considerado: a adaptação aos esquemas adotados, notadamente no Remo, que sofreu muitas mudanças no time, com meio-campo e ataque inteiramente renovados. O PSC manteve a base de 2019, o que deve facilitar o encaixe dos novos atletas.
Áudio vazado cria ruídos, mas PSC foca no campo
O vazamento do áudio de uma conversa entre o diretor de Futebol do PSC, Felipe Albuquerque, e um interlocutor desconhecido causou mais alarido do que turbulência interna no clube. Focada nos compromissos de campo – Copa do Brasil na quinta-feira (6) e Re-Pa no domingo –, o ambiente não foi contaminado pelo episódio. Habilidosamente, a presidência tratou de atenuar o lado mais inflamável do áudio.
A coincidência de um vazamento após revés no campeonato e no começo de uma semana repleta de compromissos difíceis remete de imediato às escaramuças pré-eleitorais no clube. Soltar áudio de uma conversa de trabalho não é atitude de quem defende a pacificação interna.
Obviamente, parte do conteúdo da gravação pode vir a comprometer o trabalho do executivo de futebol, principalmente quanto ao bom funcionamento da gestão, visto que a crítica direta a um colega – ponto mais agudo da conversa grampeada – pode ter efeitos imprevisíveis.
CBF festeja sucesso do VAR com números suspeitos
Na cerimônia de entrega de 30 escudos da Fifa para árbitros e árbitras, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, apresentou o relatório do primeiro ano de uso do VAR (árbitro de vídeo) no futebol brasileiro e manteve a costumeira empolgação com os números.
Segundo o relatório, houve 98,4% de acerto nos lances auxiliados pelo VAR. Sem o uso do monitoramento de vídeo, o número de acertos era de 91%, garantiu Gaciba. “Seguimos na busca pela perfeição, mesmo sabendo que é impossível. Esse é o nosso trabalho”.
O problema é que são muitas as evidências de mau uso dos recursos do VAR, principalmente quanto à interpretação dos árbitros de vídeo. Além do mais, a estatística pré-VAR (91% de marcações corretas) é comprometida pelos fatos. O número de erros e presepadas está longe de coincidir com o balanço da Comissão de Arbitragem.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 04)