Papão em busca de afirmação

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo ainda não é definidor de posições na primeira fase do Campeonato Estadual, mas serve para medir o nível técnico do time do PSC, que começou conquistando duas vitórias e deixou dúvidas quanto ao rendimento dos setores de meio-campo e defesa.

Poucas alterações estão previstas para o confronto com o Castanhal. Hélio dos Anjos tem prestigiado a base do time que fechou a temporada 2019. Até mesmo a insegurança demonstrada pela defesa foi relativizada, como algo mais ou menos natural em começo de temporada.

De qualquer maneira, Wesley Matos, zagueiro recentemente contratado, é opção para substituir Micael, caso o técnico resolva imprimir um rodízio no setor. No marcação, Uchoa pode ser a novidade. Já recuperado da contusão sofrida na Série C, o jogador pode ser lançado para qualificar a saída de bola, visto que é um dos melhores passadores do elenco.

Nos primeiros jogos do campeonato, contra Itupiranga e Bragantino, a zaga ficou exposta a lances de velocidade e isso pode ser atribuído à distância entre a marcação de meio-campo e os zagueiros de área.

Contra o Tubarão, Hélio tentou corrigir o problema posicionando Caíque Oliveira praticamente na mesma linha de Micael e Perema, como um terceiro zagueiro. Ainda assim, o Bragantino ameaçou o tempo todo em investidas do atacante Vitinho e Vinícius Junior.

A insistência ofensiva do visitante, com chutes de média distância e de dentro da área, acabou por transformar o goleiro Gabriel Leite na principal figura do time, confirmando a boa estreia contra o Itupiranga.

Segundo informe do repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube, é possível que Deivid Souza ganhe oportunidade como titular substituindo Elielton. O atacante entrou na reta final das partidas, em mostrar a que veio.

O Castanhal, mandante jogando fora de seu estádio, busca recuperar a pegada inicial, quando venceu o Independente em Cametá. Promessa de um confronto interessante.

Flamengo vs. Globo: a ingratidão sem sentido

Está rolando um desacerto entre Flamengo e Globo em relação aos direitos de transmissão do Campeonato Carioca, por supostas divergências no contrato do Campeonato Brasileiro. Para surpresa geral, o clube ingressou com ação questionando eventuais direitos contratuais que estariam sendo negados pela emissora. O caso é sério: o Fla ajuizou ação na 36ª. Vara Cível do Rio de Janeiro contra a poderosa, cobrando judicialmente valores de cessão dos direitos de transmissão, pay-per-view e outras receitas. A empresa emitiu nota na qual diz confiar em “solução consensual”.

Repito o que escrevi aqui quando torcedores do Flamengo hostilizaram jornalistas da Globo na comemorações pelo título da Libertadores: nada justifica a ingratidão, um dos piores defeitos humanos. Se há alguém que não pode se queixar da emissora líder de audiência é a massa rubro-negra. Uma ligação tão afiada, construída ao longo de décadas e sedimentada nos últimos anos, não pode ser destruída por detalhes tão menores.

Confio que, como bem prevê a emissora, logo será fumado o cachimbo da paz e a parceria vitoriosa será mantida.

Bola na Torre

O programa começa às 22h30, na RBATV, logo depois da transmissão da NBA, com apresentação de Guilherme Guerreiro. Na bancada de debates, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. Em pauta, a 3ª rodada do Parazão.

Camisa 24: Bahia investe contra o preconceito

O Bahia desbrava mais um bolsão de resistência no universo do futebol no Brasil. Depois de ousar em campanhas inclusivas e de preocupação ambiental, o clube lança-se contra a homofobia tendo como símbolo a camisa 24, que será usada pelo volante Flávio.

Mais importante: o Bahia inicia a cruzada, convidando outros clubes a seguirem o mesmo caminho. Flávio decidiu que usará o número 24 por toda a temporada. A estreia foi contra o Imperatriz-MA, pela Copa do Nordeste, na terça-feira (28).

Além de um brado contra a idiota discriminação ao número pelos clubes brasileiros, a camisa de Flávio homenageia a lenda Kobe Bryant, do Los Angeles Lakers, tragicamente desaparecido em acidente de helicóptero no último domingo.

Um sinal de que a iniciativa do Bahia tende a frutificar é que o Corinthians, antes refratário à ideia, anunciou na sexta-feira que o meia colombiano Cantillo usará a 24 na temporada. O engraçado é que o Timão já teve o goleiro Cássio usando o número em 2012. Outro exemplo é Euller, o Filho do Vento, que vestiu a camisa 24 durante campanhas vencedoras de Libertadores pelo Palmeiras.

O estigma envolve todo o país, como se o número que simboliza o veado no jogo do bicho fosse definidor do gênero de cada um. No futebol do Pará não se tem notícia de jogador que usasse o número. Quem será o primeiro a quebrar a escrita?

Uma importante vitória da periferia

A coluna de hoje é dedicada aos milhares de estudantes da periferia de Belém e cidades interioranas do Pará, forjados no ensino público, que conquistaram acachapante e inédito índice de aprovação na UFPA e na Uepa. 

É uma vitória das pautas afirmativas de direitos, tão ameaçadas. Revela também a capacidade e competência de nossos professores. Parabéns a todos os envolvidos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 02)

5 comentários em “Papão em busca de afirmação

  1. Não faz o mínimo sentido reduzir as divergências contratuais entre Flamengo e Rede Globo a um pueril sentimento de gratidão. Mesmo nos momentos mais tormentosos do Mengão, atazanado por gestões rapaces que tentavam devorar o clube como carniça, ele sempre deu retorno financeiro ao investimento global, principalmente em toda extensão do Rio de Janeiro, boa parte de Minas Gerais e as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste onde o Flamengo ajudou a garantir audiência à Vênus Platinada.
    Ano passado, por amarras contratuais, o Flamengo chegou a vender jogos do clube para Portugal a 50 mil euros, pra respeitar o contrato principal com a rede dos Marinhos.
    Por isso, quando o Fla recusa ceder os direitos de transmissão de suas partidas ao preço referente ao contrato de 2016, está simplesmente seguindo as nuances mercadológicas, oportunamente resumidas nas palavras de seu diretr de marketing que assim falou, a hora que a Globo cobrar um anúncio de 30 segundos, no intervalo do Faustão, pelo mesmo preço que cobram Bandeirantes e RedeTV por um anúncio de mesma duração, então, voltamos a negociar.
    Pra finalizar, o Flamengo é responsável pela aquisição de 19% de toda a audiência do pay per view, logo, se há ingratidão esta não parte do clube, mas de quem tenta manter seu monopólio às custas da fulanização dos custos desse monopólio.

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    1. O Flamengo é o clube que mantém as melhores relações com a Globo, há pelo menos 40 anos. Fato público e notório, amigo Amorim. Lamento que tal relação não seja algo que algum clube possa se orgulhar, mas as ligações são antigas e de mão dupla, quanto a lucros e objetivos. Daí a percepção, exposta no comentário, de que há algo de ingrato na atitude flamenguista de acionar judicialmente a velha parceira.

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