
“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.
Santo Agostinho

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.
Santo Agostinho


Faça seu povo odiar a política. A política resolve nada, é só corrupção, esqueça isso. A virtude está no mercado, que é impessoal e entrega o que você quer.
Tenha domínio sobre sua grande mídia. Como fazer isso? Simples, basta entregá-la para a burguesia local alinhada aos interesses das grandes potências capitalistas, como os EUA fizeram com a Globo via Time Warner.
Use essa mídia para repetir 24 horas o mantra de que política é corrupção, políticos, principalmente de esquerda, são demagogos e populistas, e que a virtude está no mercado. Use essa mídia para dizer que quem provoca a desigualdade e a pobreza é o funcionalismo público e as políticas “intervencionistas” do Estado.
Você é pobre porque paga via imposto a fortuna de R$ 3.000,00 como salário para o seu Zé que trabalha no almoxarifado do fórum da esquina. Você não pode fazer universidade porque as unis públicas só querem saber de aluno “riquinho”. Você não pode comprar playstation barato por culpa da política econômica do Estado.
Use a mídia para dizer que tudo o que é do Estado não presta e só dá gasto, para assim a população concordar com a entrega das riquezas nacionais, como petróleo, infraestruturas de energia e transporte, investimento em pesquisa e desenvolvimento, estatais estratégicas, principalmente as que fomentam complexidade (caso mais recente: Embraer), enfim, para que a maior corrupção de todas, o roubo de tudo aquilo em que está o desenvolvimento e o futuro como algo bom e necessário.
Use a mídia para engrandecer e glorificar o “agronegócio”, para assim condenar o país a uma economia primária, para que nunca desenvolva sua indústria e nunca se torne um concorrente dos produtos industrializados dos países centrais,ameaçando assim sua hegemonia.
Sim, o capitalismo é um jogo de soma zero e se os países periféricos ganharem complexidade, os países centrais perdem. O sucesso dos 20 países capitalistas centrais depende totalmente do fracasso dos 180 países capitalistas periféricos.
Invisibilize os ricos dizendo que os ricos são os funcionários públicos e a classe média. Para tal, use a mediana de renda, que em país pobre rebaixa a linha da pobreza a tal ponto que até um lixeiro assalariado é considerado rico. Assim, os reais ricos ficarão livres de críticas, afinal, eles não existem! o que existe é uma classe média e funcionários públicos privilegiados.
Desta forma, a necessidade da tributação progressiva e taxação das grandes fortunas fica invalidada e a extrema desigualdade, um dos fatores que possibilitam a colonização moderna, se mantém.
Mantenha sua população na ignorância, não permita que desenvolva senso crítico, no máximo deve receber uma educação voltada para os interesses do mercado. Uma população ignorante é mais vulnerável a acreditar no mantra de que política é o mal e o mercado é o bem.
A pobreza, por sua vez, não só traz carência material, mas sobretudo emocional, tornando as pessoas vulneráveis aos exploradores da fé. Estes, por sua vez, naturalizam o status quo, demonizam os progressistas e desenvolvimentistas e fortalecem o conservadorismo moral, paralisando a sociedade.
Fomente o complexo de vira-lata, o individualismo e a meritocracia. Nos países subdesenvolvidos, isso possui um efeito mais efetivo do que 10 mil bombas atômicas, pois destrói qualquer possibilidade de união, pertencimento, de coesão, de real nacionalismo, muito pelo contrário, fomenta um ambiente de extrema competitividade, de hostilidade, de ódio mútuo, minando qualquer possibilidade do surgimento da cidadania e de um caráter nacional, para assim facilitar o saque do país pelos interesses estrangeiros.
Treine a “justiça” desses países para que criminalize qualquer político, seja de direita ou de esquerda, que ousar orientar seu país para uma direção menos subalterna em relação aos países centrais, que acredite no potencial do seu país e do seu povo, que sabe que entre o capitalismo de Estado “intervencionista” que explora o conhecimento e o capitalismo liberal que explora matéria-prima, apenas o primeiro traz real desenvolvimento.
Quando um país periférico tentar copiar o modelo de desenvolvimento que os países ricos usaram, use a justiça local para dizer que isso é corrupção e criminalizar a política.
Crie think tanks neoliberais e ultraliberais para imbecilizar a classe média e para fortalecerem o mito de que os 20 países centrais do capitalismo se desenvolveram com “livre mercado”, escondendo a real receita do bolo: o uso do Estado para proteger a economia, criar infraestrutura, investir em ciência e tecnologia, sendo o mercado apenas um coadjuvante, que se aproveita do desenvolvimento planejado politicamente.
Este é o manual básico de como manter suas colônias em pleno século XXI, que ainda vai ter eficácia por muito tempo entre um povo que odeia mais um funcionário público do que o patrão que o explora, que odeia mais um comediante do que o pastor que o rouba, que odeia mais um sindicalista do que o banqueiro que o estupra na base de taxas e juros. (De MPH)


Por Fernanda Valente, no site do Conjur

No apagar das luzes de 2019, a corregedoria nacional do Ministério Público decidiu arquivar processos contra o procurador da República Deltan Dallagnol. No dia 19 de dezembro, último dia antes do recesso forense, foi determinado o arquivamento de 6 dos 23 processos movidos no ano contra o chefe da força-tarefa da “lava jato” em Curitiba.
Chama atenção ainda a proximidade dos horários em que as decisões foram publicadas, algumas com segundos de diferença. Assina os arquivamentos o corregedor Rinaldo Reis Lima.
A maioria das reclamações tem como base as conversas entre procuradores e autoridades que foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil. Duas delas foram ajuizadas pelo senador Renan Calheiros (MDB) e pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que pediam a apuração de investigações informais pelos procuradores contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com as conversas, Deltan tentou conectar o ministro Dias Toffoli aos casos de corrupção alvo da operação e a procuradora Thaméa Danelon, do MPF em São Paulo, colaborou com a redação de um pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes.
Ao analisar os pedidos, o corregedor considerou incerta a existência das conversas e não descartou a possibilidade de adulteração das mensagens. Neste contexto, disse, a prova é estéril para apuração disciplinar.
O corregedor também levou em conta que não houve autorização judicial para a interceptar os celulares dos procuradores e, por isso, as mensagens são “ilícita e criminosa, o que a torna inútil para a deflagração de investigação preliminar. Reconhecimento, no caso, da imprestabilidade da prova ilícita por derivação (Teoria dos ‘frutos da árvore envenenada’).”
Palestras e fundo bilionário
Outra reclamação tratava de atuação irregular. Deltan fez uma palestra remunerada no valor de R$ 33 mil para uma empresa citada em acordo de delação na “lava jato”. Neste caso, o corregedor entendeu que não havia comprovação de conflito de interesses. Além disso, afirmou que o ato de dar palestras remuneradas “não se configura em ilícito disciplinar”, conforme julgado do CNMP.
Outro alvo de reclamação foi o acordo da Petrobras que previa a criação de uma fundação bilionária que seria gerida pelos integrantes do consórcio formado em torno da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.
Apresentada por deputados do PT, a reclamação também questionava a parceria com o advogado Modesto Carvalhosa que, como mostrou a ConJur, era sócio da “lava jato” no fundo.
De acordo com o corregedor, porém, a questão já foi analisada e arquivada pela Corregedoria-Geral do MPF. “Múltiplos elementos suportam a boa-fé na condução dos atos que levaram ao Acordo questionado, mesmo que equivocada a fixação da destinação dos valores a serem revertidos ao Brasil”, entendeu o corregedor.
O acordo foi problemático desde que anunciado. Após tantos questionamentos, a própria força-tarefa deu um passo para trás e decidiu suspendê-lo.
Os efeitos foram realmente suspensos por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que entendeu que tratava-se de “medida precária implementada por órgão incompetente”. Há ainda quatro processos no Tribunal de Contas da União que pedem esclarecimentos sobre fundo.
Procurada, a assessoria de imprensa do CNMP não se manifestou sobre as decisões.
Efeito dos vazamentos
As reclamações apresentadas ao CNMP contra Deltan ganharam coro depois que o site The Intercept Brasil publicou conversas dos procuradores de Curitiba com autoridades, como Sergio Moro, à época juiz e hoje ministro da Justiça.
Em números, enquanto 2016 e 2017 foram abertos quatro processos contra ele (dois em cada ano), e em 2018 foram sete. Mas o salto aconteceu mesmo em 2019, registrando 23 processos, três deles correndo em sigilo, sob os números: 1.00214/2019-85, 1.00579/2019-37 e 1.00589/2019-81. Dois desses questionam o fundo bilionário com dinheiro da Petrobras. O terceiro aponta violação de sigilo funcional.
Até hoje o procurador foi punido em um processo. Nele, o CNMP decidiu aplicar uma advertência por críticas feitas ao Supremo Tribunal Federal. Os conselheiros seguiram o voto do relator, que afirmou que ocupantes de cargo público tem direito à honra, “mas tal proteção deve levar em conta um limite mais largo de tolerância à crítica para a garantia de uma democracia pluralista”.
Nas redes sociais, o procurador afirmou que a advertência “não reflete o apreço que tenho pelas instituições”. Ele defendeu que as críticas às decisões do STF fazem parte do exercício da liberdade de expressão e crítica.

Por Alex Solnik
Para dizer o mínimo, a nota do governo brasileiro a respeito do ataque dos Estados Unidos ao Irã, condenando o terrorismo, excede em hipocrisia, em faltar à verdade e em insultar a inteligência dos brasileiros.

Não pode falar em combater terrorismo o governo que não lamentou nem se pronunciou quando terroristas de extrema-direita – comprovadamente bolsonaristas e olavistas – praticaram um atentado contra a produtora Porta dos Fundos na véspera de Natal.
O principal deles, Eduardo Falzi, que já assumiu a autoria do crime e confirmou que foi avisado que seria preso, está refugiado na Rússia.
A polícia civil do Rio de Janeiro pediu ajuda à Interpol para prendê-lo, mas sua extradição para o Brasil está condicionada a trâmites burocráticos que devem ser conduzidos pelos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores.
Como sabem até as pirâmides do Egito, seus titulares, Sérgio Moro e Ernesto Araújo, são também bolsonaristas e olavistas, e nunca atuam em defesa do Estado e sim do governo, o que indica que envidarão todos os esforços não só para procrastinar a operação, mas para evitar que ela se concretize, pois tudo o que interessa ao governo é abortar a investigação.
Governo que protege terrorista, como está demonstrando, sem constrangimento algum, estimula o terrorismo em vez de combatê-lo.
Matéria da revista Exame mostra as chances brazucas numa eventual guerra:

O Exército brasileiro usa o mesmo fuzil de produção nacional há 45 anos, seus equipamentos de comunicação estão obsoletos e dispõe de munição para uma hora de guerra, segundo fontes militares, citadas nesta segunda-feira pela imprensa.
Cerca de 92% dos meios de comunicação dos militares estão obsoletos e 87% dos equipamentos estão completamente inutilizáveis, de acordo com a versão oferecida pelo portal G1 baseado em documentos e depoimentos de militares na reserva.

“Dá pra acreditar que este foi o melhor entre os outros bilhões de espermatozóides?”.
(Lula Dias, no Twitter)
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