ABI rechaça ataques de Bolsonaro a jornalistas

Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, rechaçou as declarações de Jair Bolsonaro em mais um ataque à imprensa nesta segunda-feira (6) ao afirmar que os jornalistas brasileiros são uma “raça em extinção”.

A nota assinada pelo presidente da ABI, Paulo Jerônimo de Sousa, enfatiza que o “país e o mundo têm sido surpreendidos, a cada momento, por declarações estapafúrdias do presidente da República e de seus auxiliares mais próximos”.

“O presidente não deve confundir o que talvez seja um desejo oculto seu com a realidade”, destaca outro trecho da nota, que afirma que a informação é uma necessidade vital nas sociedades modernas.

“E, com certeza, sobreviverá por mais tempo do que políticos inimigos da democracia, que, estes sim, tendem a ser engolidos pela história”, conclui.

Texto na íntegra:

O país e o mundo têm sido surpreendidos, a cada momento, por declarações estapafúrdias do presidente da República e de seus auxiliares mais próximos. Até a manhã desta segunda-feira (6), a mais recente dessas declarações tinha sido a de que os jornalistas são ‘uma espécie em extinção’, que, como tal, deveriam ficar sob os cuidados do Ibama.

O presidente não deve confundir o que talvez seja um desejo oculto seu com a realidade.

Enquanto a informação for uma necessidade vital nas sociedades modernas, e ela será sempre, o jornalismo vai continuar a existir.

E, com certeza, sobreviverá por mais tempo do que políticos inimigos da democracia, que, estes sim, tendem a ser engolidos pela história.

Paulo Jerônimo de Sousa,
Presidente da ABI

Ídolo azulino está hospitalizado em estado grave

Bira, ídolo do Remo na segunda metade da década de 1970, passou mal ontem, em Macapá, onde mora e a família providenciou sua transferência para Belém, onde está hospitalizado. Diagnosticado com hepatite, seu estado de saúde é considerado grave. Por intermédio do desportista e dirigente cruzmaltino Alírio Gonçalves, o ex-jogador foi hospitalizado na Beneficente Portuguesa.

Em 2018, ele foi festejado pela torcida do Remo antes do jogo contra o Internacional, pela Copa do Brasil, no estádio Jornalista Edgar Proença. O ex-atacante é considerado o maior artilheiro de uma única edição do Campeonato Paraense, ao marcar 32 gols em 1979. Um ano antes, fez os cinco gols da goleada remista sobre o Guarani de Campinas, que se tornaria o campeão brasileiro da temporada.

Ubiratã do Espírito Santos, hoje com 66 anos, foi ídolo de Remo e do Internacional-RS, teve carreira de destaque no futebol. Foi artilheiro do Parazão em 1977, 1978 e 1979, integrando um dos grandes times da história do Leão, ao lado de Aderson, Dutra, Marajó, Mesquita, Julio César e Dico (fotos).

Foi campeão brasileiro em 1979 pelo Internacional de Falcão e Mauro Galvão. É o quarto maior goleador do Remo em todos os tempos, com 132 gols. O lateral Aldo, que jogou no PSC e no Fluminense, é irmão do ex-atacante.

Rock na madrugada – Spooky Tooth, Waitin’ For the Wind

Remo saúda a volta do Homem Aranha

Douglas Packer, meia que se destacou na campanha do Remo na Série C 2019, está de volta ao Evandro Almeida. Ele deixou o time na metade do Brasileiro atraído por uma proposta do futebol de Malta.

Leão anuncia reforço para a zaga

O Clube do Remo anunciou na manhã desta segunda-feira o zagueiro Neguete como nova contratação para a temporada. Revelado nas divisões de base do Cruzeiro, o jogador tem 29 anos e 1,92 de altura, e já atuou por clubes como Juventude e Luverdense. Por último, vinha jogando no futebol de Portugal.

Mídia espanhola já coloca Reinier no Real

O Real Madrid está muito perto de acertar a contratação do meia Reinier, do Flamengo. Enquanto isto não se concretiza, o jornal “Marca”, da Espanha, já colocou o garoto de 17 anos em sua capa e o apontou como possível “futuro” do clube merengue. “Presente de Reinier”, escreveu o diário em sua capa de amanhã, aproveitando para elogiar outros jovens atletas.

“Chega uma década empolgante: Odegaard (21 anos), Lunin (20), Achraf (21), Rodrygo (18), Vinícius (19), Kubo (18), Valverde (21), Militão (21), Brahim (20)”, completou.

Os primeiros sinais de ajuste

POR GERSON NOGUEIRA

Jogos de preparação normalmente não empolgam a torcida, pois servem mais para a observação dos técnicos do que propriamente para encantar plateias. O amistoso de sábado, no Baenão, entre Remo e Castanhal, tinha esse desenho, mas se revelou mais vibrante do que o esperado. Muito em função do visível empenho dos azulinos em se apresentar bem e deixar uma impressão positiva, mostrando os primeiros sinais de arrumação tática.

A boa presença de público deu à partida características mais competitivas, principalmente por parte dos jovens oriundos da base remista que estão sob a avaliação do técnico Rafael Jaques. Todos se mostraram atentos à responsabilidade de mostrar qualidades

Apear de demonstrações de desentrosamento do dos lados, principalmente na parte defensiva, o Remo manteve o jogo sob controle e sempre tomou a iniciativa caindo de rendimento somente na etapa final quando começaram as substituições.

Com erros de posicionamento, a zaga castanhalense cedia espaço e permitiu que o Remo avançasse trocando passes até a entrada de sua área. As articulações tinham o envolvimento de Charles, Robinho, Eduardo Ramos e Gustavo Ermel. Se a parte defensiva não ia tão bem, do meio para frente o Leão mostrava rapidez e jogadas de habilidade.

Foi desse jeito que nasceu o lance do primeiro gol, aos 15 minutos. Um cruzamento de Djalma pegou a defesa do Japiim desarrumada e Ermel apanhou o rebote, livre para tocar em direção ao gol. Melhor azulino da partida, aplaudido quando deixou o campo, Ermel fez grande jogada aos 35’ e ampliou.

Mesmo com o gol de Pecel no fim do 1º tempo para o Castanhal e com as mexidas feitas por Rafael Jaques, o Remo se manteve tranquilo ao longo da etapa final. Wallace, o jovem artilheiro, balançou as redes de novo (havia feito o gol no amistoso em Castanhal) batendo de fora da área.

O quarto gol foi marcado também por um garoto da casa. Hélio Borges chutou cruzado e o goleiro Artur não segurou. Foi a primeira vitória de Jaques, o que ajuda a aliviar a ansiedade de parte da torcida, mas ainda não diz muito sobre o estágio atual da equipe. Existe um buraco à frente da zaga e o lado esquerdo requer cuidados.

No Castanhal, ficou a impressão de que Artur Oliveira terá que redobrar os treinamentos para alcançar a solidez que permita brigar pelo objetivo declarado do clube no Parazão: conquistar a vaga à Série D.

Os melhores do amistoso: Ermel, Charles, Robinho, Mimica e Djalma, pelo Remo; e Alisson, PC e Fazendinha, pelo Castanhal. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

No Papão, a luta é pela qualificação do elenco

A dupla Re-Pa se mobiliza para fechar elencos para a primeira parte da temporada. O Remo saiu na frente, contratando mais e praticamente definindo o grupo de jogadores já no começo de dezembro. O PSC, que teve a fase de preparação atrapalhada pelo retardamento da final da Copa Verde, apresentou-se na sexta-feira e ainda não completou o número de atletas (30) para a pré-temporada, prevista para Barcarena.

Os torcedores ficam angustiados nesta época do ano, quando as especulações e dúvidas marcam o noticiário esportivo. É natural que o grau de expectativa seja maior em relação ao PSC, que terminou 2019 com o peso de não haver conquistado nenhum título.

Na primeira entrevista após as férias, o técnico Hélio dos Anjos destacou o fato de terem sido mantidos sete titulares – Tony, Micael, Perema, Collaço, Elielton, Nicolas e Vinícius Leite. Interessante também foram as pistas que o treinador deu sobre os reforços. Pela descrição de suas qualidades, o zagueiro Wesley Matos chega para ser titular e xerife da defesa.

O mesmo acontece com os volantes Serginho e PH, cujas características foram muito destacadas por Hélio. Quanto ao meia Alex Maranhão, velho conhecido do técnico, a situação é mais tranquila. O PSC não tem camisa 10 desde que Thomas Bastos, Leandro Lima e Tiago Luís foram liberados.

Alex vem credenciado para ser titular e é até agora a mais importante aquisição, embora a diretoria sinalize que ainda busca dois outros jogadores para o setor de criação.

Força da grana desenha cenário para 2020

A dança de cadeiras comum a toda final de temporada revela desta vez a exuberância financeira de clube como Flamengo e Palmeiras, em dose menor, e a indigência dos demais clubes da Primeira Divisão brasileira. Enquanto o Flamengo caminha para ter um orçamento em torno de R$ 1 bilhão em 2021, os outros clubes se contentam com transações envolvendo troca de jogadores sem grande relevância.

E, mesmo em relação a revelações cobiçadas, como Michael (Goiás), não sobra nada para a patuleia. O atacante, que já foi sondado pelo Corinthians, está no radar de Grêmio e Palmeiras, mas o Flamengo já tenta atropelar e fechar a contratação. Depois de tirar do Santos o zagueiro Gustavo Henrique, repetindo o que havia feito com Gabriel Barbosa e Bruno Henrique em 2019, o Fla mostra-se implacável.

O fato é que há um processo galopante de ‘espanholização’ do futebol no Brasil. Os que conseguem escapar à situação pré-falimentar, como o Flamengo (que há até cinco anos vivia hiper endividado) e o Palmeiras (que achou na Crefisa um suporte que teve na Parmalat anos antes), nadam de braçada na comparação com os demais times, argolados em dívidas e adiantamentos de quotas de TV não se sabe até quando.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 06)

A frase do dia

“O autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, acaba de ser deposto por quem o autoproclamou. Entre outros motivos por corrupção e traição. E agora? Como fica a cara da UE? A do Bozo não interessa. Ele não tem cara. E o Grupo de Lima, tesão de Ernesto Araujo? Limado”.

Palmério Dória, jornalista e escritor

Pra não esquecer a poesia

“Esta página, por exemplo, não nasceu para ser lida.

Nasceu para ser pálida, um mero plágio da Ilíada,

alguma coisa que cala,

folha que volta pro galho,

muito depois de caída”.

Paulo Leminski

Sarney conta sua versão da “guerra” de Carajás

Por José Sarney – publicado em “Os Divergentes”

As minas de ferro de Carajás determinaram uma guerra entre o Pará e Maranhão. É que essas minas, das maiores do mundo, pela sua localização no interior do Pará, não tinham como escoar sua enorme riqueza. Desencadeou-se uma guerra para saber como viabilizar seu aproveitamento. O escoamento seria por via fluvial ou terrestre — ferroviária?

O Pará reivindicava a via fluvial, pois assim todas as receitas de sua exploração seriam naquele estado. Acontece que ele, dos mais ricos do Brasil, não dispunha de porto com o calado necessário para escoar tanto minério de ferro, além do Rio Tocantins necessitar de uma barragem dotada de comportas, a serem construídas em Tucuruí, sem o que o Rio não seria navegável.

Foi aí que o Maranhão entrou na história oferecendo a solução ferroviária da construção da Estrada de Ferro de Carajás até o Itaqui, porto que, tendo uma das melhores localizações do mundo, poderia capacidade de receber graneleiros de até 400.000 toneladas, o que acontece hoje.

Mas o Pará não se conformava com essa solução. Numa dessas reuniões de bancadas com o Presidente Médici, o Deputado Epílogo de Campos, paraense de grande talento, disse ao Presidente:

— O Pará tem direito, Presidente.

O Presidente Médici respondeu:

— Direito tem, o que não tem é Porto.

É que eu já construira o Porto do Itaqui com esse objetivo, sabendo que se tivéssemos o porto em condições o viabilizaríamos, pois Carajás seria a grande fonte de carga que sustentaria o Itaqui. Para isso lutei com todas as forças, tendo o apoio decisivo do Ministro Andreazza, do Presidente da Vale, Eliezer Batista e de Vicente Fialho, que o Ministro Cesar Cals, que tinha sido Presidente da Cemar, nomeara presidente da Amazônia Mineração, companhia criada para estruturar a presença da Vale nesta região.

Foi uma guerra. Lutei e finalmente vencemos. O Maranhão conquistou Carajás. Fui ao Pará, falei na Associação Comercial tentando fazer as pazes entre os dois estados. Depois da minha conferência, em que eu dizia que o Maranhão salvara Carajás com o Porto do Itaqui, o Fialho que fora ao banheiro, ouvira a conversa de dois empresários paraenses:

— O Sarney, com essa conversa, se não abrirmos os olhos, termina levando o Círio de Belém para São Luís.

Injustiça, ninguém mais admirador, amigo e desejoso do desenvolvimento do Pará do que eu. Os tempos passaram. Hoje vê-se que o Pará muito lucrou juntando-se ao Maranhão, promovendo um dos maiores polos de riqueza do Brasil.

Fico feliz de ter contribuído para essa grande obra. Ajudei Carajás, o Maranhão, o Pará e o Brasil. O Maranhão sem o Itaqui, que eu construí, e sem Carajás, que viabilizei, não teria as perspectivas que hoje tem — terceiro porto do Brasil.

— José Sarney é ex-presidente da República, ex-senador, ex-governador do Maranhão, ex-deputado, escritor da Academia Brasileira de Letras.