As suspeitas por trás das denúncias contra a cerveja Belorizontina

Por Keirison Lopes

Tenho uma intensa relação com cervejas. Primeiro por razão óbvia: adoro aquele líquido. Além da relação pessoal, por ser um organizador de blocos de Carnaval e escola de samba, comecei a entender melhor os aspectos comerciais que envolvem esse bilionário mercado, que está acima de todas as crises econômicas. As cervejarias são as principais patrocinadoras da folia.

Com a desastrosa (des)organização do Carnaval por parte da Prefeitura de Belo Horizonte, que não apoia devidamente os verdadeiros realizadores do evento (blocos e escolas de samba), a dependência dos patrocínios privados para colocar o bloco na rua é enorme. E a gigante das cervejas, a Ambev, sabe disso.

Há anos, ela mantém uma relação umbilical com os dirigentes da Belotur (empresa de turismo municipal). Ela ganha o edital de patrocínio máster e vira a cerveja exclusiva do Carnaval. O poder público, indevidamente, cuida de garantir a exclusividade da comercialização e divulgação da marca e fiscais da PBH se transformam em capitães do mato invadindo os desfiles e confiscando tudo que não for divulgação da patrocinadora oficial.

Com o ocorrido com a Cerveja Belorizontina e com a Backer, tudo leva a crer que a Ambev vai ter vida ainda mais fácil neste Carnaval. Sem dúvida, ela é a principal beneficiada com as denúncias da Polícia Civil e Ministério da Agricultura contra a cervejaria de Belo Horizonte, que é suspeita de ter dois lotes de produção contaminados com uma substância tóxica que pode ter levado a óbito uma pessoa e deixando enfermas outras nove.

O caso vai impactar diretamente no Carnaval, período em que cerveja é o produto mais consumido. A situação que já estava difícil na vida financeira dos blocos, vai piorar muito. Apesar de contribuir com patrocínios menores, as cervejas artesanais investem em alguns blocos. O Volta Belchior, por exemplo, foi patrocinado nos dois últimos anos por elas. E as negociações para renovação, que estavam em curso, foram suspensas em função dos últimos acontecimentos.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Agricultura determinou o fechamento de toda a fábrica da Backer. A decisão vai cair como uma bomba não só para aquela empresa, mas atinge todas as marcas de cerveja artesanal que estão conquistando o mercado e tirando vendas das empresas do todo poderoso Jorge Lemann, dono da Ambev.

De uns anos pra cá, comecei a perceber que amigos faziam uma pergunta comum ao chegar em um bar: “tem cerveja puro malte?”. No início, confesso que achei frescura. Depois, percebi que a pergunta fazia todo sentido. As cervejas mais vendidas, da Ambev, tinham como base na produção o milho e não a cevada, e, com certeza, as suas vendas sofriam grande impacto com a percepção do brasileiro que estava há anos sendo enganado.

Comecei a fazer a seguinte pergunta: “como a Ambev vai reagir para não perder ainda mais mercado? Inteligentemente, no início, ela não criou produtos com base em puro malte. Optou por adquirir cervejarias que estavam se consolidando no mercado com essa fórmula, que passaram a fazer parte da sua poderosa rede de distribuição. Os casos mais emblemáticos são as aquisições da premiada mineira Cerveja Walls e da Colorado, de Ribeirão Preto (SP).

Segundo informações, a Ambev fez muitas gestões, sem sucesso, no sentido de adquirir também a Backer. Diferente das outras, a empresa de BH resolveu enfrentar o monopólio e se consolidar nacionalmente como uma cerveja de qualidade. Para isso, criou um produto mais popular, que poderia concorrer em preço com as marcas da Ambev. Essa cerveja é a Belorizontina. E eis que ela é atingida por um míssil em pleno voo.

Não tenho nenhum elemento para afirmar se a morte e as enfermidades têm relação ou não com o consumo da cerveja em determinado bairro de BH. Sou plenamente solidário às famílias que estão sofrendo com essa tragédia. Mas, conhecendo o capitalismo selvagem brasileiro, cada vez mais selvagem, só posso ficar muito desconfiado com essa história. Nunca vi o poder público agir tão rápido, como fez com a Backer.

Minha praia é o jornalismo e a imprensa e posso afirmar que o poder que move essa indústria é o dinheiro. E é o que a Ambev tem de sobra. A cobertura do caso da Backer está muito rasa até aqui.

Primeiro surgiu uma mensagem sendo compartilhada em massa via Watshap acusando a Belorizontina de ser a causadora da morte de uma pessoa. Basta lembrar das eleições de 2018 para saber do poder destruidor das Fake News espalhadas pelo aplicativo. Lembremos também que Jorge Lemann foi um dos financiadores do Golpe contra Dilma e um dos entusiastas de Bolsonaro, que teve uma campanha toda baseada nas mentiras espalhadas por Watshap.

A versão contra a cerveja ganhou “legitimidade” com um laudo da Polícia Civil de Minas (também espalhado por Watshap). Após toda uma campanha acusatória contra a Belorizontina feita no submundo da Internet, foi a vez da “grande” imprensa entrar em campo. O caso virou capa de todos os portais de Minas e passou a ter destaque na imprensa nacional. E, para a imprensa mineira, a Backer já foi condenada e culpada.

Depois de todo o circo midiático armado contra a Belorizontina, entrou em ação o Ministério da Agricultura do governo Bolsonaro, aliado de primeira hora de Lemann, para embargar toda a produção da Backer.

Independentemente das apurações e análises laboratoriais que ainda estão em curso, o estrago contra a Backer e todas as cervejas artesanais já está feito. E quem ganha com isso é o monopólio da Ambev. A poderosa empresa sabe jogar com as regras (lícitas e ilícitas) do mercado.

Como jornalista e mineiro, minha obrigação é estar sempre desconfiado. E, se tratando de Ambev, Jorge Lemann, Polícia Civil, governo Bolsonaro e imprensa brasileira, nem se fala.

*Ex-presidente na empresa Jornalistas de Minas e Presidente na empresa Casa do Jornalista

As contratações mais caras do futebol brasileiro

A contratação de Michael junto ao Goiás custou R$ 34 milhões aos cofres do Flamengo. Apesar da quantia relevante, essa foi apenas a 8ª negociação mais cara do futebol brasileiro. O próprio Rubro-Negro segue no topo da lista das transações mais caras em valores absolutos ao tirar Arrascaeta do Cruzeiro: R$ 63,4 milhões. A história seria completamente se os valores fossem corrigidos.

Nesse caso, o Corinthians roubaria a primeira colocação do Flamengo. É que os US$ 19 milhões investidos em 2005, quando tirou Carlos Tevez do Boca Juniors, equivalem a cerca de R$ 130 milhões atuais. O Vasco apareceria na segunda colocação ao repatriar Edmundo: R$ 99 milhões (USS 13 milhões, em 1999).

Em valores absolutos, o Flamengo é quem rouba a cena. O clube da Gávea aparece em quatro oportunidades entre os dez primeiros. Corinthians, com Tevez, e Inter, com Nico López, são os intrusos no Top 5, impedindo a supremacia rubro-negra. O clube do Parque São Jorge é o segundo time com mais aparições no top 10: três.

Top 10 das maiores negociações

1º – Flamengo comprou Arrascaeta (foto) do Cruzeiro – R$ 63,4 milhões

2º – Corinthians comprou Tevez do Boca Juniors – R$ 60,5 milhões

3º – Flamengo comprou Gerson da Roma – R$ 49,7 milhões

4º – Inter comprou Nico López da Udinese – R$ 44,8 milhões

5º – Flamengo comprou Vitinho do CSKA – R$ 44 milhões

6º – Santos comprou Leandro Damião do Inter – R$ 41,6 milhões

7º – Corinthians comprou Alexandre Pato do Milan – R$ 40,5 milhões

8º – Flamengo comprou Michael do Goiás – R$ 34 milhões

9º – Palmeiras comprou Borja do Atlético Nacional-COL – R$ 33 milhões

10º – Corinthians comprou Nilmar do Lyon – R$ 27,8 milhões

Neil Peart: adeus a um monstro das baquetas

Neil Peart, baterista do Rush, morreu aos 67 anos, segundo publicações feitas no final da tarde desta sexta-feira (10) pela CBC News e revista Rolling Stone, que foram confirmadas na sequência pelas redes sociais da banda canadense. Peart faleceu na última terça-feira, dia 7 de janeiro, em Santa Monica, na Califórnia, depois de uma batalha de um ano contra o câncer no cérebro.

Reconhecido por sua experiência técnica e estilo de apresentação único, Neil Peart foi considerado por muitos como um dos melhores bateristas de rock de todos os tempos. Ele teve de se aposentar em 2015, por conta de suas limitações físicas.

É preciso dizer que o presidente mente

Por Tereza Cruvinel

Mitomania, mentira patológica ou pseudologia são nomes de que a psiquiatria se vale para definir a doença incurável de Jair Bolsonaro, a compulsão por dizer mentiras e atacar a verdade. Há mitômanos que inventam histórias mirabolantes mas inofensivas, a não ser à própria reputação. Mas Bolsonaro mente seletiva e politicamente, para defender suas decisões e posições, atacando a verdade, a História e todos aqueles que odeia.

O Brasil tem sido condescendente demais para com suas pseudologias.  Precisa começar a dizer, a cada ocorrência, que o presidente mente. E isso vale para a mídia, para as instituições democráticas e para cada cidadão.

Após o início da crise EUA-Irã, Bolsonaro mentiu três vezes publicamente, duas na live que o mostrou, em cena de servilismo explícito, assistindo contrito o pronunciamento de seu líder, Donald Trump, após o contra-ataque iraniano a bases americanas no Iraque.

Do presidente de Cuba, Diaz-Canel, levou uma enquadrada em regra. Para justificar seu apoio ao ataque de Trump, invocou o combate ao terrorismo, dizendo que havia “muitos terroristas” entre os médicos cubanos.  “Assim como os cubanos médicos, entre aspas, saíram antes de eu assumir. Sabiam que eu ia pegar os caras”.  

Mentira dupla. Cuba retirou seus médicos porque Bolsonaro já prometia romper o acordo mediado pela OPAS,  desqualificando e insultando os oito mil médicos cubanos que atuavam no Brasil. Nunca, nos governos Dilma e Temer, houve qualquer indício de atuação política, muito menos terrorista, de qualquer um deles. Ao enquadrar Bolsonaro, o presidente cubano lembrou que o feito deles foi ter atendido a 113.359.000 pacientes em mais de 3.600 municípios onde antes faltavam médicos,  dando cobertura permanente a 60 milhões de brasileiros.  Mais uma vez Bolsonaro apenas ecoou as políticas da Casa Branca contra Cuba.  Foi também para agradar Trump que o Brasil, pela primeira vez, aliou-se aos Estados Unidos e a Israel, na ONU, votando contra a moção que todos os anos condena o embargo econômico-comercial imposto a Cuba.  O Brasil honesto deve desculpas aos médicos que tão bem nos serviram.

Mas faltou quem dissesse, aqui dentro,  em alto e bom som, que Bolsonaro disse uma mentira.  A mídia precisa parar com eufemismos gentis para com ele, dizendo apenas que faltam evidências ou provas para suas afirmações.  Precisa dizer: “o presidente mentiu”. Aliás, mentiu e omitiu, neste caso,  porque leu artigo da Constituição que prevê compromisso do Brasil com o combate ao terrorismo, deixando de ler o resto: e ao racismo. Mas isso não importa, muito pelo contrário.

Mentiu Bolsonaro também, na mesma live, ao dizer que Lula esteve no Irã, quando era presidente, apoiando o enriquecimento de urânio em mais de 20%, condição para a construção de armas atômicas e nucleares.  Lula o desmentiu taxativamente, depois de chama-lo de “lambe-botas”.  Lembrou que uma simples consulta ao Google informaria que ele, juntamente com o chanceler Celso Amorim, e com o governo turco, negociaram um acordo que acabou não vingando por falta de aceitação americana, mas que depois se traduziu no acordo firmado com o Irã por Barack Obama e governantes europeus, em termos muito parecidos. Também neste caso, faltaram outras vozes a dizer: “o presidente mentiu”.

Bolsonaro mente e seus serviçais replicam a mentira, o que é pior. Nesta quinta-feira,  questionado por jornalistas sobre a fake news lançada contra Lula, seu porta-voz, general Rego Barros, endossou-a:  “Seria muito interessante buscar as informações do governo deste cidadão que está sendo citado na pergunta para verificar quem está mentindo”. Levou também uma enquadrada de Lula: “Um general devia ser porta-voz, não porta-mentiras”.

Ainda ao justificar o desastrado apoio ao ataque de Trump – que pelos enormes custos políticos e financeiros que terá, o governo tenta agora minimizar, buscando alguma normalidade na relação bilateral –  Bolsonaro mentiu novamente.  Seu governo, disse, está muito preocupado com o terrorismo, inclusive na América do Sul. Citou a Venezuela, claro.  E afirmou, sem apresentar qualquer prova, para espanto da imprensa argentina, que o general assassinado, Soleimani, participou diretamente do ataque terrorista à associação judaica Amia, ocorrido em Buenos Aires, no ano de 1994.

O caso de Bolsonaro pode ser patológico mas suas mentiras são engajadas, estão sempre destinadas a justificar suas decisões, mesmo quando desastrosas. Ou a desqualificar seus críticos e adversários. Algumas trivialidades soam como mentiras. Após a recente queda que sofreu, disse que ficou algumas horas com amnésia. Quando a amnésia ocorre, costuma durar mais.

Diante do alto preço da carne, disse que ela agora é servida apenas duas vezes por semana no Alvorada. Os cozinheiros estão rindo até agora. Estas não importam, mas as mentiras políticas precisam ser combatidas todos os dias, de modo taxativo, com todas as letras. Um país não pode fazer vista grossa a mentiras deslavadas de seu governante. Algum dia ele vai mentir ao Congresso, e aí veremos se serão capazes de processá-lo por crime de responsabilidade.

“Sou tricampeão do mundo”, a marchinha imortal

Flamengo confirma contratação de Michael

O agente Eduardo Maluf abriu mão, o jogador Michael passou a ter 15% do contrato e o Flamengo vai pagar, como queria, 7,5 milhões de euros por 80% do contrato do atacante revelação do futebol brasileiro. O negócio foi fechado no início da tarde, na sede do Goiás, em Goiânia. Ele deve jogar pelo Flamengo pelos próximos quatro anos.

O Goiás abre mão de seus 75%, recebe os 7,5 milhões de euros e o Goianésia mantém seus 5%. Assim termina a novela da maior contratação deste período de janeiro. São R$ 33,9 milhões pela cotação atual. (Do blog do PVC)

The Guardian: subserviente, Bolsonaro vai contra tradição da diplomacia brasileira

Em artigo publicado no jornal estadunidense “The Guardian” nesta sexta-feira (10), o ex-presidente Lula e o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, relembram os diálogos de paz realizados durante a gestão do petista e também rechaçam a beligerante e submissa postura do governo Bolsonaro perante a tensão EUA x Irã: “Como presidente e ministro das Relações Exteriores do Brasil, na primeira década deste século, conversamos com presidentes dos EUA e altas autoridades iranianas na tentativa de construir a paz, que acreditávamos ser o que mais importava para os povos do Irã e dos Estados Unidos”, relembram. 

“Juntamente com a Turquia, negociamos com o Irã a declaração de Teerã, seguindo um pedido do próprio Barack Obama, feito às margens de uma cúpula ampliada do G8 em 2009, na Itália”.

“Esse acordo, celebrado em 2010, aclamado por especialistas em desarmamento de todo o mundo, incluindo o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica e o Prêmio Nobel Mohamed ElBaradei, tinha o potencial de trazer uma solução pacífica para a complexa questão do programa nuclear iraniano”.

“Além de tornar o mundo um lugar mais seguro, estávamos ajudando os dois países, firmes inimigos desde a revolução islâmica de 1979, a desenvolver uma coexistência pacífica e de respeito mútuo, como expresso pelo Presidente Obama”.

“Infelizmente, fatores de política interna e externa nos Estados Unidos impediram sua adoção naquele momento. Alguns anos depois, no entanto, Obama assinou um acordo semelhante com o governo iraniano, posteriormente abandonado por Trump”.

“Somos, e sempre seremos, defensores inflexíveis da paz. Há uma guerra urgente que deve ser travada por todas as nações: a guerra contra a fome, que ameaça um em cada nove habitantes deste planeta. O que é gasto em um único dia de guerra aliviaria o sofrimento de milhões de crianças famintas no mundo. É impossível não ficar indignado com isso”.

No artigo, eles criticam a postura de Bolsonaro: “É profundamente lamentável que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, impulsionado por uma ideologia agressiva de extrema direita e uma vergonhosa subserviência ao atual presidente dos EUA, adote uma postura contrária à constituição brasileira e às tradições de nossa diplomacia, endossando o ato da guerra de Trump , apenas no início do ano em que ele concorrerá à reeleição”.

“Como ele ignora os danos humanitários causados ​​pela guerra, Bolsonaro deve levar em consideração as relações comerciais entre o Brasil e o Irã, com as quais temos um excedente de mais de US $ 2 bilhões por ano. Acima de tudo, ele deve se preocupar com a segurança do nosso país e do nosso povo, que estão sendo pressionados a apoiar uma guerra que não é deles”. 

A frase do dia

“O Espírito Santo não quer palmas. Ele quer que você ponha a mão no bolso”

Edir Macedo, “bispo” da Igreja Universal