Futebol maltratado

POR GERSON NOGUEIRA

As críticas ao estado do gramado de alguns estádios do interior motivam às vezes comentários do tipo “ah, antigamente os campos eram piores e jogava-se do mesmo jeito” ou “desculpa dos grandes da capital para não viajar ao interior”, como se o problema fosse simples frescura ou má vontade para com os times emergentes.

unnamedÓbvio que argumentos tão simplistas só perpetuam um problema que não deveria mais existir e servem de atenuante para a negligência dos clubes e da federação. Na verdade, a discussão deve ser outra: por que os clubes disputantes do Campeonato Estadual não cuidam melhor de seus estádios¿

A participação dos clubes no Parazão, com direito a patrocínio governamental, pressupõe a existência de estrutura mínima para realizar jogos como mandante. Apesar disso, somente três estádios preenchem os requisitos necessários para sediar partidas do campeonato: Mangueirão (estádio Jornalista Edgar Proença), Barbalhão e Curuzu.

Os outros estádios foram tecnicamente liberados, mas expõem a condescendência da comissão de vistoria e fiscalização, que liberou gramados que não permitem uma simples troca de passes e que criam dificuldades imensas para chute e domínio da bola.

Eventuais coincidências de natureza política, como a eleição que se aproxima na Federação Paraense de Futebol, não deveriam desembocar no afrouxamento de critérios de avaliação.

A essa altura, os jogos realizados nos estádios de Cametá, Tucuruí, Paragominas, Marabá e Castanhal oferecem risco permanente de lesões graves para os atletas. Ao mesmo tempo, o público que paga para ver jogos é obrigado a acompanhar autênticas peladas, como Castanhal x Papão na quinta-feira e Cametá x Remo na sexta.

Nos dois confrontos não faltou esforço por parte dos jogadores, mas os campos não ajudaram. Ou a lama tornava o jogo mais lento ou os buracos se encarregavam de interferir, desviando o curso da bola. Até os times da casa encontraram dificuldades em jogar nos gramados castigados.

Contra o Papão, o Castanhal abusou dos cruzamentos para escapar de erros certos nos passes rasteiros. O Cametá optou pelo mesmo expediente diante do Remo. Ambos foram derrotados pela dupla da capital, mas quem saiu perdendo de verdade foi o bom futebol.

A desculpa de que a chuva é a única culpada pelo agravamento das condições não pode ser levada a sério, pois todos conhecem os rigores do inverno amazônico.

Por isso, o jeito mais prático corrigir o problema é aplicar as normas preconizadas pela Fifa: clubes mandantes devem ter estádios aptos a sediar jogos, sob pena de transferência de local ou de perda do mando.

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Bola na Torre

A sexta rodada do Parazão é o destaque do programa, que começa às 20h20 de hoje, na RBATV. Giuseppe Tommaso apresenta, com participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião.

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Krieger mostra que pode ser útil na temporada

O gol da vitória em Cametá significou a quebra do jejum do atacante Nano Krieger e fez justiça às boas atuações dele nas partidas em que atuou como titular. Bem posicionado na área, levou vantagem sempre que seus companheiros cruzaram bolas altas na área.

Esquecido ao longo do 1º tempo, Krieger se beneficiou das boas atuações de Léo Rosa e Flamel no segundo tempo. Caso Josué Teixeira insista com ele, pode ser muito útil servindo como de referência no comando do ataque, tanto para finalizações como para fazer o papel de pivô.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 26)

10 comentários em “Futebol maltratado

  1. Concordo com o comentário do C. Lira.

    Mas o que dizer de um país que quer proibir a grama sintética, na contramão do futuro. E sabendo que a proposta surgiu de uma ‘múmia’ chamada E. Miranda, agrava a questão.

    Não se pode esperar coisa diferente de outra ‘múmia’ mandatária da Federação local.

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  2. Essa derrota do Cametá em casa para o timeco do remo, aliais mais uma nos últimos 3 anos, é a prova incontestável que ninguém deve jamais perder a moral, a compostura , a seriedade e a personalidade porque são fundamentais para a o bem viver. Par ser claro, o Cametá( famoso Mapará ) vinha numa crescente impressionante na década conseguindo grandes campanhas no estadual a ponto de derrotar remo e Paysandu e Tuna dentro de Belém e ser quase imbatível no Parque do Bacurau , além de conseguir título estadual inédito em 2012 em cima do Remo. Até 2012 o Cametá caminhava firme para ser a terceira do futebol do Pará porque a Tuna nunca mais ergueu a cabeça. Porém após ganhar o titulo estadual 2012, inexplicavelmente o Mapará como é chamado, fez a presepada de vender sua vaga inédita em divisão nacional para o próprio time do Remo que tinha perdido o título estadual no Mangueirão, e fez isso quando a CBF resolveu patrocinar pela primeira vez os clubes dessa divisão pagando as despesas das passagens. Depois dessa presepada eu já sabia que o Mapará perdeu a moral, nunca mais seria o mesmo e entraria numa decrescente. Cheguei a comentar na época isso, aqui no blog . E não deu outra, porque desde a venda da vaga para o Remo que o Cametá não é mais o time emergente com pinta de terceira força do Pará, e esse ano é possível que sinta o cheiro da perpetua segundinha do Estadual em 2018.

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  3. Amigo Gerson Nogueira, sinceramente só acho que essas questões é ideias levantadas para o problema deveriam ser observadas por todo mundo inclusive imprensa, conselho técnico , corpo de Bombeiros , clubes etc. antes de começar a competição, porque observar isso agora não pega bem, mesmo eu concordando que os estádios do interior estão muito ruins para o futebol. Gerson , não se pode esquecer que esses estádios “ruins” foram vistoriados pelos bombeiros, emitidos laudos e APROVADOS para a competição, onde na minha opinião qualquer ato de interditar esses estádios agora no momento decisivo do campeonato soa como se quisessem favorecer os times da capital. Acho que se esses times interioranos que chegarem na semi final quiserem trazer por livre e espontânea vontade seus mando para Belém, não vejo problema algum, como fez o Águia. Porém forçar esses times a fazerem seus mandos de jogos para Belém contra suas vontades, alegando campo de jogo ruim lá, é G0LPE. ……. E GOLPE BAIXO.

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    1. Nélio, vejo que – mais uma vez – não entendeu nada do que analisei na coluna. E certamente a falha é minha, por não me fazer entender, mas em nenhum momento defendi que os clubes sejam forçados a jogar em Belém. Releia e reflita.

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  4. Esse Mapara ficou 4 anos ganhando assaltar sudam 2012,2013,2014,2015 só em 2016 o Cameta não ganhou dessa vez kkkkkkkkkkkkkkkkk égua todo esse tempo não ganhou do Cameta no curuchiqueiro kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  5. Basta o Campeonato ser levado mais o sério e cobrar com rigor clubes do interior. Eles responderão com mais perfeição as exigências e regras do regulamento. Com certeza.

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