POR GLAUCO ALEXANDER LIMA (*)
Toda vez que ouço a palavra “ressocialização” no Brasil acho muito estranho. Ressocialização de menores infratores, ressocialização de adolescentes, de presos, de vândalos. O curioso nisso é que o Brasil nunca socializou. E quem nunca socializou não tem como ressocializar. Seria como tentar ensinar alguém a dançar novamente sem que essa pessoa nunca tenha sequer ouvido música. Num país de 516 anos, onde uns 350 anos foram de escravidão de seres humanos negros e onde nada ou quase nada foi feito incluir no tecido social essa massa que representa mais de 2/3 da população, é meio bizarro falar RESSOCIALIZAÇÃO.
E é bom que fique claro nestes tempos conservadores coléricos que socializar não é falar em socialismo, mas incluir gente na sociedade, inclusive fazendo com que passem a fazer parte com dignidade do mercado de consumo, um mercado nacional de milhões de novas famílias. Mas hoje qualquer conversa sobre socializar no Brasil já é acusada de coisa de comunista, isso já permite ter uma ideia do quanto precisamos socializar o debate.
(*) Publicitário paraense.
Por isso costumo dizer que esse processo nem sempre atende parâmetros pedagógicos que garantam uma reinserção segura. Por exemplo, o tucano Flexa Ribeiro saiu do xilindró direto pro Senado Federal a fim de substituir ninguém menos que o traquino D. Costa. Logo, não há, neste caso, como falar em ‘ressocialização’.
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