Hora da verdade

POR GERSON NOGUEIRA

Como já era mais ou menos esperado, o Remo teve barradas suas pretensões de retornar à Série C pela via judicial. O recurso apresentado, juntamente com o América-RN, denunciando irregularidade no contrato do volante Sapé com o Botafogo-PB, não foi aceito pela procuradoria do STJD, que decidiu arquivá-lo.

Quando me refiro ao fato de que o fracasso da ação remista era previsível deve-se à recente decisão da mesma procuradoria, arquivando denúncia do Tombense em situação mais ou menos parecida com a que envolvia o atleta do Botafogo paraibano. Além disso, o pedido para que o campeonato fosse paralisado não foi acatado.

Outra sinalização foi a declaração – nunca desmentida – do advogado do clube de João Pessoa, revelando que em conversa na CBF o presidente Marco Polo Del Nero havia garantido que o Botafogo não corria risco de punição. Aliás, a própria entidade deixou claro que considerava a situação do jogador absolutamente regular.

Diante disso, pode-se concluir que a luta travada por azulinos e americanos era inglória desde a origem. Indiferente à reivindicação dos dois clubes, a CBF manteve os jogos já programados, tornando quase impraticável uma reversão na classificação dos times.

O fato é que, no âmbito do futebol, a simples ida ao tapetão já configura desespero de causa. Eliminado em campo, o Remo tentou salvar a temporada apontando um problema que foi denunciado inicialmente pelo ASA e acabou virando argumento de apelação para América e o próprio Leão Azul.

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Em dois jogos realizados dentro de casa, contra Salgueiro e o próprio América, o Remo podia ter garantido sua classificação sem maiores atropelos. Bastava vencer uma das partidas, mas o time foi incapaz de transformar a pressão intensa em gols. Teve chances claras. No confronto final, Edno e Eduardo Ramos perderam gols incríveis, diante do goleiro.

A vertiginosa queda de rendimento técnico explica as agruras azulinas. Sob o comando de Waldemar Lemos, o desempenho chegou a gerar expectativas de acesso. Aos poucos, porém, as atuações individuais foram decaindo, deixando nítida a fragilidade coletiva. As escolhas equivocadas, como Fernandinho e Schmoller, tornaram o conjunto ainda mais fraco e previsível.

É preciso considerar ainda o cenário interno do clube, com salários em atraso e permanentes queixas por parte dos atletas e comissão técnica. Poucos times conseguem render bem quando estão com as contas em aberto. No caso azulino, o elenco se mostrou desanimado desde o começo da segunda fase do período classificatório. Outros clubes, como o Guarani (SP), atravessam situação semelhante, mas conseguiram ir em frente.

Os enroscos financeiros e contábeis do Remo se acumulam há várias gestões, desde que o clube conquistou a Série C 2005. Desde então, nenhuma administração conseguiu resolver a equação entre receita e despesa, tornando o clube ingovernável e à beira da falência.

Para agravar ainda mais o quadro, a perda do estádio Evandro Almeida ao longo desta temporada, sucateado por gestão anterior, acarretou prejuízos substanciais nas bilheterias e também no aspecto técnico, pois alguns jogos da própria Série C poderiam ter sido realizados no caldeirão remista.

Resta a conselheiros e dirigentes, a partir de agora, concentrar esforços na eleição marcada para novembro. É uma excelente oportunidade para a pacificação interna e para uma reflexão séria quanto ao futuro, pois as dívidas inviabilizam as administrações, refletindo diretamente sobre o futebol, mola propulsora do clube. Já é tempo de acertar o passo.

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Um tranquilo passeio canarinho na Arena das Dunas

A atuação foi impecável. Aguda, verticalizada, a Seleção buscou o gol sempre. A Bolívia é o adversário que qualquer seleção destas Eliminatórias pediu a Deus. Marca em linha, quase não ataca e se limita a dar trombadas no meio-de-campo. Mas o Brasil de Tite teve o mérito de impor seu jogo, não permitindo ao adversário esboçar qualquer estratégia retranqueira.

O gol de Neymar logo aos 10 minutos, após esperta roubada de bola, abriu a porteira boliviana. Aos 25, em nova tabelinha entre Daniel Alves e Giuliano, Phillipe Coutinho tocou para as redes.

Aí a goleada começou a se desenhar em cores límpidas. Aos 38, depois de Neymar e Gabriel Jesus serem nocauteados, Filipe Luís fez o terceiro. Estava tão fácil que, cinco minutos depois, Neymar deixou Jesus na cara do gol e este desviou do goleiro. 4 a 0. Rapidez e inspiração dos atacantes, com participação brilhante de Neymar, tornaram o jogo fácil demais.

Depois do intervalo, mesmo reduzindo o ritmo e já sem Neymar (vítima de outra cotovelada), Roberto Firmino ampliou a goleada.

Uma vitória irretocável de um time que sabe jogar em velocidade, explorando a habilidade e a juventude de seus atacantes. Está começando a empolgar.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 07)

3 comentários em “Hora da verdade

  1. Na hora da verdade, a ideia que surge para iniciar a melhoria da grave situação do time do remo é fazer uma grande renovação ou revolução administrativa e de ideias avançadas e modernas para o futebol atual, onde o time possa finalmente se movimentar porque ficou parado no tempo na década de 70 e levou a torcida junto. Porém no contraditório disso, nas próximas eleições surgem como os mais cotados para assumir a presidência e vice para fazer essa revolução administrativa de ideias modernas o Marechal da derrota mane ribeiro (90 anos) guardador de renda em armário que foi roubada e o Ubirajara salgado , o cabano( 80 anos). precisa dizer mais alguma coisa???? rsrsrsrsrsr

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  2. Zeca Pirão, em uma de suas crises megalomaníacas contratou, de forma obscura, o “câncer” Eduardo Ramos. Pensando estar fazendo um mal danado ao Paysandu, fez festa digna de uma estrela, para apresentar a grande contratação aos seus torcedores. O tempo se encarregou de mostrar que o tiro saiu pela culatra. Pirão livrou o Papão desse “profissional”, que por onde passou, criou problemas em relação a contratos (dinheiro). Torcedores do Remo, preparem-se para o que vem por aí ! Quando o “MITO” entrar na justiça, vai afundar de vez o já combalido leiaum.

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  3. Os mesmos jogadores conseguem desenvolver um futebol diametralmente oposto ao praticado na era dos 7×1. Começamos a engatinhar no sentido de superar esse trauma e o que presenciamos nos primeiros jogos sob Tite permite otimismo. Até mesmo porque dissipa aquele horror cético que nos sentenciava como coisa do passado. Não é bem assim: habemus futebol

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