Câmara aprova bomba de nêutrons do Orçamento e planta semente dos confrontos de rua

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POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

A maioria da Câmara, que há menos de um ano, votava em massa as “pautas-bomba”, criando despesas a granel, agora vota o corte mais drástico no Orçamento Público.

Tiram, por imensa e avassaladora maioria, direitos garantidos ao povo brasileiro há quase 30 anos, desde a Constituição de 1988.

Estamos vivendo um retrocesso como jamais se viu desde a redemocratização, ou até mesmo antes dela.

Temos quase quase quatro centenas de canalhas eleitos que julgam – e impõem – cortes na Saúde e na Educação.

Das “pautas-bomba” passaram á bomba de neutrons.

Aquela que mata as pessoas mas preserva as propriedades.

O que é um investidor feliz perto de uma criança sem vacina?

O que é um garoto analfabeto e marginalizado perto de uma aplicação que rende o dobro da inflação.

Só o que consola é que essa política é insustentável.

O ministro Luiz Roberto Barroso, ao negar hoje a preservação dos direitos sociais do povo brasileiro dizendo que isso não era constitucional, disse que isso não deveria ser função da Justiça, mas da “mobilização social” não reclame, se ela se der a pau e pedra.

Certamente condenável, nenhuma selvageria é maior do que aquela que pessoas esclarecidas e com responsabilidade institucional fazem.

Em pouco tempo, infelizmente, iremos para o confronto de rua.

Quando se avacalha a política

As notícias, aqui e ali, mostram que, além dos vazamentos, também as “delações premiadas” tornaram-se “seletivas”. A inútil revolta de Marcelo Odebrecht com “exigências” sobre o que deveria delatar.

recusa em formalizar a delação de Alexandrino Alencar se ele continuar insistindo que as obras no sítio de Atibaia foram um presente da empreiteira a Lula e não o pagamento a algum negócio escuso.

Monica Bergamo, da Folha, foi muito clara em seu comentário no Twitter: “Lava-Jato: procuradores só aceitam delação de executivo da Odebrecht se ele incriminar Lula.”.

O processo é dirigido e perverso. Os alvos são Lula e a criminalização da política pela corrupção, para que nela reine, paradoxalmente, o dinheiro.

O comentário de ontem de Bob Fernandes, na TV Gazeta, ajuda a ver esse aparente -só aparente – paradoxo.

No país do golpe, governo segue cassando direitos

Em poucos meses de des-governo, camarilha golpista já conseguiu cumprir boa parte do receituário neofascista: entregar o Pré-Sal aos norte-americanos; congelar gastos com saúde e educação; impor reforma trabalhista retirando direitos conquistados há mais de 60 anos; e reforma previdenciária que deve acabar com assistência gratuita universal.

E os indignados batedores de panela continuam na muda…