POR PAULO NOGUEIRA, no DCM
Com formidável atraso, Lula fez uma coisa vital: denunciou Sérgio Moro.
Já era mais de hora de acabar com a hipocrisia, com o cinismo, com o jogo de cena.
Moro, este o ponto, não tem a menor condição de julgar Lula porque lhe falta o essencial: imparcialidade.
Tecnicamente, Moro é juiz. Mas, no mundo das coisas reais, ele é parte importante de um mecanismo destinado a acabar com Lula.

Isso tem que ficar claro.
Seria o mesmo se coubesse aos irmãos Marinhos, por exemplo, julgar Lula. Ou à família Civita. Ou a Otávio Frias. Ou a FHC, Aécio ou Serra.
Lula seria condenado a despeito de qualquer circunstância.
Lula demorou uma eternidade para reagir aos abusos de Moro e da Lava Jato. Mas deve ser aplaudido por, enfim, ter-se erguido.
Faz parte da farsa da Lava Jato fingir que um juiz é alguém insuspeito de comandar um julgamento desonesto.
Para os analfabetos políticos, é um tremendo argumento: foi a Justiça que condenou, e então a condenação é induscutível.
Mas no Brasil a Justiça é um circo sob o comando da plutocracia, e isto tem que ser dito por quem não se conforma com tamanha aberração.
Os advogados de Lula citaram fatos incontestáveis. Moro, se fosse imparcial, não poderia em hipótese nenhuma comparecer ao lançamento de um livro sobre a Lava Jato que o louva e chacina Lula. Pior ainda, o livro é de um jornalista da Globo, foco central do golpe.
Moro, também foi dito pelos advogados, não poderia jamais comparecer a eventos promovidos por um cacique do PSDB como João Dória e, pior ainda, se deixar fotografar como se estivesse numa festa de casamento.
É o despudor levado ao extremo.
Várias vezes me perguntei se Moro não tinha noção de como é absurdo este tipo de comportamento num pretenso juiz.
Como ninguém o criticou, ele foi adiante. Nem um só editorial da mídia fez reparos a Moro.
E então ele foi adiante.
O mesmo se aplica a Gilmar Mendes. Ele deixou há tempos de ser juiz para se converter em ativista político de direita porque jamais expuseram o horror que isso representa.
Isso tem que acabar — se quisermos avançar como sociedade.
Mesmo que tardiamente, Lula disse o que tinha de ser dito sobre Moro.
É muito bom, e isso deve ser aplaudido. De pé.
Tudo no PT é novidade na política! Foi o primeiro governo a fortalecer, de fato, os órgãos da República, criando a CGU, o CNJ e outros mecanismos. A autonomia foi total nos governos do PT, mas Dilma, foi a 1ª presidenta a autorizar investigações de gente da alta administração. Tanto o PT quanto os petistas são comedidos e respeitadores, sendo os partidos de oposição odiosos do PT e inflamando o povo, através da mídia mafiosa e de políticos altamente corruptos. Para Lula tomar a decisão de atacar Moro, foi pela violência sofrida e ameaças de outras. No entanto, em que pesem todas as coisas, a história já registrou o “muro” que está separando o eterno Brasil colonial, do desenvolvimentista. O conjunto das coisas despertou o espírito animal do povo, ensinando-o sobre a impoirtância da política para um país. Talvez seja o Brasil o único país cujas escolas não ensinam os fundamentos das ciências políticas, eternamente proibidas pelos governos despóticos de sempre. Como dito por Lula, a esperança está vencendo o medo! Se faltou a aula teórica, hoje sobram obras práticas, que definham o bolso e as condições sociais, trabalhistas e de cidadania. A coisa vai pegar!
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Perfeitas observações, amigo Gilberto. Seja bem-vindo, precisamos do bom debate.
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Nunca tinha visto um juiz brasileiro ir todos os meses aos EUA apresentar relatórios de seu mister no Brasil. Estranho, muito estranho.
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O que se noticia com tanto entusiasmo é um procedimento dos mais corriqueiros nas estratégias de defesa de um modo geral, e, em especial, no repertório largamente utilizado pelo petismo: desqualificar o julgador.
Mas, aqui, é inegável que o julgador forneceu muita munição inexplicavelmente desnecessária para o acusado. E o mais claro exemplo foi a irregular divulgação do teor do grampo legalmente realizado. Tal foi um certeiro tiro no pé disparado pelo Moro, o qual, além de provavelmente ter ferido de morte a investigação especificamente tratada nesta postagem, tem potencial para prejudicar deveras todo o trabalho feito até então nas demais frentes de investigação, levando à estaca zero um trabalho que poderia tornar o Brasil um país melhor.
Enfim, se há realmente um acordão para neutralizar todo o apurado até aqui e livrar todo o mundo, o evento da divulgação do teor do grampo foi o pontapé inicial. Nessa linha de raciocínio, este pedido de suspeição é só a sequência das manobras que ainda estão por vir.
E tal malogro não seria novidade, eis que outras investigações semelhantes acabaram sendo abortadas no meio do caminho exatamente pelo cometimento de abusos absolutamente inexplicáveis até mesmo para amadores o que certamente não é o caso deste juiz.
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