Ciro e a metralhadora giratória mais rápida do Oeste

Trechos da entrevista concedida por Ciro Gomes à revista Poder, edição de julho.

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SOBRE O IMPEACHMENT – Não faltam razões para não gostar do governo Dilma, mas o impedimento se dá quando é cometido, pessoalmente e dolosamente, crime de responsabilidade. Governo ruim não é crime de responsabilidade. (Dilma) Não cometeu nem as pedaladas, porque isso se apura no exercício e ela encerrou 2015 com todas as contas pagas.

É mero pretexto, como em 1964. Na ocasião, o Auro de Moura Andrade, um Renan Calheiros da época, presidente do Senado, declarou vaga a Presidência da República alegando que Jango tinha fugido do país. Sobre essa base mentirosa se ergueu um castelo de cartas: Ranieri Mazzilli, o Eduardo Cunha de então, era o último da linha sucessória, convocou eleição indireta – já tinha se passado dois anos da eleição – e Castelo Branco foi eleito no Congresso Nacional – com voto de JK, que acreditou na mentira de que seria apenas para terminar o mandato. Hoje ninguém duvida que foi golpe. Naquela época o STF também declarou a legalidade de tudo aquilo, exatamente como estão fazendo hoje.

DILMA ROUSSEFF – É honrada e a fiadora da democracia. Mas não tem treinamento para a política e se cerca mal. Nomeou o  (Joaquim) Levy, que não é um quadro brilhante – trabalhei com Persio Arida, Gustavo Franco, Edmar Bacha… sei quem é brilhante mesmo sendo conservador – e está na ancestralidade da falência do Rio de Janeiro. Caso o golpe se consume, ela crescerá muito como referência de firmeza. Aliás, é impressionante que a sociedade brasileira aceite o nível de mesquinharia de proibi-la, ainda presidente, de andar nos aviões da FAB, enquanto o Eduardo Cunha anda pra cima e pra baixo, um marginal afastado pelo STF. E cortar comida do Palácio, como se a Dilma estivesse comendo 60 mil por mês no maior luxo. Há um destacamento de 50 homens do Exército morando lá! Nunca quis viver pra assistir a isso. É justa a queixa da corrupção, do desmantelo do governo, mas não é possível que não saibam separar uma coisa da outra.

LULA –  É o responsável por entregar parte da administração aos ladravazes da República. Temer já era essa figura pequena e moralmente indefensável quando Lula o colocou na linha sucessória. Disse-me que não daria Furnas a Eduardo Cunha “de jeito nenhum” e no dia seguinte o nomeou – inclusive me afastei por isso. Dilma também deu a Cunha a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, onde ele levantou uma propina de R$ 52 milhões. Nada justifica, porém, a violência que o Lula tem sofrido. Foi ilegal a condução coercitiva: só pode levar debaixo de vara, como se diz no Ceará, quem se negou a obedecer à intimação.

SÉRGIO MORO – Tem um papel importante, mas pode estar sendo manipulado por ser muito jovem e a política ser mais complexa do que ele consiga perceber. Começou a aceitar o incenso, essa coisa de ir para o estrangeiro de gravatinha-borboleta… Juiz bom é o severo, aquele que não vai nem ao bar para não dizerem qualquer coisa. Certas ilegalidades cometidas na Lava Jato abrem brecha para a anulação de muita coisa lá na frente, como aconteceu na Satiagraha. O delegado herói de então (Protógenes Queiroz) está exilado, com ordem de prisão, e os acusados estão livres porque as nulidades destruíram as evidências reais. Nos Estados Unidos, divulgar gravação de um presidente da República dá até pena de morte. Moro sabe que violou a lei e tinha obrigação de destruir as gravações.

GOVERNO TEMER –  Salvo o Henrique Meirelles (de quem discordo, mas é meu amigo), justiça seja feita: esse governo é um misto de incompetência com bandidagem. O povo tem razão de estar zangado, porém o desastre de um governo ilegítimo se projeta para 20 anos, enquanto um mau governo passaria em dois. E é a maior frouxidão fiscal que eu já vi.

ECONOMIA   –  Defender o mandato da Dilma e ao mesmo tempo criticar o desastre que foi seu governo tem me deixado na maior solidão. O desemprego saltou de 6% para 11%, a dívida pública galopou, os juros mais altos do planeta. A próxima crise é do setor financeiro: ninguém paga ninguém, é a maior inadimplência da história. Sabe quem mica com a quebra da Oi? O Estado. Os bancos privados empurraram todos os créditos para os públicos, como de praxe. Este país está sendo assaltado há muito tempo, e o sintoma disso não é um tríplex cafona no Guarujá. Agora vem essa emenda constitucional para congelar a despesa primária, deixando os juros, que é a maior despesa corrente, por fora. Um governo ilegítimo, precário, aproveitando a perplexidade do momento, pode congelar o gasto primário por 20 anos! Se fizerem, é o caso de ir lá quebrar tudo, porque isso é a revogação da Constituição de 1988.

PARTIDOS  –  Minha vida partidária é um desastre. Minha única defesa é que eu fico na minha, os partidos é que mudam radicalmente. Mas Serra também já foi de quatro partidos; Marina Silva, essa flor de pessoa, mudou três em três anos, tudo por projeto pessoal. Mas só a mim perguntam… Vim para o PDT para mobilizar as pessoas e defender a democracia. Vou pensar mil vezes antes de ser candidato.

JOSÉ SERRA Obcecado pelo poder, traidor da própria memória. Ninguém quer bem a ele. Agora resolveu, escorado no interesse estrangeiro e no golpe, forçar a mão para ser o FHC do Itamar. Mas está muito longe de calçar o sapato do charmosíssimo Fernando Henrique, e o Temer também não é Itamar – que era decente, um grande estadista.

MARINA SILVA – É séria, mas não compreende o Brasil. Vocês acham que eu não gostaria de não ser polêmico? Adoraria ser homenageado pelo Greenpeace, mas tenho de defender o país. Sou a favor da BR-163, que liga Santarém a Cuiabá e vai tornar a produção de soja do Centro-Oeste a mais competitiva do planeta. A Marina era radicalmente contra, até que foi lá comigo – somos amigos – e voltou com a cabeça virada. A “indiarada” toda pedindo a BR! É muito bom ter ar-condicionado central, Hospital Israelita Albert Einstein, e querer para os outros, em abstrato, o atraso.

TEMPERAMENTO – Não vou mudar meu jeito. Fico p… da vida com esse fru-fru aristocrático. Já viu o Cunha sendo chamado de ladrão? Ele olha para o outro lado. Essa é a elegância que a elite brasileira gosta. Tenho longa biografia e ocupei muitos cargos, mas na pauta de vocês nunca vai aparecer a pergunta “como o senhor explica tanto dinheiro no seu patrimônio”– e olha que é dever de vocês me fustigar. Por isso olho para trás e digo “no regrets!”.

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Leão mantém bom nível

POR GERSON NOGUEIRA

Antes de completar duas semanas no comando do Remo, o técnico Waldemar Lemos pode festejar pelo menos uma pequena vitória: o time mudou radicalmente a maneira de trabalhar a bola, deixando de lado o estranho nervosismo que demonstrava em praticamente todos os jogos, mesmo quando estava em vantagem no placar.

b63dce9e-7fb2-4da5-9f38-b204e85d9971Contra o América-RN, no sábado à tarde em Natal, o Remo foi pouco objetivo no primeiro tempo, mas conseguiu garantir a igualdade, empatando depois de sofrer um gol em falha da defesa. Em lance típico de centroavante, Edno ganhou uma bola na entrada da área e mandou forte no canto esquerdo da trave de Camilo.

No segundo tempo, o Leão melhorou em todos os aspectos e jogou o suficiente para virar o marcador, mas falhou por afobação e pouca pontaria nas finalizações. De todo modo, o resultado foi satisfatório, diante de um adversário direto pela classificação à próxima fase.

O dado mais significativo foi a atitude destemida do time na etapa final, procurando sempre o gol, sem se acomodar com o empate.

Os principais jogadores voltaram a atuar em bom nível, repetindo o que havia sido feito na partida anterior, contra o Fortaleza em Belém. Ciro, Edno, Marcinho e Eduardo Ramos se movimentaram muito bem, trocando passes com rapidez e envolvendo por várias vezes a marcação americana.

Ao contrário dos primeiros 45 minutos, quando o Remo exagerou na lentidão e poderia ter se complicado contra um empolgado América, apresentando alguns desajustes na marcação, a etapa final confirmou o amadurecimento do esquema azulino. Só faltou calma em alguns momentos para liquidar a partida e um pouco mais de tranquilidade para valorizar a posse de bola.

Ainda assim, o Remo foi superior e a entrada de Marcinho foi fundamental para que o time ganhasse estabilidade criativa na meia-cancha. No lugar de Héricles, que novamente oscilou muito, Marcinho se encarregou de comandar os contragolpes e fez isso muito bem.

No total, foram cinco contra-ataques fulminantes, que poderiam ter resultado em gol. Por volta dos 25 minutos, Eduardo Ramos disparou um chute cruzado da entrada da área que obrigou o goleiro Camilo a uma excelente defesa. Edno perdeu duas chances dentro da área e Ciro também teve boa oportunidade para definir.

Do lado americano, a surpresa foi Tiago Potiguar. Rejuvenescido depois de uma passagem apagada pelo Evandro Almeida há dois anos, o meia-atacante virou peça fundamental no América e comandou o time no primeiro tempo. Na etapa final, acabou cansando e pouco produziu diante da marcação imposta pelo Remo.

É importante destacar o rendimento do zagueiro Henrique, que fez sua melhor atuação da temporada e comandou a zaga. No geral, o Remo começa a ajustar setores importantes, como defesa e meio-campo, dando ao ataque mais munição do que normalmente acontecia.

Com a bola, o time já sabe o que deve fazer. As saídas são rápidas e objetivas. Falta acertar o posicionamento de Wellington Saci e Levy, que ainda exageram em certos lances, quando poderiam cruzar e aproveitar a desarrumação dos adversários. São, no entanto, pontos que podem ser facilmente corrigidos.

Por ora, o técnico vai ajustando as linhas, reforçando a marcação e encontrando os caminhos para o ataque. Ao contrário de seus antecessores, Marcelo Veiga e Leston Junior, que não conseguiram montar um time. Com Waldemar o Remo passou a ter organização e confiança. Isto faz toda a diferença.

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Pantera e Águia avançam na Série D

São Raimundo e Águia estão garantidos na segunda fase da Série D. O São Francisco, vice-campeão paraense, sucumbiu a erros sucessivos e não conseguiu entrar nem mesmo entre os segundos colocados.

Não deixa de ser surpreendente, pois o São Francisco foi o time que mais se reforçou para a competição e vinha embalado pela boa performance no campeonato estadual.

Algo desandou internamente na equipe e acabou levando à decepcionante trajetória.

Agora, Águia e São Raimundo terão pela frente Moto Clube e Juazeirense-BA, respectivamente. Pela trajetória no torneio, o Pantera tem boas perspectivas de ir em frente.

O Azulão marabaense precisará evoluir, pois não conseguiu derrotar o Moto nos dois confrontos pela fase de classificação – derrota em São Luís e empate no Zinho Oliveira, em Marabá.

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Manual de dicas não melhora árbitro ruim

No fim de semana de vigência das novas dicas repassadas pela Comissão de Arbitragem, os árbitros voltaram a cometer erros crassos, que ajudaram a decidir jogos.

Em Porto Alegre, contra o Palmeiras, o Internacional foi prejudicado pela não marcação de um penal claro sobre o atacante Ariel. Zé Roberto saltou sobre as costas e atropelou o adversário dentro da área.

No Recife, ocorreu o contrário. O Sport foi beneficiado com um pênalti inexistente. O atacante entrou na área e, entre dois beques, se atirou visivelmente. A encenação foi premiada e levou ao quarto gol pernambucano, convertido por Diego Souza.

Começo a achar que a tal Comissão de Arbitragem deveria repassar, em letras garrafas, as regras oficiais do futebol aos seus apitadores.

Está faltando reciclagem.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 18) 

Governo turco prende 2.745 juízes e promotores golpistas

As autoridades da Turquia ordenaram neste sábado a prisão de 2.745 juízes e promotores, após a tentativa de golpe militar, disse a emissora NTV, à medida em que o governo segue com punições a suspeitos de seguirem o clérigo Fethullah Gulen, que mora nos Estados Unidos. O presidente Tayyip Erdogan afirmou que os seguidores de Gulen estão por trás do golpe da sexta-feira à noite que tentou tirá-lo do poder.

Erdogan disse que o clérigo, que vive em um exílio auto-imposto nos EUA, está tentando criar uma “estrutura paralela” no judiciário e no exército para tentar derrubar o Estado, o que Gulen nega. (Da Reuters)