Xadrez do pós-impeachment e da morte do velho

POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

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Começa a clarear os movimentos em torno do impeachment.

Peça 1 – a concretização do golpe

Afim de que não sejam alimentadas esperanças vãs, há quase consenso de que o golpe se tornou irreversível. O desafio consiste em reverter os votos de seis senadores. Para tanto, Dilma Rousseff teria que se empenhar pessoalmente em algo que abomina: a negociação de favores. E ela não parece disposta a tal.

Os sinais de desistência são nítidos:

1.     A cada dia que passa mais claro fica que a grande meta de Dilma é salvar sua biografia. Fora do poder, as possibilidades são melhores.

2.     Seus assessores principais evitam provocar o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o golpe. A proposta da volta de Dilma com plebiscito para antecipação de eleições visa apenas manter alguma tocha acesa junto à militância.

3.     No Supremo, prevalece a tendência de lavar as mãos. As acrobacias retóricas do Ministro Luís Roberto Barroso se tornaram um clássico do modelo Poncio Pilatos, acatado por toda a corte.

4.     O próprio Lula já jogou a toalha. Mantém a resistência apenas para consumo externo.

Peça 2 – os protagonistas do pós golpe

Está-se obviamente em um período de transição entre a era democrática pós-Constituinte e os novos tempos, que ainda não se sabe como serão. O golpe machuca fundo, é uma mancha na jovem democracia brasileira. E a maior comprovação da ausência de grandes nomes no Congresso, no Judiciário, nos partidos políticos e na mídia.

Está-se em um processo intenso de recomposição política, com o aparecimento de novos personagens, uma juventude politizada, uma classe média que saiu do armário, todos se alinhando – ainda de forma um tanto caótica – com vistas aos próximos capítulos políticos, as eleições municipais de 2016 mas, principalmente, o pós-eleição..

Nessa transição, entrarão em cena os seguintes personagens políticos.

Grupo Temer

Com o fim de Eduardo Cunha, cria-se um vácuo político que dificilmente será preenchido pelos sobreviventes, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Geddel Vieira de Lima, Henrique Alves e Moreira Franco. Cercados pela Lava Jato, sem a simpatia da mídia, a tendência será serem jogados ao mar, um a um. Por absoluta falta de alternativas do sistema de poder, ficará Temer devidamente enquadrado no script imposto pelo mercado.

Grupo Lula.

Lula tenta se colocar como protagonista, investindo sobre deputados descontentes com Temer, como Rodrigo Maia. Baixada a temperatura, tentará se colocar como porta-voz de um grupo eclético, que inclui os partidos da esquerda, os descontentes com Temer e os movimentos sociais. Será peça chave para Temer aspirar a um mínimo de interlocução com a oposição que lhe garanta a governabilidade pelos próximos dois anos. O grande desafio de Lula será garantir as eleições de 2018. Continuará sendo o grande líder popular, mas com atuação restrita no Congresso.

PSDB

Conforme previsto aqui no GGN, ao resumir todo o programa do partido a um antipetismo tosco, FHC e Serra quebraram sua espinha dorsal. Com o PT fora do poder, o PSDB perdeu sua única bandeira unificadora.

Desde 2002, lançou três candidatos à presidência da República: José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

Aécio está politicamente condenado pelas delações da Lava Jato. Rompida a blindagem inicial, seu destino ficou indelevelmente amarrado ao de Lula. Tornou-se bola da vez. O que quiserem aprontar com Lula terão que aprontar com Aécio, como prova mínima de isenção.

Alckmin está a caminho do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Politicamente, o Brasil é um país tão maluco que o PSB pretende, com Alckmin – provavelmente o mais conservador político da atualidade – conquistar a hegemonia das esquerdas. Há que se indagar aos amigos de Eduardo Campos que tipo de cigarro andam fumando.

Finalmente, na luz, o terceiro presidenciável, José Serra, desmancha-se no ar. Foi assim no governo de São Paulo e está sendo no Ministério das Relações Exteriores. Sem conhecimento da matéria – e, parece, de qualquer tema contemporâneo um pouco mais complexo -, entrou no MRE pretendendo “causar”, com slogans tirados diretamente dos sites da ultradireita, sem a menor noção das sutilezas e sofisticações do jogo diplomático. Desmoralizou-se nas primeiras declarações e, sob pressão, desaparece, preso a uma proverbial insegurança, tão grande que precisou levar FHC a tiracolo na última assembleia do Mercosul por se sentir impotente para defender suas teses de confronto. Sem espaço no PSDB sonha ainda em ser candidato do PMDB. Mas sua única base de apoio é Michel Temer. As delações da OAS e Odebrecht devem liquidar definitivamente com suas pretensões.

A Lava Jato e a PGR

A esta altura do campeonato, há que se separar as intenções da Lava Jato e da Procuradoria Geral da República.

A Lava Jato pretende-se um poder autônomo. Sob a liderança do procurador Carlos Fernando dos Santos tem afrontado o STF (Supremo Tribunal Federal) no episódio de participação nos resultados da operação, vetado pelo Ministro Teori Zavascki.

Santos tem reiterado essa posição em todo acordo de delação firmado. Assumiu praticamente a liderança de uma rebelião de procuradores, investindo contra tribunais superiores que ousam colocar freios à sua atuação; criticando decisões do Supremo. Não apenas afrontou a decisão de Teori como investiu pela mídia contra votos de Dias Toffoli.

No Rio de Janeiro, procuradores conseguiram atropelar uma decisão do desembargador federal Antônio Ivan Athié, mandando libertar o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o dono da Delta, Fernando Cavendish.  A alegação foi de que Athié e Cavendish tinham sido defendidos – em processos distintos – pelo mesmo advogado, o reputado Técio Lins e Silva. É possível que houvesse desconfianças maiores em relação ao desembargador. O argumento inovcado foi ridículo, mas bastou.

Enfim, são agentes públicos, dotados de poder de Estado e armados de mídia, entrando sem nenhum pudor no jogo político e jurídico.

Responsável por esse estado de coisas, o PGR Rodrigo Janot deixou-se conduzir por esse clima feérico no pedido de prisão dos três senadores, negado por Teori. Antes disso, por uma perseguição implacável a Dilma Rousseff e a Lula e uma blindagem a Aécio Neves.

Nos últimos tempos abdicou dessas manifestações midiáticas. Ao contrário da república de Curitiba, é mais suscetível às manifestações de bom senso do STF e dos próprios colegas de Brasília. E colecionará uma bela vitória no dia em que Eduardo Cunha for cassado e preso.

De qualquer modo, ambos – a Lava Jato e a PGR – são agentes de ações que trazem total imprevisibilidade ao jogo político. Mesmo o profundo alinhamento da Lava Jato com o PSDB parece em xeque.

Mídia e mercado

Gradativamente, mídia e mercado vão deserdando o PSDB. O medo da volta da instabilidade política reforçará Michel Temer, enquanto mantiver a hegemonia do mercado na política econômica. O fator Henrique Meirelles será cada vez mais a sua âncora, na medida em que as futuras delações da Lava Jato comprometerem irreversivelmente Serra e Aécio.

E a Lava Jato continuará sendo o grande aríete contra qualquer forma de definição de política desenvolvimentista.

3. As novas movimentações

O novo tempo político consagrou um conjunto de novos campeões nacionais ao abrigo do voto popular. Sua força determina os movimentos erráticos do governo Temer, com concessões de toda espécie. São eles:

·      As corporações públicas, do Judiciário ao Ministério Público, Tribunal de Contas da União.

·      Os parlamentares contemplados com recurso farto para suas emendas individuais.

·      O mercado, com a manutenção da Selic em níveis elevados e a apreciação cambial.

Está-se ainda no momento zero do novo jogo político, que deverá ser dominado pelas seguintes tendências:

Internacionalização e a era dos yuppies

Menciona-se muito o fenômeno da ascensão das novas classes C. O fenômeno determinante da crise atual é outro: é o da internacionalização das classes A e B, com seus mestrados e doutorados em outros países.

O jovem procurador arrotando seu mestrado nos Estados Unidos ou Portugal é da mesma extração ideológica do jovem publicitário, jornalista de grandes veículos ou operador do mercado financeiro, do jovem técnico do Banco Central, do Tribunal de Contas ou da Advocacia Geral da União. É uma mudança geracional que está mudando a cara dos principais setores expostos a essa internacionalização.

Seus valores são a meritocracia, as virtudes individuais, o estado mínimo e a internacionalização. Prezam o sucesso pessoal, a casa com piscina, os vinhos finos. EM muitas casas, o idioma corrente passou a ser o inglês.E seu sonho de consumo é o imóvel em Miami.

Não se trata de uma caricatura, mas de valores consolidados, muito mais enraizados que a intolerância tosca de alguns brucutus da classe média que enveredam pelos temas morais.

Como são contra a política, tornam-se massa de manobra fácil para discursos simplistas da mídia ou de políticos.

A nova esquerda

Falta à esquerda consenso mínimo sobre temas econômicos.  O desenvolvimentismo, que deveria ser a bandeira das esquerdas, esgarçou-se sob o peso da globalização e de quase três décadas de financeirização da economia brasileira.

Na indústria, escasseiam novas lideranças. As últimas grandes lideranças estão desaparecendo sem deixar sucessores. Instituições como o IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) perderam dimensão.

Por outro lado, há um Brasil submerso explodindo em energia. A renovação das universidades tem promovido um arejamento de ideias, há uma sede nacional de diagnósticos sobre o novo país. E uma nova geração jovem entrando de cabeça na política em torno de valores e sem obedecer à hierarquia dos velhos partidos.

Os temas morais – da tolerância, contra o preconceito, a favor da solidariedade, da democracia – são preponderantes neste momento. E a campanha contra o golpe certamente marcará as próximas gerações. Com o tempo, ganharão musculatura até desaguarem em novos partidos.

Por enquanto vive-se esse terremoto, no qual o velho morreu e o novo ainda não se fez.

Papão escalado para encarar o Paraná

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O técnico Gilmar Dal Pozzo definiu o time do Paissandu para o confronto desta terça-feira contra o Paraná Clube, em Curitiba. Segundo o repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube, a escalação é a seguinte: Emerson; Edson Ratinho, Lombardi, Gilvan e Lucas; Ricardo Capanema, Augusto Recife, Jonathan e Rafael Costa; Leandro Cearense e Mailson. No banco de reservas: Marcão, Roniery, Domingues, Gualberto, João Lucas, Tiago Luís, Hiltinho e Alexandro. (Foto: MÁRIO QUADROS)

Com Bilau e Love , Mundico goleia e se classifica

Com bom público presente ao estádio Barbalhão, o São Raimundo garantiu por antecipação vaga na segunda fase da Série D, goleando o Rio Branco (AC) por 6 a 0, na tarde deste domingo. Os destaques do time santareno foram os atacantes Bilau e Tony Love, que marcaram dois gols cada. Tiago e Dedeco fizeram os outros gols.

O Rei Artur, o técnico do Vermelhão, foi expulso ainda no primeiro tempo por reclamações. Com 13 pontos, o São Raimundo está classificado para a próxima fase e se despede da primeira etapa no próximo domingo (17), enfrentando o Rondoniense-RO, fora de casa.

Já o São Francisco vive situação difícil no grupo A2. Foi derrotado neste domingo (10), por 2 a 0 pelo Princesa do Solimões-AM, em Manacapuru (AM). O time amazonense precisou de apenas dois minutos para faturar os três pontos. Aos 36 minutos do segundo tempo, Guilherme fez o primeiro, de pênalti, e aos 38 Jefferson ampliou.

Com o resultado, o Princesa do Solimões praticamente se garantiu na próxima fase, pois lidera a chave com 10 pontos. Para se classificar, o Leão Santareno precisa vencer o Palmas-TO, no estádio Barbalhão, no próximo domingo (17), e torcer por uma combinação de resultados para ficar com a segunda vaga da chave.

Em Marabá, o Águia empatou com o Moto Clube em 1 a 1 e complicou sua situação na chave. Flamel marcou para o Azulão marabaense, mas o Moto empatou ainda no primeiro tempo, com Brenner. Com o resultado, o Águia terá que vencer o Tocantinópolis, domingo, fora de casa, para não ser eliminado.

Enfim, um Leão vencedor

POR GERSON NOGUEIRA

Depois de três tropeços no Mangueirão, o Remo finalmente fez sua torcida comemorar uma vitória – e jogando bem. Marcou 2 a 0, mas teve condição de aplicar uma goleada, tal a quantidade de chances criadas nos dois tempos. Sem dúvida, foi a melhor apresentação azulina na Série C e contra o adversário mais temido da chave.

Com Héricles ao lado de Eduardo Ramos no primeiro tempo, o time foi ousado e agudo em várias ocasiões. Pecava no penúltimo passe, por afobação e até certo nervosismo do jovem meia. Acuado em seu campo, o Fortaleza só se defendia com chutões.

61d45526-c631-4350-b693-7d3165b43f95O gol nasceu de um cruzamento da esquerda, bem aproveitado por Eduardo Ramos no segundo pau. Antes e depois disso, os atacantes poderiam ter feito mais gols. O Remo recuperava sempre a bola em seu campo e partia para sufocar o visitante. No meio, os volantes Yuri e Michel impediam as tentativas de saída do Fortaleza pelo meio.

Ciro, Edno, Ramos e Levy trocavam passes, invertiam o posicionamento e confundiam a marcação. Pela primeira vez, o Remo pareceu consciente de sua própria força e valorizava a posse de bola. Para isso, contribuía muito a presença de Wellington Saci pela esquerda, que se tornou ainda mais positiva com a entrada de Marcinho (substituiu a Héricles).

O segundo gol teve participação direta do meia, que recebeu a bola junto à pequena área e tocou recuado para Edno finalizar sem chance para Ricardo Berna. O placar foi ampliado no momento certo, pois o Fortaleza havia reforçado o ataque e já ameaçava criar problemas em investidas pelos lados.

A vitória, convincente e incontestável, dará tranquilidade ao técnico Waldemar Lemos para trabalhar e experimentar peças que andavam esquecidas no elenco. É o caso de Marcinho, que raramente entrava no time e que ontem justificou plenamente sua escalação.

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Com gana e sem CR7, lusos conquistam a Europa

O futebol tem suas próprias leis e é dado a caprichos. De vez em quando, costuma frustrar expectativas. Portugal conquistou a Eurocopa sem ser o melhor time da competição, mas com o mérito de haver superado todos os obstáculos com gana e excepcional força mental.

Disputou quatro prorrogações, sobreviveu aos altos e baixos da equipe e chegou à final quase como um penetra. A vitória sobre a França foi sofrida, a começar pela perda de Cristiano Ronaldo logo no começo do jogo, mas suficiente para avalizar o título inédito.

Sobre a saída de CR7 deve-se dizer que despertou no time português um espírito de solidariedade ainda mais forte. O que podia ser o fim dos sonhos tornou-se a senha para buscar o triunfo a qualquer custo. O esforço de marcação redobrou, o time se protegeu nos toques laterais e recuos para o goleiro Rui Fabrício e foi levando o jogo à espera da tal “uma bola”.

Sofreu muita pressão ao longo dos 90 minutos (chutou 5 bolas a gol contra 17 dos franceses), quase não ameaçou Lloris, mas teve sempre firmeza e altivez para seguir acreditando. A perseguição ao gol era exclusivamente em lances de contra-ataque ou bola parada.

Foi assim que a seleção lusa quase chegou lá na cobrança de falta de Rafael Guerreiro no começo da prorrogação. A bola estourou no travessão. Logo depois sofreu um tremendo susto com o disparo de Gignac que bateu no poste direito de Patrício. O goleiro ainda defenderia um arremate fortíssimo de Matuidi de fora da área.

Veio então a jogada rápida, rasteira e fulminante que deixou Éder livre à entrada da área. O atacante dominou e chutou no canto direito da meta francesa, confirmando previsão de Cristiano Ronaldo antes de sua entrada em campo.

Um título inédito, que ajuda a esquecer a tristeza de 2004 (quando o título europeu escapou dentro de casa) e confirma a liderança absoluta de Cristiano Ronaldo no elenco português. Se já era ídolo, virou mito pela maneira como regeu o time nos instantes decisivos e encorajou seus companheiros, torcendo nervosamente. Um tremendo exemplo.

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Novo empate e oportunidade perdida

O Papão completou seu oitavo jogo sem sofrer gols na Série B. Foi também o quarto empate seguido. O que antes era um recorde a ser festejado começa a virar motivo de preocupação. É fundamental que a defesa não seja vazada, mas a competição exige que se faça gols.

Na partida de sábado à noite, diante do Londrina, na Curuzu, quando uma vitória faria o Papão pular da 15ª para a 10ª posição, o ataque teve chance preciosa para quebrar o jejum, aos 30 minutos do segundo tempo. O gol certamente garantiria a vitória, pois a partida era muito fechada e presa à marcação. Infelizmente, Betinho cobrou mal a penalidade máxima e o goleiro Marcelo conseguiu defender.

O Papão não atuou mal, mas esteve longe de ser o time envolvente que os 10 mil torcedores presentes esperavam ver em ação. A escalação deu motivos para otimismo. Na meia-cancha, apenas Capanema tinha perfil mais defensivo. Os demais homens de meio – Jonathan, Rafael Costa e Mailson – são habilidosos e agressivos.

Ocorre que o encaixe não se concretizou. Os laterais não apoiavam com a determinação exigida e o setor de criação foi incapaz de sair do nó imposto pelo Londrina à frente de sua zaga. Sem velocidade na saída e muitos erros de passe, restava ao time insistir em bolas alçadas, quase todas sem direção.

Bem vigiados pelos defensores adversários, Betinho e Ruan pareciam incompatíveis, não conseguiam completar uma jogada sequer. Acabaram saindo no segundo tempo, mas os substitutos (Leandro Cearense e Tiago Luís) nada acrescentaram.

O Londrina ainda teve dois bons momentos no final, aumentando a irritação do torcedor, que chiou bastante à saída do estádio. Ao técnico Gilmar Dal Pozzo, porém, o desempenho pareceu satisfatório. Segundo ele, só ficou faltando fazer o gol. Há controvérsias.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 11)