Entre o céu e o purgatório

POR GERSON NOGUEIRA

São sete jogos sem derrota e sem sofrer gols. Marcas expressivas em competição tão difícil quanto a Série B. Impressiona e valoriza o comportamento defensivo do Papão. Por isso, o empate de sexta-feira em São Luís foi bem recebido pelos caçadores de recordes, embora tenha sido visto com reservas pelos que esperam mais de um elenco caro e numeroso.

Gilmar Dal Pozzo vive a situação única de ostentar um cartel impecável até aqui e ao mesmo tempo receber críticas pela maneira cautelosa de jogar. Não merece louvações exageradas e nem ataques radicais. Enfrenta limitações no elenco que também atrapalharam o trabalho de Dado Cavalcanti.

9b306e18-b02d-4d9f-a624-0b0a20b21d6fPertence ao novo técnico o mérito de estancar um processo caótico que mantinha o Papão na zona de rebaixamento nas seis primeiras rodadas do campeonato. O remédio, porém, está exigindo complementação.

É necessário observar que o time aumentou a capacidade de se defender, mas não evoluiu nos outros compartimentos. Joga com quatro zagueiros, incluindo os de lado, que raramente arriscam subidas ao ataque.

Tantos cuidados com a zaga levam a certo relaxamento com a parte ofensiva. Prova dessa situação é que nas sete rodadas de invencibilidade o Papão marcou apenas quatro gols. Todos de Jonathan, denunciando a baixa produção dos atacantes de ofício.

Sobre o papel desempenhado pelos dianteiros cabe também ressaltar que jogam isolados demais. Fabinho Alves, o que mais aparece em campo, fica junto à linha lateral e parte, ensandecido e confuso, para cima dos marcadores. Às vezes, consegue até se dar bem. Normalmente, porém, esbarra no segundo obstáculo.

A rigor, tudo tem como origem a engrenagem do meio-de-campo. Ao contrário do que exige o futebol atual, o Papão tem volantes que se limitam a marcar. Comportam-se muitas vezes como zagueiros adiantados.

Os meias pouco participam. Rafael Costa mostra-se sempre mais preocupado com a cobertura dos laterais e ajuda aos volantes. Jonathan sai mais, aproxima-se dos atacantes, mas não é um especialista na articulação.

Em função desse conflito reinante no meio, o Papão não tem transição. Isto é, até ensaia, mas os passes são curtos e forçados. No total, errou 32 passes e isso tem a ver com a falta de aproximação entre os setores. O efeito imediato causado pelas jogadas defeituosas é fazer com que os jogadores evitem arriscar. O time chuta pouco – e mal.

Contra o Sampaio, a estratégia foi a mesma usada frente ao Goiás. Até na ausência de propostas ofensivas, no estilo feio de atuar e nos efeitos torturantes para o torcedor. Só a defesa se salvou outra vez, embora falhando em alguns lances de área e contando com o brilho de Emerson, inclusive com a sorte que caracteriza os bons goleiros.

Gera preocupação ver um mal arrumado Sampaio (44 passes errados) conter o Papão e até acuá-lo em seu campo, provocando situações de perigo nascidas mais da insistência do que propriamente de criatividade.

Ao contrário do começo da Série B, quando incidentes infelizes prejudicavam o time, o imponderável parece estar ajudando agora, pois nos três jogos recentes o Papão andou saltando algumas fogueiras.

O confronto de São Luís foi duro de assistir. Valeu pelo ponto conquistado fora de casa, que aproxima o Papão do bloco dos 10 primeiros da competição, mas sinaliza para a necessidade de mudanças estruturais no time.

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Manifesto de um bicolor angustiado

Transcrevo o comentário enviado à coluna pelo baluarte e sócio alviceleste Aldo Valente, sexta à noite, sob os efeitos da atuação do Papão diante do Sampaio.

“O roteiro é bem parecido com o do ano passado. A diferença é que hoje não temos o Pikachu. Desde que o Dado foi embora, expulso pelos medalhões, o Paysandu apenas voltou a jogar o que precariamente sabe. E sabe pouco. Aquele mesmo esquema de intensa marcação, futebol sofrível, sem ambição, esperando a tal última bola que em geral não vem. Desde 2015 todos os que ouvem, falam e respiram sabem que o PSC precisa de um bom meio-campo e um bom atacante.

Como entender que clubes da Série B e até da C conseguem estes jogadores e o PSC não. Treinadores de perfil conservador que se pudessem jogariam com 3 volantes, 3 zagueiros e 3 goleiros. Atacantes que não atacam, não driblam e sequer chutam na direção do gol. Até quando teremos que conviver com este panorama pobre, sem criação e ambição?

a) Aldo Valente”.

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Novidades azulinas não incluem Tsunami

Waldemar Lemos anuncia mudanças na lista de jogadores do Remo para enfrentar o Salgueiro na segunda-feira. Não se pode atribuir a avaliações técnicas porque alguns estão lesionados – casos de Allan Dias, Fernandinho, Schmoller, Ciro e Héricles.

Chances para Magno, Edcléber, Sílvio, Chicão e Lucas Garcia.

E Tsunami continua fora dos planos. Coisa esquisita.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O técnico Gilmar Dal Pozzo (PSC) é o convidado. O programa começa logo depois do Pânico, na RBATV, por volta de 00h20.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 03)

14 erros de linguagem corporal que provocam desconfiança

POR DANILO BARBA

Você costuma dizer a verdade ou ter sempre a resposta na manga para qualquer pergunta? Gostemos ou não, a realidade é mais do que estar certo ou errado. Acima de qualquer traço de personalidade, os gestos e posturas que adotamos muitas vezes acabam falando em nosso nome sem nossa autorização.

São sinais e expressões que, embora breves ou inconscientes, têm um forte impacto no desenrolar de situações decisivas. E você já reparou que tipo de conteúdo está emitindo nas diversas situações que enfrenta?

Para Minda Zetlin, ex-presidente da Sociedade Americana de Jornalistas e Autores e co-autora do livro The Geek Gap, mesmo com a melhor das intenções, nossas próprias atitudes podem botar tudo a perder. Descubra a seguir hábitos de linguagem corporal que ela compartilhou com a revista Inc. e que podem ser evitados frente a interações sociais decisivas.

1. Inclinar a cabeça: Se for para trás, elevando seu queixo, pode ser interpretado como sinal de arrogância ou provocação. Para baixo, você está desprezando a presença da outra pessoa.

2. Ouvir sem fazer contato visual: Pesquisas mostram que você deve fazer contato visual 50% do tempo enquanto fala e 70% do tempo enquanto escuta. Caso contrário, você pode acabar dando uma impressão duvidosa ou de desinteresse.

3. Tocar o rosto: Este é outro gesto que tende a fazer você parecer desonesto — mesmo que seja só uma coceira no nariz ou você esteja apenas com os olhos cansados. Não faça isso.

4. Balançar a cabeça para dizer sim ou não: É muito comum e intuitivo, porém sob olhares escrutinadores eles geralmente significam o oposto do que você está acenando como resposta. Tenha sempre isso em mente. Entendeu? (Você já pode começar a treinar!)

5. Colocar as mãos dentro dos bolsos ou atrás das costas: Pode ser apenas uma ansiedade breve de nervosismo, mas a impressão que dá é de que você não é confiável, pois tem algo a esconder.

6. Fazer gestos baixos demais: A maioria das pessoas fazem gestos na frente dos seus corpos, mais ou menos na altura dos ombros ou do peito. Se for muito abaixo disso, na cintura, por exemplo, fica difícil enxergar do outro lado de um balcão ou mesa. O que você está com medo de mostrar? Pode ficar parecendo que você está escondendo alguma coisa. “Mãos pra cima” nem sempre precisa ser uma abordagem de contenção.

7. Fazer “folha de figo”: As pessoas colocam as mãos na frente dos genitais quando estão desconfortáveis ou em sinal de respeito (já reparou em funerais?). No entanto, esta expressão pode indicar medo ou que você não quer revelar algo. Evite fazer a “folha de figo” durante negociações.

8. Palmas para cima ou punho fechado: Esta posição indica agressão ou superioridade, e também que você está fechado para qualquer coisa que o outro está falando. Jamais aja assim quando estiver tentando construir um relacionamento.

9. Congelar as mãos: É até comum desconfiar de alguém que fala muito com gestos, certo? Só que o fato é que os mentirosos também sabem disso, e portanto se preocupam com a possibilidade de suas mãos lhe entregarem, às vezes um pouco demais. Resultado? A tendência neste caso é deixá-las quase petrificadas.

10. ‘Fechar’ o corpo: Seja cruzando dedos, braços e pernas, ocultando parte do seu corpo, segurando objetos ou inclinando-se para frente, essa atitude pode dar a entender que você está gripado, nervoso ou envergonhado. Mas antes disso vai fazer você parecer desonesto ou descontente.

11. Dar de ombros (mesmo que seja um só): Uma péssima ideia porque faz você parecer indiferente, desinformado ou contrariado. Se você acredita que o efeito de apenas um ombro é menor, saiba que agir assim dá a impressão de que você está mentindo. Cuidado!

12. Ficar rígido: Da mesma forma que cruzar os braços ou segurar as mãos, deixar seu torso rígido também denota a tentativa de suprimir uma vontade ou impulso mal resolvido. Não se entregue tão fácil: nesse aspecto é só relaxar um pouco.

13. Inclinar-se para trás: Ao se afastar da outra pessoa, seja durante um encontro ou conversa, vai parecer que você não está nem aí para ela, e muito menos o que está falando. Embora o objetivo não seja invadir o espaço do outro, digamos que criar literalmente uma distância maior não é a melhor maneira de demonstrar engajamento.

14. Sentar diretamente em frente à outra pessoa: Se houver a opção durante uma visita ao escritório, prefira sentar num ângulo de 45º em relação à outra pessoa. Pode soar um detalhe inútil, mas com ele a situação vai parecer mais colaborativa e menos conflituosa, um ótimo primeiro passo rumo à construção da confiança que você deseja.

Confesso que já vi este ódio

POR BETO VON DER OSTEN, no Blogosfero

Ontem me peguei refletindo sobre a imensa carga de ódio contra a esquerda que tenho visto ultimamente nas redes sociais. Nem estou falando da revista VEJA, dos articulistas da Folha e do Estadão, dos comentaristas da Rede Globo e da CBN. Estes são odiadores profissionais, são odiadores que vivem e se sustentam material e ideologicamente do seu ódio.

Não são destes que estou falando. Estou falando de ódio de gente conhecida. Amigos, parentes, gente que sei da vida, da luta. Gente que para mim é de carne e osso. Sei das suas origens e de suas famílias. Muitos são graduados, “preparados” como se arvoram. Consomem arte e refinamentos. Viajados, conhecem o mundo e sabem que o mundo está numa crise danada.

E sabem que o Brasil não vive a crise na mesma intensidade por conta de políticas acertadas de governo tais como a da distribuição de rendas e inclusão via bolsa-família, PROUNI e outras.

Mesmo assim, “a síndrome de vira-latas” compulsivamente os impele a falar mal do Brasil, a dizer que este é o pior dos países, o mais corrupto, o país que mais manipula a pobreza com “bolsas esmola”.
É certo que sempre foram conservadores de direita. Sempre temeram as esquerdas. São filhos da guerra fria sempre odiaram os “comunistas”, odeiam Cuba e Fidel Castro.

Mas eles também me conhecem, conhecem minha companheira e meus filhos. Sabem dos nossos sonhos, dos nossos medos, das nossas lutas. Sabem da militância de esquerda da nossa família. Sabem que somos dignos, íntegros e que lutamos por um mundo melhor e mais justo.

Sabem que sofremos com os tropeços que nossos governos de esquerda às vezes cometem e sabem da nossa felicidade sincera quando governos acertam caminhos, sejam de direita ou de esquerda.

Eles são da direita, acreditam na direita, mas isto até ontem nunca tinha sido um entravo para nosso relacionamento, nossa convivência. Odiavam os comunistas, mas mantinham razoável tolerância conosco da esquerda.

Tomávamos vinhos juntos. Festejávamos coisas bucólicas e familiares. Convivíamos e discutíamos nossas convicções nos limites de regras democráticas e dos direitos humanos.

Aos poucos, percebo, o ódio deles foi aumentando. O que antes era ódio difuso materializou-se contra o Lula, Zé Dirceu, ódio ao PT, ódio aos PeTralhas, ódio aos mensaleiros, ódio ao partido dos corruptos, ódio à esquerda, ódio ao pensamento diferente… e ódio a mim e a minha família.

E a cada dia as críticas foram mais pesadas, os argumentos mais sórdidos, as razões mais sorrateiras, o semblante de ódio mais visível. Os intervalos entre visitações foram se tornando mais longos. E as visitas cada vez mais curtas.

Virou um ódio pré-1964. Um ódio denso, com cheiro de caserna e inquisição.

Penso: o que poderia ter causado esta ruptura profunda, este ódio? Pensei muitas vezes em perguntar, mas acho até que eles não sabem também de onde vem tanto ódio. Foram replicando o seu ódio, absorvendo o ódio dos seus iguais e ficando impermeáveis. Hoje não lhes importa mais a razão do ódio.

E as intenções deles também mudaram… Cada um deles pouco a pouco foi se orientando para o maniqueísmo. Na leitura conjuntural que fazem, eles são os homens e mulheres de bem, sempre. As pessoas da esquerda querem implantar a ditadura do PT – o mal – logo, são pessoas malvadas que tem que ser aniquiladas.

O que era, no antes, só um odiosinho de classe, um mal estar passageiro que terminaria quando a esquerda fosse devolvida ao “seu lugar”, foi se transformando em um monstro.

Antes eles só queriam tirar o Lula, só queriam derrotar as esquerdas nas urnas e implantar aqui a “sorridente e branca democracia europeia e americana”.

Game over. O tempo correu e o plano deles foi fazendo água. Cansados de esperar esta demorada vitória nas urnas, primeiro passaram envergonhadamente a pensar em pedir ajuda aos militares. Depois, encurralados pelas circunstâncias passaram a articular com setores da mídia razões para um impeachment. Finalmente, derrotados sucessivas vezes pelo povo, só lhes restou buscar forças no ódio que dormia nos seus porões.

Contraditoriamente são pessoas humanistas, daquelas que levam para casa cãezinhos abandonados. Gente que se emociona com animaizinhos silvestres. É duro ver que não lhes importa mais o preço das vidas que serão ceifadas em um golpe militar.

Nem lhes importa que amigos, familiares, vizinhos, professores dos filhos, colegas de trabalho serão presos, torturados, banidos, assassinados. Não lhes importa mais porque o seu ódio é maior do que sua solidariedade e muito maior que sua inteligência.

Clamam que venham novamente os militares e seus canhões, suas masmorras, seus desfiles monumentais, seus hinos, suas fanfarras e sua nova ordem civilizatória. A paz dos cemitérios.

E o pior medo que tomou conta de mim foi perceber que estas pessoas não querem mais saber de onde vem o seu ódio. E não querem mais saber por que podem descobrir que o seu ódio não vem de lugar algum… É só ódio.

Eles vão assistir às prisões e assassinatos impassíveis. Foi feito o que tinha que ser feito. A democracia e a moralidade estão resgatadas no País. A corrupção é morta.

Agora sim o silêncio pode ser ouvido enquanto os canhões cantam sua longa canção.

Satisfeitos vão correr a cortina, voltar para a sala assistir o Jornal Nacional e depois dormir cedo. Amanhã tem Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

E para os que enfrentaram a ditadura militar para conquistar liberdades democráticas, para os que lutaram pelo direito dos odiadores odiarem abertamente só restará lutar de novo pelas mesmas coisas.

Cansei…