Estratégia vitoriosa

POR GERSON NOGUEIRA

Um plano tático executado com perfeição e a firme disciplina em torno do objetivo de não deixar o adversário jogar explicam a categórica vitória do Papão, sábado à tarde, em São Januário. Para quebrar a invencibilidade vascaína de 11 meses dentro de sua casa, a equipe paraense não se afastou em nenhum momento da estratégia traçada, de não ceder espaços ao Vasco e nem recuar em excesso.

Jonathan, autor dos dois gols e fator-surpresa nas ações ofensivas desenvolvidas no segundo tempo, foi o principal destaque individual – e fez por merecer essa condição. Na verdade, o Papão brilhou principalmente pelo aspecto coletivo, tendo no técnico Gilmar Dal Pozzo o maior responsável pelo triunfo.

12ae6ff4-2aeb-409e-8ce8-0b041f4865c4Para surpresa geral, ao substituir Rafael Costa por Domingues, o técnico apostou no fortalecimento do lado direito, utilizando o zagueiro como lateral e adiantando Edson Ratinho para a segunda linha.

O aparente improviso tinha bases sólidas de observação. Em entrevista a Dinho Menezes na Rádio Clube, Dal Pozzo contou que no ano passado havia acompanhado jogos do Joinville nos quais Domingues e Ratinho atuavam naquela faixa do campo.

A mexida aconteceu aos 28 minutos do segundo tempo. Dal Pozzo percebeu que o Vasco havia perdido força no meio (Jorginho trocara os volantes Marcelo Matos e William por Éder Luiz e Caio) e tinha apenas Jorge Henrique improvisado por ali. Posicionou, então, Jonathan bem próximo ao meio do ataque. O resultado veio em apenas seis minutos.

Desde o primeiro tempo ficou evidente que o Vasco não iria contar com a criatividade de seus meias. Nenê, excessivamente nervoso e irritado com a dura marcação, só apareceu em cobrança de falta aos 2 minutos de partida. Andrezinho, omisso em campo, pouco contribuiu.

Ao se preparar para explorar o contragolpe, Dal Pozzo sabia que tinha chances concretas de chegar ao gol. Seu time conseguiu criar três oportunidades e aproveitou duas. Média excepcional de acerto.

O primeiro gol, após cruzamento milimétrico de Ratinho, encontrou Jonathan livre no segundo pau, com a zaga vascaína desarvorada. Perdendo, o Vasco ficou mais confuso ainda, abrindo espaço para o segundo gol, aos 42 minutos. A bola foi esticada por Emerson e desviada por Alexandro para o avanço de Jonathan rumo à área até a finalização, com ajuda involuntária de um defensor cruzmaltino.

Uma vitória que prova, outra vez, que o desafio sempre caminha junto com a oportunidade – tema da coluna de sábado.

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Atuação confusa, grande resultado

O Remo começou avassalador. Levy abriu o placar, Allan Dias ampliou. Isso tudo antes dos 15 minutos. O Confiança parecia destroçado, mas os problemas de marcação à frente da zaga voltaram a atrapalhar a equipe remista, além do espaço deixado por Fabiano na lateral esquerda. Um gol de falta aos 35 minutos devolveu o ânimo aos donos da casa.

Na etapa final, Allan Dias voltou a balançar as redes, confirmando a boa atuação. O jogo ficou inteiramente em mãos azulinas, mas um novo cochilo lá atrás permitiu que o Confiança diminuísse, de novo aos 35. Para completar a maré ruim, o empate veio aos 39. Yuri fez contra.

O penal convertido por Edno logo em seguida devolveu a vantagem e Levy fechou a contagem já nos acréscimos. Fortes emoções no fim de um jogo que tinha tudo para ser muito mais tranquilo para o Leão. Chamou atenção o fato de que o time mostrou-se inseguro, errando muitos passes e sem iniciativas para acalmar o jogo mesmo quando vencia com folga.

Em termos objetivos, tudo funcionou bem e o time mostrou arrojo para desempatar, mas há necessidade de mais qualidade no meio-campo.

Com os três pontos, o Remo alcança o G4 e tem boas perspectivas de seguir avançando, pois joga a próxima em casa diante do ABC.

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A derrocada mexicana

Ao ver o México sendo implacavelmente surrado pelo Chile, no sábado à noite, lembrei de imediato da tragédia brasileira na última Copa. Os mexicanos não viram a cor da bola, dominados por um time tão intenso quanto determinado. Chicharito Hernandez e seus colegas cometeram o erro crasso de desafiar um adversário superior – mesmo pecado da seleção de Felipão contra a Alemanha em 2014.

O futebol costuma cobrar um alto preço da ousadia petulante e da presunção desmedida. A goleada de 7 a 0 em Santa Clara nasceu pelo mérito dos atacantes chilenos e pelos terríveis apagões da zaga mexicana, bastante parecidos com o caos mental vivido por Dante, David Luiz, Fernandinho & cia. naquela noite em BH.

O consolo para o México – se é que se pode falar nisso depois de um desastre – é que a goleada nem se compara em importância histórica à sofrida pelo Brasil, o único país-sede de Copa do Mundo a sofrer um massacre impiedoso diante de sua torcida.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 20)

Confiança x Remo – comentários on-line

Campeonato Brasileiro da Série C 2016

Confiança x Remo – estádio Batistão, em Aracaju, às 19h

Rádio Clube _ IBOPE _  Sábado e Domingo _ Tablóide

Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra; Carlos Castilho comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Paulo Fernando. Banco de Informações – Fábio Scerni, Adilson Brasil

Missão de alto risco

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo vai tentar garantir sua segunda vitória na Série C apostando na máxima de que joga melhor fora de casa. É um equívoco pensar assim. No triunfo sobre o River, em Teresina, o time foi superior por alguns minutos apenas, mas caiu drasticamente de rendimento, levou sufoco no segundo tempo e só não cedeu o empate por pura sorte.

Diante do Confiança, em Aracaju, o Remo tenta escapar da crise estabelecida em Belém depois do tropeço contra o Botafogo-PB e busca se reaproximar do G4 da competição.

O desempenho, contudo, é pífio. Em quatro partidas, o Remo conquistou 5 pontos, mas carrega o fardo negativo de haver desperdiçado cinco pontos dentro de casa, o que é quase sempre fatal em termos de briga pelo acesso. A recuperação precisa ocorrer hoje diante do Confiança, que é o último colocado na classificação.

Marcelo Veiga fez mudanças na equipe. Escalou Héricles no meio-de-campo ao lado de Eduardo Ramos. A presença do jovem meia já era cobrada desde o jogo contra o Asa, mas Veiga procurou prestigiar Allan Dias, do grupo de atletas de sua confiança. Perdeu tempo.

Habilidoso e rápido, Héricles pode ser o contraponto ao estilo mais cadenciado de Ramos, podendo funcionar como um homem surpresa para a defensiva sergipana. No ataque, Patrick estreia, fazendo dupla com Edno.

d149dcfc-26ed-4350-b1db-e230b369402bAté o momento, apesar do gol marcado contra o River, Edno tem sido subaproveitado no time do Remo. Não há jogadas que explorem sua habilidade na aproximação pelos lados e os chutes de média distância. Patrick, um dos últimos reforços indicados por Veiga, é jogador de força, com boa impulsão, capaz de aproveitar os muitos cruzamentos que o Remo costuma desperdiçar.

Em meio a tantas incertezas, é nas laterais reside o maior dos problemas do Remo. Com Levy explorando o lado direito, mesmo ainda fora de suas melhores condições, o time tende a crescer em força e chegada à linha de fundo. Do lado esquerdo, com Fabiano merecendo nova chance, o panorama é dos mais desanimadores. Nas ocasiões em que esteve em campo, o lateral cometeu muitos erros de passe e não deu a devida segurança ao setor.

Quase todos os que acompanham a situação interna do Remo sabem o quanto Veiga tem sido bombardeado por críticas, de torcedores a conselheiros. O presidente deu um voto de confiança, mas é improvável que o técnico permaneça em caso de novo tropeço. Por isso mesmo, o jogo adquire contornos dramáticos. Vencer é obrigação. (Foto: MÁRIO QUADROS)

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Alemanha x Polônia sob o olhar de um craque

“Que jogo entre Alemanha e Polônia! Os alemães começam a sentir a passagem do tempo, mas há também algo interessante, descoberto talvez pelo Simeone, enfrentando Bayern e Barcelona. Essas equipes ficam com a bola, fazem um cerco tipo General Custer contra os Sioux e, como uma serpente, vão apertando os nós até seus zagueiros estarem na meia-lua da área adversária. Simeone usou e o técnico polonês também o que eu chamo de ‘ataque à bola’. É preciso muito preparo físico e, sobretudo, noção de equipe na diminuição dos espaços. Os jogadores atacam a bola, sofrem dribles, é certo, mas como estão próximos, perturbam o bom passe, deixam nervosos, não dão tempo ao adversário para pensar. E quando o passe sai torto, quando conseguem minimamente tocar na bola, desarmar o adversário, quem está mais perto inicia o contra ataque. O time do passe tranquilo se enerva. Não, não há incitação à falta. Há, mesmo, uma questão ética que considero invejável na Europa, onde também não há somente anjinhos. Mas há ética. Quem faz falta admite a superioridade do outro, torna o jogo feio, enfim. Os poloneses dividiram todas, perturbaram os alemães e muitas vezes chegaram à área do Der Staden (não sei se é o nome do goleiro). Hummels deu bico pra frente, uma crise! O final foi justo, empate. Os poloneses admitem menor técnica e, por isso, atacam a bola. Muito interessante, não é? Quem dera nossos técnicos assistissem e colocassem em prática. Não tem nada de complicado, nada, mesmo. Abraços”.

Impossível discordar do olhar certeiro do amigo Edyr, profundo conhecedor do jogo e – apenas – o maior escritor paraense vivo.

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LeBron James, o rei do pedaço

O domínio é inquestionável. Como nos tempos áureos de Michael Air Jordan, a NBA tem um rei. LeBron James, do Cleveland Cavaliers, anotou na sexta-feira à noite 41 pontos no sexto embate da série decisiva contra o Golden State Warriors, agora empatada em 3 a 3. Cabe dizer que, em certos momentos, não dá para prestar atenção nos outros nove jogadores em quadra – nem mesmo em Leandrinho, excepcional no aproveitamento de 3 pontos.

É que James é absoluto, tanto resguardando a defesa quanto nas ações fulminantes do ataque. Foram 8 rebotes e 11 assistências. Tomou posse da quadra, não cedeu um milímetro de espaço, deu tocos inacreditáveis. Um monstro.

Não tem para ninguém. Messi, Cristiano Ronaldo, Usain Bolt, Novak Djokovic… Nenhum desses pode hoje se ombrear à excelência do jogo de James, o melhor atleta do planeta em atividade.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 19)