Um tropeço e uma lição

POR GERSON NOGUEIRA

Contra um time organizado, distribuído no sistema 4-2-4, o Papão enfrentou sérias dificuldades para jogar. Mesmo utilizando Jonathan como meia avançado, o time não conseguiu produzir jogadas ofensivas em quantidade e qualidade para vencer a partida. A lição básica da Segundona ensina que, para triunfar em casa, é fundamental ser ousado e objetivo.

A invencibilidade foi mantida, é verdade, mas a equipe padece de muitos males. O maior talvez seja a falta de aproximação entre meio-campo e ataque, ou talvez a excessiva retração da linha de volantes, que abre um fosso em relação aos homens de frente, quase sempre ocupado pelos adversários.

ad32d446-5713-46bf-82f0-78df98f0e953São cinco partidas invictas, o que é marca significativa na Série B, mas o Papão permanece com os mesmos problemas do começo da competição. Na prática, o único atacante capaz de incomodar permanentemente a defesa contrária é Fabinho Alves.

Corre muito e busca sempre o drible, mas, pelas limitações naturais que tem, nem sempre consegue furar o bloqueio e acaba neutralizado. Curiosamente, quando deixou o campo, o Papão parou de fustigar o Atlético-GO. Rafael Luz não manteve a mesma intensidade.

Vale dizer que o adversário de sexta à noite era bem diferente da maioria dos times que enfrentaram o Papão. Vice-líder do campeonato, o representante goiano atuou melhor do que o Vasco contra os bicolores. Jogou com inteligência, preenchendo espaços e marcando sem desespero.

O mais impressionante é que, mesmo com um homem a mais desde o final do primeiro tempo, o Papão não conseguiu se espalhar em campo e explorar a vantagem numérica. Como única recurso, o time voltou a abusar dos cruzamentos para a área, mas a retaguarda rubro-negra posicionou-se sempre bem e não perdeu uma disputa sequer.

A falsa impressão de que o Papão sufocava, por estar presente no campo de defesa atleticano, contrastava com a realidade. Apesar do volume ofensivo, o time foi pouco agudo e só incomodou enquanto tinha Fabinho Alves investindo pelos lados, mesmo sem grande objetividade.

Curiosamente, Fabinho foi o destaque solitário de uma equipe que teve tudo para vencer o Atlético, mas exagerou nos toques laterais e agrediu sem convicção. Depois de um começo empolgante, Dal Pozzo começa a se defrontar com um cenário mais inclemente, não tendo peças para executar as tarefas que uma partida em casa exige.

Em meio às muitas carências do elenco, o técnico poderia ser menos conservador e apostar em jogadores hábeis e rápidos, como Ruan e Leandro Carvalho. Insistir com as figuras de sempre pode custar caro e atrapalhar a boa recuperação empreendida há cinco rodadas.

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Sobre liberdade e destemor

O futebol é um esporte criado para ser jogado em áreas abertas, descampadas. Foi assim desde os pioneiros campinhos de várzea e permanece do mesmo jeito na era das portentosas arenas internacionais. Gosto de futebol mais ou menos como sempre gostei de westerns, principalmente os que John Ford rodava nas grandes planícies americanas, nas encostas das montanhas Rochosas.

Nunca fui muito fã de esportes indoor, disputados em quadras cobertas e fechadas. Não é uma questão de claustrofobia, mas apenas de preferência pelas disputas em campos que propiciam correria e arte, disciplina e improviso.

A liberdade que os velhos caubóis tinham nos faroestes clássicos de Hollywood é comparável à ausência de cercas que o futebol oferece. Com mais liberdade, mais craques aparecem. Quanto mais esquemas fechados, mais os brucutus triunfam.

Por essa razão, aprecio mais jogos ao vivo, acompanhados da beira do gramado, sentindo a força do vento e o esforço dos boleiros para executar jogadas que às vezes teimam em desafiar as leis da física.

Não tenho dúvida: o futebol só é o que é porque nasceu em espaços livres e sua beleza naturalmente depende dessa tão sagrada liberdade de movimentos.

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Manhã festiva para os fãs da regata

Tradicional modalidade esportiva paraense, o remo ainda arrebanha muitos adeptos. Neste domingo, a Federação Paraense de Remo realiza a partir das 8h30 da manhã, na Estação das Docas, a terceira regata do campeonato paraense.

A prova tem todos os ingredientes para agitar a torcida na orla da baía do Guajará. Leão e Papão estão empatados em números de vitórias. Os bicolores venceram a primeira regata e os azulinos ganharam a segunda.

Como é da tradição, a regata terá 12 provas, envolvendo 67 atletas, sendo 55 homens e 12 mulheres. O PSC vai correr com 16 barcos e o Remo com 14. A estreante Associação Guajará participa de quatro provas, com dez atletas homens e uma mulher.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta, com as participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. O programa começa logo depois do Pânico, por volta de 00h30.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 26)

Veiga pede demissão e Remo procura novo técnico

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Depois do empate diante do ABC, na noite deste sábado, o técnico Marcelo Veiga procurou a diretoria e entregou o cargo. Desgastado pelos maus resultados em casa, o técnico já não contava com o apoio do torcedor. Sua decisão foi imediatamente aceita e o clube já procura por um substituto. Vários nomes são cogitados, mas, segundo fontes da diretoria, não há plano de contratar técnico local. (Foto: MÁRIO QUADROS)

Remo x ABC – comentários on-line

Campeonato Brasileiro da Série C 2016

Clube do Remo x ABC-RN – estádio Jornalista Edgar Proença, às 18h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Claudio Guimarães narra; Rui Guimarães comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Giuseppe Tommaso, Hailton Silva e Carlos Estácio. Banco de Informações – Jerônimo Bezerra

A lição de elegância na derrota que Cameron deu a Aécio

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

O primeiro ministro britânico David Cameron deu uma aula de classe na derrota para Aécio Neves. Cameron chamou o plebiscito para decidir sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Bateu-se pelo sim, que parecia uma barbada até poucas horas antes da votação. Mas deu o não.

Cameron reconheceu prontamente a derrota e anunciou sua renúncia. Com elegância, com hombridade, com honestidade, todos aqueles atributos, enfim, que faltaram a Aécio depois de ser batido por Dilma.

E note a diferença. A carreira política simplesmente acabou. Ele deixa em breve a Downing Street, sede do governo britânico, para qualquer outra atividade que não a vida política. É praxe na Inglaterra, ao contrário do Brasil, onde os políticos em geral só deixam a carreira num caixão.

Aécio não. Mesmo batido, ele seria um forte candidato nas eleições de 2018, credenciado por quase 50 milhões de votos.

Mas, se Cameron foi um lorde, Aécio foi um menino mimado, um playboy irresponsável, um perdedor desprezível, um homem indigno.

Tão logo batido, inventou pretexto após pretexto para tentar ganhar por outros meios o que os votos não lhe deram.

Conseguiu o que desejava, mas ao preço terrível da autodestruição. Aécio é hoje um dos maiores símbolos da corrupção, ao lado de figuras como Eduardo Cunha.

Foi citado em numerosas delações por conta de esquemas que invariavelmente estiveram longe dos olhos do público, pela blindagem que sempre teve na mídia e na polícia.

“Todo mundo conhece o esquema do Aécio” é uma frase que poderia servir de epitáfio para ele. Foi pronunciada por um delator e viralizou nas redes sociais, para infâmia eterna de Aécio.

Aécio é a pior espécie de corrupto: aquele que na sombra rouba e à luz do sol faz discursos moralistas. Neste sentido, é ainda pior que Cunha. Quis tudo, sem ter os votos para isso. Acabou sem nada, com a reputação devastada pelas múltiplas acusações de corrupção.

É um morto vivo.

Cameron se despede de fronte erguida. Soube perder, e agora parte para o resto de sua vida deixando a seus conterrâneos um exemplo de conduta na adversidade política. Aécio está condenado a olhar para baixo, imerso em vergonha, pelo restante dos seus dias.