Mês: abril 2016
Ustra, o torturador que virou ídolo dos golpistas

POR VALDIR CRUZ
“Na tortura, a jovem Dilma Rousseff tomou um soco no rosto, que quebrou vários dos seus dentes e entortou a sua mandíbula para sempre. Ela foi eletrocutada nua com fios de alta tensão desencapados nos seios, na vagina, dentro da boca. Dilma foi pendurada, amarrada de ponta-cabeça, e levou tanto choque, que seus olhos se reviraram e a boca espumou. A barbárie foi tanta, que, pela dor intensa, fez ela desmaiar.
Um médico veio avaliar se a torturada ainda estava viva. Estava. E, depois que ela acorda, começa tudo de novo. Dilma ficou numa cela escura, com as próprias fezes e sangue por meses. Nesse interminável período de padecimento, aquela mulher forte e corajosa, ia apodrecendo, viva, e sendo mais torturada a cada dia mais e mais. O desumano torturador, facínora e sádico, tinha patente militar e nome: coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O mesmo que foi homenageado neste domingo (17) no Congresso Nacional pelo deputado Jair Bolsonaro.
Milhões de brasileiros, na sua ignorância (ou seria sadismo?) aplaudiram o gesto digno de um bandido da pior espécie de Bolsonaro. Lamentavelmente, somos um povo que gosta de linchamentos. Físico ou político, não importa. O que vale é ter alguém no lugar do Judas. Seja amarrado no poste ou julgado por corruptos com transmissão ao vivo na TV.

Ave de arribação

Piada pronta

Mico mundial: CNN detona o golpe de Cunha

Longa reportagem da CNN denuncia o avanço do golpe no Brasil. Em matéria sobre a votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, a jornalista norte-americana Christiane Amanpour fala em “meios anti-democráticos” para impedir o mandato de Dilma. O jornalista Glenn Greenwald fala sobre o caso no programa.
Confira aqui o vídeo, em inglês.
Golpe à moda paraguaia queima ainda mais a imagem do Brasil.
Golpe foi tramado bem antes das “pedaladas”

POR PLÍNIO BORTOLOTTI, em O POVO
Desde que se iniciou esse debate, nunca usei a palavra “golpe” para classificar o pedido de impeachment, nem nos textos que escrevi, nem nos comentários que faço no programa de rádio Revista O POVO/CBN. No entanto, desde que li reportagem publicada no Estado de S. Paulo (16/4/2016), com o título “G-8 do impeachment teve reunião durante um ano”, de autoria do jornalista Luiz Maklouf de Carvalho, questionei-me: que nome dar à coisa que foi consumada ontem, na Câmara, sob a presidência de Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal (STF)?
Na matéria, é descrito que desde abril do ano passado o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) vem reunindo em sua casa, em almoços, vários colegas de diversos partidos de oposição com o objetivo de achar uma brecha para pedir o impeachment de Dilma Rousseff. Nesse aspecto, eram orientados pelo jurista Nelson Jobim, ex-ministro e ex-presidente do STF. Um dos comensais era Danilo Forte (PSB-CE), que até pouco tempo atrás beijava a mão de Dilma.
Portanto, essa conjura acontece antes das tais “pedaladas”, autorizando a pergunta: essa prática não teria sido tornada “crime” (pois antes não era) pelo Tribunal de Consta da União (TCU) para se conformar a um pedido de impeachment adrede preparado? Ou seja, formulou-se a hipóteses do impeachment e depois criou-se um “crime” para justificá-lo.
Não se trata de uma “teoria da conspiração”, mas de observar, retroativamente, os sinais: o mandato da presidente começou a ser questionado mal ela foi eleita. O PSDB pediu “auditoria” das urnas eletrônicas, alegando que a “sociedade” estaria questionando “nas redes sociais” a “veracidade do resultado das eleições”. Mas o PSDB foi além, e requereu a cassação de Dilma ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, pasmem, a nomeação do candidato perdedor, Aécio Neves.
Nenhuma das duas ações prosperou. Mas pelo que se vê o impeachment continuou vagando e, quem sabe, não tenha batido à porta do TCU, que resolveu abri-la?
PS. Para ver a reportagem no O Estado de S. Paulo: http://goo.gl/2dmNO8
Eliminação na Copa do Nordeste derruba Falcão

POR MAURÍCIO BARROS, na ESPN
Paulo Roberto Falcão foi demitido do cargo de técnico do Sport. Aos 62 anos, com mais um fracasso, o Rei de Roma seguirá tentando provar que pode ser um bom treinador? Ou desiste de vez? Fico pesando se algum clube de ponta lhe daria uma nova chance e não encontro resposta. A carreira de Falcão é o oposto do que ele foi como jogador: trata-se de uma enorme decepção. Começou na seleção brasileira pelo cartaz que tinha como atleta. Vinte e cinco anos depois, vê no currículo dois títulos estaduais (um Gauchão e um Baianão) e duas outras conquistas com o América do México. Era pra ter brilhado mais, contribuído mais.
Não é só Falcão. Nenhum craque daquela seleção de 1982, o mais lindo escrete que tive o prazer de ver jogar, vingou no banco de reservas com uma carreira à altura da que teve como atleta. Os mais bem sucedidos foram Zico e Toninho Cerezo, mas ambos com sucesso em times ou seleções de segunda ou terceira linha. Lembremos de outros: Júnior durou alguns dias, Valdir Perez e Oscar desistiram, Serginho Chulapa tentou mas nunca emplacou.
Uma geração que fez tanto pela beleza do jogo deveria ter legado mais. Mas treinar é muito diferente que jogar. É preciso estudar o esporte, pensar estratégias, saber conversar, dominar a arte do relacionamento, entender os contextos, delegar. O fato de o sujeito ter sido um gênio como jogador não o credencia a ser um bom treinador. Maradona é outro exemplo.
Por isso caras como Cruyff e Beckenbauer são absolutamente especiais. Foram enormes nas duas funções. Souberam fazer a transição, ampliando sua contribuição ao esporte que tanto lhes deu. Lamento que os craques de 82 não estejam trabalhando como figuras centrais do nosso futebol. É algo que decepciona, um desperdício de legado.
Ecos do Twitter


Enquanto isso, na república dos “indignados”…

FPF adia data da decisão do returno
Por falta de passagens aéreas para o próximo fim de semana, a Federação Paraense de Futebol alterou a data da decisão do returno do Parazão. O jogo entre São Francisco e Cametá (que eliminou o São Raimundo) ficou para 1º de maio, sendo que a final do campeonato foi transferida para o dia 8 de maio.
São Francisco x Cametá na final do returno

Telas & pincéis

Gino Romiti, 1946.