POR FERNANDO RODRIGUES
A presidente Dilma Rousseff gravou um pronunciamento em vídeo no qual acusa a oposição de ser responsável pelo baixo crescimento econômico do Brasil. “Os derrotados [da eleição de 2014] mergulharam o país num estado permanente de instabilidade política, impedindo a recuperação da economia com um único objetivo: tomar à força o que não conquistaram nas urnas”, diz a petista.
O pronunciamento era para ter sido transmitido em rede nacional de TV na noite da 6ª feira (15.abr.2016), mas o Palácio do Planalto preferiu cancelar com receio de contestações jurídicas. No vídeo, a presidente afirma que o processo de impeachment é “a maior fraude jurídica e política da história do país”.
O discurso de Dilma é muito duro e mostra uma certa ciclotimia da petista. Na última 4ª feira (13.abr.2016), a presidente concedeu longa entrevista propondo um pacto político amplo, inclusive com a oposição.
Agora, Dilma deu uma guinada e atacou duramente quem está contra o seu governo: “Os golpistas dizem que, se conseguirem usurpar o poder, será necessário impor sacrifícios à população brasileira. Com que legitimidade? Querem revogar direitos e cortar programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida”.
A presidente também afirmou que os que hoje são a favor de seu impeachment pretendem “abrir mão da soberania nacional” e “entregar os recursos do pré-sal às multinacionais estrangeiras”.
Assista ao vídeo a seguir, com 6 minutos e 39 segundos:
Conte-me uma novidade!
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Sou severo crítico do governo, aliás, nem votei na Dilma nas últimas eleições, mas entregar o poder ao Temer e Cunha seria uma irresponsabilidade tremenda. Portando, sou contra o impeachment.
Não se tem ouvido falar, mas uma das principais bandeiras de campanha da Dilma era o combate à corrupção. Nos debates na televisão ela reiterou diversas vezes, que iria ser incansável no combate à corrupção, inclusive falando do Engavetador-Geral da Republica Geraldo Brindeiro na época do FHC.
Aos que alegam que são contra o governo por causa da corrupção, vale pena ver as palavras do Procurador da Republica Alan Mansur na entrevista ao Diario no último domingo: ” De fato, algumas pessoas utilizam isso como se combater a corrupção fosse só combater o PT, que está no poder. E, evidentemente, quem trabalha no Ministério Público vê claramente que não é.”
Uma pena que o ódio ao PT, tenha cegado pessoas amigas e conhecidas minhas, muito inteligentes por sinal, para não perceber o óbvio, que esse impeachtment é uma grande farsa.
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Lúcidas palavras, amigo Aladio.
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Reproduzo o texto do sempre sensato Professor Cristovam Diniz.
Prezados amigos,
Não escrevo por outra razão senão aquela de manifestar perplexidade!!!
Dentre muitos amigos que constroem comigo esta rede cordial, há um número expressivo daqueles que parece não se dar conta do que exatamente significa apoiar a ruptura do estado democrático que nasceu ontem e que foi conquistado a duras penas…Não se trata de subscrever um manifesto a favor do PT ou a favor da presidente ou do ex-presidente Lula. Não se trata de deixar impunes aqueles que roubaram o dinheiro de todos aqueles que trabalham e pagam impostos. Trata-se, ao permitir que seja validado o golpe que se organizou com as bençãos do poder econômico e político que as regras do estado democrático previstas na constituição sejam invalidadas até que um novo estado de direito seja reconstruido. Sem elas ficamos sem o pacto social que nos faz respeitar os resultados das eleições. Sem elas as eleições deixam de fazer sentido…Sem elas não poderemos mais eleger com chance de ser respeitada a escolha de nossos representantes. Que país será o nosso quando permite que um golpe de estado seja planejado, articulado e promovido por pessoas sobre as quais pairam acusações de corrupção com fartos documentos comprobatórios.!!!! O direito de expressarmos livremente o que queremos, pensamos e defendemos depende da manutenção das regras do estado de direito…Sem ele não há mais esperança…sem ele retrodecemos, sem ele nossos filhos e seus descendentes vão ter que enfrentar além das dificuldades econômicas destes tempos de concentração de renda cada vez maiores o cerseamento de sua liberdade…Diga não ao golpe…
Professor Cristovam Diniz
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Moderação, Gerson.
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A mesma desculpa de sempre. É sempre culpa dos outros. A nossa arrogante presidenta não tem nenhuma responsabilidade no caos que o país está.
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Dilma foi precisa nas denúncias, que deveria ter feito antes, mas se recolheu a um republicanismo que seus detratores jamais tiveram. É preciso reconhecer a conduta ilibada, altiva e democrática da presidente. Muitos, cegos pela fantasia golpista de Cunha & cia., não enxergam isso, mas fico tranquilo porque a História corrige essas distorções.
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Curioso com o teor do escrito moderado do amigo Celira. Mas, enquanto aguardo por tais subsídios, vou escrever logo uma ou duas palavras.
O governo, através de seu braço midiático, sempre demonstrou esta ciclotimia. Para confirmar basta ler o que escrevem dois dos mais consagrados instrumentos do lulodilmismo nas redes sociais, o Viomundo e o Cafezinho, ora festejam o que entendem seriam indicativos de que “não vai ter golpe”, ora reclamam da conspiração no intuito de apear a presidente do cargo, o qual teria alcançado em suposta legitimidade;
Ora sustentam felicíssimos que a Globo e demais intefrantes do PIG não tem a menor representatividade e influência na maioria do povo e do eleitorado, ora reclamam deprimidos que se a presidente cair terá sido obra de um golpe midiático.
A propósito, o nosso Blog, apesar de reproduzir as alternâncias dos referidos canais midiáticos, nas manifestações autorais, segundo me parece, tem mantido uma posição sem oscilações, no sentido de que até aqui não que se descuidar pois o perigo é constante.
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Gerson,
Creio que se ela tivesse sido mais humilde nada disso teria acontecido, incluindo as pedaladas fiscais. Se tivesse sido honesta com o povo, reconhecido que errou e pedido ajuda de todos para corrigir os problemas, tenho certeza que ela teria um amplo apoio da sociedade. Infelizmente, arrogância cega.
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Ao contrário das pedaladas fiscais que FHC assinou, para beneficiar bancos e até a Rede Globo, as de Dilma visaram proteger os programas sociais que beneficiam milhões de brasileiros. Além de não configurar crime de responsabilidade, as pedaladas do governo Dilma têm um perfil completamente diverso dos de seus detratores hipócritas, que fizeram o mesmo antes dela com objetivos completamente reprováveis.
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A verdade é que são dois grupos de ideias e práticas idênticas se digladiando pelo poder: o grupo que pretende o impeachment; e o grupo que resiste, não quer ceder.
O governo e a oposição se equivalem absolutamente em malfeitorias.
Aliás, os governistas sabem muito bem que só adquiriram tal condição porque se aliaram aos que hoje querem lhe tomar o poder.
E tal aliança é preciso lembrar não foi apenas formal. Aliás, nem poderia sê-lo. Foi uma aliança material também. Aliás, foi, principalmente, material. Afinal, se formou sobre a base da malfeitoria, da divisão do produto das malfeitorias.
E, como já disse dias atrás, o brasileiro comum não tem escolha: vida ruim, seja com o governo atual, seja com o governo que o quer substituir.
Quanto ao governo atual, não pode reclamar de figuras como temer, cunha, renan, sarneys, Jéferson, etc.
Afinal, os governistas sabiam que seus aliados eram assim desde que com eles se aliaram, desde que a eles preferiram se aliar em detrimento de outros quadros e ideais históricos.
Enfim, se o governo sabia que todos eram serpentes (e sabia mesmo. Aliás, foi por isso mesmo que se aliou a eles), não pode agora reclamar porque eles estão se comportando como serpentes.
Aliás, esta é uma disputa entre serpentes. É veneno contra veneno. Não há mocinhos.
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Amigo Oliveira, não exagere nesse discurso pseudo isento. Não há comparação entre os lados litigantes. A democracia é um bem muito caro para ser colocado em risco e só um lado a defende. Continue à direita, mas não subestime o poder dos neofascistas.
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hahahahahahah tu és ridículo, comunista de bosta
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Só para que os demais comentaristas possam ter uma pequena ideia do que o lado negro da internet pode produzir. Olhem o nível dos defensores do impeachment e do fim da corrupção. Por educação, princípios e caráter, prefiro estar longe de eunucos mentais.
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Amigo Gerson, não há ‘exagero’, não há ‘discurso’, não há ‘pseudo’, não há ‘isenção’, não existem só dois lados, não há ‘direita’, não há esquerda, tampouco há subestima.
O que há é serenidade no travar do debate, no examinar da realidade, e, principalmente, no autêntico prestigiar da palavra democracia.
Ah, e eu vou continuar, sim, pelo menos enquanto o Blog deixar, postando minhas críticas, tanto ao governo, quanto à oposição, naquilo que eu entender que discrepam da realidade.
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Que bom que admite a não existência de dois lados, contrariando seu próprio comentário anterior. Estamos evoluindo.
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Amigo Oliveira,
Não há lados na seara política. Esquerda e Direita são posições inventadas e que podem ser desconstruídas com o tempo. Contudo, em se tratando do atual momento, há um lado. O lado da democracia. O lado que valida e legítima os votos de milhões. É contra este lado que Cunha, Temer e companhia estão armando. A luta não é por Dilma. A luta é para que nossos votos tenham validade hoje e amanhã. Dilma até o momento não tem nada contra ela. Nada. A politicagem não pode se sobrepor ao sufrágio universal. Basicamente é isso que quero. Basicamente foi por isso que postei o texto do Cristovam Diniz, Ex-Reitor da UFPA.
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Certamente estamos evoluindo.
Mas, para constar, registro que já não é de hoje, que de há muito, eu já defendo aqui no Blog que há muito mais na vida que o par direita/esquerda.
Anoto, ainda, que no caso específico que gerou o presente desdobramento, o que falei foi que existem dois grupos (governo e oposição) do mesmo lado (ideias e práticas idênticas). Senão, vejamos:
“A verdade é que são dois grupos de ideias e práticas idênticas se digladiando pelo poder: o grupo que pretende o impeachment; e o grupo que resiste, não quer ceder”.
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Ha dois lados sim: os que estão no poder e os que querem o poder. Não falem de ideologia porque isso não existe no cenário político brasileiro. Talvez somente o PSOL seja ideologicamente confiável, o resto muda conforme a música. O que se vê é a disputa pelo poder dentro da coligação PT-PMDB, os irmãos siameses.
Como o STF já definiu: não há golpe algum. Há sim um processo movido pela sociedade civil pedindo o impedimento da presidenta. Esse processo foi aceito é avaliado por uma comissão que foi indicada pelo próprio governo. O relatório foi aprovado. Agora vamos ver o que acontece.
O Cristovam Diniz está errado no seu argumento, O impedimento faz parte do processo democrático. Há sim um crime de responsabilidade a ser avaliado (se não houvesse o país estaria com a economia em ordem). Há um rito estabelecido e um processo a ser seguido. Não há nada de errado aqui.
Do ponto de vista prático, nenhum presidente pode governar sem apoio parlamentar. Era isso que a Dilma falava contra a Marina na campanha, quando ela se vangloriava em altos brados da coligação com o PMDB e outros partidos. Se ela não conseguir um terço dos votos na Câmara dos Deputados para segurar o mandato, então é melhor mesmo ela ir para a casa e se considerar uma carta fora do baralho.
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Amigo Celira, quanto ao par direita/esquerda já me reportei acima. E o fiz numa linha que, ao que me parece, não se distancia muito desta que você defende aqui.
Sobre a democracia, compartilho de sua opinião, pois também considero que ela corresponde a um lado que merece ser prestigiado, defendido.
Todavia, nada obstante seja desnecessário, me permita lembrá-lo,
que democracia significa algo que vai além da vitória nas urnas, bem assim que, vezes há, em que a vitória nas urnas pode significar algo discrepante da democracia, quiça até desvirtuante da essência democrática. A vitória do collor contra o lulla é só um exemplo (o qual, não tarda será comprovado, nem é o mais recente) desta verdade.
Quanto ao temer, o cunha, os sarney’s, o renan, e cia, repito, não resta dúvida que que são víboras. Mas, também repito: a picadura e o veneno, é o preço que o governo, o pt, a presidente e o ex, conscientemente estão pagando por ter criado algumas víboras e ter salvo outras que já estavam sabrecando no fogo das suas malfeitorias.
Enfim, se mesmo avisados, criaram, salvaram, alimentaram e acalentaram as cobras, não podem, agora, reclamar que as cobras estão se comportando como cobras.
Quanto ao pedido de impeachment cuja admissibilidade vai ser examinada amanhã, repito a opinião que já revelei aqui desde o ano passado quando veio a público o teor do pedido assinado pelos 3 juristas (aliás, em comentários que troquei com você mesmo, amigo Celira):
1. O pedido tinha condições para ser admitido e processado pelo Cunha;
2. Mas, não tem substância para ser admitido pelo Plenário da Câmara, e, na hipótese de ser admitido, não há crime de responsabilidade para gerar o impeachment.
Importante dizer que expresso tal opinião, não para defender a presidente, em quem, aliás, nem votei, visto que anulei meu voto. Tampouco inspira o entendimento, minha aprovação aos atos do governo da presidente, eis que, salvo uns poucos atos pontuais e isolados, acho que ela não se houve bem à frente da presidência do país.
Sustento esta opinião porque acho que não existem nem indícios de crime de responsabilidade nas pedaladas e na edição dos decretos sem número.
A propósito, reitero que minha opinião já lançada há meses atrás, e reiterada acima, quanto ao pedido de impeachment, se restringe a este cuja admissibilidade vai ser apreciada amanhã.
Digo isso para introduzir que me parece já bem questionável a assertiva de que não exista nada contra a presidente. Afinal, o caso Pasadina está aí, o financiamento da campanha também, a nomeação do ex para atribuir-lhe ilegitimamente foro privilegiado, idem.
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