Como a velha mídia convive com a era digital

DO PORTAL COMUNIQUE-SE

O congresso da Internet News Media Association realizado em São Paulo na segunda-feira, 9, reuniu, no mesmo palco, os editores da Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora. A pauta do encontro foi o que as redações dos grandes jornais estão fazendo para acelerar a transformação na era digital.

Zero Hora: investimento em jornalismo
Editora-executiva do diário gaúcho Zero Hora, Marta Gleich afirmou que diante da crise no mercado de comunicação, a saída é fortalecer o jornalismo e qualificar o produto, reforçando a ligação com o leitor. Essa forma, o veículo desenvolveu o “Projeto Jornalismo Zero Hora 2015”, composto por 80 metas, iniciando as mudanças a partir da redação.

Segundo Marta, a prioridade eram os novos projetos e investimentos, como o ‘Em Pauta’, que coloca o jornal como protagonista das discussões. Os profissionais do veículo receberam treinamento em texto, foto, edição e vídeo e foram colocados em curso iniciativas voltadas para o conteúdo local.

A estrutura da Zero Hora está “enxuta”, como disse a executiva. Ela explicou que profissionais foram remanejados para cargos-chave. Além da valorização do jornalismo, uma parte do marketing se uniu à redação, para lançar e acompanhar a evolução dos novos produtos. “O sucesso do projeto foi tão grande, que já estamos planejando uma nova edição para 2016, para a Diário Catarinense e o Diário Gaúcho”, adiantou Marta, citando outros dois impressos mantidos pelo Grupo RBS.

Folha: transformação na era digital
Editor-executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila citou seis iniciativas do veículo para se adequar às transformações da era digital. Em primeiro lugar, foram criados serviços exclusivamente digitais, como as news com dicas dos leitores. O segundo item foi sobre integrar a área de tecnologia da informação (TI) à redação para a exploração de novas editorias e formatos com o ‘Estúdio Folha’.

O terceiro ponto abordado pelo executivo foi o deslocamento de slot de vagas dedicadas ao impresso para outras editorias, com foco na audiência de dados. Em quarto lugar, foi acelerar a produção audiovisual implantada em 2013, com foco em publicar 20 vídeos por semana. Em seguida, o veículo mudou o mind set da comunicação interna e externa “para enfatizar que o jornal é muito mais que um objeto impresso”, disse Dávila.

O Globo: convívio entre o papel e o digital
Diretor de redação de O Globo, Ascânio Seleme mostrou as estratégias da empresa para equilibrar as atividades entre o impresso e digital. Segundo ele, há editores que chegam à redação às 8h. A ideia é trazer inteligência para a manhã, no online, sem descontar do impresso. O site do veículo recebe 12 mil novas matérias por mês, 385 novas notícias por dia e 10 vídeos por semana.

Seleme disse que as matérias publicadas na web não se repetem no impresso, que busca abordagem própria, visão de especialistas, artigos em texto e infográficos. Ele afirmou, ainda, que foi criada equipe dedicada a trazer conteúdo exclusivo para o impresso de segunda à sábado. Além disso, foram criadas seções, como a ‘Conte algo que não sei’.

Estadão: produzir, checar e validar informações
Diretor de conteúdo do Grupo Estado, empresa reponsável pelo Estadão, Ricardo Gandour declarou que a atividade de produção de conteúdo se confirma como essencial, por meio da checagem e validação de informações. Para ele, as redações precisam ser multiplataforma, “audiência digital em volume é importante, difícil é monetizar isso”, afirmou.

Gandour disse que a qualidade do conteúdo tem que ser reconhecida de fora para dentro e que a construção da marca do veículo requer plataformas estáveis de comunicação. Assim, a total fragmentação das informações pode ser nociva, acredita o executivo. Por fim, o diretor afirmou que o jornalismo está a serviço dos ambientes críveis de comunicação.

A discreta vida de um terrorista

POR DANIEL VERDÚ, do El País

A discreta vida de um terrorista

Ismael Omar Mostefai (Courcouronnes, 1985) passou, em pouco tempo, de uma vida comum e familiar em um subúrbio residencial a 90 quilômetros de Paris a uma chacina na sala de espetáculos Bataclan, onde explodiu seu corpo junto com outros dois terroristas. Tinha duas filhas, esposa, dois irmãos, duas irmãs e um pitbull. Neste domingo, os vizinhos da casa onde ele viveu por três anos, e com quem mal falava, não podiam acreditar que ele e outros dois indivíduos foram responsáveis pelo assassinato de 89 pessoas. Que o terrorista fosse o vizinho ao lado. “Isso é o mais inquietante de tudo”, lamentava Besnard, que cruzou com ele todas as manhãs durante anos.

Omar, como era conhecido pelas pessoas mais próximas dele, foi identificado por um pedaço de dedo que a polícia conseguiu recuperar após sua imolação na sala de espetáculos. As impressões digitais coincidiam com as de um delinquente comum fichado seis vezes por delitos menores (porte de drogas, conduzir sem habilitação etc.). Um francês de origem argelina de quem se tinha perdido a pista nos últimos anos e que já constava dos arquivos policiais como suspeito de ter se radicalizado.

Durante um tempo, levou uma vida comum em um lugar solitário e aborrecido. Mas tudo leva a crer que após entrar em contato com pessoas muito mais radicais do que ele, terminou viajando até a Síria, penúltima parada antes de realizar seu massacre. É o segundo dos terroristas que a polícia relaciona com esse país.

Bataclan, Paris

Omar viveu por três anos em uma casa em um pequeno núcleo de Madeleine – bairro de Chartres, cidade de 40.000 pessoas –, com sua família e sua mulher, na época grávida de sua segunda filha. Ninguém se lembra exatamente com o que e se trabalhava. “Era muito educado, minha filha ia ao colégio com a sua. Nunca tivemos nenhum tipo de problema com sua família”, lembra um vizinho que vivia na casa geminada ao lado e que, como o resto, ficou muito surpreso com a notícia. “Essa não é uma região na qual exista um caldo de cultivo desse tipo de radicais. Aqui não é de modo algum parecido com alguns banlieue [bairros pobres da periferia] de Paris; aqui só existem famílias”, explica Benoit, morador do conjunto de edifícios em frente. De fato, é um local distante dos tópicos sobre as áreas consideradas foco de islamismo na França.

A polícia, e até mesmo pessoas próximas, perderam há tempos a pista desse terrorista. Ao que parece dormiu por um tempo em um abrigo público. Algumas fontes dizem que em 2014 passou um curto período na Síria e que se tornou radical pouco antes dessa época.

Nos arquivos policiais estava fichado com a letra “s”, nomenclatura para identificar potencial risco de aproximação ao islamismo. Mas não era seguido ou investigado no momento do atentado. De acordo com reportagem do jornal Le Journal de Centre no domingo, Omar começou seu processo de radicalização com a chegada de um marroquino procedente da Bélgica à mesquita que ele frequentava nas proximidades de Chartres.

A polícia interrogou seis familiares do primeiro suicida identificado da matança de Paris. Entre eles, o pai e um irmão de Mostefai, assim como sua esposa, que vivem nos arredores de Paris. Os investigadores querem saber se conheciam alguma das atividades do suicida relacionadas com o terrorismo e se até mesmo o ajudaram em algum momento.

Atentados en París

Os novos inquilinos da casa onde Omar e sua família viveram estavam constrangidos nesse final de semana. Vivem no local há somente três meses e na manhã de domingo precisaram sair a cada 15 minutos para dar explicações. Com a porta entreaberta, assustados e quase sem mostrar a rosto, repetiam seguidamente que eles nada tinham a ver com o ocorrido. O resto da vizinhança, entretanto, não se negou a falar sobre sua discreta vida. “Não falava praticamente com ninguém. Todas as manhãs um amigo o esperava na rua em frente a sua casa para irem à mesquita. Eu acho que não trabalhava, mas seu pai tinha um emprego no aeroporto”, lembra Corinne, uma vizinha que costumava encontrar com ele quando saía para trabalhar.

Segundo várias informações, a mesquita é a de Lucé, a quatro quilômetros da antiga residência do terrorista. No sábado, duas pessoas guardavam a entrada, davam explicações e negavam ter vínculos com Omar. “Essa pessoa realmente não era assídua em nossa mesquita. Talvez tenha vindo duas ou três vezes”. Dezenas de jornalistas se amontoavam sobre a grade do templo e a polícia francesa vigiava a estação de Chartres. Agora se investiga se parte do atentado foi tramado nessa pequena e tranquila cidade.

Sem correspondente em Paris, Globo perde para Rede TV e Band na cobertura dos atentados

Maior rede televisiva do país em média de audiência e em números de correspondentes espalhados pelo mundo, a Globo ficou, ao menos inicialmente, para trás na cobertura dos ataques terroristas organizados pelo grupo Estado Islâmico na noite de sexta-feira, 13, em Paris. Enquanto Band e Rede TV contaram com participações ao vivo de seus jornalistas baseados na capital francesa, Milton Blay e Marcos Clementino, respectivamente, a emissora carioca contou com sua equipe em Londres.

Pela Globo, as notícias ao vivo sobre os atentados em Paris vieram por meio de Roberto Kovalick, no escritório da emissora no Reino Unido. Ao participar do ‘Jornal Nacional’, ele informou que naquela hora as informações eram “preliminares e muito desencontradas”. Sobre a ação de terroristas na casa de shows Bataclan, ele garantiu que 100 pessoas estavam no local, “segundo a agência Associated Press”. “O número atual é de que mais de 400 pessoas foram mortas, isso segundo a agência France Press”, chegou a dizer o correspondente – sendo que na tarde deste sábado, 14m veículos de comunicação falam em 128 assassinados e 250 feridos.

Diferentemente de Band e Rede TV, que deram maior espaço em suas grades para as participações de jornalistas trazendo mais informações sobre os ataques em Paris, a Globo exibiu Argentina X Brasil, em confronto válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. Durante o intervalo da partida, Kovalick voltou a entrar ao vivo. No caso, ele atualizou e corrigiu informações e garantiu que estaria direto da capital francesa a partir deste sábado, o que ocorreu, inclusive participando da edição pós-atentado parisiense do ‘Jornal Hoje’.

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Sem a presença de sua profissional titular em Paris – a repórter Sonia Blota, que está na Turquia para a cobertura da reunião da cúpula do G-20 -, a TV Bandeirantes recorreu a Milton Blay, correspondente que normalmente participa de transmissões para a Rádio Bandeirantes, BandNews FM e BandNews TV. Blay falou dos tiroteios ocorridos no restaurante Le Petit Cambodge (em que um arquiteto brasileiro foi atingido por três disparos), nas redondezas do Stade de France (onde França e Alemanha disputavam um jogo amistoso) e no Bataclan (local em que mais de 100 pessoas foram assassinadas – número que ainda não tinha sido confirmado no instante em que o jornalista participou do ‘Jornal da Band’).

Na Rede TV, a situação vivenciada em Paris fez com que a cobertura feita pelo jornalista Marcos Clementino começasse durante a edição do ‘TV Fama’, passasse pelo ‘Rede TV News’ e ganhasse espaço no talk show ‘Mariana Godoy Entrevista’. Ele, ao entrar ao vivo no noticiário, deu detalhes do ataque no Bataclan, baseado em conversa que teve com um jornalista francês que estava no local. “Dois terroristas, que não estavam com máscaras, entraram sem dizer qualquer coisa e começaram simplesmente a atirar”, disse o profissional da Rede TV. “O tiroteio durou de 10 a 15 minutos”, contou Clementino. (Do Comunique-se)

O enigma Pikachu

POR GERSON NOGUEIRA
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Matéria do repórter Luiz Guilherme no caderno Bola de ontem abordou a questão que deve tomar conta do ambiente alviceleste a partir de agora, nos estertores da Série B e com o fim da expectativa pelo acesso à Série A: o futuro de Pikachu. Pelo cenário desenhado, o lateral-direito deve mesmo deixar o futebol paraense depois de três anos de desempenho em alto nível.
Artilheiro do time em temporadas seguidas, além de forte presença como opção para o setor ofensivo, Pikachu já teve sua contratação dada como certa pelo Flamengo. Justiça se faça, pela imprensa carioca. A diretoria do clube rubro-negro em nenhum momento se manifestou a respeito.
As especulações são normais em torno de um jogador de qualidade e que sabidamente desperta o interesse de vários clubes. Comenta-se que, além do próprio Flamengo, Pikachu recebeu sondagens de Palmeiras, Goiás, Atlético-MG e Grêmio.
Com 23 anos de idade, o destino profissional do atleta passa necessariamente por uma transferência para fora do Estado. Há quem aposte, inclusive, em transação internacional, diante da descoberta do aquecido mercado chinês.
Penso que, a essa altura, Pikachu deve encaminhar sua saída do Papão com o máximo de tranquilidade, fazendo jus à atenção e ao carinho que sempre recebeu no clube, de funcionários a dirigentes, além da natural identificação com a torcida.
Pikachu fez gols e foi produtivo como sempre na campanha do Papão na Série B, mas teve nesta temporada mais altos e baixos do que nas duas passadas. No Parazão e na Copa Verde, não rendeu o que dele se esperava, o que de certa forma influenciou na caminhada bicolor nas duas competições.
Mesmo na atual disputa da Segunda Divisão seu rendimento no returno oscilou muito, acompanhando a queda geral da equipe, principalmente quando à intensidade e à vibração do primeiro turno. Como um jogador de apoio, que participa bastante das ações ofensivas, Pikachu foi vítima da queda de produção do time a partir da 24ª rodada.
Ainda assim, seu prestígio continuou em alta. Nas transmissões dos jogos do Papão, locutores e comentaristas seguiram destacando sua importância para o time, qualificando-o como um dos melhores jogadores do campeonato.
Em meio aos boatos sobre o destino do jogador cabe ressaltar o cuidado com que a situação tem sido conduzida tanto pelo clube quanto pelos representantes do atleta. Essa  estratégia se mostrou das mais acertadas, preservando Pikachu e evitando desgastes desnecessários junto ao torcedor.
Nos últimos dias, algumas pessoas ligadas ao clube admitiram que há interesse em brigar pela permanência do jogador, mesmo diante das propostas que certamente virão lá de fora. Teria sido oferecido um salário na faixa de R$ 100 mil, mas o jogador não se manifestou ainda. É claro que isso teria muito mais efeito e chance de funcionar caso o Papão fosse disputar a Série A.
Diante do cartaz que desfruta hoje, Pikachu dificilmente deixará passar essa nova oportunidade de participar da principal competição do país.
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Brasil goleia, mas seleção carece de ajustes
O começo foi totalmente favorável aos ianques, que abriram o placar aos 6 minutos em gol contra do zagueiro Marlon. Atrapalhada no meio e confusa lá atrás, a Seleção Brasileira custou a se encontrar no jogo. O empate só veio aos 43 do segundo tempo, através de Gabriel.
A equipe só viria a deslanchar no segundo tempo e a virada começou logo de cara, com Felipe Anderson (que havia substituído ao lesionado Valdívia) aproveitando boa assistência de Gustavo Scarpa.
O time americano, fechadinho como sempre, passou a ter dificuldades para bloquear as investidas brasileiras. O próprio Felipe Anderson ampliou o marcador. Em ritmo forte, apesar de trapalhadas no desenvolvimento de jogadas simples, a Seleção se impôs ainda mais e Gabriel marcou o quarto gol aos 35 minutos.
A goleada, sob gritos de “olé” da minguada torcida no Mangueirão, se consolidou através do gremista Luan, completando passe de Gabriel. Como os amistosos servem basicamente como preparação para as Olimpíadas, o placar não é a prioridade da equipe do técnico Rogério Micale, mas a articulação do meio-campo ainda requer algumas correções.
Bons atacantes como Gabriel e Luan tiveram suas tentativas prejudicadas por erros bobos na construção de jogadas pelos lados e no bolo formado no meio-campo. É possível que o time venha a ganhar mais qualidade com a intensificação dos jogos, mas ainda parece crua demais para buscar o cobiçado ouro olímpico no Rio.
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Resultados desmancham os últimos sonhos
Os resultados da 36ª rodada não favoreceram ao Papão. Diferentemente de outras vezes, os adversários diretos na briga pelo acesso se saíram razoavelmente bem, com exceção de Bahia e Náutico. Como o Santa Cruz aplicou um surpreendente chocolate no Botafogo em pleno Niltão, as remotas esperanças bicolores praticamente se reduziram a pó.
O Coral pernambucano precisa agora de apenas uma vitória e um empate para se garantir na Série A. Como o Papão só pode alcançar 62 pontos, caso vença seus próximos compromissos, outros times podem terminar à sua frente, além do Santa Cruz. É o caso de Bragantino, Sampaio Corrêa e Náutico, que têm 57 pontos.
A essa altura, as contas deixam de ser uma obsessão na Curuzu e as atenções já se voltam para o desmanche do atual elenco e a formação da base para o começo da próxima temporada.
(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 16)

O passado é uma parada…

Postal raro da atual Praça da República (ano desconhecido), no centro de Belém. (foto: Nostalgia Belém, via Facebook)

Em SP, Pearl Jam mostra rock, peso e história

Pearl Jam em Porto Alegre: veja vídeos e setlist

POR THIAGO ROMARIZ E LEONARDO RODRIGUES

O último show do Pearl Jam em São Paulo foi um dos mais difíceis das quatro passagens que a banda teve pela cidade. O clima ameaçava um temporal a cada minuto e os ventos chegaram a derrubar partes da decoração do palco. Fosse outra banda, talvez, essas adversidades encurtassem a apresentação ou a fariam terminar quando o setlist se encerrasse. Eddie Vedder e cia., porém, não são comuns. Além de tocar por mais de três horas, eles entregaram um espetáculo que, como poucos, vale o preço salgado do ingresso.

Felizmente, nenhuma tragédia aconteceu São Paulo. Mas um sentimento de – nas próprias palavras de Vedder – “profunda tristeza” pairava sobre o segundo show da nova turnê da banda no Brasil. “Nosso amor vai para Paris”, leu Vedder, sacando uma anotações em bom português, logo após a segunda música. Alusão aos atentados que deixaram 129 mortos e mais de 350 feridos nesta sexta em Paris. “Temos muito o que superar juntos”, completou.

Começava a maratona de 3h10min, digna dos shows de Bruce Springsteen, figura na qual Vedder, guitarra em punho e estômago quase saindo pela boca, parece se espelhar. Ver o Pearl Jam ao vivo é testemunhar um espetáculo intenso do início ao fim. Dificilmente repetindo um show ou seguindo à risca o setlist, a banda abriu com “Long Road”, “Of the Girl” e “Love Boat Captain”, faixas não tão populares assim. Com a quarta, “Do the Evolution”, sempre lembrada pelo videoclipe animado pelo cartunista Todd McFarlane, a coisa engrenou: um festival de “pula-pula” tomou conta do gramado do Morumbi. Apesar do justo status de rockstars, o grupo, que tem mais de 20 anos de carreira, aposta na simplicidade na decoração do palco e na escolha das primeiras músicas.

As primeiras músicas do novo disco, Lightning Bolt, vieram com quase uma hora de show. “Getaway”, “Lightning Bolt” e “Mind Your Manners” foram as escolhidas, mostrando uma diferença sensível para as outras músicas de fases anteriores do grupo. “Manners”, por exemplo, soou como um punk diferente e mais agressivo que o normal. Esta sensação de mudança constante no tons das faixas mostra ao vivo como o Pearl Jam conseguiu explorar bem diferentes facetas de seus talentos – e independente da época há algo proveitoso no trabalho dos americanos.

Quando a ventania realmente atrapalhou o show e derrubou alguns itens do palco, Vedder pegou o violão e tocou “Elderly Woman”. “Vamos cantar aqui juntos enquanto o pessoal arruma ali atrás”, disse. Ninguém pareceu ligar, já que o Morumbi cantou em uníssono esta música e a que veio logo depois, “Even Flow”. Neste momento, o guitarrista Mike McCready foi para o meio da plateia e fez um solo com a guitarra nas costas. O fim da primeira parte do show veio com uma sequência catártica: “Given to Fly”, “Jeremy”, “Better Man” e “Rearviewmirror” – e veio a chuva, que animou ainda mais quem estava envolvido no show. E mesmo que não alguém tivesse estava claro que o Pearl Jam ainda tinha algumas horas de apresentação planejadas.

Na próxima uma hora de meia veio a segunda homenagem a Paris, com “Imagine”, de John Lennon. Outra referência aos trágicos acontecimentos de Paris. Sacando o potencial do ensejo, Eddie Vedder  pediu e foi atendido: milhares de celulares foram ligados na plateia, formando uma grande via láctea de estrelas pacifistas. “Sirens”, “Whipping” e “I Am Mine” deram continuidade às baladas sem perder em qualidade e animação. Ir a um show do Pearl Jam é, entre várias outras coisas, atestar a competência da banda não só em termos técnicos, mas também na incessante energia que os integrantes têm. Na casa dos 50 anos, todos eles transmitem empolgação e comprometimento durante qualquer faixa – seja ela escrita há 20 anos ou há poucos meses.

Mesmo com uma carreira consolidada, de dez álbuns de estúdio e uma respeitável coleção de hits, o Pearl Jam emociona mesmo é com o primeiro disco, “Ten”. Além de “Even Flow”, “Jeremy”, “Black” e “Alive” foram as que mais arranharam a garganta dos fãs, que lotaram o Morumbi e aguentaram firme sob a chuva, que só parou de cair só no fim. O encerramento teve início com o “Alive”, quando os refletores do estádio começaram a ser acessos, indicando a todos que já era hora de ir embora. Mas não o Pearl Jam. Ignorando a claridade, e para compensar os atrasos causados pelo vento, a banda continuou tocando. Vieram na sequência “Rockin’ in the Free World”, tradicional cover de Neil Young, e “Yellow Ledbetter, lado B do single de “Jeremy”.

Agora, sim, o fim do show…. Só que não. Após escorregar em um poça, cair de bunda no chão, se levantar como se nada tivesse acontecido e dar “tchau, tchau”, Vedder ainda teve energia para puxar a banda em mais uma, uma versão punk de “All Along the Watchtower”, de Bob Dylan, imortalizada por Jimi Hendrix. A música também não estava estava no roteiro original. Apesar de todos os atrasos e intempéries, quase ninguém arredou o pé. “Vocês são os melhores!”, mimou o vocalista.

Neste sábado que seguiu uma das maiores tragédias da história da humanidade, o Pearl Jam fez um espetáculo de rock sem fogos de artíficio, mas cheio de vida, peso e história. Para quem estava ali, entre homenagens, ventanias, covers e hits, há muito para se guardar e nunca mais esquecer.

Setlist

1. “Long Road”
2. “Of the Girl”
3. “Love Boat Captain”
4. “Do the Evolution”
5. “Hail Hail”
6. “Why Go”
7. “Getaway”
8. “Mind Your Manners”
9. “Deep”
10. “Corduroy”
11. “Lightning Bolt”
12. “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”
13. “Even Flow”
14. “Come Back”
15. “Swallowed Whole”
16. “Given to Fly”
17. “Jeremy”
18. “Better Man”
19. “Rearviewmirror”
20. “Footsteps”
21. “Imagine” (cover de John Lennon)
22. “Sirens”
23. “Whipping”
24. “I Am Mine”
25. “Blood”
26. “Porch”
27. “Comatose”
28. “State of Love and Trust”
29. “Black”
30. “Alive”
31. “Rockin’ in the Free World” (cover de Neil Young)
32. “Yellow Ledbetter”
33. “All Along the Watchtower”

Senta que lá vem a História…

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Em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a então Companhia Vale do Rio Doce, maior produtora de minério do mundo, é vendida por R$ 3,3 bilhões. O valor de mercado da estatal à época era de R$ 92 bilhões. A transação integrou o escândalo denominado “Privataria Tucana”.

Jornalista critica “má vontade” com o governo

sidneyrezende

POR MAURÍCIO STYCER

Um dia antes de ser demitido da GloboNews, onde estava desde 1997, Sidney Rezende publicou um texto em seu perfil no Facebook e em seu blog pessoal fazendo duras críticas ao jornalismo praticado no Brasil.

Intitulado “Chega de notícias ruins”, o texto defende que notícias positivas também merecem espaço na mídia e lamenta: “Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e ‘soluções’ que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.”

Sem citar nomes, nem veículos, Rezende escreveu: “Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo”.

Como noticiou o colunista Flavio Ricco, no UOL, a demissão de Rezende foi anunciada na sexta-feira (13). “Relações profissionais podem ser interrompidas, sem que isso signifique que não possam ser retomadas mais adiante. A Globo só tem elogios à conduta profissional de Sidney, um jornalista completo”, informou a emissora em nota.

No texto que publicou no dia 12, o jornalista observou: “Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também”.

Rezende escreveu ainda: “O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.”