Um Brasileiro chinfrim

POR GERSON NOGUEIRA

Não há o que discutir. No papel, olhando os números, não há nada que possa ser alegado contra a conquista corintiana. Pelo contrário: o time de Tite tem a melhor artilharia, melhor defesa, saldo de gols superior ao dos concorrentes etc. etc. As resenhas são grandiloquentes, verdadeiros rapapés aos novos campeões nacionais. No entanto, para quem acompanhou o Brasileiro da Série A com atenção, sem os olhos marejados da paixão, há pontos a observar no hexacampeonato do Timão de Itaquera.

O fosso de 11 pontos entre o Corinthians e o Atlético-MG, que se manteve nas últimas seis rodadas, até justifica a afirmação de que o título não contém manchas. A expressão vem de uma declaração do ex-presidente atleticano Alexandre Kalil logo depois de uma das rodadas mais questionadas da competição. Foi precisamente na noite em que o Galo foi vergonhosamente garfado contra o Atlético-PR enquanto o Corinthians era flagrantemente beneficiado, no Itaquerão, contra o Sport.

Naquela noite, além de ter um jogador (Marcos Rocha) injustamente expulso, o Galo questionou gol em impedimento e penalidade não marcada. Do outro lado, o Corinthians acabou salvo com um penal assinalado a 15 minutos do final no tipo de interpretação que se passaria a denominar de “pênalti à corintiana”. O zagueiro do Sport deslizou no chão para impedir com o corpo a passagem de um cruzamento e a bola resvalou em sua mão, que se apoiava no chão para impedir a queda.

O jogo era duríssimo. O Sport estava em cima, tendo revertido a diferença de dois gols para um empate em 3 a 3. Partia para a virada quando o pênalti fatal esfriou sua reação. Com a vitória em casa e a derrota do Atlético, o Timão conquistou naquela noite a chamada cesta de seis pontos. Nem seria caso para tanto alarido se uma rodada antes o time não tivesse sido beneficiado em lance que lembrou bastante aquele penal contra o Sport.

Ao enfrentar o São Paulo, o Corinthians escapou de um pênalti (e da derrota) graças a uma interpretação simpática da arbitragem. Chute em direção ao gol foi interceptado por um beque alvinegro com as mãos espalmadas. Pelo critério que seria usado depois contra o Sport, o lance resultaria em penalidade máxima. Pela ótica do apitador, a jogada foi normal e o placar terminou empatado.

Outros lances, contra Santos, Fluminense e Coritiba, também resultaram em fortes questionamentos contra arbitragens em jogos do Corinthians. Advém desse período a suspeita de um campeonato de cartas marcadas, como arguiu o sempre contundente Kalil.

É um exagero afirmar isso, como é exagerado entender que havia um complô da arbitragem pró-Timão. Mas é fato que, até então, o campeonato era extremamente equilibrado, com o Galo inicialmente à frente. Mesmo depois de ultrapassado pelo Corinthians, os atleticanos se mantinham próximos, dois ou três pontos atrás.

A partir da ocorrência dos erros citados, a distância se alargou, atingindo sete pontos e se ampliando definitivamente com o categórico triunfo corintiano sobre o Galo em Belo Horizonte, marcando 3 a 0 e dando um belo exemplo do estilo Tite, tão feio quanto eficiente: time compacto, marcando até arremesso lateral, saídas rápidas e atacantes escoltados por dois meias produtivos, Jadson e Renato Augusto.

Acima das desconfianças, é importante ressaltar que nenhum outro time foi tão regular e demonstrou tanto apetite pelo título quanto o Corinthians. Vale dizer também que poucos campeonatos nacionais foram tão chinfrins quanto este. A bem da verdade, foi o triunfo do menos ruim e nem craque pode-se dizer que houve na disputa.

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Livros de traço e resgate histórico

No dia 9 de dezembro, na sede campestre da Tuna, o chargista Atorres lançará “Leão, Papão e outros Bichos”, livro reunindo as melhores charges sobre futebol publicadas em 20 anos de DIÁRIO. Está tudo lá. As idas e vindas de Leão e Papão pelos campeonatos paraenses, brasileiros e torneios diversos, compondo um painel de fino humor nas 100 páginas da publicação. Para quem aprecia o traço do melhor cartunista de sua geração, o livro é pura gozação. Segundo Atorres, “torcedores, secadores, sofredores e campeões vão poder acompanhar um pouco da história do futebol paraense contada com muito riso e deboche”.

Aproveito a deixa da notícia sobre o livro do companheiro Atorres para agradecer penhoradamente pelo belíssimo presente que recebi do amigo botafoguense Ronaldo Passarinho: “Recados da Bola”, livro-álbum de Jorge Vasconcelos, contendo depoimentos de 12 mestres do futebol brasileiro. Um primor. Ainda escreverei a respeito dele aqui neste espaço.

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Fogão campeão, com méritos

Título da Segunda Divisão nem devia ensejar festejos. É como muitos pensam, inclusive o hoje comentarista Mário Sérgio. Problema dele. Eu que sempre defendi comemoração máxima para toda taça conquistada, sigo a festejar o suado campeonato ganho pelo Botafogo. Pode não valer nada para os outros, mas para os seguidores da Estrela Solitária tem a importância de uma Champions League.

Fooogoooooo!

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e Valmir Rodrigues. O convidado da noite é Yago Pikachu, que realizou neste sábado sua última partida com a camisa do Papão diante da torcida alviceleste. Programa começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20.

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Direto do blog

“O Mais Querido não terá orçamento de Série C. No máximo, terá demanda financeira, despesa de Série C. Mas as receitas serão as mesmas da Série D, ou até mais deprimidas, tendo em vista o roubo dos R$ 423 mil e demais comprometimentos, inclusive decorrentes dos acordos trabalhistas. Assim, o que se impõe é o pé no chão, a criatividade, a credibilidade para conservar e aplicar os parcos recursos que direta ou indiretamente a torcida, e só ela, vai conseguir disponibilizar”.

Antonio Oliveira, atento às dificuldades que aguardam pelo Leão em 2015.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 22) 

17 comentários em “Um Brasileiro chinfrim

  1. Quanto ao Timão já expus minha opinião e mantenho. Só acrescento que o Sol há de brilhar mais uma vez.

    Quanto ao Atorres dispensa comentários.

    Fogão é um clube simpático, mas começou competição somando 3 pontos com erro de arbitragem, erros esses que não foram exclusividade para o alvi-negro. Aquela derrota para o Santa ficará na lembrança de um time campeão goleado.

    O Antônio sofrenômeno quando utiliza 100% dos seus 23 mil neurônios vira porta dos bons. Parabenizo-o por esta obra prima que foi bem captada pelo Gerson.

    Bola na Torre. Dificilmente assisto devido o horário. Uma pena.

    Bom domingo a todos.

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  2. Gerson esses campeonatos de pontos corridos já não tem graça nenhuma e ainda mais com esses “erros” dos árbitros a favor do Corinthians aí é que perde a graça mesmo.

    Acho sim que houve um complê a favor do time de Parque São Jorge. Nada explica tantos erros de arbitrágem a favor do timão.

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  3. Gérson, aceita o título do Corinthians que dói menos. O time mais competitivo em meio a um campeonato sem equipes que encantem é o alvi-negro da Capital Paulista..
    O Botafogo, na série B, merecidamente, foi campeão, mas também conta com uma pre-disposicao dos árbitros e assistentes que em algumas ocasiões favoreceram i tuma,da Estrela Solitária.
    O Papão foi garfado em pleno Mangueirão na primeira rodada.
    No mais, comemore, afinal, o Botafogo (merecidamente) e com todas as boas intenções e bênçãos de todo lado, subiu e foi campeão.

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    1. Amigos Eiró e Cecim, o fato de pôr o dedo na ferida não significa que eu não aceite o título corintiano, no fim das contas referendado pela indiscutível melhor campanha. Só não me sinto bem em calar diante do que considero uma sequência absurda (daí a suspeita) de erros de arbitragem. A crônica esportiva em geral tem um velho cacoete de aplaudir exageradamente campeões, livrando-os de qualquer eventual pecado. Procuro ser coerente com os meus pontos de vista. Expus na coluna e aqui no blog essa preocupação em relação à arbitragem quando o problema estava ocorrendo. Quanto ao Botafogo, a quem de imediato o Eiró cita, a título de me causar um incômodo, não há problema nenhum em avaliar como um time de mediano para fraco que só levantou o título pela incompetência dos adversários. E quanto ao citado erro (que ocorreu) da bandeirinha no lance do Leandro Cearense em Belém, nunca deixei de mencioná-lo, como decisivo para o placar daquele jogo. O problema, Eiró, é essa memória de torcedor, que normalmente só recorda o que lhe convém. No jogo de volta no Rio, o Botafogo teve um pênalti marcado corretamente e em seguida desmarcado pelo árbitro, aos 42 minutos do segundo tempo, além de um gol mal anulado no primeiro tempo. Nesse aspecto, arbitragem ruim aqui, arbitragem ruim lá. Outra: contra o Sampaio, em São Luís, os dois gols maranhenses contra o Bota foram em flagrante impedimento, como também impedido (e muito!) estava Grafite na jogada do primeiro gol do Santa Cruz naquele jogo de 3 a 0 na penúltima rodada. Portanto, o título do Fogão não pode jamais ser comparado (quanto a questões de arbitragem) com a conquista corintiana.

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  4. Ate vc Gerson com mimimi de arbitragem para querer desmerecer o titulo do Corinthians? Me mostra um clube que nao foi beneficiado por erros de juizes nesse campeonato? Todos tiveram se uma forma ou outra ajuda por erros ou prejuizo. Ate teu foquinho na B teve, vamos parar de mimimi.

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    1. Cecim, basta uma rápida repassada nos jogos do final do turno para ver que os pontos abordados no artigo são verdadeiros. Não tem mimimi, o Corinthians é o campeão. Comemore, mas reflita.

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  5. Coluna certeira, principalmente no que se refere ao corinthias, o time teve méritos na conquista, mas a diferença foi conquistada em uma sequência de jogos com uma série de erros bizarros que inevitável colocam sobre dúvida este título.
    Quanto ao Botafogo, acredito que não devesse mesmo comemorar um título de série B que é muito pouco para sua gloriosa história, mas como estamos tratando de paixão, vai explicar isso ao botafoguense. Kkkkk

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  6. Certeiro foi Gerson Nogueira no comentário nº 5 (10:52). A memória do torcedor fanático geralmente só funciona onde lhe convém.

    Aquele jogo do Botafogo contra o Psc no rio é um exemplo disso. Ainda assim, o Fogão foi o campeão.

    Tomara que o nível (técnico e da arbitragem) em 2016 seja melhor.

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  7. Gerson, vc não é jornalista nem aqui nem na China, que só fala dos erros a favor do todo poderoso Timão, e os penaltis marcados par o santos em 4 partidas seguidas??? CHORA aceita que dói menos, mimimimimimimimimimi. Ta chato isso. Imprensa Alemã 30 x 0 jornaleiros brasileiros.

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    1. Obrigado pela sua abalizada opinião sobre meu ofício. Pelo texto amarfanhado, vejo que você é profundo conhecedor do assunto. Diante de tamanha sapiência não perderei tempo argumentando sobre a questão levantada. Parabéns, siga em frente.

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  8. Parabéns, timão, cujo titulo teve considerával ajuda de um bando de assoprador de apito ladrão. Até “o melhor” assoprador paraense roubou para o Curinta, dando aquele penalti inexistente, no jogo contra o Coritiba. O bom é que na libertadores não tem apito amigo. Se este juiz paraense (o tal de Dawson) é o melhor do estado, imagine o pior.

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  9. Não há o que questionar na superioridade do Corinthians sobre os demais concorrentes. Hoje foi 6X1 no São Paulo, um time de idosos, sem técnico, com administração em frangalhos e endividado. Outrora o SPFC foi referência de força, boa administração e situação financeira invejável. Peço licença ao jornalista responsável pelo Blog para divulgar a seguinte matéria, que achei interessante e que define sucintamente a situação da Série A.

    O quinhão do Timão

    Guilherme Scalzilli

    É vergonhosa a festa que a crônica futebolística faz com o título corintiano. Um mínimo de espírito crítico levaria a questionar o merecimento da conquista, e até a sua lisura.

    Os resultados do Campeonato Brasileiro expõem os privilégios dos clubes favorecidos pela CBF e pela rede Globo. Da primeira vêm os “erros” de arbitragem. Da segunda, a proteção financeira das cotas de TV.

    O Corinthians recebeu cerca de R$ 100 milhões, mais do que o triplo da parte reservada a oito dos vinte clubes que disputam o Brasileiro. O dobro do montante pago a outros cinco participantes.

    Esse método de manipulação faz dos pontos corridos um logro infalível. Sob a aparente “justiça” do sistema, a elite da Globo se eterniza na disputa de títulos e vagas à Libertadores.

    Os elogios a Tite e seus comandados milionários escondem a estrutura viciada que os financia.

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  10. Chora bambi, chora kkkkkkkk arranja um pipo kkkkkkkk hj foram só 6 na bambi kkkkkkkkkk foram 6 gols arrumados kkkkkkkkkkkk sqn mimimimi

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  11. Não é por aí Moisés, Desrespeito ao próximo é a última gota para uma civilizada convivência. O direito de expressar opinião é salutar e deve sempre prevalecer. Esclarecer, convencer é o melhor caminho, Ofender jamais.

    Deixo registrado meu repúdio.

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