Até quando vão nos fazer de idiotas?

POR EMANUEL CANCELLA

Como aceitarmos a denúncia de corrupção da Fifa sem envolver a Globo, que tem o monopólio do futebol no Brasil, Copa do Mundo, Libertadores, Copa América, campeonato brasileiro, e estaduais?
A Globo fez negócios com a cúpula da Fifa que está presa e ninguém cogita de investigar a emissora. Lembrando que a emissora não tem nada de inocente, além do monopólio do futebol é sonegadora do Imposto de Renda da Copa de 2002. E não é que foi pega na malha fina, a Globo foi fazer o negócio nas Ilhas Virgens britânicas onde frequentam os maiores bandidos do planeta.
Além disso, a Globo é envolvida com José Hawilla, dono da TV TEM que é sua afiliada da e que, como réu confesso, aceitou pagar U$ 151 milhões, no caso da Fifa.
Prenderem o tesoureiro do PT e não prenderem os tesoureiros do PSDB, PMDB, PP que também foram citados em delação premiada na operação Lava Jato.
Julgaram o mensalão do PT e deixaram de fora o do PSDB que foi anterior ao do PT, sendo que o mensalão do PSDB está prescrevendo.

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Agora a Polícia Federal faz invasão na casa do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, coisa que nunca fizeram na casa do ex-governador Aécio Neves, do PSDB, que construiu um aeroporto com dinheiro público em terras da própria família e é citado pelo doleiro Alberto Youssef como propineiro na operação Lava Jato, recebendo dinheiro através da irmã em Furnas.
O ex-governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), foi denunciado pelo ex-policial federal, Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como “Careca” de receber um milhão de reais de propina.
Até quando as instituições brasileiras vão dar um atestado de idiota a todos nós, prendendo uns, investigando outros e deixando de fora principalmente a Globo e o PSDB?

Uma pedra no sapato da Fifa

Play the Game 2005
Play the Game 2005

DO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Andrew Jennings: este é o nome a ser guardado em meio à polêmica que envolveu o FBI e as revelações de corrupção na Fifa. O jornalista foi o primeiro a levantar premissas para as investigações que terminaram por levar à prisão de José Maria Marin (ex-presidente da CBF) e de mais sete dirigentes da federação internacional de futebol.

Jennings é escocês e já trabalhou para o Sunday Times e para a BBC. Seu envolvimento nos bastidores da Fifa se deu durante a produção do programa “Panorama”, da própria BBC, voltado a documentários investigativos. Jennings estreou na série em 2006, quando apresentou o episódio “The Beautiful Bung: a corrupção e a Copa do Mundo”, que abordava alegações de suborno dentro do órgão. Sua investigação rendeu uma série de reportagens e o episódio seguinte explorou a relação entre o comitê de ética da Fifa e o ex-atleta olímpico britânico Sebastian Coe.

O programa mais importante da série foi o chamado “Segredos sujos da Fifa” – exibido pela primeira vez em novembro de 2010 –, o qual investigou denúncias de corrupção contra alguns dos membros da federação e do comitê executivo que havia participado da votação para a escolha da sede da Copa do Mundo de 2018. À época, Jennings alegou que Ricardo Teixeira (presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014), Nicolás Leoz (presidente da Conmebol) e Issa Hayatou (presidente da Confederação Africana de Futebol) receberam suborno da empresa ISL, responsável por comercializar os direitos de transmissão da Copa do Mundo para emissoras de televisão.

Em 2011 o Sunday Times reforçou as suspeitas levantadas por Jennings e publicou revelações de um denunciante que colocava em xeque a idoneidade da realização das Copas do Mundo na Rússia e no Catar, em 2018 e 2022, respectivamente. Foi então que, em 2012, Michael Garcia – ex-procurador-geral dos Estados Unidos – optou por abrir um inquérito independente baseado nas revelações do Sunday Times, dando origem a uma série de investigações que resultaram na prisão de Marín e de outros sete dirigentes.

Censura deliberada

Jennings, no entanto, não parece ser o único jornalista a incomodar a Fifa no momento.

CGAfdD7W0AArqbnUma equipe da BBC que cobria as obras da Copa do Mundo foi detida no Catar no dia 18 de maio de 2015. O repórter Mark Lobel estava no país a convite do governo local, que havia convocado diversos veículos para desmentir denúncias de que imigrantes estavam trabalhando sob condições deploráveis nas obras da Copa do Mundo de 2022.

A equipe da BBC acompanhava a visita oficial guiada pelas autoridades, porém foi detida ao buscar outras fontes de informação para a reportagem, quando abordava trabalhadores em local não indicado pelo governo. Lobel, um cinegrafista, um motorista e um tradutor foram cercados por seguranças e revistados – e durante o interrogatório descobriu-se que a equipe vinha sendo vigiada o tempo todo, inclusive tendo seus passos fotografados.

As autoridades alegaram que a prisão era uma questão de “segurança nacional” e não permitiram que a equipe fizesse nenhuma chamada telefônica. Depois de dois dias, a equipe da BBC foi liberada e então autorizada a se juntar ao tour da imprensa preparado pelo governo. Embora nenhuma acusação formal tenha sido registrada, todo o equipamento em posse dos jornalistas foi confiscado.

A BBC refutou todas as acusações do governo do Catar e justificou que a presença da rede no país não era secreta e que a equipe estava focada numa reportagem perfeitamente apropriada para o jornalismo.

A Fifa também se manifestou, dizendo que vai averiguar o que aconteceu e que “qualquer incidente relacionado a uma aparente restrição de liberdade de imprensa é motivo de preocupação e será investigado com a seriedade que merece”.

Em sua coluna para o The Guardian, o professor de jornalismo Roy Greenslade zombou da resposta da organização e disse que “a Fifa e o Catar se merecem, pois ambos compartilham da dúbia distinção de se opor ao exercício da liberdade de imprensa”.

Greenslade diz que a prisão de Lobel não foi um acidente, e sim o ápice de uma operação destinada a evitar que a BBC, bem como todos os jornalistas, se aprofundem na situação dos trabalhadores migrantes que estão construindo estádios da Copa do Mundo.

“O que une a Fifa e o Catar num matrimônio profano é a crença compartilhada de que os jornalistas devem saber qual é o seu lugar”, escreveu Greenslade. “Para a Fifa, isso significa que repórteres devem cobrir jogos de futebol e nada mais. Para o Catar, envolve restringir jornalistas visitantes a passeios sancionados onde todas as suas atividades são monitoradas”, concluiu.

Este não é o primeiro caso de censura do gênero do Catar. Uma equipe da emissora alemã TV ARD foi detida em 2013, enquanto fazia reportagem sobre as más condições de trabalho de imigrantes no país.

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