Remo vai a julgamento hoje no STJD

Acontece hoje à tarde o julgamento do recurso impetrado pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra a pena aplicada pela comissão disciplinar ao Clube do Remo, devido ao violento confronto entre torcidas organizadas na arquibancada do estádio Diogão, em Bragança, no jogo entre Remo x River pela Série D do ano passado. O clube foi punido com a perda de um mando na comissão disciplinar do STJD, mas o procurador Paulo Schmidt recorreu pedindo aplicação da pena máxima – que prevê até a perda de 10 mandos, mais multa de R$ 100 mil.

Zico confirma pré-candidatura à Fifa

Zico confirma sua pré-candidatura à presidência da Fifa e deve ter como principal oponente o francês Michel Platini, presidente da poderosa Uefa. Em entrevista, ontem, Zico criticou a organização da Copa do Mundo no Brasil e defendeu mudanças no processo eleitoral da Fifa. Quer a instituição do voto de ex-jogadores (hoje só dirigentes votam). Para confirmar candidatura, Zico precisa do apoio de cinco das federações nacionais. Na semana passada, o presidente da entidade, Josef Blatter, anunciou seu afastamento e prometeu convocar novas eleições depois da prisão de sete dirigentes da Fifa na Suíça, entre os quais José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Para mentor, Oliveira precisa ser “mais estressado”

HEULER ANDREY/AGIF/GAZETA PRESS

Marcelo Oliveira Cruzeiro Atletico-PR Campeonato Brasileiro 30/05/2013
Marcelo Oliveira não costuma se estressar, mas vai precisar, aconselha mentor

Nesta quinta-feira, Marcelo Oliveira deve ser confirmado como novo treinador do Palmeiras. De cara, o ex-técnico do Cruzeiro já recebe um aviso de seu mentor: para aguentar a enorme pressão no Allianz Parque, terá que deixar de lado o jeito pacato e virar um cara mais “estressado”, mais “nervoso”, mais “acelerado”.

É o que ensina Jair Picerni, ex-comandante do próprio “Verdão” e amigo de longa data de Marcelo Oliveira, que foi seu auxiliar no Atlético-MG, em 2004.

“Enquanto eu falava um monte de palavrão e apelava com os caras, ele nunca levantou a voz pra ninguém, nem falou nenhuma besteira. É um cara fantástico, muito calmo e bom demais”, conta Picerni, em entrevista ao ESPN.com.br.

“Torço muito por ele, mas vou dar um conselho: para aguentar o Palmeiras, ele precisa ser mais estressado, mais estourado, ter o coração mais nervoso (risos). Lá no Palestra tem que ser assim, falo por experiência própria. Precisa acelerar um pouquinho mais”, ressalta.

Oliveira, que anteriormente havia sido comentarista de TV na Rede Minas, era o homem responsável por preparar

relatórios sobre os adversários, sempre baseados em estatísticas, para Picerni. Eles trabalharam juntos até o comandante ser mandado embora, em outubro daquele ano.

Marcelo ficou nas categorias de base do “Galo” até 2007, quando saiu para se aventurar pela primeira vez como técnico, no CRB. Retornou ao Atlético-MG em 2008, como interino, e depois passou por Ipatinga, Paraná e Coritiba, clube que o tornou nacionalmente famoso após chegar duas vezes seguidas à final da Copa do Brasil.

Na sequência, teve passagem ruim pelo Vasco antes de chegar ao Cruzeiro, onde se consagrou como um dos técnicos top do futebol nacional, após conquistar o bicampeonato do Brasileirão, além de um Mineiro, com o clube celeste.

Oliveira acabou demitido em 2 de junho, após resultados ruins no Brasileiro e na Libertadores, sendo substituído por Vanderlei Luxemburgo. Com a demissão de Oswaldo de Oliveira no Palmeiras, acabou contatado para assumir a equipe alviverde, refazendo a parceria de sucesso com o diretor de futebol Alexandre Mattos, também bicampeão no Cruzeiro.

“É um cara fantástico. Sempre trabalhou sério e soube esperar a vez dele. Torço para que tenha muito sucesso no Palmeiras”, finaliza Picerni, hoje desempregado. (Da ESPN)

Seleção segue com o prestígio abalado

Cerca de 22 mil pessoas pagaram ingressos para assistir Brasil x Honduras, ontem à noite, na Arena Beira-Rio, em Porto Alegre. Domingo passado, em São Paulo, 34 mil tinham comparecido ao jogo Brasil x México. Em outros tempos, a Seleção Brasileira lotava estádios em qualquer cidade brasileira. O baixo comparecimento da torcida depois do traumático 7 a 1 para a Alemanha mostra que a Seleção terá que lutar (e vencer) muito para recuperar o antigo carisma. Nem mesmo a série vitoriosa de 10 jogos sob o comando de Dunga é suficiente para motivar o torcedor.

Remo e Cametá irão homenagear zagueiro Gil

Como preparação para a Série D, o Remo programou jogos amistosos em Barcarena (dia 21 de junho) e em Cametá (23). A partida contra o Mapará, no Parque do Bacurau, terá caráter de homenagem póstuma ao zagueiro Gil Cametá, que morreu em acidente automobilístico em abril deste ano. Gil defendia o Cametá, mas teve passagem pelo Leão Azul. A arrecadação será destinada à família do jogador.

Suspenso o leilão da área do Carrossel

Em atenção a mandado de segurança impetrado pelo advogado André Meira, do Clube do Remo, a desembargadora Elizabete Newman suspendeu o leilão da área do Carrossel, que estava marcado para sexta-feira, 12.

Na contramão da história

POR GERSON NOGUEIRA

O presidente do São Paulo, em meio a uma série de ideias meio amalucadas, saiu-se ontem com uma análise certeira e lapidar sobre o futebol brasileiro. “Nós somos exportadores de atletas, mas quem forma treinadores é a Argentina”, disse Miguel Aidar.

Há tempos que a realidade está aí, à nossa frente, explicitando a supremacia dos técnicos argentinos sobre os nacionais. Os daqui cobram salários até mais vultosos, mas os resultados – em competições internacionais – indicam que a mão-de-obra dos hermanos é mais competente.

É bom considerar que a desvantagem não é apenas em relação aos profissionais argentinos. No seio da categoria, predomina a convicção arrogante de que são bons e até superiores aos gringos. Não se preocupam nem mesmo com reciclagem e revisão de métodos de treinamento.

Enquanto isso, os argentinos avançam. Diego Simeone e Marcelo Bielsa, para ficar em apenas dois casos, são técnicos respeitados no mundo inteiro. Jorge Sampaoli e José Pekerman estão no mesmo nível, comandando seleções importantes (Chile e Colômbia, respectivamente) no continente. Nem por sonho imagina-se hoje um brasileiro dirigindo equipes sul-americanas ou europeias.

No continente africano, ainda engatinhando em termos de futebol profissional, a preferência é por treinadores europeus. Carlos Alberto Parreira e Joel Santana foram os últimos a trabalhar no continente, comandando a África do Sul.

Até no imberbe futebol árabe, onde tempos atrás Zagallo e Abel marcaram presença, não há mais espaço para técnicos brasileiros. Resta de verdade apenas alguma brecha na Ásia, onde Cuca representa solitariamente a classe na primeira divisão chinesa.

Como explicar esse menosprezo generalizado aos “professores” brazucas, tão geniais e solenes nas entrevistas pós-jogo?

A resposta está na desatualização profissional. Os técnicos não saem do país, não se preocupam em aprender e se fecham no ambiente protetor e autoindulgente dos campeonatos nacionais. Impõem manias aos jogadores e executam táticas que destoam do que se faz lá fora. São responsáveis diretos pelo abismo em que o futebol do Brasil se encontra.

Quando Barcelona x Juventus se enfrentaram, no sábado passado, a maneira estudada e estratégica com que se lançaram ao jogo não pode nem de longe ser comparada à indigência tática dos times brasileiros, quase todos entregues a sistemas arcaicos e voltados exclusivamente para a destruição de jogadas adversárias.

Pep Guardiola disse, quando ainda treinava o Barcelona, que o segredo da qualidade do time estava no futebol refinado do Brasil de outrora. Sua frase foi como navalha na carne do orgulho nacional. Deveria servir para que todos entendessem que sempre é possível aprender com a própria história.

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Planos na cabeça e calculadora na mão

O Papão tem 12 pontos, venceu seus quatro últimos jogos e está na quinta colocação da Série B. Posição privilegiada para um começo de caminhada no campeonato mais competitivo do país. Nas próximas rodadas, o time sai de casa para defender essa condição em duas partidas difíceis. Na sexta-feira, encara o ABC, em Natal, e logo em seguida vai ao Recife enfrentar o Náutico, vice-líder da competição.

Quando instado sobre a projeção que fazia para os dois próximos jogos, no programa Bola na Torre, o técnico Dado Cavalcanti desconversou, preferindo não revelar sua expectativa. É provável que esteja trabalhando com a hipótese de trazer quatro pontos, o que é uma pretensão aceitável.

Como o Papão começou a engrenar, jogando de forma mais compacta e mostrando capacidade de reação, é possível fazer planos de uma vitória sobre o ABC e um empate diante do Náutico. Quatro pontos colocariam o time seguramente no G4 e consolidaria a excepcional campanha neste começo de Série B.

Pelo que expôs durante o programa, Dado tem em mente fazer em Natal um jogo parecido com o de Varginha, quando se expôs a alguns riscos, mas ficou à espera de uma oportunidade para liquidar a fatura. Na ocasião, a equipe ainda demonstrava estar assimilando o esquema proposto pelo técnico. Agora, depois dos triunfos sobre Ceará, Santa Cruz e Paraná, espera-se que o Papão saia mais para o jogo e busque a vitória sem excesso de cautelas.

Com quatro atacantes à disposição, Dado pode avaliar bem as qualidades do adversário para utilizar sua dupla ofensiva mais adequada. Contra um ABC conhecido pela rapidez que emprega ao jogo do meio para a frente, mas com defesa hesitante, o mais provável é que Aylon e Leandro Cearense continuem como titulares.

Já contra o Náutico, dono da defesa mais sólida e entrosada da competição, é recomendável que o ataque seja rápido e ágil, surgindo a chance de que Aylon tenha Bruno Veiga (ou Edinho) como companheiro lá na frente.

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Titanic azulino

O Remo tem se notabilizado por produzir notícias ruins nas últimas semanas. Depois da querela judicial envolvendo o presidente Pedro Minowa, eis que ressurge o drama da área do Carrossel. Com a proposta oficial de compra por R$ 7,6 milhões (acima da avaliação), apresentada por João Felizolla Bentes, torna-se iminente a perda do patrimônio.

Atento observador da cena azulina comparava ontem a gestão de Zeca Pirão e o começo da administração de Pedro Minowa com o segundo mandato de Raimundo Ribeiro no clube. Na ocasião, foi vendida a sede campestre também sob parcelamento, fato que não ajudou a resolver as pendências trabalhistas existentes pois inviabilizou descontos junto aos credores.

Há dois anos, o grande benemérito Ronaldo Passarinho vem alertando que, além dos bloqueios de renda, o clube corria o risco de perda de patrimônio. Em mensagem recente ao blog, ele comentou: “Estavam todos no salão de festas do Titanic, discutindo a qualidade do vinho, enquanto o iceberg se aproximava. Pobre Remo”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 10)

Na era da discriminação digital

http://www.cartoonmovement.com/

POR RAFAEL EVANGELISTA

Depois das revelações de Edward Snowden, ficou fácil demonstrar como as redes sociais e os serviços remotos na web (como os webmails e os aplicativos de escritório) podem ser utilizados como instrumentos de vigilância pessoal. Mas exemplificar os usos econômicos dessa máquina de vigilância é tarefa mais ingrata. Os dados pessoais e as informações produzidas pelos usuários em suas respectivas interações são usados para alimentar a força econômica das empresas, numa relação que não é transparente e que contém injustiças ainda difíceis de serem concretamente mapeadas, seja pelos movimentos sociais ou pelos pesquisadores da área.
A crescente e promíscua relação entre as empresas de finanças e as grandes companhias de tecnologia de informação e informática do Vale do Silício, na Califórnia, ajudam a deixar essa exploração mais clara. Estão surgindo com força empresas embrionárias (startups) que usam informações dos usuários obtidas nas redes sociais para elaborarem um número, um índice, que determinaria a capacidade de pagamento de um possível tomador de empréstimo. Com isso, as empresas teriam mais segurança sobre quem poderia dar calote e, em tese, poderiam oferecer taxas de juros menores para aqueles que fossem bem avaliados. Na prática, o que vem acontecendo são práticas discriminatórias justamente contra aqueles que mais precisam, os grupos sociais historicamente mais fragilizados: imigrantes, negros, mães solteiras, moradores de bairros pobres etc.
Uma reportagem recente da revista estadunidense The Nation entrevista vítimas do chamada “digital redlining”. O termo redlining refere-se à linha vermelha imaginária feita pelos bancos em determinados bairros pobres, para marcar populações dentro de uma área geográfica e para as quais são praticadas taxas de juros mais altas. Essa exclusão e discriminação agora foi importada para o mundo digital, sendo desenhada não mais sobre um mapa, mas por um robô que integra dados importados, entre outros, de redes sociais. Este reúne a grande massa de dados de redes como o Facebook para determinar juros mais altos para certas pessoas.
Para o pobre, que mais precisa do empréstimo, não se trata de simplesmente estar fora das redes. Essa opção pode ser ainda pior, pois o sistema acaba entendendo a falta de dados como algo suspeito e aplicando as maiores tarifas ou negando transações.
Projetos como o Internet.org, voltados às populações mais pobres, colocam ainda mais pressão sobre as pessoas, forçando sua entrada na rede social e o compartilhamento de informações com as companhias. O Internet.org fornece acesso à internet gratuito, porém limitado a um conjunto de sites, sendo o principal deles o Facebook.
Uma das empresas parceiras do projeto é a Lenddo. O usuário que nela se cadastra e baixa o aplicativo no celular tem acesso a compras online, empréstimos e serviços de colocação profissional. Em troca, permite que suas atividades sejam monitoradas — ações como a interação ou amizade com certas pessoas — e que a partir desse monitoramento seja produzido um LenddoScore, um número que reflete o quanto o usuário é “confiável”. A Lenddo já é oficialmente usada por financeiras das Filipinas para produzir perfis de pessoas que estão fora do sistema bancário. Também dá informações para que telefônicas neguem o acesso a planos de celular pós pagos e fornece informações a empregadores em busca de referências para possíveis trabalhadores.

As populações dos países periféricos, onde o Internet.org já atua, são particularmente vulneráveis, pois o sistema jurídico dá poucas garantias aos cidadãos quanto a abusos e discriminações. Quênia, Gana, Colômbia, Índia, Bangladesh, além das Filipinas, já estão nessa lista. Mas mesmos nos países ricos a complexidade técnica desses instrumentos de predição usando dados de navegação na internet torna difícil comprovar que, por exemplo, o fato de alguém buscar remédios psiquiátricos foi o fator preponderante para ter um financiamento negado.
A Lenddo é apenas um exemplo. Outras empresas de natureza semelhante já atuam, inclusive nos países ricos. Em um dos casos citados pela Nation, uma estudante em dívida com empréstimos educacionais torna-se alvo de crédito predatório a partir de dados coletados em sua atividade online.
A internet, ao mesmo tempo que ofereceu grandes oportunidades para a expansão da criatividade e da liberdade de comunicação, tornou-se um lugar propício para novas estratégias de revitalização do capitalismo, agora baseado na exploração informacional. Vamos passando de um sistema em que o mau pagador era punido para uma estrutura em que o castigo vem antes, pelo cálculo probabilístico do delito futuro. A desigualdade de forças, a assimetria no controle da infra-estrutura tecnológica, o grande poder econômico derivado do controle de grandes bancos de dados das populações são um terreno fértil para o aumento da exclusão e do controle.