Gols bonitos e decisivos

POR GERSON NOGUEIRA

Um gol pode mudar a história de um jogo e até a postura de um time em campo. Foi o que se viu ontem à noite no empate entre Náutico e Papão na Arena Pernambuco. Depois de perder o primeiro tempo, atuando com pouca movimentação no meio-de-campo e apanhando na marcação à frente da zaga, o time paraense se recobrou na etapa final graças a um lance isolado, executado com perfeição e brilho por seu melhor jogador. Aos 15 minutos, Pikachu cobrou falta rente à barreira e enganou o goleiro Júlio César.

Com muitas dificuldades para criar jogadas e muitos erros de passe, o Papão precisava desesperadamente de um lance redentor. Coube a Pikachu transformar em realidade as expectativas da equipe. Em situação normal, com a bola no chão, tentando enfrentar a forte postura defensiva do Náutico, seria difícil chegar ao gol.

O Timbu pernambucano marca com intensidade quase bovina. Recua praticamente o time inteiro quando está sem a bola. Briga o tempo todo para recuperá-la e parte com determinação e vontade. Mesmo com os desfalques no meio e no ataque, o técnico Lisca escalou um time agressivo.

No primeiro tempo, levou a melhor sobre a marcação do Papão e procurou explorar bem as subidas de Pikachu, que não contava com a devida cobertura. Foi por ali que chegou ao gol, com Pedro Carmona. Tinha em Wiltinho um meia-atacante insinuante, que criava alvoroço com dribles e arrancadas.

Do lado bicolor, sobressaía a personalidade do volante Fernando, que substituiu Fahel. Com bom posicionamento, distribuía passes, combatia e ainda tentava ajudar o ataque. Seus outros companheiros de marcação, Jonathan e Augusto Recife, não mostravam o mesmo desempenho e contribuíam para a intranquilidade da zaga, que andou se atrapalhando em lances bobos durante todo o primeiro tempo.

Depois do intervalo, Leandro Cearense se contundiu e abriu caminho para que Dado lançasse Misael. Rápido e habilidoso, Misael deu a dinâmica que faltava ao ataque e ajudou Aylon a aparecer melhor no jogo. Pena que ambos não tinham a necessária colaboração do setor de criação. Carlos Alberto foi peça decorativa no primeiro tempo e não foi notado no segundo.

O árbitro ignorou pênalti claro de Diego, botando a mão na bola em lance com João Lucas, mas o Papão tinha imensas dificuldades para criar lances de área.

Por sorte, havia Pikachu.

Seu gol – tão decisivo quanto o de sexta-feira em Natal – estimulou a equipe a reagir e acreditar. Animado, o Papão passou a buscar a vitória. O Náutico acusou o golpe e os ataques do time paraense se sucediam. Por volta dos 30 minutos, Dado trocou Jonathan por Edinho, mas deixou para substituir Carlos Alberto por Carlinhos quando o jogo já se encaminhava para o final.

Os donos da casa ainda tentaram aplicar um sufoco, mas não havia mais fôlego, nem consistência ofensiva.

Atuação apenas razoável do Papão, mas resultado excelente.

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De cochilo em cochilo, o Leão afunda

Cacaio pode deixar o Remo a qualquer momento. A notícia trouxe novas preocupações à torcida azulina. Não faltam motivos ao treinador para pedir o boné. Não recebe salários e seu contrato sequer foi assinado – dorme na gaveta do presidente Pedro Minowa, que vive ausente do Baenão.

O técnico, responsável pelo título paraense e a excelente campanha na Copa Verde, também está insatisfeito com privilégios no pagamento de auxílio-moradia a alguns poucos jogadores do elenco. Já foi sondado por Santa Cruz e Paraná.

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Baile argentino à beira do campo

Como citei aqui na semana passada, o Brasil perde de goleada para a Argentina quando o assunto é técnico de prestígio internacional. Só nesta Copa América os argentinos aparecem no comando de seis das 12 seleções. Gerardo Martino (Argentina), Jorge Sampaoli (Chile), José Néstor Pékerman (Colômbia), Gustavo Quinteros (Equador), Ramón Díaz (Paraguai) e Ricardo Gareca (Peru).

Domínio absoluto e incontestável.

A conversa mole dos nossos ditos professores não sensibiliza nem os vizinhos de continente. Na Europa, então, ninguém nem quer ouvir falar em treinador brasileiro, depois das experiências bizarras de Vanderlei Luxemburgo no Real Madri dos galácticos e de Felipão no Chelsea.

Ambos caíram, segundo fontes seguras, principalmente pela aridez de ideias, envelhecimento de métodos e dificuldades de comunicação. Falavam apenas o básico da língua de cada país, estabelecendo uma parede incontornável no diálogo com os atletas.

Além dos problemas de idioma, há também o costume de jogar sempre atrás, preservando o emprego. Os técnicos europeus também fazem isso, mas preservam um mínimo de compromisso com o jogo ofensivo, sabendo que só vitórias garantem a continuidade do trabalho.

Prevalece, acima de tudo, um conceito que condena os profissionais brasileiros ao esquecimento fora do território nacional: a ausência de atualização. Há trocentos anos, os times brasileiros jogam fechadinhos, fazendo rodízio de faltas e usando chuveirinho como tática ofensiva. Parados no tempo, só se criam por aqui mesmo.

Mas a reserva de mercado começa a ser ameaçada. São Paulo e Internacional, duas potências do nosso futebol, fazem apostas em comandantes estrangeiros.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 17)

35 comentários em “Gols bonitos e decisivos

  1. Amgo Gerson, concordei quase integralmente com a imagem do jogo retratada na Coluna. Divergi num mínimo detalhe. Falo das dificuldades na contenção do meio campo. Para mim o único responsável foi o Augusto Recife. Ele sim, esteve muito mal. Errou muitos passes, tinha dificuldades na recuperação e perdeu bolas perigosíssimas ali na frente da zaga. Segundo o que me pareceu, o Jonathan ficou sobrecarregado e prejudicado pelo baixo desempenho do Recife. Aliás, este comportamento deficitário o Recife já apresentara desde o Parazão, o qual, provavelmente foi o responsável pela perda da posição.

    Ah, pra terminar, me esclareça uma dúvida que me ocorreu agora, relendo a passagem do seu escrito, onde você refere que o Nautico recuava o time todo quando estava sem a bola: você acha que o Nautico, enquanto esteve organizado, estava jogando preponderantemente no contra ataque?

    De minha parte, acho que o Nautico não jogou primordialmente no contrata ataque. Eventualmente até contra atacou. Mas, em todo o primeiro tempo, e no segundo, até o gol do Pikachu, o que me pareceu que o time nordestino fazia como estratégia preferencial e frequente, era marcar muito firmemente o listrado à altura da linha divisória do meio do campo, no máximo na sua própria intermediária, e antes do listrado conseguir articular o ataque, tomava-lhe a bola e tentava chegar à meta do Jeferson, tendo conseguido seu intento, uns bons pares de vezes, tendo criado algumas boas chances de gol jogando assim, inclusive aquela que conseguiu converter.

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  2. Um dos símbolos da conquista do campeonato paraense de 2015 e do vice na Copa Verde, Cacaio deixou a primeira parte da temporada azulina em alta e com a promessa de renovação por parte da diretoria do clube. Um novo contrato foi feito, mas segue sem assinatura até hoje.

    ‘Meu contrato com o Remo está na gaveta. Como vou assinar se os caras não têm dinheiro para pagar? Eu, a comissão técnica, funcionários e os jogadores não recebem nada desde a metade de abril. Está todo mundo na merda’, falou e frisou: ‘Hoje, sou como um prestador de serviço, mas sem recibo, porque não me pagaram nada’.

    Fonte: orm

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  3. Ocorre Joseney, que no meu escrito me propus a escrever apenas sobre aquilo que discordei do que foi exposto na Coluna, além de, no final, fazer uma pergunta, sobre um aspecto do qual me ocorreu uma dúvida a respeito da opinião do Titular do Blog.

    Senão, observe, Joseney, como inaugurei minha publicação:

    ” Amigo Gerson, concordei quase integralmente com a imagem do jogo retratada na Coluna. Divergi num mínimo detalhe. Falo das dificuldades da contenção no meio de campo (…).

    Com efeito, como no texto da Coluna, o Titular do Blog fala bem claramente do lance a que te referes, dexando afirmado que se tratou de pênalti, resta claro que não se tratou de esquecimento de minha parte. Com verdade, eu deliberadamente não comentei a respeito porque concordo com o entendimento do titular do Blog de que houve pênalti no lance.

    É isso, Joseney!

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  4. De fato, Guga Alcântara e Marcelo Manaus, chega um momento em que o sujeito vê atingido o seu limite de tolerância e explode em verdades contra seu opressor.

    Está sendo assim agora com o Cacaio. Foi assim em passado recente com o Marcelo Nicácio. Mas, não se pode condená-los. Pois, como diz o ditado: quem fala a verdade não merece castigo.

    Se o Cacaio sair mesmo, pior para o Mais querido e para o Fenômeno, os quais correm o risco de se ver privados do melhor Treinador que passou pelo Baenão nos últimos tempos. Aquele que em prol do melhor rendimento do time e da autoestima do torcedor azulino, melhor soube extrair o que havia de melhor num elenco limitado tecnicamente e muito desgastado física e psicologicamente, neste último caso, tudo devido, no mínimo, à incompetência acumulada de várias diretorias num raio de, no mínimo, trinta anos.

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  5. A propósito, mesmo com a pintura de gol que fez, o Pikachu ontem não desenvolveu seu melhor futebol. Menos por ele próprio (que se tivesse um bom empresário, já teria obtido uma chance na Seleção nem que fosse para compor o elenco) e mais pelo desacerto em que o time acabou se envolvendo, provocado especialmente pelo técnico que insiste na escalação de jogador improdutivo na armação, e nulo na contenção que é o Carlos Alberto. Muito não há que se reclamar da escalação do irreconhecível Recife, eis que parece que não havia opção melhor no elenco. Enfim, a impressão que fica, no caso do Carlos Alberto, é que o treinador conhece demais o jogador, sabe que ele é um super craque e que está apenas se ressentindo d’alguma falta de adaptação ou coisa parecida, e por isso insiste, persiste e não desiste dele, certo de que com a sequência de jogos, o atleta comece a render seu grande e diferenciado futebol.

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  6. Para mim, não manter Cacaio é um tiro no pé, já que ele conhece o plantel atual, bem como conhece as peças locais que estão sendo contratadas.

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  7. Acabou o ciclo do Cacaio no Remo com essa declaração, o clube passa por um difícil problema financeiro, todo mundo sabe, mas um comandante não pode fazer uma declaração desse jeito. Não amadureceu ainda como técnico de futebol e vai ter muitas consequências na sua carreira por estas declarações impensada.

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  8. Amigo Antônio, penso que a manutenção de Carlos Alberto no time esteja diretamente relacionado ao fato do Paissandu não ter jogador que cadencie o jogo; Carlinhos, que entrou ao final, é mais um condutor de bola do que um jogador cadenciador.

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  9. Sobre o jogo do Paissandu,

    Penso que o primeiro tempo, mesmo com o Paissandu tendo a posse de bola, foi do Náutico que criou pelo menos quatro bons lances. A estratégia de marcar forte e atacar com blocos de quatro ou cinco jogadores se mostrou eficiente, mas faltou efetividade para os atacantes do timbu. Paissandu, no primeiro tempo, era sinônimo de toques laterais.

    Segundo tempo, começou com a mesma toada do primeiro, mas o gol de falta de Yago (sim, se ele fosse de Flamengo ou Corinthians seria seleção e festejado no sul maravilha como a grande coca da lateral direita) desestabilizou o time pernambucano que começou a ceder espaço para os contra ataques do Papão que chegou pelo menos duas vezes com perigo com Aylon (chutou para cima, poderia ter servido a Misael) e Misael que acertou o zagueiro, além desses lances, o Paissandu voltou a ser prejudicado com a não marcacao do penal claro (o árbitro estava próximo e não marcou por que não quis e teve medo). Em síntese, o Paissandu só foi melhor do que o Náutico durante vinte minutos do segundo tempo.

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  10. Prezado Antonio Oliveira, parabéns pela serenidade nos teus comentário, a encarnação é lógico que faz parte do contexto, você tem sido o único remista quem tem dado a cara pra bater aqui no blog, os demais blogueiros azulinos sumiram.

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  11. KKKK abraço, amigo Marcelo! Não é que eu não esqueça, tudo é só uma questão de reciprocidade. Concorda?

    Quanto ao Marcelo Nicácio, deve andar peregrinando por aí, por este mundão da deusa bola, à procura de mais um clube pra enganar com seu futebol de ex jogador em atividade.

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  12. O remo está falido. Mesmo que mande o Cacaio embora não tem dinheiro para contratar nenhum treinador de fora. Logo começa a debandada de jogadores, inclusive o recém contratado Fernando Henrique. E ninguém quer assumir com o Minowa no poder. Ta difícil.

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  13. Empate muito bom! Quanto ao jogo, o Paysandu jogando fora, contra o vice líder e um dos candidatos à série A, fez um bom jogo, estratégico, a cara do Dado, feio! Teve o maior tempo de posse de bola, que seja sempre assim e ave o Pikachu! E pensar que ainda tinha gente que o contestava, meio time!

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  14. Marcelino, frequento uma galera, amigos, irmãos, cunhados, primos, vizinhos, colegas de trabalho, quitandeiro, porteiro, zelador, flanelinha etc onde a encarnação é geral, mas ninguém xinga ninguém, ninguém desrespeita ninguém. E isso porque prevalece o bom humor já que isso é só futebol. E quando o debate é sério, mesmo quando divergência de opinião (e muitas vezes há), ninguém agride ninguém, seja verbal, seja fisicamente. Aqui no Blog poderia ser assim sempre. O problema é que, às vezes, nos esquecemos disso.

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  15. O Náutico joga desta forma, ou seja, marcando forte e forçando o erro do adversário, chega até a passar a ideia de time retranqueiro, mas não, ele sabe como explorar os vacilos do adversário fato este ocorrido no primeiro do gol do time pernambucano.
    Augusto Recife vem jogando mal faz tempo, motivo para a sua saída do time titular.
    O primeiro tempo bicolor foi horrível com passes laterais sem objetivos, e senti os dois laterais muito presos.
    De fato o gol do Pikachú deu outro rumo a partida, quanto ao penal se fosse a favor do Timbú ele marcaria sem titubear mas…
    Quanto ao Pikachú na seleção não será novidade nenhuma ele aparecer assim que for para o “Sul” maravilha!
    Em entrevista a rádios pernambucanas o Dado rasgou elogios ao lateral bicolor.

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  16. É uma pena que Bruno Veiga, nosso principal atacante, continua sem ritmo de jogo. Acredito que, mesmo sem ritmo, é melhor que o Leandro Cearense, portanto o Dado tem utilizá-lo mesmo que por 30 minutos para que possa retomar sua melhor forma física.

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  17. Celira, pode ser que o objetivo da permanência do pretenso armador seja cadenciar o jogo, mas, se for, eu acho um equívoco.

    Até o antepenúltimo jogo ele aparecia no time apenas na escalação e no momento em que era substituído. No restante do tempo ficava completamente desaparecido. Nem errar passe errava, porque sequer aparecia como opção para receber a bola dos companheiros. No jogo contra o ABC melhorou um pouco esta questão do sumisso em campo, mas muito ligeiramente, eis que procurou se aproximar mais dos companheiros e se oferecer como opção aos companheiros. Mas, pouco ou nada fez com as poucas bolas que recebeu. No jogo de ontem, ficou aproximadamente 88 minutos em campo e nada fez do que dele se espera. Teve um pouquinho mais seu nome referido pelo locutor; tentou mas, desistiu de aplicar algumas fintas; acertou 2, 3 passes laterais; ensaiou alguns dribles, errou todos os demais que tentou, que foram 4 ou 5.
    Enfim, se é este o objetivo, me parece que nunca foi alcançado, inclusive porque ele pouco pega na bola, pouco participa do jogo para poder cadenciá-los. Quem vem fazendo este trabalho é o Jonathan, o Pikachu, o Fahel, com a ajuda do Aylon e do ala esquerdo.

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  18. Recife não desaprendeu a jogar, está jogando abaixo do esperado dele porque ele saiu e está sem ritmo. O cara é maestro mas a idade e seqüência de jogos pesa para qualquer um.
    Bruno Veiga de volta, em forma, seria excelente!!!

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  19. Amigos, Cacaio escapou por um fio… Diretoria reuniu com ele sobre as declarações que deu a um site e ele desmentiu… Diretoria resolveu da mais uma chance a ele, mas não engoliu, podem ter certeza… Leo Goiano, técnico revelação do Parazão 2015 estava engatilhado, acreditem e viria por um preço bem menor… Qualquer outro vacilo, Cacaio dança… Anotem

    Deixo de falar de futebol se algum clube desses citados, pelo menos sondaram ele… Conheço muito bem isso.

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  20. Esses remistas desocupados não têm nada pra fazer e vem comentar assuntos do grande campeão. Vocês tem que cuidar é desse arremedo de vocês,pois vive mendigando esmolas até pra fazer feijoada ! Aplaudam de pé esse grande time que sabe representar o Pará em competições nacionais e caminha firme nas disputas ! Morram os invejosos.

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  21. Do jeito que as coisas estão o Léo Goiana deve pagar para treinar o rival, pois receber menos que o Cacaio deve ser desespero total de quem se diz profissional, ou então, não dá a mínima para a sua imagem.
    É o que eu penso!

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