Esclarecimento necessário

Na coluna de hoje, no caderno Bola, cometi uma incorreção quanto a renda e público do Re-Pa de ontem, no Mangueirão. Baseado em informações colhidas ainda durante o jogo – e com prazo de fechamento para a coluna até 22h -, afirmei que a torcida do Remo estava em maior número, quando foi justamente o contrário: a do Papão foi superior nas arquibancadas e cadeiras, embora no borderô oficial da FPF o Remo apareça com maior renda, devido aos descontos do Sócio Torcedor bicolor. No texto online, já fiz a devida retificação e postei outro texto esmiuçando os números do clássico. No Bola, a errata será publicada amanhã (terça).

Erro lamentável, pelo qual peço desculpas e compreensão aos 27 fiéis baluartes da coluna e ao povo que acompanha o Círio. Thanks!

Ricos brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais

POR RODRIGO PINTO, DA BBC BRASIL

Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do país em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

f876a0f85ef4aa13ccf539256fa3b9215f922336A informação foi revelada este este domingo por um estudo inédito, que pela primeira vez chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore, sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos. O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais.

O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

Em 2010, o Produto Interno Bruto Brasileiro somou cerca de R$ 3,6 trilhões.

‘Enorme buraco negro’

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais.

Henry estima que desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo.

Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como México, Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, pára enviarem seus recursos ao exterior.

“Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros”, afirma.

“Isso aumentou muito nos anos 70, durante as ditaduras”, observa.

Quem eniva

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.

“As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos”, afirma Christensen. “No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”.

Chistensen afirma que no caso de México, Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”.

O diretor da Tax Justice Network destaca ainda que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.

Papão teve mais público, mas Leão fatura mais

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O Re-Pa teve 16.312 pagantes, com renda de R$ 390.808,00. Por clube, o Remo teve 7.028 pagantes, com 936 credenciados. No total, 7.964 espectadores. O Leão arrecadou R$ 204.443,00, ficando com R$ 139.728,78 líquidos. Já o Paissandu contabilizou 9.284 pagantes e 1.502 credenciados, com 10.786 no total. Arrecadou R$ 186.365,00. Valor líquido: R4 132.553,83. A diferença está na contabilização de sócios torcedores. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Em alta temperatura

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POR GERSON NOGUEIRA

O clássico foi atípico. Duas expulsões logo no começo, contusões sérias. Ainda assim, foi um jogo vibrante desde a saída de bola. No segundo tempo, quando as equipes se distribuíram melhor em campo e o Remo perdeu Dadá, prevaleceu a superioridade alviceleste. O Papão venceu com merecimento, confirmando ter hoje o conjunto mais afinado, além de elenco mais qualificado. Poderia, no entanto, ter definido a classificação, pois desfrutou de grandes oportunidades na reta final da partida.

Do lado azulino, a valentia deu o tom da atuação e deixou claro que sob o comando de Cacaio as coisas mudaram para melhor, apesar do revés. O torcedor azulino viu um time comprometido e lutador, buscando a vitória a qualquer custo. Acontece que transpiração nem sempre é o bastante para vencer. A arrumação que Dado conseguiu dar ao Papão ainda não é possível notar no Remo de Cacaio.

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Foi um clássico repleto daqueles detalhes que empolgam a massa. Muita entrega dos dois lados, catimba à vontade, sururu em campo e lesões inesperadas. Tudo isso, em maior ou menor intensidade, contribuiu para o desfecho da partida.

Cacaio fez opções audaciosas, como a de usar três atacantes, quando poderia ter reforçado a armação, prejudicada com a perda de Eduardo Ramos. Na base do perdido por um, perdido por mil, suas escolhas contribuíram para um confronto aberto e emocionante, embora talvez tenha errado ao não lançar Levy na lateral-direita para liberar Dadá pelo meio.

unnamed (70)No Papão, que abriu caminho para a vitória com a belíssima cobrança de Pikachu, sobrou entrosamento, mas faltou certa volúpia ofensiva. Fosse mais empenhado em fazer gols talvez tivesse obtido uma goleada capaz de garantir a vaga de finalista da Copa Verde. Anotei pelo menos três excelentes oportunidades – além do segundo gol, marcado por Bruno Veiga – desperdiçadas pelo ataque.

Tranquilo e confiante na maior parte do tempo, o Papão procurou controlar a partida no meio-de-campo, mas teve sérias dificuldades no segundo tempo, quando o Remo se mostrou mais ousado em busca do gol.

As expulsões de Jonathan e Ciro Sena acabaram afetando mais o comportamento do Remo. Com elenco limitado e zaga ainda mais carente, Cacaio foi obrigado a sacrificar uma substituição para recompor a linha de defesa. Não foi a razão maior da derrota, mas teve influência.

Depois do intervalo, o Remo voltou mais impetuoso e chegou a equilibrar as ações, apesar das estocadas sempre agudas do contra-ataque do Papão. A situação complicou definitivamente para os azulinos quando Dadá se contundiu.

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O esforço físico dispendido para se impor em campo acabou golpeando um dos melhores em campo, com reflexos em todos os setores da equipe, repentinamente reduzida a nove jogadores efetivamente.

Quanto às atuações, é justo observar que Fabiano, tantas vezes questionado pelos torcedores, andou livrando o Remo de vários percalços. O trio de volantes também merece destaque. Ilaílson, Dadá (enquanto esteve inteiro) e Alberto foram infatigáveis. Roni, apesar da falha em lance capital, quando podia ter tocado para o interior da área, foi sempre veloz e perigoso.

Do lado alviceleste, Pikachu e Bruno Veiga em altíssimo nível de competição. Mas Ricardo Capanema também se destacou bastante, juntamente com o goleiro Emerson, cada vez mais perto de agarrar a titularidade.

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Perspectivas para a próxima batalha

Apesar do tom lamurioso de grande parte da torcida que foi ao Mangueirão, o Remo não jogou a toalha na Copa Verde. Terá uma batalha incruenta para reverter o resultado, mas a rivalidade entre os dois gigantes tem um histórico rico em reviravoltas. Fato que, certamente, não passa despercebido ao técnico Dado Cavalcanti.

Para o segundo jogo da semifinal, o Remo não terá Ciro Sena, mas já deverá contar com Max na zaga. Eduardo Ramos e Dadá completam os desfalques azulinos. Quanto ao Papão, com a expulsão de Jonathan, perdeu um jogador dinâmico para as ações no meio. Para o jogo da volta, não terá também Dão e Pikachu, suspenso. Curiosamente, na partida de ontem, Ciro fez mais falta ao Remo, mas daqui a duas semanas deverá ser Jonathan a perda mais sentida.

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Quanto ao ataque, o Papão se estabilizou com Bruno Veiga e Aylon, mas Cacaio deverá repensar a utilização de um atacante de referência no Leão. Nem Val Barreto, nem Rafael Paty funcionaram nos dois últimos jogos, passando a maior parte do jogo sem função definida. A opção por uma dupla de mais habilidade e técnica, com Roni e Bismarck, pode vir a ser uma alternativa interessante, desde que bem treinada. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Direto do Facebook

“Há muito tempo não assistia um Remo x Paysandu. Pelas dificuldades e a segurança. E o que vi hoje? Vi muitas dificuldade e desorganização, meu caro Gerson Nogueira, para adentrar no estádio Mangueirão, mostrando que quem organiza o futebol não tem as mínimas condições de estar à frente. Falo da administração do Mangueirão, diretorias de clubes, FPF, policiamentos + Corpo de Bombeiros etc. A polícia deu apoio, não podemos negar, mas encontrei muitas dificuldades para entrar no estádio. Levei mais de 40 minutos. Poxa, é tão fácil de resolver gente. Abram mais portões, duvido que isso não resolva esse problema”.

De Aldair Vicente Silva, sobre a via-crúcis para ver o clássico da Amazônia

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 06)