Por Cláudio Santos
Entrevista com Emerson Dias, ex-diretor executivo do Clube do Remo na gestão de Zeca Pirão. Responsável pela indicação e negociação com vários jogadores que foram trazidos para o clube no começo do ano, Emerson terminou muito criticado pela má campanha do Remo na Série D. Nesta conversa, ele esclarece vários pontos polêmicos de sua passagem pelo clube e ressalta o fato de que ajudou o clube a recuperar o título estadual depois de cinco anos, assumindo a responsabilidade por contratações polêmicas, como as de Leandrão, Zé Teodoro e Eduardo Ramos. Critica, também, os novos dirigentes remistas, que falam em modernidade mas têm na equipe pessoas que não estão habituadas nem a usar e-mails.
Qual era a sua função dentro do Remo?
Emerson Dias – Diretor executivo, fiz o projeto da camisa 33, trouxe o londrina para o amistoso, consegui o investidor para o amistoso, participei diretamente das contratações de atletas, organizava planejamento de treinamentos, viagens, estava diretamente ligado ao departamento de futebol, diretoria e presidência.
Qual a maior dificuldade que encontrou no Remo pra realizar seu trabalho?
ED – Existiram várias dificuldades: 1º) É que todo mundo quer se meter no futebol, do porteiro aos conselheiros, todos acham que entendem de futebol, todos querem indicar jogadores. 2º) Tem vários funcionários ultrapassados no clube, que não sabem nem o que é e-mail. 3º) As fofocas.. tem pessoas no clube que são piores que vizinhos para fofocar. 4º) As reuniões.. que eram para serem sigilosas vazava para todo mundo saber, na realidade outros problemas existiam, se for falar todos, vai ser mais de uma página.
Recentemente, na audiência do jogador Zé Soares contra o Remo, você era testemunha do clube e não compareceu, comprometendo ainda mais o clube. Por que você não foi?
ED – Eu fui na 1ª audiência e não fui chamado, nem eu como testemunha do clube e nem o Thiago Potiguar, testemunha do Zé Soares. Na 2ª eu não lembrei da data, estava em Mosqueiro, voltando para Belém quando a dra. Vanessa me ligou. Eu estava me dirigindo p/ fórum, mais não fui chamado, nem eu e nem o Thiago Potiguar.
Em conversas você sempre me falava muito bem do técnico Roberto Fernandes e da vontade de trazer ele pro Remo… Passado algum tempo, esse técnico foi contratado. Foi indicação sua?
ED – Sim, Roberto eu já conheço há alguns anos, primeiro contato eu fiz, depois o Thiago conversou com ele é em seguida o pirão.
Quais os jogadores que você indicou ao Remo e que foram contratados?
ED – Maycki Douglas, Rogélio, Max, Diogo Silva, Jadilson, Dadá, Eduardo Ramos, Athos, Leandrão e Rodrigo Fernandes.
O presidente Zeca Pirão disse que você tem contrato com o clube até final 2015. Só que ele não se reelegeu e a nova diretoria não quer você no Baenão, como amplamente divulgado. Qual a sua posição, diante dessa situação?
ED: A minha 1ª posição foi entrar em contato com o Henrique Custódio e o Cláudio Jorge. Os mesmos falaram pra eu continuar indo trabalhar, pois sou funcionário do clube. Mas, na terça-feira(16/12) e quarta feita(17/12), o coronel Maroja comunicou aos porteiros que eu não poderia entrar no clube para trabalhar. Na sexta-feira(19/12) fui buscar meu notebook, mais não deixaram eu entrar no clube novamente. O funcionário Eliezer me entregou o Notebook no portão. Até o momento estou tranquilo, vou procurar resolver a situação da melhor maneira possível, com respeito.
Pelo que li, essa proibição veio do diretor de futebol, Albanir Pontes, que disse que não trabalharia com você. O que você pensa que levou o Albanir a tomar essa atitude? Aliás, esse mesmo diretor, em sua última passagem pelo clube, não deixou boas lembranças, mas foi “premiado” e está de volta ao clube do Remo
ED – Informaram a mim que foi determinação do coronel Maroja, sei que o Albanir falou essa situação, respeito a posição dele, pq temos que trabalhar com quem confiamos, esse foi um dos meus erros no Remo, ser bonzinho com quem não merece. Era para ter reformulado todos os setores e não fiz isso. Quando chega uma pessoa nova no clube, com ideias novas, os antigos no clube, ficam boicotando o trabalho. Não sei o motivo que levou o Albanir a tomar essa atitude, creio que seja por influências de outras pessoas. Não tenho nada contra ele. Sobre o insucesso de certos diretores, quem tem que falar é o grupo que prega a modernidade, o conselho, os sócios, que aliás eu sou sócio remido. Uma coisa é certa, eu em 1 ano e 4 meses, fiz muitas mais que pessoas que passaram 5 anos no clube e não fizeram nada.
Pode acontecer de você receber seu salário do Remo, sem trabalhar, já que és funcionário do clube e não deixam você realizar seu trabalho?
ED – No futebol existe uma frase que fala, rei posto é rei morto. Ou seja, para concluir, o futebol sempre vão privilegiar quem está em evidência. Estou procurando resolver a minha situação amigavelmente.
Você e o Thiago Passos comandaram o futebol do Remo… Onde vocês erraram? O que você não faria, novamente?
ED – Erramos em algumas contratações, mais prefiro não falar nomes de atletas por respeito aos mesmos e por ética, o que eu não faria novamente hoje, é contratar dois jogadores com as mesmas características e as mesmas estaturas. O nosso campeonato, pelas situações de gramados, os clubes tem que ter jogadores de força, velocidade, técnica e um bom biótipo, pois fizemos 41 jogos na temporada, com 17 vitórias, 15 empates e 09 derrotas, fizemos 70 gols e sofremos 51, sendo que dos 51 gols sofridos, 20 foram de bola aérea. Com esses números, tive a noção de saber onde erramos.
Como era o seu relacionamento com o então vice-presidente do Remo, Marco Antônio Magnata, e com o vice de futebol, Henrique Custódio, à época?
ED – Meu relacionamento com o Marco Antônio, sempre foi de respeito, eu sempre respeitei a hierarquia do clube. Com o Dr. Henrique custodio, o relacionamento sempre foi bom, de ambas as partes, foi uma das pessoas que me levou para o clube do Remo, junto com o Thiago passos e o Pirão.
Na sua opinião, por que jogadores rodados e bons, como Eduardo Ramos, Thiago Potiguar, Leandrão e Athos, não deram certo no Remo?
ED – O Eduardo ele alternou bons e maus momentos no clube, mas nas decisões ele sempre foi bem, na final do 1º turno, final do 2º turno e na final do campeonato onde ganhamos de 4×1, ele foi muito bem. O Thiago Potiguar, foi o nosso melhor jogador do 1º turno, ajudou bastante, no 2º turno o desempenho dele caiu, o Leandrão, infelizmente realmente não deu certo, digo infelizmente porque ele foi um profissional exemplar, o menor percentual de gordura entre os atletas, um dos melhores preparos físicos e um atleta de grupo, infelizmente não deu certo e o Athos, ele é um atleta muito técnico, de pouca força e velocidade, com muita qualidade com a bola no pé, não conseguiu se adaptar no nosso futebol, mais pela Chapecoense foi uns dos responsáveis pelo acesso a série A 2014. Acontece, que pela situação que o Remo se encontra, todas as partidas os jogadores tinham que ser os melhores, só que são seres humanos e nem sempre um atleta consegue ter o mesmo desempenho da partida anterior.
Sempre falo a amigos que você e o Thiago Passos fizeram tudo certinho, nas contratações de bons jogadores, montaram um excelente elenco, mas não adianta isso se quem vai comandar não tiver qualidade. O erro foi na escolha dos técnicos? Charles, Aguinaldo e Roberto Fernandes?
ED – O erro foi de todos nós. O Charles ganhou o primeiro turno com 6 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, ele saiu pela derrota vergonhosa para o Internacional, onde a culpa não foi só dele e sim dos atletas e diretoria, nós sempre falávamos no clube que, quando ganha, ganha todo mundo e quando perde, perde todo mundo. O Agnaldo ficou interinamente por 2 jogos e o Roberto conseguiu reerguer a nossa equipe, onde estávamos em 6º na classificação e conseguimos nos classificar em 2º lugar, atrás do Paysandu, perdemos o 2º turno. A meu ver o Re-Pa 3 x 3 e o 4 x 1 foram os dois melhores jogos do campeonato paraense, onde o Clube do Remo foi campeão, coisa que há 5 anos não era. Então assim como houve erros, também houve acertos, infelizmente que ninguém fala dos culpados, que deixaram o Remo ser julgado à revelia e perder quatro mandos de campo, o que, além de prejudicar o clube financeiramente, prejudicou o desempenho da equipe e essas pessoas que prejudicaram o clube estão voltando e ninguém fala nada.
A quando das eleições, muitos sócios diziam, nas redes sociais, que se o Pirão continuasse com você, não votariam na chapa dele, a 1. A que se deve essa rejeição ao seu nome? Na sua opinião, por que Pirão não foi reeleito?
ED – A rejeição sinceramente eu não sei o motivo, existe no Remo muita gente falsa, que não tem coragem de falar na frente da pessoa, só fala por trás. Quando estão na frente, ainda cumprimentam. Eu não sei ser assim. Creio que eu e o Thiago Passos fomos dois dirigentes mais novos a serem campeões no clube e isso incomoda. Eu tinha 30 anos na época e o Thiago, 32. Na minha opinião, o Pirão não foi reeleito porque não tivemos o acesso. No futebol infelizmente as pessoas, os torcedores só enxergam os erros, os acertos esquecem ou fingem que esquecem. Muitos torcedores são ingratos.
Alguma coisa que eu deixei de perguntar e que você queira esclarecer?
ED – Queria esclarecer que nesse período de 14 meses que fiquei no Remo fiz o projeto da camisa 33, que vendeu várias camisas, e com esses valores podemos viabilizar contratações, pagar funcionários no final de 2013. Trouxe o Londrina para o amistoso e eu consegui o investidor para custear o jogo. Consegui o amistoso em Parauapebas, consegui um valor de empréstimo junto ao Joinville do Eduardo Ramos, trouxe o patrocínio da Cremer e consegui ajudar diretamente o remo a ser campeão paraense que há 5 anos não ganhava nada. Quero dizer que me considero bicampeão paraense, porque ajudei trazer o Eduardo Ramos junto com o Roger Aguilera para o Paysandu, onde foi considerado o melhor jogador do campeonato e o zagueiro Raul, também com o Roger Aguilera, que entrou na história do futebol paraense por ser o zagueiro que conseguiu fazer 3 gols em duas finais. Entre erros e acertos, eu considero que acertei mais do que errei durante o período que fiquei à frente, junto com o Thiago. Sempre trabalhei de forma honesta, transparente, me dediquei ao máximo ao clube. Agora o slogan da chapa 2 fala que é o Remo rumo à modernidade, mas mantém pessoas que nem e-mail e planilha sabem fazer. Que modernidade é essa ?
Nota aos leitores: o Bate Papo de fim de ano foi com o diretor executivo do Remo na gestão do presidente Zeca Pirão, Emerson Dias. Penso que foi importante para o blog pra esclarecer algumas coisas sobre a vida interna do Clube do Remo. Espero que os amigos tenham gostado.
(Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)


Ficou evidente a falta de critérios para as contratações. Muitas delas bem suspeitas. O Remo serviu de escola para vários novos dirigentes e isto, no momento atual, foi um absurdo. O Clube precisa ter gente com visão estratégica que tenham consciência que nada importa mais do que subir para a série C. Graças a Deus o Minowa tem se mostrado mais humilde e descentralizador e isto já é um ponto diferenciado para as pretensões futuras. Quanto aos que saíram, com todo respeito, não deixaram saudades.
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“É que todo mundo quer se meter no futebol, do porteiro aos conselheiros, todos acham que entendem de futebol, todos querem indicar jogadores”. Essa frase define tudo. Os maiores problemas do remo além da frase a cima são: A falta de série, a pressão absurda para garantir a vaga na série D e a pressão para subir para C. Não digo que pressão em clubes de massa não exista, mas o caso do remo extrapola. Além do mais a sorte dos clubes vitoriosos não nos acompanha a muito tempo. Todo time vitorioso deve ter competência e um pouco de sorte para chegar longe.
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Excelente trabalho esclarecedor não para mim torcedor do Papão,mas para os torcedores azulinos que não estão nem aí para bastidores.Essa ´e a situação do clube de vocês,o que demonstra que não é por mera coincidência que esse clube não sai do atoleiro. Como disse o Emerson,os grandes atrapalhadores do caminho do clube,ainda estão lá dentro.Então sofredores preparem-se para mais outros tantos anos de sofrimento ! Quanta incompetência ! Parabéns mais uma vez Cláudio pelo excelente trabalho. Vc conhece do recado !
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Excelente entrevista amigo Cláudio. Ela nos mostra o quanto o rival encontra-se perdido.
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Não entendi uma coisa. Ele trabalhou no bicolor em 2013? Agora esquecer a audiência, é amadorismo puro.
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Grato aos amigos..
Se vocês perceberam, todos os entrevistados ligados ao Remo, sempre falam dessa intromissão que existe dentro do clube….Por isso falo que se o Remo começar a tropeçar dentro de campo, Minowa, como presidente do clube, começara a fazer uma besteira atrás da outra…Tiago e Emerson, aguentaram muito bem essa pressão, por isso essa raiva que as pessoas lá dentro tem desses 2 diretores…
Aliás, na minha opinião, foram os melhores diretores dos últimos 10 anos, pelo menos
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Começará
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Muita calma nessa hora, gente.
Por favor estou perplexo e sem entender direito o trecho em que o cara diz que se considera bi campeão e ajudou o Roger Aguilera a trazer o laranja podre para o Papão. Por favor peço ao Gerson e demais amigos para me responderem urgente se essa figura nociva trabalhou no Paysandu e quando???? preciso dessa resposta para tecer um comentário que já venho querendo fazer há muito tempo.
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Amigo Claudio, com todo respeito, dizer que foram os melhores diretores doa últimos dez anos é demais. Vistes a relação de bombas que eles contrataram? Vamos com calma. Parabéns pela entrevista, mas deste tipo de diretor o Remo não precisa. Mais do que nunca é necessário muito critério nas escolhas. Chega de ex jogadores e enroladores. Abraço e continue nas entrevistas que ajudam a mostrar bem o outro lado do nosso futebol.
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