Eike e o Brasil-ostentação

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Por André Barcinski

Quem pega o táxi no Santos Dumont em direção à zona sul do Rio é presenteado com uma das paisagens urbanas mais bonitas do mundo: à direita, o Outeiro da Glória; à esquerda, a Marina da Glória; ao fundo, o Pão de Açúcar emoldurando os barquinhos que repousam na enseada de Botafogo. Um cenário deslumbrante.

Mas há uma imagem que destoa dessa maravilha toda: o Hotel Glória. Construído em 1922, o Glória foi comprado em 2008 pelo então bilionário Eike Batista, que recebeu uma bolada do BNDES – 50 milhões, de um total de 190 milhões aprovados – para deixá-lo pronto para a Copa do Mundo. Hoje, do velho hotel, só resta a fachada. Por dentro, o lugar está em ruínas. É uma analogia perfeita do próprio Eike: por fora, beleza e fleuma; por dentro, decrepitude.

hotel-gloria-obras-234x300Acabo de ler “Tudo ou Nada – Eike Batista e a Verdadeira História do Grupo X”, de Malu Gaspar, um relato detalhado da ascensão e queda de “Magic Eike”, como ele próprio gostava de se chamar.

São 545 páginas de falcatruas, números inventados, uso de informações privilegiadas, manipulações, relações escusas com o poder, falta de ética e muita, mas muita ostentação. A autora calcula o rombo deixado por Eike em 65 bilhões de dólares – “um colapso equivalente ao provocado no mercado financeiro americano pela quebra do Lehman Brothers ou pelo esquema fraudulento do banqueiro Bernard Madoff”.

Eike Batista é um dos maiores símbolos do Brasil-ostentação. O empresário surfou na ótima imagem do país na época da capa da “Economist”, da escolha do Brasil como sede de Copa e Olimpíadas e em Obama chamando Lula de “o cara”, e encarnou a imagem do brasileiro arrojado e vitorioso.

Mas era tudo fumaça. As empresas de Eike valiam muito menos do que ele apregoava. A comoção era tanta, e o otimismo cegou tanta gente, que poucos se deram ao trabalho de checar se as informações bombásticas sobre jazidas inesgotáveis de petróleo e montanhas de ouro eram verdadeiras ou pura invenção de um marqueteiro esperto e carismático.

Os políticos deram uma forcinha, claro: Sergio Cabral fartou-se de viajar nos jatinhos particulares de Eike e retribuiu conseguindo permissões e alvarás para obras; Lula tentou ajudá-lo como pôde, mesmo depois que o Império de Magic Eike começou a ruir.

O empresário contou também com a conivência, incompetência e falta de atitude das comissões que deveriam zelar pela lisura do mercado de ações. Todo mundo passou a mão na cabeça de Eikezinho e o deixou brincar à vontade – com o dinheiro dos outros.

tudo-ou-nada1-195x300Tão chocante quanto a descrição dos desmandos que botaram Eike abaixo é o perfil que Malu Gaspar faz do sujeito: vaidoso, egocêntrico, cafona – tinha Ferraris e Lamborghinis decorando a sala – e vítima de um intenso complexo de inferioridade do pai, o empresário Eliezer Batista. Eike é o estereótipo do novo-rico, elevado à enésima potência.

Em nenhuma das 545 páginas do livro se vê Eike fazendo uma coisa sequer que não tenha sido motivada pela obsessão em tornar-se o homem mais rico do mundo. Enquanto nos acostumamos a ver magnatas estrangeiros doando dinheiro para as ciências, as artes e a cultura, o brasileiro só dispensava sua grana em doações para puxar o saco de Madonna ou ganhar favores com políticos.

Se eu fosse acionista das empresas X e tivesse perdido as economias da vida inteira com os desmandos do ex-bilionário, não conseguiria terminar o livro, de ódio. E enquanto não sai o resultado do julgamento de Eike por manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, sugiro que os escombros do Hotel Glória sejam rebatizados de Hotel Magic Eike. Seria uma homenagem apropriada ao sujeito que fez a mágica de transformar um cartão-postal do Rio em ruína.

Outro texto sensacional do grande Barça.

Colúmbia marca presença em debate na Clube

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Participação muito especial do amigo e baluarte do blog Cláudio Colúmbia Santos, na tarde deste domingo, no programa Futebol Debate, na Rádio Clube do Pará. Discutimos, ao lado de Fernando Sérgio Castro e Carlos Gaia, o momento do futebol paraense, com a eleição de Pedro Minowa no Remo e as novidades do Paissandu para a temporada 2015. Mas falamos também de futebol internacional, Copa do Mundo no Brasil, Musa da Pelada e vários outros temas.

I’m still Watford standing

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O astro pop Elton John inaugurou uma tribuna que leva seu nome no estádio Vicarage Road, do seu time Watford, neste sábado, e descreveu a experiência como “um dos melhores dias da minha vida”. O cantor e compositor de 67 anos, que foi presidente do clube em dois períodos e agora é presidente vitalício, falou aos torcedores pouco antes do jogo entre o Watford e o Wigan Athletic, neste sábado, pela segunda divisão do Campeonato Inglês.

“Está no meu sangue, está na minha alma, é uma grande parte da minha vida”, declarou Elton John, cujos grandes sucessos incluem Rocket Man, I’m Still Standing e Candle in the Wind, no programa do jogo, que continha dez páginas abordando o tempo dele no clube. Observado por seu companheiro, David Furnish, e os filhos, Elijah e Zachary, o emocionado músico disse aos torcedores: “Muito, muito obrigado a vocês –-este é uma dos grandes dias da minha vida”.

“Quando tinha seis anos de idade, eu costumava vir ao estádio e ficar de pé ali”, acrescentou ele, apontando para o que costumava ser o banco de concreto na canto sudeste do estádio. “Nunca imaginei que teria uma tribuna com o meu nome. Nunca pensei que me sentaria em uma tribuna!”

Elton John primeiro assumiu como presidente do Watford em 1976 e, além de ver o clube promovido à primeira divisão do Inglês, seu grande momento aconteceu em 1984, quando o time chegou à final da FA Cup, perdendo para o Everton, em um dia lembrado por suas lágrimas no camarote real. “Vamos continuar para ter sucesso. Vamos para a Premiership. Olhem para este estádio! Vocês podem acreditar?!”, disse ele, ovacionado pelo público.”

O Watford venceu a partida por 2 x 1 e está em sexto na tabela.

(Reportagem de Martyn Herman/Reuters)

Lula, melhor presidente da história do Brasil

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado o melhor presidente do Brasil por 64% dos entrevistados pela pesquisa Datafolha, divulgada em 8 de dezembro. O reconhecimento pelas realizações do governo Lula é registrado em todos os segmentos e é maior entre os jovens, com 64%, e 46%, entre os mais velhos. A região com maior aprovação foi a Norte (62%), seguida por Nordeste (68%). Entre os mais escolarizados, o petista teve o reconhecimento de 41%, e 36%, entre os mais ricos, a frente dos 32% de FHC.

Um comparativo feito pelo blog “O Cafezinho”, do jornalista Miguel do Rosário, mostra a recuperação da popularidade do PT entre os eleitores. Foi observado um crescimento de seis pontos percentuais entre a pesquisa realizada no dia 1º de setembro – um mês antes do primeiro turno das eleições – que mostrava o partido com 16% de preferência, para 22% no levantamento feito neste mês. Entre as mulheres, a popularidade passou de 13% para 21%; e entre os mais jovens, com até 24 anos, passou de 12% para 21%.

O PT permanece, ainda, como o partido preferido dos mais ricos e com maior escolaridade. Entre os entrevistados com ensino superior, o PT garantiu 16% de preferência, contra 14% do PSDB. E entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, o PT levou 17%, contra 13% do PSDB. Até mesmo na região Sudeste, onde o PSDB conquista os melhores resultados nas urnas, a preferência pelo PT foi de 22%, a frente dos 9% para os tucanos.

Cabra bom…