Entenda a vitória de Dilma por 7 a 0 no TSE

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Por Paulo Moreira Leite

Dilma Rousseff e os 51,6% de eleitores brasileiros que lhe deram seu voto em 26 de outubro têm direito a uma comemoração de gala depois de ontem. Numa decisão que surpreendeu até a área jurídica do próprio PT, o TSE aprovou, por 7 votos a 0, as contas da campanha presidencial.

A decisão não resolve nenhum problema que o governo Dilma poderá enfrentar na economia, na composição do ministério ou na articulação com aliados durante o segundo mandato. Mas livrou a presidente de um inevitável mal-estar na cerimonia de diplomação, marcada para 18 de dezembro e também na posse, em 1 de janeiro.

Às voltas com uma oposição agressiva, capaz de estimular passeatas que falam em impeachment e pedem intervenção militar, num ambiente pesado no qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso permite-se questionar a “legitimidade” de seu mandato, Dilma livrou-se de um constrangimento  — a mancha política de ser empossada com as finanças de campanha sob suspeita.

As principais críticas às contas da sua campanha haviam sido formuladas pela assessoria técnica do próprio TSE, e também por auxiliares do PSDB.  Mas  não foram confirmadas pelo trabalho de especialistas do Banco Central, da Receita e do TCU que também foram convocados a examinar a documentação. O Conselho Federal de Contabilidade, que designou um de seus membros para fazer o mesmo trabalho, chegou a mesma conclusão. Idem para uma auditoria que o próprio PT mandou fazer na Alemanha.

A vitória de Dilma foi valorizada, em particular, pelo desempenho de um personagem principal: o relator Gilmar Mendes, ministro que desde 2012, no julgamento da AP 470,  tem-se destacado pela caráter ideológico de seus votos contra o PT. Ontem, Gilmar fez um discurso duro, de mais de duas horas, no qual desenvolveu um raciocínio com muitas voltas, que permitiam imaginar que poderia ir para um lado ou para outro. Mas ele  deu o voto que seria seguido por um plenário que, até então, dava sinais de que se encontrava dividido.

Até então, em conversas em voz baixa pelo auditório, advogados, jornalistas e procuradores projetavam uma votação apertada, para qualquer um dos lados. O placar mudou depois que Gilmar declarou que aprovava as contas de Dilma — com ressalvas. Acabou seguido pelos ministros que vieram a seguir, inclusive aqueles que frequentemente votam de outra maneira. Foi uma conclusão idêntica ao parecer  de Eugênio Aragão, procurador-geral eleitoral, anunciado logo no início do julgamento.

O advogado Fernando Neves, antigo ministro do TSE, disse no final do julgamento que “bastava conhecer os argumentos de quem queria rejeitar as contas para ver que era um trabalho sem muito sentido. Se tivesse votado pela rejeição, Gilmar Mendes teria negado tudo o que fez em sua carreira. Ele sempre deu votos técnicos.”

Flavio Caetano, chefe da asseessoria jurídica da campanha de Dilma, disse a mesma coisa, com palavras menos suaves: “A ideia de rejeitar nossas contas tinha não parava de pé. Quem votasse pela rejeição teria muita dificuldade para se explicar no futuro.”

Tradução: poderia haver até vontade política para criar um embaraço para Dilma, antes mesmo da posse, mas a rejeição das contas não era o melhor caminho.

É apenas a hora de sair de casa (por PVC)

Por Paulo Vinícius Coelho

José Trajano me telefonou em novembro de 1999 e mudou minha vida. O convite era para comentar a Copa da África de 2000. “Depois a gente vê como a coisa anda, negão!” Na época, eu assinava com o Lédio Carmona uma coluna sobre futebol internacional no LANCE! O Trajano lia e gostava.

Já tinha feito participações em 1999 no Futebol no Mundo e no Bola da Vez. Comecei a fazer transmissões e depois programas. “Prorrogação”, com o Amigão após as rodadas do Brasileirão. O Sportscenter Meio Dia, com a Soninha e o Paulo César Vasconcellos… Linha de Passe com o Milton Leite, depois com o Palomino, com o Paulo Andrade.

Putz! Quanta gente legal. Aprendi com o Plihal, o Cledi, o André Kfouri, Palomino, Renata Netto, João Simões, Mauro Cezar, amigo desde a redação de Placar. Aprendi com quem você conhece do vídeo e com quem me conhece na tela. Aprendi que há uma coisa que distingue a ESPN de todos os outros lugares: o fã de esportes.

Aprendi tanto e até hoje não sou um cara de TV, mas um jornalista de revista que põe conteúdo em todas as mídias.

Se as pessoas ainda acham estranho quando eu digo isto é porque minha cara virou a ESPN.
Minha cara, não.
Minha casa!

“Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar…” Nem o Renato Russo nem a Cássia Eller são para sempre.
Nem eu na ESPN.

Cobri três finais de Copas do Mundo, nove decisões de Champions League, é hora de ir. A decisão é minha.

Impossível dizer o que será de mim. Possível apenas saber que sigo minha vida de colunista na Folha de S. Paulo aos domingos e segundas-feiras. E que vou sentir uma falta desgraçada de vocês todos.

Darei notícias.

Chapa 2 entra com ação para anular eleição no Remo

O que já era uma tremenda lambança tem tudo para ficar pior ainda. A Chapa 2, de oposição à atual diretoria do Remo, protocolou nesta quarta-feira uma nova ação judicial pedindo a validação dos votos da primeira eleição, realizada há um mês. Caso o recurso seja acatado pela Justiça comum, a chapa presidida por Pedro Minowa seria declarada vencedora, com 18 votos de vantagem sobre a Chapa 1, de Zeca Pirão, atual presidente. Além disso, entrou com outra ação pedindo a nulidade dos 75 novos sócios com direito a voto. As iniciativas da Chapa 2 podem melar de vez o processo eleitoral azulino, que já havia sido bastante conturbado por ocasião do primeiro pleito.

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Dilma se emociona ao lembrar vítimas da ditadura

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A presidente da República, Dilma Rousseff, recebeu na manhã desta quarta-feira (10), em Brasília, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade sobre crimes e violações de direitos humanos que ocorreram no período entre 1946 a 1988, com foco na ditadura militar (1964-1985). A presidente chorou ao se lembrar, em discurso, daqueles que morreram durante a ditadura.

Ao se emocionar, Dilma disse que “o Brasil merecia a verdade, que as novas gerações mereciam a verdade, sobretudo aqueles que perderam familiares, parentes, amigos, companheiros, e que continuam sofrendo “como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”. Durante a pausa, Dilma foi aplaudida.

“Nós que acreditamos na verdade esperamos que esse relatório contribua para que fantasmas de um passado doloroso e triste não possam mais se proteger nas sombras do silêncio e da omissão”, afirmou a presidente, que foi torturada durante o regime militar. Ela já havia se emocionado na cerimônia em que a Comissão da Verdade foi instalada, em 2012.

“Quem dá voz à história são os homens e mulheres livres que não tem medo de escrevê-la”, completou Dilma. “O Brasil certamente saberá reconhecer a importância desse trabalho que torna nossa democracia ainda mais forte.”

Durante a cerimônia, antes do discurso da presidente, alguém da plateia gritou “punição aos assassinos e torturadores desse país”. Não foi possível identificar o autor do grito em meio aos cerca de 100 presentes.

A data escolhida pela comissão é simbólica: nesta quarta, comemora-se o Dia Mundial dos Direitos Humanos. O conteúdo do documento só será divulgado ao público às 11h.

As investigações e pesquisas da CNV duraram dois anos e sete meses. Nesse período, foram ouvidos 1.120 depoimentos. A comissão listou total de 434 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

Dilma recebeu o relatório em audiência com os seis membros da CNV: José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro, Pedro Dallari e Rosa Cardoso.

“O trabalho conduzido permitiu à Comissão Nacional da Verdade concluir que as graves violações de direitos humanos ocorridas no período investigado, especialmente nos 21 anos de ditadura instaurada em 1964, foram resultado de uma ação generalizada e sistemática do Estado, configurando crimes contra a humanidade”, disse o coordenador do grupo, Pedro Dallari.

No período da tarde, o grupo participará de cerimônias de entrega aos presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal.

O documento completo, dividido em três volumes e 3.380 páginas, descreve todo o trabalho feito pela comissão e apresenta uma série de conclusões e recomendações acerca dos atos de violência cometidos pelo Estado. (Do UOL) 

Unimed rompe com o Flu, mas respeita contratos

Fim de parceria, mas não dos contratos dos jogadores. Fred, Conca, Cícero, entre outros, podem ficar sossegados. Ao menos é o que garante o presidente da Unimed, Celso Barros. Em entrevista à Rádio Globo, o agora ex-patrocinador do Fluminense garantiu que a parceria acaba, mas todos os contratos vigentes serão honrados até o fim. Ele, no entanto, abriu uma brecha para que os jogadores sejam negociados.

622_71e35fb2-2032-3d7b-8435-de4e2b359997“Contratos assumidos a Unimed vai honrar. Não há nenhuma situação de não honrar esses contratos. Evidentemente se houver propostas para esses jogadores o Fluminense vai analisar e vamos discutir juntos”, afirmou Celso Barros.

O término da relação vinha se desenhando há alguns dias. A relação com o presidente tricolor, Peter Siemsen, continuou distante. Segundo Celso, não houve encontro entre os dois mandatários e a questão foi discutida com outros funcionários da Unimed.

“Não tive contrato com o presidente, ele não esteve comigo. Ele esteve com os superintendentes jurídico e financeiro. Ele me mandou mensagem ontem dizendo que agora ele estava pronto para discutir uma série de coisas. Mas as coisas já vinham sendo discutidas e a decisão foi tomada pelo nosso conselho. Foi isso”, afirmou Celso Barros.

Por fim, o presidente da cooperativa agradeceu aos anos de convívio com o Fluminense e reiterou que o fim da parceria se deu por decisões estratégicas do departamento de marketing. (Da ESPN)

Mudança de rumos explica saída de PVC da ESPN

Por Mauricio Stycer, do UOL

Paulo Vinícius Coelho, o PVC, chegou à ESPN em 2000 e se tornou o principal comentarista da emissora ao longo de mais de uma década. Sua saída em dezembro de 2014 foi como uma bomba, e embora ele ainda não tenha oficializado, seu destino é a Fox Sports Leia mais Divulgação/ESPN
622_010d3fd7-7d43-38c3-b0b3-d63f06ea5d03O final do ano trouxe duas péssimas notícias para a ESPN Brasil. Nos últimos dias de outubro, revelou-se que o canal especializado em esportes perdeu os direitos de transmissão da Liga dos Campeões da Europa, o mais admirado torneio de futebol entre clubes do mundo. Esta semana, foi anunciado que Paulo Vinicius Coelho, um dos mais respeitados comentaristas esportivos do país, está deixando o canal.
Depois de quase duas décadas transmitindo a Champions, a ESPN vai ver o Esporte Interativo, associado à Turner, exibir os jogos do torneio a partir da próxima temporada, que começa em setembro de 2015. Já PVC, como é conhecido o comentarista, está se mudando para outra concorrente, a Fox Sports, dona dos direitos da Libertadores e que, em 2013, já havia “roubado” da ESPN os direitos da Bundesliga, o Campeonato Alemão.
É possível dizer que uma perda está relacionada à outra. Sem os jogos da Liga dos Campeões para comentar, PVC entendeu que acompanhar a Libertadores seria uma boa alternativa.
Mas a saída do comentarista chama a atenção para um problema aparentemente maior, relacionado à mudança no comando do canal, que pertence ao grupo Disney. Em janeiro de 2012, José Trajano cedeu a direção de jornalismo, depois de 12 anos, a João Palomino, então apresentador e comentarista.
Palomino lidera uma mudança na emissora que tem provocado mal-entendidos e insatisfação. Como ocorreu nos últimos anos em diferentes canais pagos, a ESPN Brasil enxergou a necessidade de readequar sua programação para atender a um novo público, cada vez maior, que tem aderido à TV paga no Brasil.
Só para se ter uma ideia, o número de domicílios com TV por assinatura no país saltou de 5,4 milhões em 2007 para 19,7 milhões em outubro de 2014.
A preocupação com a audiência dos programas e o custo dos projetos se tornou maior. Várias atrações tradicionais deixaram a grade nos últimos dois anos – “Pontapé Inicial” (apresentado por José Trajano), “Duetto” (com Paulo “Amigão” Soares e Antero Greco), “Segredos do Esporte” (Paulo Calçade e Fernando Meligeni), “Juca Entrevista” (Juca Kfouri).
Durante a Copa do Mundo, a audiência de atrações tradicionais, baseadas no formato de conversa entre colunistas e convidados e as “mesas-redondas”, foi excelente. Os bons resultados ajudaram a reforçar a ideia de que a emissora deveria concentrar seus esforços em programas ao vivo, deste padrão. O “Bate Bola” ganhou uma terceira edição, assim como o “SportsCenter”. O “Linha de Passe” passou a ir ao ar duas vezes por semana.
Depois da Copa, os programas “Loucos por Futebol” (com Paulo Vinicius Coelho, Marcelo Duarte e Celso Unzelte) e “Histórias do Esporte”, um dos mais premiados da casa, saíram da grade. Consta que PVC ficou chateado por não ter participado da reunião em que a equipe do “Loucos” foi comunicada do fim do programa, que estava na grade desde 2002.
Nesta nova fase, com bem menos programas, já houve dias em que a ESPN Brasil apresentou até quatro edições do “Bate Bola”. E situações em que o fim de um “Bate Bola” foi sucedido por outro “Bate Bola”. No final de agosto, um dos apresentadores do programa, Rodrigo Rodrigues, trocou a emissora pela Gazeta, em São Paulo.
Também em agosto, numa reunião com a equipe, Palomino apresentou dados e expôs o projeto de aumentar ainda a mais o número de horas ao vivo da ESPN.
O diretor de jornalismo prometeu que as reportagens especiais do “Histórias do Esporte” seriam encaixadas nos jornalísticos da grade. Foi nesta reunião que Trajano se manifestou publicamente, observando que o caminho seguido pela ESPN sinalizava que a emissora estava “perdendo a alma”. O constrangimento foi geral.
É dentro deste quadro que deve ser entendida a saída de Paulo Vinicius Coelho da ESPN. Ele já tinha recebido outras propostas para deixar a emissora, em outros momentos, mas não quis.