Mazola diz não e Papão já procura treinador

unnamed (15)Depois de muita expectativa, o técnico Mazola Junior recusou na tarde desta quarta-feira a contraproposta feita pelo Paissandu para renovação de contrato. Responsável direto pela recuperação do time no Campeonato Brasileiro da Série C, Mazola saiu bastante valorizado com a conquista do acesso à Série B e exigiu bases salariais consideradas acima das condições financeiras do Papão para a temporada 2015.

Conhecedor do elenco e adaptado ao clube, ele era o nome preferido da diretoria para comandar a equipe na Série B, mas sua negativa faz com que os dirigentes saiam em busca de um outro treinador. Flávio Araújo, Ricardinho, Guto Ferreira e Chamusca são os nomes mais mencionados na Curuzu.

Enquanto isso, a diretoria segue contratando jogadores. Já estão confirmados um goleiro (provavelmente Saulo, do Guaratinguetá), um lateral direito (Tiago Cametá, ex-Fortaleza), um volante (Elanardo, ex-Icasa) e um meia-armador. O presidente eleito Alberto Maia não confirma os nomes, dizendo que irá aguardar que os jogadores assinem contrato. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

O drama da estabilidade da democracia brasileira

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Por J. Carlos de Assis (*)

Platão fazia um juízo negativo da democracia não porque não fosse boa, em si, mas porque era intrinsecamente instável e sujeita aos ataques de demagogos. Na política moderna, a estabilidade da democracia norte-americana se tem sido apresentada como prova inequívoca de que é possível a convivência de democracia e estabilidade política secular . Onde os experimentos democráticos resultam em instabilidade, anarquia e ditadura, a desculpa corriqueira é que os respectivos países não estavam maduros para a democracia.

Vejamos os níveis de verdade que há nisso. A democracia norte-americana se assenta em dois partidos políticos, o Republicano e o Democrata. Na institucionalidade do país, por razões econômicas é virtualmente impossível a eleição de um presidente ou de uma parcela significativa do Congresso fora dessas duas legendas. Além disso, no balanço de poder entre Executivo e Legislativo, a força real, exceto em situações de guerra, repousa sobre esse último. Se acaso for eleito um presidente fora do bipartidarismo ele seria totalmente monitorado pelo Congresso.

A ideia de que há alternância de poder nos Estados Unidos quando um democrata sucede a um republicano, ou vice versa, é um engodo. A estabilidade do sistema norte-americano repousa justamente no fato singular de que os dois partidos aparentemente antagônicos repousam nos mesmos fundamentos, a saber, a defesa da livre empresa e do capitalismo. Eventuais divergências partidárias são resolvidas pelo denominador comum da defesa de princípios, ora predominando os liberais em economia, ora os liberais em política.

Norberto Bobbio tem um ensaio magnífico, “Kant e as duas liberdades”, pelo qual é possível traçar, desde a origem, as diferenças entre o Partido Republicano e o Democrata. Para o republicano, a liberdade é não ter limite; para o democrata, a liberdade é exercer o direito de estabelecer os próprios limites. Não há antinomia real entre as duas posições. Uma é complementar da outra. Não obstante, há espaço entre as duas para posições intermediárias, e é isso o que acontece na prática na convivência partidária norte-americana.

Na derrota de Al Gore para Bush, não obstante todas as evidências de fraude na contagem decisiva de votos na Flórida, o derrotado tratou logo de acatar a decisão para não mergulhar o país numa convulsão social de proporções catastróficas. Com isso, atendia ao apelo profundo da sociedade civil pela estabilidade fundamental para os negócios. Mais recentemente, quando o Congresso insistia em recusar o aumento do teto da dívida pública do país, foi principalmente Wall Street que convenceu o Partido Republicano a ceder.

Os dois grandes partidos políticos norte-americanos não são realmente dois, mas o duplo aspecto de um mesmo partido, cujas normas de convivência são fundamentais para a estabilidade. Se percebermos as sutilizas da política chinesa, veremos, a seu turno, que o PCC não é exatamente um partido único, mas um partido complexo com duas alas principais, uma conservadora e outra liberal, que competem pelo poder sob regras de estabilidade. A tentativa dos movimentos de Hong Kong de abrir espaço para eleições fora do PCC, caso prosperasse, violaria esse pacto fundamental de poder que corresponde à essência da institucionalidade chinesa. Por isso, provavelmente não prosperará, como não prosperou em 1999 os protestos na Praça da Paz Celestial.

Uma democracia pura, do tipo da imaginada e questionada por Platão, está sujeita desde sempre a grandes perigos. Antes da Segunda Guerra, pouquíssimas “democracias” no mundo resistiram à tentação totalitária. Depois da guerra, o Leste caiu sob ditaduras comunistas (estes, sim, de partido único), e no Ocidente regiões como a América Latina foram varridas pelo autoritarismo. Com o fim da União Soviética a “democracia” tem sido menos uma realidade efetiva e mais um instrumento ideológico oportunista dos Estados Unidos em seu jogo geopolítico para desestabilizar o que restou de aliados da Rússia.

Essa longa abordagem preliminar é para dizer que nossa jovem democracia corre risco. Temos um sistema totalmente vulnerável à corrupção. A existência de quase 40 partidos, e cerca de dois terços deles com representação parlamentar, exige do Poder Executivo uma tremenda engenharia para conquistar e conservar maiorias. Não é uma limitação do PT. É de qualquer partido que viesse a ganhar a eleição, pois todos teriam que fazer composições. O Presidente depende dos parlamentares, e os parlamentares acham-se no direito, e de fato o tem, de participar do Governo com cargos e diretorias de estatais. E esse é um canal de possíveis desvios, totalmente fora do controle do presidente, como é o caso da Petrobras.

Se a melhor forma de enfrentar uma tentação é ceder a ela, talvez o meio de resolver o problema seria passar de vez ao Parlamentarismo. Contudo, os precedentes não são muito convincentes. Países como Itália se submeteram a processos de grande instabilidade no pós-guerra com a queda sucessiva de gabinetes. Um bom expediente, talvez, fosse a cláusula de barreira para representação parlamentar no Congresso. Isso evitaria a balbúrdia que será a próxima legislatura na Câmara: haverá 28 líderes partidários ou de blocos, cada uma com as próprias prerrogativas de encaminhamento de matérias importantes. Imaginem: onde todo mundo vota e justifica votos, ninguém vota.

Tenho pensado exaustivamente na questão da reforma política e, depois de considerar inócua a constituinte exclusiva proposta pela Presidenta, passei a considerar melhor essa saída em face de difíceis alternativas. O Congresso ordinário não estabelecerá cláusulas de barreira, não acabará com financiamento de empresas em campanhas, não vai abolir a venda de espaço em televisão nas campanhas eleitorais, não acabará com o Fundo Partidário, e não estabelecerá o financiamento público de campanhas sujeito a regras de representatividade. Talvez uma constituinte exclusiva o faça. Salvo melhor juízo!

 

*Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

Aécio, o povo e os aloprados que xingaram senadora

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Por Kiko Nogueira, no DCM

“População é retirada à força da galeria da Câmara neste momento. Base da presidente Dilma não quer a presença do povo no casa que é do povo!”

Assim o PSDB se referiu à mixórdia no Congresso durante a votação do projeto do Executivo que prevê mudanças nas regras do superávit primário – que vai desobrigar o governo de cumprir a meta atual.

Povo? Vejamos.

Boa parte das duas dezenas de manifestantes que xingaram a senadora Vanessa Grazziotin, do PC do B, admitiu ser ligada ao PSDB.

Vanessa teria sido chamada de “vagabunda”, segundo sua colega Jandira Feghali. O líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy, afirma que não era bem isso: o coro era o imortal “Vai pra Cuba!”, a palavra de ordem do coração de todo idiota médio.

Renan Calheiros convocou a polícia legislativa para retirar aquelas pessoas. Políticos da oposição subiram até a plateia e fizeram uma espécie de “cordão de isolamento” para protegê-las.

Briga de futebol. Uma senhora de 79 anos levou uma gravata de um segurança. O professor de história Alexandre Seltz foi imobilizado com uma descarga de arma de taser. Estava lá também o líder dos “Revoltados Online”, Marcelo Reis, figura manjada dos atos pelo impeachment.

Havia ainda membros do “Movimento Brasil Livre”, que apoiou Aécio Neves. A página do MBL no Facebook tem fotos fofas com Ronaldo Caiado. O próprio professor Seltz, aliás, faz o que define como vídeos-desabafos. A maioria contém “apelos às Forças Armadas, à maçonaria, à ala conservadora da Igreja Católica” para que ajam antes que os “comunistas filhos da puta” tomem conta do Brasil.

Não, isso não significa que ninguém mereça tomar choque. Mas daí a chamar um grupo de baderneiros levados por parlamentares de “povo” vai um oceano.

Em sua já proverbial falsa indignação, Aécio, que continua em campanha, afirmou que Calheiros impediu “o povo brasileiro de participar” e, por isso, “radicalizou-se o clima”. Mais: “E é uma ilusão porque o povo está participando nas redes sociais, em casa, nas universidades e vai participar cada vez mais. Faltou a meu ver, aqui hoje, respeito à democracia”.

Faltou.

Um estranho no ninho

Por Gerson Nogueira

Fazia tempo que a Fifa não cismava de apontar um goleiro para o prêmio de melhor do mundo na temporada. Por coincidência, o privilégio coube novamente a um alemão. Neuer, titular da seleção campeã do mundo na recente Copa do Mundo, realizada no Brasil, se iguala a Oliver Kahn, que foi selecionado para a premiação em 2002.

unnamed (34)Kahn, por sinal, já havia sido protagonista de outra escolha polêmica: a de melhor jogador da Copa sediada no Japão e na Coreia do Sul. Apesar de atuação correta ao longo do torneio, capengou terrivelmente na final contra o Brasil, falhando em lance capital da partida, que resultou em gol para a seleção de Felipão.

O longilíneo Neuer não ganhou o troféu máximo destinado ao craque da Copa, embora tenha sido muito mais brilhante e decisivo para seu time do que havia sido Kahn há 12 anos. A segurança sob as traves e a habilidade em sair jogando com os pés encantou a todos, apesar de já bastante exercitada (e testada) nos campeonatos germânicos.

No mundial, a Fifa decidiu conceder o laurel a Messi, como um prêmio de consolação. Ao subir à tribuna de honra para receber o troféu, o próprio craque argentino parecia entre encabulado e surpreso. Não foi uma reação muito diferente da comunidade do futebol, que não reconheceu em Messi o maior destaque da competição.

A inclusão de Neuer entre jogadores consagrados de linha que serão votados para a Bola de Ouro provocou estranheza, mas não é despropositada. Até porque, em sã consciência, ninguém discute a qualidade do futebol do goleiro do Bayern de Munique.

Acima de tudo, craque é craque, independentemente da posição que ocupe em campo. No futebol, habilidades específicas são exigidas de cada integrante de um time. O valor e importância para o êxito do grupo é dividida proporcionalmente por todos os 11 jogadores. Em algumas situações, o goleiro é até mais precioso para determinados times.

Neuer se destaca jogando por times de alto potencial técnico, com defesas quase intransponíveis, como o Bayern e o próprio escrete alemão. Ao se destacar entre seus companheiros confirma que é um jogador acima da média. Superar feras como Toni Kroos, Philip Lahm e Thomas Müller já é uma tremenda façanha.

O certo é que a máxima de que todo grande time começa por um bom goleiro parece ter sido levada ao pé da letra pelos selecionadores do prêmio Bola de Ouro.

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Um paraense entre os melhores

Como o tema preferencial do final de ano no futebol é a lista dos melhores (e piores), a CBF também anunciou suas escolhas. O time do Campeonato Brasileiro da Série A começa com a consagração de Everton Ribeiro, aclamado craque da competição pelo segundo ano consecutivo, e tem até um paraense entre os eleitos.

No gol, merecidamente desponta a “estrela solitária” Jefferson. Guardião de um dos piores times do Botafogo de todos os tempos, o goleiro teve que mostrar todos os seus préstimos para evitar vexames ainda maiores no campeonato.

Nas laterais, Marcos Rocha (Atlético-MG) e Egídio (Cruzeiro) foram de fato peças importantes nos esquemas de seus times, com destaque um pouco maior para o cruzeirense.

A defesa traz uma injustiça. Ao lado do corintiano Gil, foi incluído Dedé (Cruzeiro), cuja temporada foi repleta de altos e baixos. Leonardo Silva, do Galo, foi muito superior e merecia a titularidade na lista.

No meio-de-campo, a evidência plena do domínio cruzeirense no campeonato: Souza (São Paulo) aparece ao lado de Lucas Silva, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, todos da Raposa. Senti falta de Dátolo na meiúca, mas a escolha não está de todo incorreta.

A dupla de ataque é formada por Diego Tardelli (Galo) e Paolo Guerrero (Corinthians). A contestar apenas a não inclusão de Marcelo Moreno, que, no Brasileiro, foi superior a Tardelli.

E até o Pará, meio que por tabela, entrou na dança. Como revelação da competição aparece Erik, do Goiás. Oriundo de um assentamento agrícola (Projeto Tuerê) às proximidades de Novo Repartimento, na Transamazônica, Erik foi levado para testes no clube goiano com 11 anos de idade. Passou ao largo do futebol de Belém, o que talvez ajude a explicar sua trajetória vitoriosa até aqui.

O comandante, como não podia deixar de ser, é Marcelo Oliveira. Bicampeão brasileiro e pela segunda vez eleito o melhor técnico do país, o mineiro de estilo discreto se consagra e parece preparado para voos maiores.

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Dia D para Mazola

Termina hoje o prazo para que Mazola Junior responda à diretoria do Papão se aceita ou não a contraproposta salarial que lhe foi endereçada. Apesar de diferença significativa em relação à proposta do técnico, é grande a expectativa no clube por um “sim”.

Caso não haja entendimento, os dirigentes já têm outros nomes em vista. Flávio Araújo, Ricardinho (ex-Paraná), Chamusca (ex-Fortaleza), Josué Teixeira (Macaé) e Guto Ferreira são os mais citados.

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O adeus de um grande músico

O rock ficou um pouco menos divertido ontem. Morreu Bobby Keys, histórico saxofonista dos Rolling Stones e parceiro preferencial de Keith Richards em aventuras bizarras pelo mundo. Tocava com a banda desde 1980, como integrante de apoio. É dele o solo de sax famoso em “Brown Sugar”, um dos grandes sucessos da fase mais moderna da banda.

Acima de tudo, com Keys morre um pouco o jeitão descompromissado, tão ao gosto dos músicos da fase ainda romântica do rock. Era assumidamente um dos últimos malucões do gênero, vindo daí sua identificação com outro expoente gonzo, o guitarrista Keith Richards. Pela importância na formação musical de tantos, achei adequado abrir essa janela na coluna.

Deixa saudades.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 03)