Ronaldo Fenômeno pode voltar aos gramados

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O ex-futebolista brasileiro Ronaldo Fenômeno não descarta retorno às quadras como uma forma de ajudar a promover a equipe do Fort Lauderdale Strikers, clube americano do qual se tornou um dos proprietários. A informação foi publicada no site do jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o jornal, a notícia foi confirmada pela assessora do ex-campeão mundial, Anna Alice Abud.

Ronaldo adquiriu uma parte não divulgada do Fort Lauderdale Strikers em sociedade com os empresários brasileiros Cesso Paulo, Rafael Bertani e Ricardo Geromel. “Eu vou estar muito envolvido com a equipe de gestão e ações certamente nos ajudarão a transformar Strikers em potência global. Não há dúvida de que o futebol está crescendo significativamente nos EUA”, disse Ronaldo.
Por seu lado, o empregador Geromel considerada a participação de Ronaldo como acionista um “divisor de águas” para o clube. “Futebol na América se dividirá entre antes e depois de Ronaldo. Ele está muito envolvido com tudo, e trouxe para nós as pessoas que podem elevar o nosso clube a outro nível. O objetivo é transformar Strikers em uma das marcas mais conhecidas o mundo, assim como New York Yankees e Chicago Bulls. Graças a ele, o futuro vai chegar antes que o previsto”, previu o empresário.
A empresa de marketing esportivo que pertence a Ronaldo, 9ine, também trabalha para atrair patrocinadores. A 9ine administra contratos comerciais de vários atletas brasileiros, inclusive o astro Neymar.

Tribuna do torcedor

Por Ronilson Trindade Moraes (ranilson.moraes@celpa.com.br)

As chapas 1 e 2 tem que pensar na instituição Clube do Remo, e não nos interesses pessoais deles. É um dos maiores absurdos que estão fazendo com a instituição, o Remo está num CTI e a cada dia morre um pedaço do seu corpo e não tenho mais esperança de nada, o clube que eu amo está na beira da morte infelizmente. Não consigo entender porque estão destruindo uma agremiação gigantesca, centenária e de uma torcida apaixonada, tenho certeza absoluta que essas pessoas que lutam pelo poder dentro do clube não sentem o mesmo amor que eu sinto pelo Clube do Remo, sabe porquê ? Porquê em mim dói ver tudo isso que estão fazendo e neles não, eu que sou realmente um torcedor de coração do clube e só quero o bem pra ele.

Se essas pessoas que têm a oportunidade de levantar o clube sentissem a mesma paixão que eu sinto pelo Remo, tenho certeza que eles não fariam isso, quisera eu estar no lugar deles, ter essa oportunidade, ajudar meu clube, hoje sou sócio proprietário e sócio torcedor a pouco tempo, mas quem sabe um dia isso se realiza.

Estou indignado com tudo isso que está acontecendo no Remo, fico a me perguntar porque essas pessoas não param com essa briga e param pra pensar pra onde elas estão levando o clube, meu Deus porque tanta briga, tanto ódio, tanto ciúme, tanta traição dentro do clube. Se eu tivesse a oportunidade de ficar frente a frente com o Zeca Pirão e com o Minowa eu só pediria uma coisa a eles: “ O Clube do Remo precisa de PAZ, pelo amor de DEUS não deixem o meu Clube do Remo sofrer mais, ainda dá tempo de salvá-lo porque eu não aguento mais”.

CBF liga alerta contra maracutaias nas arbitragens

Do Globoesporte.com

Em 2005, o Campeonato Brasileiro foi manchado por um escândalo de manipulação de jogos. O árbitro Edílson Pereira de Carvalho acabou banido do futebol, mas desde então o país pouco fez para impedir que fatos dessa natureza voltem a acontecer. Na Copa do Mundo de 2014, a Fifa mostrou grande preocupação com o tema. E parece enfim ter ligado o alerta na CBF. Para o próximo ano, a Corregedoria de Arbitragem da entidade implantará um canal dedicado a receber denúncias. Quase uma década depois do episódio conhecido como “Máfia do Apito”, o Regulamento Geral de Competições passa a incluir um artigo detalhado sobre o assunto, por sugestão da Procuradoria Geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Este artigo lista condutas ilícitas e determina que as entidades devem auxiliar informantes para inclusão em programas de proteção.

A manipulação de resultados é o segundo tema da série de reportagens do GloboEsporte.com sobre a arbitragem brasileira. No primeiro dia, o assunto foi as altas notas das atuações dos árbitros na Série A do Brasileiro em relatório produzido anualmente pela Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol (Conaf).

Edilson Pereira de Carvalho árbitro (Foto: Ag. Estado)
Edilson foi eliminado do futebol após se envolver no escândalo da “Máfia do Apito” (Foto: Ag. Estado)

Mesmo ainda sem o canal oficial para receber as informações, neste ano três árbitros registraram denúncias de aproximação de pessoas com intuito de manipular resultados. Duas delas se tornaram inquéritos em Minas Gerais, segundo o corregedor de arbitragem e delegado aposentado da Polícia Federal, Edson Rezende. A terceira foi no Rio Grande do Norte. Em todos os casos, eram árbitros das federações, que atuam nos principais campeonatos dos respectivos estados, embora a aproximação tenha acontecido para interferir em partidas de torneios de segundo e terceiro escalão. Uma das abordagens aconteceu perto da entrada da sede da Federação Mineira e há indicativos de que foram feitas por pessoas que convivem no meio do futebol.

– Surgiram suspeitas de fora para dentro. Pessoas ligadas ao esporte tentando chegar e sugerir algumas situações para árbitros. Mas os árbitros comunicaram de imediato a Corregedoria e a CBF, e o departamento jurídico de imediato comunicou os órgãos de segurança pública. Inclusive inquéritos foram instaurados. Ocorreram duas situações em Minas Gerais e uma no Rio Grande do Norte. Eram campeonatos paralelos que árbitros dos estados atuavam. Tinham interesse nessas situações de escanteio, cartões e até no próprio resultado. No caso de Minas, o cara foi abordado na saída da própria federação. Para o outro foi através de telefone. No Rio Grande do Norte também foi pessoal. Em dois casos a gente tomou conhecimento que foi instaurado inquérito, os árbitros foram ouvidos – revelou Rezende.

Em seu relatório, o corregedor cita que “o mais preocupante é que tem havido uma participação cada vez maior, nestas atividades, do crime organizado, que tem utilizado todos os métodos possíveis, os mais perversos e cruéis imagináveis a exemplo de ameaças, sequestros, corrupção, lavagem de dinheiro, assassinatos, para obtenção dos objetivos pretendidos. (…) Quando tomamos conhecimento dessas atividades, por vezes, sabemos apenas da ponta do iceberg”. O relatório também cita o caso do Brasileiro de 2005, que ficou conhecido como “Máfia do Apito”. A curto prazo, o relatório sugere a criação do canal aberto para denúncias e, posteriormente, já a médio prazo, propõe a extensão das atividades para blindagem das competições com auxílio de órgãos de segurança pública brasileiros, e representantes da Fifa e da Interpol.

Durante a Copa, o diretor de segurança da Fifa, Ralf Mutschke, avisou que o futebol mundial está ameaçado pela manipulação. Ele explicou que, embora a Fifa tente auxiliar, não há como a entidade vigiar todas as partidas em nível nacional. A CBF, atualmente, basicamente depende de denúncias sem que haja um canal apropriado para isso, mantendo a integridade do informante, ou da colaboração da Fifa no sentido de receber informações sobre oscilações suspeitas em bolsas de apostas.

Documento Série de Arbitragem (Foto: Reprodução)

Edson Rezende esteve em uma reunião neste ano na sede da Conmebol, em Assunção, no Paraguai, sobre a manipulação de resultados, que contou com participação ainda de representante da Interpol. Ele afirmou que a Fifa colabora com informações que recebe de bolsas de apostas caso a partida em questão seja de determinada federação.

– A Fifa está procurando incentivar todas as filiadas a tomar providências que possam ajudar. Fiz um relatório, encaminhei para o Marco Polo (Del Nero) e ele encaminhou uma cópia para todos os clubes. Também enviamos um ofício a todas as federações alertando sobre essa possibilidade e caso houvesse qualquer suspeita, por menor que fosse, não deixassem de tomar alguma providência. Se é feita aposta de forma sadia, é o de menos. Mas essas máfias pelo mundo estão entrando firme nessa questão de apostas, inclusive com ameaças. A Fifa tem atuado de forma muito forte com isso. Vamos tentar aos poucos ir criando um corpo e um canal de apoio ao torcedor. Em princípio, vamos receber as denúncias e informar os órgãos competentes. Vamos colocar um canal próprio para que qualquer um possa denunciar e também vamos divulgar o canal que a Fifa coloca à disposição para isso – explicou Rezende.

O presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, indagado se a CBF tem hoje informação de bolsas de apostas para vigiar possíveis ameaças de manipulação de resultados por influência de apostadores, reconheceu que não. Ele explicou que a entidade está se preparando para melhorar essa estrutura.

– Não, ainda não (temos informações desse tipo aqui). Se eu falar para você (que sim), é mentira. Estamos nos preparando para isso. Nessa palestra que fizemos, no workshop, falamos disso. Tem um jogador da Itália, na Série B, que está no programa de proteção de testemunha. O negócio é grande. Eles apostam cor de camisa de árbitro, bola na trave, quem vai cobrar primeiro lateral.

O procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, afirmou que a Procuradoria mantém equipes permanentes com foco em casos de doping e manipulação de resultados. Na sua análise, os casos mais comuns no Brasil são da “mala branca”, quando alguém oferece dinheiro para motivar uma a equipe vencer uma determinada partida pela qual não tem grande interesse.

– Mantemos equipes permanentes em matéria de doping e “match fixing”, e são temas recorrentes na Escola Nacional de Justiça Desportiva. Fui pessoalmente à sede da Fifa para, ainda que em reunião não oficial, tratar do assunto e iniciar estudos aprofundados para combate da manipulação de resultados. O máximo que temos hoje é a chamada mala branca, mas temos de nos proteger de algo muito pior.

Confira o novo artigo 50 do Regulamento Geral de Competições da CBF que passa a valer em 2015:

Artigo 50: Com o objetivo de evitar ou dificultar a manipulação de resultado de partidas, considerar-se-á conduta ilícita praticada por atletas, técnicos, membros da comissão técnica, dirigentes e membros da equipe de arbitragem, os seguintes comportamentos:

I – apostar em si mesmo, ou permitir que alguém do seu convívio o faça (treinador, namorada, membros da família, etc.), em seu oponente ou em partida de futebol;

II – instruir, encorajar ou facilitar qualquer outra pessoa a apostar em partida de futebol da qual esteja participando;

III – assegurar a ocorrência de um acontecimento particular durante partida de futebol da qual esteja participando e que possa ser objeto de aposta ou pelo qual tenha recebido ou venha a receber qualquer recompensa;

IV – dar ou receber qualquer presente, pagamento ou outro benefício em circunstâncias que possam razoavelmente gerar descrédito para si mesmo ou para o futebol;

V – compartilhar informação sensível, privilegiada ou interna que possa assegurar uma vantagem injusta e acarrete a obtenção de algum ganho financeiro ou seu uso para fins de aposta;

VI – deixar de informar de imediato à sua entidade de prática ou de administração, ou a competente autoridade desportiva, policial ou judiciária, qualquer ameaça ou suspeita de comportamento corrupto, como no caso de alguém se aproximar para perguntar sobre manipulação de qualquer aspecto de uma partida, ou mediante promessa de dinheiro ou favores em troca de informação sensível.

Parágrafo Único – As entidades regionais de administração e de prática desportiva deverão auxiliar atletas, técnicos, membros de comissão técnica, dirigentes e membros de equipe de arbitragem que denunciarem quaisquer práticas ou tentativas de manipulação de resultados visando, nos termos da Lei nº 9.807/99, a sua inclusão em programas especiais de proteção de vítimas de ameaças ou testemunhas de crimes que estejam coagidas ou expostas a grave ameaça em razão de colaborarem com a investigação ou processo criminal.

INFO números árbitros 2014 (Foto: infoesporte)

 

O alto preço da fidelidade

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Madalina Secuianu, de 25 anos, prometeu que seria fiel ao namorado, que estava preso. Por dois anos, a modelo se negou a ter outro homem, à espera do amado. Só que reportagem do “Daily Mirror” contou que Rustem Chirila não repetiu o comportamento da namorada. Ele traiu Madalina. Com um companheiro de cela.

“Prometi a ele que não procuraria sexo todo o tempo em que ele estivesse preso, e mantive a promessa por dois anos, quando me contaram que eu era estúpida e que todos sabiam que ele tinha começado um relacionamento com um outro detento”, disse a modelo.

A romena foi procurar Rustem, que confessou o caso. Rustem foi preso por se passar por policial e confiscar 23 quilos de ouro de um empresário turco que viajava de Bucareste a Pitesti, na (Romênia). Ele foi preso um ano e meio depois e acabou condenado a 10 anos de cadeia em 2012.

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Futebol paraense em debate na Rádio Clube

O futebol paraense estará em debate neste domingo, das 16h às 19h, na Rádio Clube do Pará. O programa terá apresentação de Carlos Gaia, participação de toda a grande equipe de Guilherme Guerreiro. Como debatedores, Fernando Sérgio Castro, o nosso Cláudio Santos, representando o time de comentaristas do blog campeão, e este escriba de Baião.

As manhãs enfarruscadas de dezembro

Por Edyr Augusto Proença

A música é um dos principais dutos que me levam direto ao passado, a momentos felizes e importantes. Um dia desses, publiquei no facebook pequeno texto lembrando de músicas, afetos, a partir de manhãs enfarruscadas, melhor explicando, essas manhãs cinzentas, em que o ar está um pouco mais fresquinho do que o calor total em que vivemos. Essas manhãs ocorrem mais nos finais de ano, ao menos na minha memória, que vai, direto à pré adolescência, anos 60, do século passado, meu Deus, quanto tempo atrás!

Eu e meus irmãos de férias, naquele momento maravilhoso de “o que ocorrer”, e se de repente nada ocorresse, tudo bem, tudo muito bem. Hoje vou jogar futebol na casa de meu saudoso amigo Abílio Cruz, ou passear de bicicleta, jogar peteca com os motoristas de taxi da Praça da República. Não. Hoje estamos todos lagarteando naquela manhã gris no amplo salão do apê em que morávamos.

Quem comandava era o mais velho, que tanto e tão bem iluminou meu caminho nas mais variadas direções, principalmente na música. E ouvíamos Beatles, Bee Gees, Herman Hermits, Steppenwolf, The Hollies e Rolling Stones. Talvez fosse Rubber Soul ou Help. Claro, havia Tropicália, Mutantes, mas aqui, manhãs gris. Um tempo em que cada disco era ouvido da primeira à última faixa, degustado lentamente, até sabermos as letras, arranjos e a ordem das músicas.

Hoje, um garoto faz download da discografia do King Crimson, ouve em uma tarde e já vem discutir com autoridade, algo com que convivemos uma vida inteira, principalmente com as circunstâncias. As circunstâncias, amigo. E vêm flashes de uma época feliz. Era uma manhã de sábado, meio dia, talvez, meu irmão chega e mostra “Electric Ladyland” de um tal de Jimi Hendrix. Mudou minha vida, cara.

kingcrimson3Alguns meses depois, no Rio de Janeiro, em uma loja tão antiga que tinha cabines de madeira, lindas, para audição, encontro “Smash Hits” e “Axis: Bold as Love”. São as circunstâncias, amigo. O dia em que encontrei, na Modern Sound, “Wake of Poseidon” e “Lizard”, do King Crimson e os escondi entre discos infantis, voando de volta até minha avó, a quem supliquei os trocados suficientes para compra-los. E os amigos gostaram do meu texto sobre as manhãs enfarruscadas.

E de repente, não sei como, me vem à memória, em mais uma manhã cinzenta, “Connection”, dos Rolling Stones, uma canção presente em “Between the Buttons”, álbum confuso da banda, soube bem depois, mas que nós ouvíamos lagarteando naquelas férias. O piano de Brian Jones pontuando a canção. E se Brian não morresse tão cedo, para onde iriam os Stones? Ele era um Paul McCartney! E se Syd Barrett não pirasse, para onde iria o Pink Floyd? Outro Macca.

Talvez essa profusão de acontecimentos culturais, revolucionando o mundo em várias áreas, me tenha apartado, um tanto, das questões políticas, que depois estudei muito para saber. Talvez. Mas era muito bom. E meu irmão que com sua inquietude, a paixão pelos Beatles, que dura até hoje e na época, para cutucá-lo, dizia que gostava mais dos Stones, meu irmão que tantos caminhos me indicou.

Era um tempo muito bom, sabe? Tenho um certo orgulho de ter acompanhado tudo isso. E você? O que te leva para lugares da vida em que tudo era iluminado, aprendizado e amores inesquecíveis? Eu me lembro de “F comme Femme”, de Adamo, trilha sonora do meu primeiro amor, platônico, que nunca aconteceu. E você?

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta, 12.12.14)

Um gigante enfraquecido

Por Gerson Nogueira

A 24 horas da eleição que deveria servir para botar o clube nos trilhos, o Remo se encontra mergulhado numa crise sem precedentes. Muito mais grave que a baixaria que domina a campanha eleitoral é a percepção, cada vez mais clara, de que a centenária agremiação de Evandro Almeida perdeu suas referências políticas.

Houve um tempo em que as campanhas eram igualmente baixas e inflamadas, mas sempre havia um grupo de grandes nomes, que se encarregava de apagar as labaredas e cuidava de restaurar a normalidade.

Isso não existe mais.

unnamed (3)O Remo de hoje, prestes a realizar sua primeira eleição direta, está rachado pelo antagonismo feroz entre duas chapas que não representam o conjunto de associados e, obviamente, estão longe de preencher os anseios da imensa legião de torcedores.

Na prática, mesmo que isto não seja dito em voz alta, é uma disputa entre candidatos de grupos emergentes na estrutura do clube. E aí o cidadão mais distraído com o rumo da prosa há de perguntar: onde estão os verdadeiros segmentos políticos remistas? Aparentemente, estão desinteressados da refrega eleitoral e se limitam a acompanhar de longe o tormentoso processo.

A nostalgia é inevitável. Em outros tempos, grandes beneméritos já teriam se movimentado para assumir as rédeas do processo, aplacando as iras e puxando as orelhas dos mais exaltados.

Os últimos lances da campanha têm sido bem reveladores da ausência de uma instância maior no clube, capaz de exercer o papel de reserva moral, acima das disputas entre chapas. Longe de buscarem meios para ajudar a reerguer a instituição, os dois lados se empenham num confronto sangrento, com golpes baixos e que ameaçam a governabilidade do vencedor da eleição.

Denúncias de irregularidades na lista de votantes ampliam o repertório de problemas de uma eleição que foi impugnada da primeira vez, há um mês, por erros primários na organização da votação. A ação judicial que denuncia a ilegalidade de novos sócios, movida pela oposição, pode tornar até sem valor a eleição de amanhã.

Depois de tanto esforço para eleger seu novo presidente, o Remo pode ter a frustração de vir a conhecer o novo mandatário pela via judicial. Além das incertezas que a situação provoca, há a questão prática de que o planejamento do futebol para 2015 está seriamente afetado pelo retardamento da eleição.

Sem técnico e com elenco reduzido, o Remo corre o sério risco de chegar ao campeonato estadual – sua primeira competição em 2015 – sem um time pronto para estrear. Alguém precisa se preocupar com isso.

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No país das aparências

A notícia de que o técnico Tite será confirmado pelo Corinthians até o fim de semana só não é mais surpreendente porque diz respeito ao futebol brasileiro, cuja gestão é por natureza incoerente e destrambelhada. Só no Brasil um clube demite um treinador, aparentemente por motivos inconciliáveis, e o recontrata uma temporada depois, ganhando bem mais.

Quando deixou o Corinthians, Tite desfrutava da condição de técnico mais bem pago do país, com salários mensais em torno de meio milhão de reais. Volta em alta agora, depois que o clube dispensou os serviços de Mano Menezes. Como se nada tivesse acontecido, Tite parece ter esquecido as circunstâncias de sua saída. Embolsará R$ 700 mil, segundo informam os jornais paulistanos.

A sem-cerimônia com que os grandes clubes brasileiros movimentam altas somas é outro ponto a desafiar a lógica. Além de concordar em dar a um técnico quase o mesmo que gigantes como Manchester United, Bayern e Real Madri pagam a seus comandantes, os clubes ainda se engalfinham em negociações cansativas pelo direito de trazer os mais caros profissionais.

O Corinthians não é o único. Integra um seleto rol de clubes que parecem se vangloriar pelo fato de pagarem salários europeus a treinadores de nível limitado e que só encontram mercado tão risonho no Brasil ou na Arábia.

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A valente resistência argentina

Enquanto por aqui os clubes fingem nadar em prosperidade, nos demais países sul-americanos campeia uma realidade inteiramente diversa. Nem a Argentina vice-campeã mundial está imune a um cenário de forte pindaíba. Seus maiores times padecem da falta de patrocínio e sobrevivem com dificuldades, dependendo da comercialização de seus melhores jogadores.

Apesar da iminente quebradeira, não se pode esquecer que o momento é altamente favorável ao futebol argentino em comparação com o nosso. Conseguiram passar por cima de mazelas bem conhecidas, como a corrupção da cartolagem e a bagunça administrativa, para manter o protagonismo no continente.

Seus times conquistaram a Libertadores e a Copa Sul-Americana, além de a seleção ter feito bonita jornada em campos nacionais na Copa do Mundo, culminando com a ida à grande final no Rio de Janeiro. Não ganharam, mas participaram da festa em grande estilo, ao contrário do time de Felipão.

Ainda assim, a fragilidade econômica do futebol argentino só é hoje compensada pela paixão sem limites das torcidas, cujos espetáculos continuam nos causar inveja. Foi assim, por exemplo, anteontem, quando o River Plate derrotou o Atlético Nacional e festejou o título da Sul-Americana.

Metade do valente time de Gallardo pode tranquilamente tomar o rumo de clubes brasileiros, pois os salários que são pagos aqui superam em muitos dígitos os que são praticados lá. É questão apenas de escolher e partir para a pressão direta.

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Desmanche total no Alvinegro

O Botafogo dispensou o técnico Vagner Mancini, o gerente Wilson Gottardo e 17 jogadores. A nova diretoria encontrou os seus culpados para o desastre da temporada. Seria maravilhoso se não fosse trágico.

Com tantas demissões de uma só tacada, o Botafogo se verá obrigado a reconstruir um time na marra. Sem dinheiro e sem credibilidade na praça.

A fúria dos novos dirigentes só poupou o principal responsável pela tragédia alvinegra: o ex-presidente Maurício Assumpção, executor impune do projeto de rebaixamento à Série B.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12)