Moraes e seus dilemas

Por Gerson Nogueira

O novo técnico chegou e o Papão já se mexe para completar a formatação do elenco para a próxima temporada. A ordem é intensificar o trabalho que havia sido iniciado com algumas contratações pontuais. Reavaliar antigas práticas para alcançar resultados melhores. É certo que o clube vai procurar investir na conquista dos títulos que deixou escapar em 2014 – Campeonato Paraense, Copa Verde e Campeonato Brasileiro da Série B.

unnamed (2)Começar do zero é sempre um desafio, mas também pode ser uma bênção. Esta é a situação que se apresenta a Sidney Moraes, o novo treinador, apresentado anteontem no estádio da Curuzu. Novato no futebol nortista, sem conhecimento de como são as coisas no Papão, o técnico traz na bagagem um histórico de trabalho em clubes do mesmo porte.

Suas passagens por Icasa, Vila Nova, Náutico, Boa Esporte e Ponte Preta devem contribuir neste começo em Belém. Deve ter sido avisado que o orçamento é limitado e que o clube não poderá ultrapassar a casa de R$ 800 mil com a folha salarial na Série B.

Os primeiros contatos com a imprensa foram promissores. Moraes parece tranquilo e bem informado sobre as competições a disputar, além de otimista com a chance de fazer sucesso com o Papão. Sem otimismo não se vai a lugar nenhum. Aliás, não dá nem para sair de casa.

Apesar da boa repercussão da contratação, pelo perfil moderno do treinador, existem questões a serem enfrentadas de imediato. E quase todas passam por decisões quanto ao novo elenco. Acertar com reforços para a Série B é a maior das dificuldades, em função da inflação que ronda o mercado de contratações.

Difícil é avaliar se será possível contar com uma redução de custos nos primeiros meses do ano. O grande xis do problema está na capacidade de o Papão concorrer com outros clubes na disputa por atletas de bom nível. Na prática, será necessário contar com informações privilegiadas para garimpar jogadores ainda pouco conhecidos, se é que isto ainda é possível em plena era de comunicação em tempo real.

Do elenco que terminou a temporada, Moraes só poderá contar com cerca de 10 nomes. Será obrigatória a contratação de pelo menos mais 12 jogadores (quatro já estariam confirmados) para praticamente todas as posições. O consolo é que o novo técnico já poderá participar diretamente das escolhas, evitando contratações às cegas, como já se queixava Mazola, o comandante anterior.

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Leão Azul vive dias de fuzuê

Havia um time de pelada em Belém nos anos 70 famoso pelas suas façanhas nos campinhos da periferia. Era o Fuzuê, equipe simpática e que tinha uma legião de simpatizantes. O nome era apenas de fantasia, pois a agremiação não tinha nada de desorganizada ou barraqueira.

Mas o significado da palavra faz lembrar a atual situação do Remo, às vésperas de um pleito remarcado e dividido entre duas correntes que fazem questão de deixar claro que pacificar o clube está fora de seus planos.

Em mensagem de e-mail, o amigo Ronaldo Passarinho, um dos grandes beneméritos do Leão, faz um apelo à paz e ao bom senso, com oito recomendações à chapa que triunfar na eleição do próximo sábado:

“1- Gastar menos do que arrecadar, incluindo os patrocínios;

2- Fazer uma rigorosa seleção nas contratações;

3- Não permitir, em hipótese nenhuma, contratação de empresários, mesmo licenciados, para qualquer atividade relativa ao futebol;

4- Sanear a terrível dívida trabalhista, que, sem providências sérias, levarão o clube à insolvência;

5- Ter a responsabilidade de saber à grandeza do CR;

6- Fazer uma administração completamente transparente, exibindo dados, e prestando contas a todos os remistas;

7- Não criar falsas expectativas, anunciando contratações bombásticas que não trazem nenhum retorno ao clube;

8- Incentivar, de forma responsável, a participação do nosso maior patrimônio, o Fenômeno Azul.

Aos eleitos para o Condel, um apelo: fiscalizar rigorosamente as atividades inerentes à vida do clube e torná-lo proativo e não reativo, como hoje está funcionando, pelo desprezo a que tem sido relegado.

Abraços do teu amigo, Ronaldo”.

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Um campeonato mixuruca em gols

Para quem ainda tinha alguma dúvida, os números ajudam a clarear a dura realidade. O Brasileiro 2014 foi mesmo um dos mais chinfrins da história, reflexo do mau momento vivido pelo futebol brazuca. A média de 2,26 gols/jogo (859 no total) foi a pior desde 1995. A fraqueza dos jogos e a pouca inspiração dos times ajudam a explicar o fiasco.

Não por acaso, a tradicional Bola de Prata da revista Placar consagrou dois legítimos atacantes nível B: Fred e Barcos.

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Direto do blog

“Torço para que um dia o Nunes seja substituído para ver quem é esse mágico que irão colocar na Federação e que vai tirar Remo e Paysandu do buraco. Esses dois times responsabilizam a Federação por seus fracassos e se fazem de vítimas para seus torcedores. Que culpa tem a FPF se o Remo está na crise em que está? Que culpa tem a FPF se o Paysandu, em um ano, perdeu três títulos recebidos de bandeja? Bahia e Vitória caíram e ninguém por lá está pondo a culpa na Federação. Botafogo, idem. Há muitos anos que os times da capital vêm usando a Federação como bode expiatório para seus fracassos. Ela não joga nem contrata jogador, muito menos administra os clubes.”

Do Jorge Coelho, cansado de ouvir a ladainha da dupla Re-Pa contra a FPF.

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Aviso aos navegantes

Breve conselho aos jovens navegantes. Quem está escolhendo o melhor ofício para seguir, seja jogador de futebol ou alfaiate, cozinheiro ou músico, engenheiro ou professor, deve pensar muito antes de se decidir. Nem sempre é possível corrigir a rota depois.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 10)

14 comentários em “Moraes e seus dilemas

  1. Em clubes de porte como Paissandu, Sidney teve breve experiência apenas ano passado (Nautico e Ponte). Icasa e Boa Esporte, mesmo tendo disputado a série B (o Icasa caiu esse ano) não são clubes do porte do Paissandu e nem do rival azul.

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  2. Penso que se o Paissandu der tempo para Sidney desenvolver um trabalho, não o demitindo em caso de eliminação na fase de grupos no turno do paraense, o Papão pode ter sucesso a longo prazo.

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  3. Gerson e amigos, vou narrar uma situação que me aconteceu ontem na Loja do Papão na Sede Social do Paissandu.

    Eu estava comprando minha camisa do centenário quando um trio (dois homens e uma mulher) adentraram a loja.

    Um dos homens dirigiu-se a atendente e pediu um cachecol oficial do Papão. A atende informou que este produto não tinha para ser vendido.

    Diante da situação, me intrometi na conversa, dizendo para o homem que tal produto poderia ser adquirido com camelôs.

    Ele agradeceu-me e informou que o outro homem era da Inglaterra, torcedor do Liverpool, e que ele eostaria de levar um cachecol do time mais conhecido do estado para fixa-lo no estádio do Liverpool (provavelmente uma galeria disponibilizada aos torcedores que viajam a outros países).

    Em síntese, como somos amadores na gestão esportiva, um produto vendido amplamente em camelôs na cidade Belém, não é produzido pela empresa que veste o Paissandu.

    Ps. Desculpem-me o longo relato.

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  4. Máximo,

    Se vende-se no camelô é passível de comercialização, logo não dá para “perdoar”.

    Ps. Vale lembrar que nós temos torcedores em outros estados e países.

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  5. Lira estive ontem tbm na loja do papão, fui a fim de comprar aquela camisa que eles dizem que é a do goleiro, listrada na horizontal, mas não tinha.

    Fiquei sabendo que lá ST tem direito a 10% de desconto.

    Mas só ontem reparei o quanto nosso estádio está entregue as baratas pelo lado de fora.

    Poxa, até um cal todo Mês não tirava a honra de ninguém.

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