Por Bruno Fiúza (*) – do blog O Escrevinhador
Assim que o TSE começou a divulgar os resultados do primeiro turno das eleições, um sentimento de perplexidade e prostração se abateu sobre aqueles que acreditam em um Brasil mais democrático e igualitário, sobretudo em São Paulo. Depois da enorme demonstração de vitalidade política de junho de 2013, saía das urnas o Congresso mais conservador desde 1964 (leia aqui). Geraldo Alckmin foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno; José Serra tirou de Eduardo Suplicy a vaga no Senado por São Paulo. Aécio Neves apresentava uma votação muito maior do que o previsto pelos institutos de pesquisa. À primeira vista, o PSDB e a direita mais retrógrada tinham sido os grandes vitoriosos.
A esquerda sentiu o golpe e, já no dia 9 de outubro, Guilherme Boulos, do MTST, alertava em sua coluna no portal da Folha de S.Paulo para o surgimento de uma onda conservadora. De fato, a julgar pelos resultados do primeiro turno, o Brasil, com São Paulo à frente, parecia mesmo ter dado uma guinada à direita. Diante do resultado, ficava a questão: onde foi parar a energia libertária, democrática e igualitária que moveu parte das manifestações de junho de 2013 e das mobilizações que se seguiram? Alguns dias depois, Caio Dezorzi, da Esquerda Marxista, resolveu parar para analisar os dados do TSE com um pouco mais de calma e chegou a um resultado surpreendente (leia aqui).
Ao comparar os resultados do primeiro turno das eleições de 2006, 2010 e 2014, no Brasil e em São Paulo, Dezorzi constatou que as votações dos candidatos do PSDB para presidente e governador do estado de São Paulo se mantiveram praticamente estáveis.
O candidato que realmente surpreendeu em 2014 foi o segundo colocado na eleição para presidente: o candidato NDA (nenhuma das anteriores). Como as porcentagens divulgadas pelo TSE se referem apenas aos votos válidos, o peso das taxas de abstenção e de votos nulos e brancos não aparece nos resultados das eleições. Ao levar essas três categorias em conta, e creditá-las para um candidato imaginário – o candidato NDA – Dezorzi mostra que quem cresceu em 2014 não foi o PSDB, mas sim a rejeição ou o descaso com o processo eleitoral como um todo.
Dezorzi utiliza esses dados para rebater o argumento de Boulos, defendendo que o que existe no Brasil não é uma onda conservadora, mas sim um profundo questionamento do sistema eleitoral como um todo, que abriria espaço para o fortalecimento de forças sociais não só progressistas, como revolucionárias. Vistos do ponto de vista da análise de Dezorzi, portanto, os resultados do primeiro turno das eleições de 2014 se tornam absolutamente coerentes com as manifestações de junho de 2013, pois expressam um rechaço em bloco à política institucional.
A grande dificuldade ao confrontar os textos de Boulos e Dezorzi é que, de certa forma, os dois parecem ter sua parcela de razão. A grande pergunta a ser feita é: o fato de candidatos mais conservadores terem ganhado nas urnas significa que a população brasileira se tornou mais conservadora? Ou o resultado do primeiro turno é apenas mais um indício do divórcio entre a política institucional e a vida real dos brasileiros? A partir dessa pergunta, é possível formular outra: existiria uma alternativa política que, mesmo não se expressando nas urnas, estaria latente na sociedade brasileira?
Infelizmente, o resultado do primeiro turno das eleições não ajuda a responder a nenhuma dessas perguntas, por um motivo muito simples: abstenções e votos brancos e nulos são caixas-pretas políticas. É impossível saber quem o candidato NDA representa. Em primeiro lugar porque, como vários institutos de pesquisa alertaram, muitos dos eleitores que não foram votar podem simplesmente estar mortos, já que o cadastro do TSE está desatualizado. Em segundo lugar, muitos eleitores que votaram nulo podem simplesmente ter errado ao digitarem suas opções na urna eletrônica.
Em terceiro lugar, mesmo quem se absteve ou votou nulo ou branco por convicção, pode ter feito isso pelos mais variados motivos. A abstenção e os votos nulo e branco não têm coloração ideológica. Entre os que rejeitam conscientemente o processo eleitoral há desde a extrema direita – aqueles que acham que os políticos são todos corruptos e por isso melhor mesmo seria entregar o poder a um líder iluminado e de pulso firme – até a extrema esquerda – aqueles que acreditam que a democracia burguesa é uma farsa e a única alternativa de transformação real é a auto-organização das classes exploradas para a construção de um poder popular paralelo.
Feitas todas essas ressalvas, acho razoável pensar que, em vez de enxergar o primeiro turno das eleições como um sinal de que o brasileiro se tornou mais conservador, é possível enxergar no processo uma janela de oportunidade para uma reorganização política que vá além das instituições tais como elas existem hoje. O problema é que essa oportunidade pode ser aproveitada por todo o espectro político, da extrema esquerda à extrema direita.
Isso quer dizer que, independentemente do resultado do segundo turno, se a esquerda quiser sobreviver no Brasil, ela precisa se reinventar, sob pena de abrir espaço não para uma onda conservadora, mas para uma onda fascista. A desmoralização de um eventual segundo governo Dilma pode alimentar a organização de uma direita muito pior do que a que está aí, e é por isso que a reorganização da esquerda é urgente.
Ok, mas o que, exatamente, significa uma reorganização da esquerda? Acho difícil que alguém tenha uma proposta pronta e acabada na ponta da língua, mas é tarefa fundamental de qualquer um que se reivindique desse campo começar a refletir a partir de agora. Pessoalmente, acho que um ponto de partida fundamental é recuperar a autonomia da esquerda social diante da esquerda partidária, reconhecer que as duas instâncias têm sua independência relativa e estabelecer um novo padrão de relacionamento entre elas.
Não há dúvida de que os governos do PT representaram avanços para a classe trabalhadora, mas o preço pela melhoria de vida de uma parcela significativa da população foi uma subordinação de grande parte das lutas sociais à razão de Estado. Como os movimentos sociais mais poderosos do país tinham ligações umbilicais com o PT, quando o partido chegou ao poder muitos militantes subordinaram suas ações aos interesses do governo. Assim, a governabilidade, preocupação central de quem está no poder, acabou contaminando os próprios movimentos. Com isso, a ruptura de 2013 se deu, em grande parte, contra o PT e contra parte desses movimentos sociais.
Diante dessa situação, acredito que uma reorganização da esquerda passa por pensar mais no que é melhor para a organização autônoma da classe trabalhadora e menos no que é melhor para o governo. Militantes partidários precisam ter o desprendimento de perceber que críticas aos seus partidos não são, necessariamente, golpismo da direita. A grande novidade de 2013 foi o surgimento de um antipetismo popular, e os dirigentes do PT não podem fingir que isso é golpismo ou manipulação da direita. Logo, essa reorganização passa, necessariamente, pelo reconhecimento dos inúmeros erros que o PT cometeu no poder.
Feito esse reconhecimento, fica a dúvida: o PT ainda é um instrumento útil para a classe trabalhadora? Pois um partido nada mais é do que um instrumento – quando dirigentes partidários começam a acreditar que o partido está acima da classe, este é o princípio do fim de qualquer organização. Nas suas origens, o PT soube, como poucas organizações na história dos movimentos da classe trabalhadora, articular a ação dos movimentos sociais e a atuação de seus militantes na política institucional. Isso, no entanto, se perdeu. Hoje, uma parte expressiva da militância petista está a reboque do governo, servindo de correia de transmissão para discursos bolados por marqueteiros para manter o partido no poder.
Acontece que, para se manter no poder, o PT é obrigado a fazer alianças que praticamente inviabilizam transformações sociais profundas. Enquanto o Brasil viveu um ciclo de crescimento econômico, foi possível garantir conquistas pontuais para a classe trabalhadora sem mexer nas estruturas do poder econômico. Com o esgotamento desse ciclo, no entanto, essa possibilidade evaporou. Junho de 2013 nada mais foi do que a recolocação do conflito, a retomada da luta de classes, o fim da conciliação.
Diante dessa conjuntura, é natural que a classe trabalhadora não confie a um PT manietado pelas alianças do governo a tarefa de fazer os enfrentamentos que o novo ciclo exige. O problema, portanto, é: qual ou quais vão ser os instrumentos de luta da classe trabalhadora daqui para frente? Enquanto estiver preso a Collor, Renan e Kátia Abreu, o PT não poderá desempenhar essa função.
O vácuo deixado pelo partido pode e precisa ser ocupado por diferentes forças, partidárias ou não, mas aí se coloca o outro problema: se a razão de Estado não pode subordinar a ação dos movimentos sociais, estes também não podem simplesmente ignorar o Estado, como se a simples negação anulasse os efeitos deste sobre a sociedade. A política institucional continua a interferir na vida das pessoas mesmo quando estas não reconhecem sua legitimidade. Por isso, apenas boicotar as eleições e não construir alternativas é uma tática absolutamente suicida.
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Mauricio Puls chama a atenção para o perigo desse tipo de atitude (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1535593-opiniao-a-poeira-das-manifestacoes.shtml). Ao se recusar a participar do processo eleitoral, parte da esquerda abriu caminho para a eleição de candidatos ainda mais conservadores, o que vai interferir diretamente na vida cotidiana de todos os brasileiros a partir de 2015. Com um Congresso mais conservador, um eventual segundo governo Dilma terá ainda menos margem de manobra, o que significa ou mais corrupção para aprovar projetos de interesse do governo, ou derrotas seguidas do Executivo. De uma forma ou de outra, não é um cenário promissor.
O texto de Puls é importante por apontar a contradição entre a emergência de movimentos libertários e o fortalecimento da direita partidária. Ele cita o Maio de 68 e a reeleição de De Gaulle na França e o 15-M e a eleição de Rajoy na Espanha, mas poderia ir além: o levante zapatista e a eleição de Fox no México, o 30-N de Seattle e a eleição de Bush nos EUA, enfim… a lista é longa.
Todos estes foram movimentos que negaram a política institucional em bloco, assim como fez o “Cacerolazo” argentino de 2001, os “Forajidos” equatorianos de 2005 e, em certa medida, a Guerra do Gás na Bolívia, em 2003. Ao contrário do que escreve Puls, o “Cacerolazo” de 2001, não era “contra um”, mas contra todos – o lema do movimento era “que se vayan todos”. O mesmo lema ecoou nas ruas de Quito em 2005, quando a multidão depôs Lucio Gutiérrez e expulsou a tapas os deputados do Congresso equatoriano, o que vi esta cena com meus próprios olho.
Por que, então, levantes libertários na Argentina, no Equador e na Bolívia abriram caminho para a esquerda (Kirchner, Correa e Morales, respectivamente), enquanto outros movimentos igualmente libertários facilitaram a chegada da direita ao poder? Acredito que a chave para a resposta esteja no Equador e, acima de tudo, na Bolívia. A grande debilidade de movimentos libertários como o Maio de 68 francês, o 15-M espanhol e o 30-N de Seattle foi sua incapacidade de construir organizações políticas alternativas àquelas que criticavam – debilidade, aliás, recorrente entre movimentos libertários.
No Equador e, sobretudo, na Bolívia, no entanto, a negação da ordem foi acompanhada pela construção de uma nova institucionalidade. No primeiro, o movimento cidadão que depôs Gutiérrez foi organizado em torno de Rafael Correa e instaurou uma nova assembleia constituinte. Na Bolívia, o Movimento ao Socialismo (MAS) de Evo Morales desempenhou um papel ainda mais pronunciado na reorganização institucional do país e na convocação de uma assembleia constituinte.
Diante desses exemplos internacionais, acredito que o que falta ao Brasil é uma disposição das várias forças de esquerda para atuar em conjunto no intuito de criar uma força política suficientemente poderosa para construir uma nova institucionalidade no país. Vale lembrar, no entanto, que a empreitada não está fadada ao sucesso. Se o MAS conseguiu refundar o Estado boliviano, a Outra Campanha zapatista, que tentou fazer algo parecido no México em 2006, deu com os burros n’água. Esses dois exemplos mostram claramente que uma “nova política” não vai sair da cabeça de um pequeno grupo de iluminados, como parece ter acreditado Marina Silva, mas sim da ação conjunta de uma multidão disposta a reconstruir a vida política a partir de baixo, a partir da vida social.
O problema é que isso não se faz do dia para a noite, e até construirmos um poder popular suficientemente vigoroso, precisaremos de representantes que defendam nossas causas no Parlamento e combatam o avanço da direita. Por isso, acredito sinceramente que a urgente reorganização da esquerda passa pela criação de uma nova dinâmica entre a esquerda social e a esquerda partidária, de modo que ambas saibam respeitar as especificidades de cada uma, mas saibam, também, trabalhar juntas quando necessário. Essa reorganização, portanto, implica na criação de uma ampla articulação que inclua desde os grupos anarquistas até o PSOL. Só assim, sem sectarismo e sem subordinação ao poder, será possível dar novos instrumentos de combate para a classe trabalhadora nesses tempos tão difíceis. Só assim, junho de 2013 será capaz de “ganhar as eleições”.
*Bruno Fiuza é jornalista, historiador e mestrando em História Econômica na Universidade de São Paulo


Vê se entendi bem. O camarada pede que tomemos a Bolívia como exemplo a ser seguido? Se assim for digo apenas que este é o fim da “picada”. Ainda bem que nossas instituições são bem mais sólidas do que grande parte dos países sul-americano que, infelizmente hoje, beiram a ditaduta. Por sinal, se minha leitura rapida estiver correta, apenas digo que trata-se de um texto retrogrado.
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E onde está a onda conservadora, se o pt está na frente nas pesquisas? O blogueiro está se perdendo…
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INTERESSANTE ACHO QUE É POR AÍ TAMBÉM…CONCORDO!!!!!!! HELDER X DILMA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Date: Thu, 23 Oct 2014 04:49:41 +0000 To: rildoagro13@hotmail.com
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Após releitura do texto, tive a ampla certeza que o jornalista e historiador Bruno (por sinal, graduando, mestrando e doutorando não é título) vive mergulhado no século passado e ainda imundiado pelos ideais marxismo elevado ao extremo, ao ponto de não visualizar os graves problemas das ditaduras de esquerda implantadas por Morales e Correa que, como em qualquer ditadura, usa a máquina pública para ludibriar o povo e também jogar povo contra povo.
Gostaria que todos os problemas do Brasil fosse resolvido com a implantação de uma ditadura esquerdista como de Morales e Correa, todavia, o problema nacional é conplexo demais para ser resolvido desta forma.
Para finalizar, não sei voces amigos do blog, mas, para mim, ler textos como de Bruno, considerando que o mundo é recheado de diferenças, posições e dispersões discursivas, soa-me no mínimo retrógrado (parece que estou lendo um texto do período da guerra fria) ja que propõe discussão e solução, para problemas muito maiores, em torno exclusivamente de disputa de classe.
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De todos os ‘pensadores’ que se deram ao trabalho de analisar a atual conjuntura, confesso que nenhum se aproxima do que Bruno Fiuza apresenta.
É de uma lucidez impressionante, sem se deixar levar pelas ideologias de plantão, conseguindo apresentar um desenho icônico das eleições 2014.
Parabéns ao escrevinhador, ganhou um fã…
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O texto é sobre um problema estrutural da política de esquerda no Brasil. Citando a Bolívia como exemplo, o autor não quer que nos tornemos uma nova Bolívia, mas que a esquerda nacional aproveite seu exemplo e se reconstrua de novo como se construiu, mais próxima do povo. O afastamento da política partidária petista da popular, a que fez dele o partido que é, tem afastado velhos militantes e não tem atraído novos. O discurso de pensadores de direita e de esquerda não tratam de um olhar retrógrado pois baseados em Marx. É justamente o contrário, já que a hipótese marxista tem mais de 200 anos sim, mas ainda não inventaram nada melhor para interpretar a história. A filosofia marxista funciona muito bem como o que ela é, antes um olhar histórico, epistemológico, sobre a vida social. O ponto de vista marxista considera o ser humano como o que ele é de verdade: um ser histórico. É o viés de sempre desde Marx que está como ferramenta, e não como princípio, para a crítica. Ignorá-lo é impossível. A velha discussão política entre direita e esquerda não está ultrapassada, mas renovada e entender essa dinâmica parece muito mais um problema de linguagem ou retórica, já que nesse novo mundo do século XXI tudo muda de nome ou ganha uma nova “roupagem”, ou é revisitado, requentado, seja o que for… O discurso da direita conservadora é fascista porque aposta na ignorância para prometer o líder iluminado aludido no texto que sabemos que não existe.
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A mim me parece, Celira, que subliminarmente o texto tem mesmo é a intenção de absolver o partido de sua guinada direitista/conservadorista, que resultou no abandono de seus ideiais históricos e na da compactuação com as figuras mais reacionárias da política nacional; ao mesmo tempo que já prepara o espírito daqueles que ainda se incomodam com a direitização petista, para o fato de que esta situação é irreversível. E o faz dizendo que a retomada de curso leva tempo para conseguir e não é garantida que seja bem sucedida (o gato subiu no telhado). E que, enquanto isso, é ir suportando o que eufemisticamente parece querer considerar uma posição pragmática do partido.
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Camarada Lopes,
É fato que ele não sugere que o Brasil torne-se uma Bolívia em termos sociais e econômicos – até mesmo porque é impossível transformar o Brasil, maior potência econômica latina, em Bolívia. Todavia, parece-me claro que Bruno assume uma posição que defende que a esquerda brasileira adote o “exemplar modelo boliviano”, com finalidade de uma nova institucionalidade à moda boliviana.
De modo particular, vejo estas ideias como um enorme retrocesso para um país que vive apenas a sua infância democrática, podendo, para piorar a situação, levá-lo novamente a ditadura (de esquerda? de direita?) que, para mim, sempre será danosa a vida em coletividade.
Parece-me fato que preciso fazer uma ressalva em meu texto. O problema não encontra-se no pensamento de Marx, e sim nos interpretadores/leitores de Marx, como Bruno, que tomam algumas de suas ideias como a “bíblia” que restaurará o novo mundo. É neste aspecto que considero o pensamento discursado no texto como retrógrado – em que pese ter o direito de ter vontade de verdade – e pertencente ao período da guerra fria (além de exclusivamente valorizar as lutas classe, em detrimento a diferenças existentes no mundo).
Sobre sua fala amigo Lopes: “a hipótese marxista tem mais de 200 anos sim, mas ainda não inventaram nada melhor para interpretar a história. A filosofia marxista funciona muito bem como o que ela é, antes um olhar histórico, epistemológico, sobre a vida social”.
Digo que partircularmente não vejo desta forma, apesar de respeitar quem acredita nas ideias de Marx para fazer suas análises sobre o mundo. Para mm, a história é a investigação das transformações e dos acontecimentos, é uma investigação da ordem da genealogia, sem preocupar-se com uma ideologia do retorno, sem procurar explicar o hoje pelo passado, em síntese, estudar história é entender o presente, é estudar as condições de possibilidade que deram vozes a determinadas verdades e não a outras verdades.
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Amigo Antônio Oliveira, como não acredito na premissa do subliminar, tomo o texto como um discurso pró-ditadura da esquerda.
Diante disso, prefiro questionar quais as condições de possibilidade e acontecimentos estão presentes no Brasil de hoje para que discursos pró-ditaduras tornem-se a nova ordem discursiva e/ou verdade a ser seguida?.
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Não há democracia de esquerda, só ditadura. Para implantar o modelo esquerdista, é necessário suprimir direitos individuais, como a de propriedade, de expressão, de pensamento e de opinião. Mas o bolivarianismo faz isto de modo “democrático”, havendo voto e imprensa “livres”. Só não dizem que lá na educação básica o espírito “democrático” é forjado.
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Alguém já escreveu aqui e eu assino embaixo: O petismo cega.
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Caro Lira, o que se sugere é a manutenção da independência econômica do FMI e EUA e também da política interna. A política externa brasileira nunca foi tão elogiada quanto hoje. O Brasil assume internacionalmente posição que confere com os preceitos democráticos da constituição, a saber, da paz e da justiça social, com respeito à soberania e à autodeterminação dos povos. Os bolivianos têm todo o direito de serem como são, o país é deles, é parte da autodeterminação boliviana, paciência, e nós temos todo o direito de sermos diferentes, pois o Brasil é nosso. Não se preocupem, o Brasil não corre o menor risco de se tornar comunista porque a constituição garante o capitalismo brasileiro logo no art. 1º, inciso IV, que coloca a livre iniciativa e o valor do trabalho. É necessário atentar, no entanto, que pela soberania brasileira é preciso dizer não ao intervencionismo estadunidense e uma das formas de fazer isso é fortalecer laços econômicos com nossos vizinhos, tão parecidos conosco desde a forma de colonização até nas ditaduras forçadas pelos estadunidenses e mazelas sociais… Temos que entender que eles, como nós, estão procurando o desenvolvimento e a justiça social, com oportunidades para todos. Nós e eles temos muito em comum, mas esse papo de que aqui terá um país comunista só aparece em época de eleição como discurso para derrubar a esquerda, mas depois de 12 anos, há provas suficientes de que eles governaram melhor, independente dos escândalos de corrupção, que os houve também no mandato de FHC. O que precisa acontecer é que o povo deve se interessar por política para não ser mais tapeado pelos malandros políticos em época de eleição.
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Caro Jota, o que você muito justamente defende são princípios constitucionais estabelecidos no art. 1º, inciso IV. Mas não houve implantação de nenhum modo de perseguição política contra a direita, pelo contrário, a imprensa é tão livre que persegue a esquerda legitimamente eleita pelo povo e sem suprimir-lhe os direitos individuais, (como a de propriedade, de expressão, de pensamento e de opinião) óbvia que é toda a manifestação crítica contra o governo na imprensa. E até onde eu sei, a ditadura que houve no Brasil foi uma de direita e financiada pelos EUA, durou mais de 20 anos e torturou e matou muita gente, e não só no Brasil mas por toda a América Latina.
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Falar em ditadura de esquerda é uma grande perda de tempo, isso não há, não houve e nem haverá no Brasil. A oligarquia daria um golpe de estado na mesma hora, atenta que está à política. Vamos experimentar eleger Zé Maria, do PSTU, nas próximas eleições. Estou lhe dizendo, se eleito, ele nem tomaria posse porque a elite não deixaria. Já faz algum tempo que o país está vendido ao capitalismo estrangeiro e acho que dificilmente esse processo tem volta.
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Amigo Lopes,
Com todo respeito, digo-lhe que não sugiro nada, apenas gosto de colocar determinadas verdades e desejos de verdades em suspeição – como os enunciados proferidos por Bruno o texto ou mesmo a ideia que somos submissos ao FMI e aos estadunidenses.
Caro Lopes, eu, particularmente, não temo ao comunismo – pelo contrário, gosto muito de alguns preceitos comunistas, entre eles todos estudarem em escolas ofertadas pelo estado. Infelizmente ainda ainda não experenciamos o comunismo neste planeta azul – tanto que não questionei o comunismo, questionei a ditadura de esquerda proposta pelo discurso do texto.
No mais, assim como você, eu desejo um Brasil melhor para os brasileiros, desejo que todos possam ter oportunidades de vida, desejo que este sonho um dia seja verdade.
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Amigo Lopes,
Com todo respeito, digo-lhe que não sugiro nada, apenas gosto de colocar determinadas verdades e desejos de verdades em suspeição – como os enunciados proferidos por Bruno o texto ou mesmo a ideia que somos submissos ao FMI e aos estadunidenses.
Caro Lopes, eu, particularmente, não temo ao comunismo – pelo contrário, gosto muito de alguns preceitos comunistas, entre eles todos estudarem em escolas ofertadas pelo estado. Infelizmente ainda ainda não experenciamos o comunismo neste planeta azul – tanto que não questionei o comunismo (como você não acredito que o Brasil se tornará comunista), questionei a ditadura de esquerda proposta pelo discurso do texto, em outras palavras, apenas suspeito de discursos como de Bruno que produzem objetos e subjetivam pessoas em algumas verdades.
No mais, assim como você, eu desejo um Brasil melhor para os brasileiros, desejo que todos possam ter oportunidades de vida, desejo que este sonho um dia seja verdade.
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Celira, você disse ‘não acreditar na premissa do subliminar’, temo não ter conseguido alcançar exatamente o sentido da expressão, explique melhor ela pra mim, meu amigo.
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Celira, essa é a difereça. Você disse que gosta de escolas estatais. Eu também. Só que escolas estatais existem em qualquer sistema. Mas se você gostasse de escolas privadas e morasse em um país comunista, não poderia, entendeu a sutil diferença? Você é obrigado a “gostar” só da escola estatal.
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Tudo bem Lira, não há problema algum em divergir ideologicamente. Ao menos ideologizamos o debate, debatemos ideias que não são necessariamente unânimes, afinal, Marx escreveu uma epistemologia, uma filosofia, que vai muito além de um simples ponto de vista de época… Para mim é muito natural que temas como esse suscitem reações apaixonadas, pois eles têm a ver com a forma mais primária de visão de mundo como ele é e de como gostaríamos que fosse. Se trata de uma idealização platônica. Eu mesmo me envolvo em discussões políticas por entender que sou parte delas… Mas não quis dizer que você sugeriu algo, mas que se sugere no texto que criticamos neste debate. E quando falei sobre o art. 1º da constituição é só para mostrar que após 12 anos de PT o inciso IV está lá e não há nada que aponte para um governo bolivariano no Brasil. Simplesmente não é necessário suspeitar de uma coisa dessas. Outra garantia de que não se enveredará pelo caminho bolivariano são as bancadas do congresso que defendem interesses das velhas oligarquias e não há, nem de longe, as mesmas condições políticas favoráveis para que isso um dia aconteça por aqui. Não entendo como o povo teme tal coisa se ao mesmo tempo elege velhos conhecidos da política e que sabidamente não defendem exatamente o povo, mas o mesmíssimo capitalismo tão querido do brasileiro. O governo petista tem sido a prova de que é possível desenvolver e atender aos mais pobres. Aliás, como cresceram os países da Europa senão investindo no social? Em educação, saúde, segurança, habitação… Esses são investimentos sociais, frutos de políticas econômicas que criam as condições necessárias para que isso ocorra. Não há investimento social num mercado exclusivamente preocupado com o lucro.
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