Velozes, audazes e competentes

Por Gerson Nogueira

Não é título de filme, mas é apenas a descrição precisa do estilo alemão de jogar futebol, que está na crista da onda há mais ou menos três anos, desde que o portentoso Barcelona e seu infernal tic-tac saíram de cena. Começou com o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund, que há dois anos decidiram a Liga dos Campeões e deram os primeiros sinais de que uma nova força estava se erguendo.

A Copa do Mundo no Brasil serviu para coroar essa hegemonia germânica. Muito já se falou sobre os esforços que o país de Beckenbauer empreendeu na última década, saindo de situação desconfortável no futebol europeu para uma posição de destaque no mundo. Tudo movido a planejamento e organização, virtudes historicamente associadas ao povo alemão.

unnamed (71)O massacre de ontem do Bayern sobre a Roma, por 7 a 1, valendo pela Liga dos Campeões, remeteu de imediato lembrar a histórica goleada da Alemanha em cima do Brasil na semifinal da Copa. Apesar das diferenças óbvias, é inegável o poderio alemão no futebol de hoje.

Curiosamente, essa força se concentra na seleção nacional e em no máximo dois grandes clubes. Ao contrário da maioria de seus vizinhos europeus, o futebol alemão é dominado por Bayern e Borussia. Ocorre que o Bayern, um colosso administrativo, amparado por fortes patrocínios e gestão firme (nos últimos anos), deu um importante passo rumo à excelência ao contratar Pep Guardiola no final de 2013.

Os efeitos dessa aposta já se fazem notar no estilo de jogo desenvolvido pelos alvirrubros de Munique. Com pelo menos 50% dos titulares da seleção nacional, o Bayern se reforça com uma esquadra multinacional de respeito, contando com Robben, Ribéry, Lewandowski, Xabi Alonso e Dante. Mas, na partida de ontem, Guardiola brilhou acima de todos.

Técnica, velocidade e passe. O Bayern de hoje joga assim, quase não dá chutão como era prática do futebol alemão até os anos 90. Com quatro gols fulminantes entre 23 e 35 minutos de jogo, a goleada sobre os italianos foi construída de maneira muito parecida com a que se viu em Belo Horizonte.

Müller, Robben, Lahm, Ribéry e Gotze com toques rápidos e deslocamentos constantes infernizaram a marcação em linha da Roma. Como aconteceu naquele Brasil x Alemanha, se quisessem poderiam ter disparado um placar ainda mais espalhafatoso. Nos instantes finais, o preciosismo de alguns jogadores impediu que o escore se ampliasse. Na Copa, como se sabe, não houve firula do escrete alemão, mas certa compaixão com o infortúnio dos brasileiros.

Quanto a Guardiola, seu papel como responsável pela mudança na forma de jogar do Bayern é evidente. O time agora sai jogando, pelo centro do meio-campo ou com os laterais, tocando a bola e esperando a brecha para invadir a área inimiga. Ao contrário do que desenvolveu Barcelona, onde o estilo era cadenciado e visava minar a resistência do adversário, no Bayern a fórmula é mais acelerada e o jogo fica mais bonito.

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As cautelas de Mazola

O desfalque de Augusto Recife é o motivo das maiores preocupações na Curuzu. Natural. O veterano volante é o melhor passador do time e funciona como ponto de equilíbrio. Na ausência de um armador, ele muitas vezes executa as tarefas de um organizador, e com correção. Lógico que um jogador taticamente tão importante sempre faz falta, principalmente num confronto decisivo.

Mazola Junior costuma dizer que prefere se preocupar com os jogadores que pode escalar, preferindo não pensar nos ausentes. É um recurso inteligente, pois o momento exige que ele volte suas vistas para os substitutos eventuais de Recife.

Para o lugar de Zé Antonio, expulso no primeiro jogo, Ricardo Capanema é a opção natural. Mas, para fazer o jogo fluir à frente da zaga e evitar os chutões, Mazola se divide entre Lenine, Billy e Djalma. Deve optar pelo primeiro, que já vinha treinando ao lado de Capanema entre os reservas.

Djalma seria uma opção menos conservadora. Não tem a mesma força de marcação, mas com ele o time fica indiscutivelmente mais rápido na saída para o ataque. Talvez não entre de cara, mas certamente será lembrado no decorrer do jogo, caso haja necessidade de ir ao ataque.

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Apitador goiano mostra qualidades

Arbitragem impecável de André Luiz Freitas de Castro, ontem à noite, no jogo Ponte Preta x Avaí. A Macaca venceu por 3 a 1 e o árbitro praticamente nem foi notado em campo. Boa notícia para o Papão, pois Castro será o apitador do confronto decisivo com o Tupi, sábado, em Juiz de Fora.

O árbitro goiano já apitou 18 partidas no Campeonato Brasileiro e foi assistente em outras seis. Castro carrega também a fama de “rei do empate”, o que também é excelente para os bicolores, que garantem o acesso se o jogo terminar empatado.

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O fim da era Roberto Fernandes?

A grande notícia da semana para os azulinos é a firme disposição da diretoria de encerrar o ciclo Roberto Fernandes no clube. O vice-presidente Marco Antonio Magnata, em entrevistas, deixou clara sua insatisfação com o trabalho do técnico. Motivos: a política equivocada de contratações e a aversão a jogadores prata-da-casa. A levar em conta as afirmações do dirigente, o treinador não deve voltar ao clube para a próxima temporada.

Sob o reinado de Fernandes, o Remo contratou jogadores que praticamente nem foram utilizados, como Danilo Lins, Régis e Negretti. Não deu chances ao meia-atacante Robinho e a Rafael Paty, artilheiro do Parazão, e autorizou a saída do lateral Rodrigo Fernandes para o Icasa em momento importante da competição.

Ao mesmo tempo, Fernandes mostrou-se contrário ao aproveitamento das revelações do clube. Deixou de lado Igor João, Rodrigo, Yuri, Ameixa, Jonathan, Alex Ruan, Sílvio e Tsunâmi. E até Roni, melhor atacante do futebol paraense na temporada, esteve a pique de ser barrado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 22)

15 comentários em “Velozes, audazes e competentes

  1. Então a diretoria do Remo só descobriu que o técnico Roberto Fernandes se “equivoca” na indicação de jogadores e que o mesmo é averso a pratas-da-cada no Campeonato Brasileiro? Agora a diretoria teve um “ataque de virtudes” e jogou a culpa toda no técnico. Santa paciência…

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  2. Lembrando que ontem o América/RN, ora dirigido por Roberto Fernandes, aplicou contundente peia no Vasco da Gama(2×0), pela Série B, repetindo a boa atuação que havia tido contra o Flamengo, pela Copa do Brasil. Mesmo sendo eliminado aquela altura, todavia, diante das duas atuações citadas, dando grandes esperanças ao torcedor rubro.
    Diante dessa perspectiva, não estranhem se, mais à frente, aparecer uma significativa quantidade de viúvas dessa era carpindo e lamentando sua precoce partida. Credo!

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  3. O A. Recife não é veterano tem 31 anos, é um jogador experiente, pro nossos padrões, um craque. Pelo que vi o Lenine jogar, me pareceu um jogador de boa técnica para um volante, porém lento e pouco pegador e enfrentar Maradona e Chico, acho temerário. O Djalma deveria substituir o Heverton já que esse tem produzido pouco e o Djalma é mais dinâmico e da terra, certamente daria sangue por um resultado favorável.

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  4. Maximo, penso a mesma coisa do tal Lenine. Apesar do meio ganhar em altura para conter a jogada aérea, o mesmo é muito lento para apertar marcação no meio. Billy é um jogador com melhor pegada e melhor saída de bola, todavia, o time perde em altura.

    Sobre Heverton, penso que será mantido, mas Paraná seria mais interessante no meio do Heverton, pois poderia ser o ponta de lança do time (bolas para Ruan e Veiga), alem de dar altura ao time para as bolas paradas.

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  5. Fernandes se dá bem no RN. Mas no PA e PE não acerta. Não sei o motivo desse retrospecto, mas nunca gostei dos times armados por ele. Waltinho seria melhor, até o Cacacio (né Claudio?). Mas há bons nomes no mercado, um deles é o veterano Jair Pereira.

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  6. Quero, independente do resultado de sábado, dar meus Parabéns ao trabalho do Mazola, pois, com um elenco limitado conseguiu salvar o PSC de um possível rebaixamento, mais que isso, levou o Papão a classificação e nos colocou no segundo jogo do mata mata em relativa vantagem que nos faz sonhar com a série B.

    Amigos, se olharmos o time de sábado veremos basicamente o time do paraense com a entrada de três peças importantes, porém não tão decisivas, já que, o melhor jogador do Papão é A. Recife.

    Douglas (não conta, tá no mesmo nível dos reservas)
    Yago – Paraense campeonato – Pará
    Lombardi – Excelente contratação
    Charles – Paraense campeonato
    Pablo – Paraense campeonato – Pará
    Airton – Paraense campeonato
    Augusto Recife – Paraense campeonato
    Zé Antônio – Paraense campeonato
    Heverton – Paraense campeonato
    Ruan – Excelente contratação
    Bruno Veiga – Boa contratação

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  7. Deu gosto de ver o América de Natal ontem, mas não pensem que tem dedo do RF. Na verdade é comum um time como o América ao enfrentar um time grande como o Vasco, jogar mais do que pode.

    Na verdade o RF quase entrega a cocada no final do 1° tempo, pois deixou o time por alguns minutos com 10, pois um americano havia saído machucado, sua intenção era fazer a mudança no intervalo, aí o Vasco meteu uma bola na trave com o Marlon, e rapidinho ele refez a bobagem.

    Sobre o papão, a entrada do Lenine e do Capanema é o natural.

    Papão tem bom contra ataque, se tiver numa tarde feliz com sua defesa e seus volantes, nem perde o jogo e volta de Minas, com a mina série B no colo.

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  8. Para finalizar meus comentários:

    O que dá esperança ao torcedor alvo celeste?

    – Mazola não perdeu no comando do Papão (tirando a derrota para o Remo) nenhum jogo com diferença de dois gols.

    – No brasileiro da série C o Paissandu de Mazola tem quatro derrotas: Fortaleza (2-1), Salgueiro (2-1), Cuiabá (2-1) e ASA (1-0).

    – A única derrota do PSC (Mazola e Vica) por dois ou mais gols de diferença foi contra o Treze (3-0) e Coritiba (2-0).

    Claro que será um jogo tenso e com ligeiro favoritismo do Tupi, mas a classificação, que para muitos parece improvável, não é impossível.

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  9. Concordo com os comentários dos amigos acima sobre o Lenine. Bem, o jogo de sábado é definitivo, é impossível vencer do Tupi?, acho que não, é improvável pela qualidade que o time mineiro apresenta em campo e pela forma calculista que joga. Mas acredito que o Paysandú, nesta era Mazola, tem jogado com muita vontade e brigando por cada bola em busca do seu objetivo.
    Espero, e como espero, que o atabalhoado zagueirão Charles, não saia distribuindo botinadas como fez neste primeiro jogo das quartas de final. E muito menos cometa um ato suicida como o carrinho aplicado no jogador do rival que levou a sua expulsão prejudicando enormemente o time na primeira partida da decisão do parazão, e também não seja aloprado a ponto de meter a mão na bola para evitar o que é inevitável!
    Tenho minhas preocupações com o goleiro que, segundo o amigo Gerson, disse que a sua falha foi apenas naquele momento, mas recordo que ele fez uma saída na qual não achou nada e a bola acabou nos pés do time mineiro que só não fez o gol porque a zaga cortou o tiro certeiro. Infelizmente o nosso goleiro não sabe sair do gol, e como o treinador do Tupi é muito inteligente, viu que alçar bolas na zaga do Papão, causa um desespero total nesta.
    Além dos desfalques de Zé Antônio e A. Recife, penso que o goleiro bicolor é também uma grande dor de cabeça!
    Tomara que o time esteja inspirado e abençoado pela sorte, jogue bem, não precisa jogar bonito, precisa ser eficiente e converta em gols todas as oportunidades que surgirem e evite a precipitação de querer empatar a qualquer custo caso tome um gol durante a partida.
    O empate será bem vindo seja ele por qualquer placar.
    Eu acredito numa vitória paraense em Juiz de Fora, o placar, acredito que um 2 x 1, como foi no jogo em Belém, o Paysandú abrindo dois gols de vantagem e o Tupi chegando ao seu gol no final do segundo tempo!
    Na próxima envio os números da Mega sena, kkkkkkkk!

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  10. Concordo com os comentaristas que não é impossível se classificar em Juiz de Fora. Mas ao contrário de todos, considero a equipe mineira amplíssima favorita não só para se classificar, mas para vencer o confronto com larga margem. Não bastará superação alviceleste, precisa que o Tupi também jogue mal. Por falar em bicola, LOP quer voltar. Será?

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  11. Jota, o PSC não perdeu, na era Mazola, um único jogo por diferença de dois gols, logo, não tenho como pensar em goleada pró Tupi, pelo contrário, tenho que pensar em jogo duro com favoritismo para os Mineiros. Algo me diz que o Papão vencerá o jogo por 3 – 1.

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  12. Opinião de remista não pode e nem deve ser levada em consideração. Você dizer que o Tupi é um pouco favorito por necessitar da vitória mais que o Papão, até concordo.Agora falar que o time tem condições de golear,pode até acontecer,pois em futebol nada é impossível e existem as imprevisões. Não ví no tupi,toda essa bola que o credencie a certeza de que irá golear o Papão,apesar das circunstâncias da partida. Por tanto,vamos firme Papão,pois quem morre de véspera e o Leão !

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  13. Isto é fato, o Paysandú mesmo ao tomar gol não entrou em parafusos e agiu desordenadamente em nenhuma partida nesta série C. Eu acredito sim que a peleja será para lá de difícil, os dois times se equivalem, e o gol do Tupi, aos 40, mesmo pressionando o time de Belém, foi um achado que contou e muito com a colaboração da saída de mão de alface do goleiro do time paraense, no mais vi um time que insistiu muito no lançamento para dentro da grande área porém tem um bom toque de bola.
    O Paysandú jogando fora de casa neste ano se mostrou bem melhor pois não tem a obrigação de atacar pelo contrário terá a sua disposição aquilo que o time tem de virtude, o contra-ataque que se aproveitarmos as oportunidades estaremos novamente na série B em 2015.
    Tupi favorito mas a classificação do Paysandú não é nem improvável e muito menos impossível!

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  14. Seria uma estupidez trazer o Enrolandes para 2015. Uma boa notícia. Espero que os aproveitadores permitam uma reformulação com mais critérios e menos influências obscuras.

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