Por Rodrigo Vianna
A agressividade demonstrada por Aécio Neves durante o debate no SBT, nesta quinta-feira, pode ter espantado muitos telespectadores. Ainda mais porque o tucano não é conhecido como um político de confrontos duros na tribuna – quando do outro lado estão homens experientes na vida legislativa.
Por que, então, Aécio estava tão agressivo no embate com Dilma?
Há algumas explicações possíveis. Surpreendido pela adversária no debate anterior, na Band, Aécio quis partir logo para a ofensiva. Como se não pudesse dar tempo para a adversária respirar… Ultrapassou o limite razoável e desconheceu qualquer regra de cortesia.
O perfil pessoal de Aécio Neves pode ajudar a compreender esse comportamento exaltado – no embate direto com uma mulher.
Aécio é um rapaz que só teve facilidades na vida. Filho e neto de políticos, ganhou emprego ainda jovem como assessor parlamentar. Depois, foi nomeado para um banco público. Sempre protegido por papai e vovô. Nunca enfrentou dificuldades pra valer.
Nada parecido com a trajetória de Dilma – que viveu clandestina durante a ditadura, foi presa e torturada.
No debate, era esse o confronto: de um lado uma senhora, com mais vivência, e uma trajetória difícil. De outro, um homem maduro, mas com aparência de garotão, acostumado a ultrapassar todos os obstáculos sem que ninguém ouse confrontá-lo. Um “playboy” – como se costuma dizer.
E há mais que isso. Aécio não parece ser um homem acostumado a tratar as mulheres de igual para igual. As histórias sobre ele, nas noitadas cariocas, indicam que Aécio gosta de companhias femininas que não ameacem sua posição de centro das atenções. “Modelos”, garotas sem grande apetite por debates políticos e intelectuais: essas seriam as companhias femininas do tucano no Rio. Sempre acompanhado por outros garotões da elite carioca.
Pouco antes da campanha eleitoral, Aécio reatou relacionamento com uma namorada. Parece ter sido um relacionamento “produzido” para gerar a imagem de uma família estável. A mulher (que virou a companheira oficial dele) cumpriria o papel de “completar” a imagem pública do político: Aécio, um pai de família respeitável!
Mas quem conhece a trajetória de Aécio sabe que isso não combina muito com ele.
Se o candidato tucano mostrou contrariedade, e abusou da virulência verbal, ao lidar publicamente com uma mulher durante o debate, na vida privada o comportamento dele não parece ser tão diferente.
Pelo menos é a indicação que fica da leitura de um texto do jornalista Juca Kfouri – publicado em 2009. Na época, Aécio disputava a indicação de candidato tucano com José Serra. Juca ficou sabendo de uma história que chocou a chamada “sociedade carioca”. O título do post: “A Covardia de Aécio”.
O jornalista revelou que Aécio teria agredido fisicamente a namorada – na frente de vários convidados – durante uma festa. Aécio jamais processou ou interpelou Kfouri judicialmente. Talvez, porque soubesse que o jornalista contava com testemunhas do ocorrido.
A história jamais foi esclarecida. Mas – se confirmada – pode ajudar a explicar o comportamento agressivo do tucano. E indica uma personalidade algo explosiva e autoritária – por trás da fachada de garotão mineiro radicado no Rio de Janeiro.
Cordato com os homens, virulento com as mulheres que ousam desafiá-lo: esse parece ser o perfil de Aécio Neves – um político que nunca teve dificuldades nem contrariedades na vida.
É um bom perfil para quem almeja a presidência da República – num país dividido?
No primeiro turno, a imagem já se revelara – quando apontou o dedo em riste (foto acima, na abertura do post) diante de uma pergunta dura de Luciana Genro durante outro debate.
Relembremos o texto de Kfouri:
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COVARDIA DE AÉCIO NEVES
Juca Kfouri
01/11/2009 – 12:09
Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral.
A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.
Nota: Às 15h18, o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa.
O blog a mantém inalterada.”
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No Blog da Cidadania, Eduardo Guimarães mostrou que há outras referências na imprensa sobre o mesmo episódio narrado por Juca Kfouri. Guimarães faz a pergunta: por que Aécio nunca processou Juca?
Clique aqui para ir ao Blog da Cidadania e conhecer mais detalhes.

A elite oligárquica brasileira não é tudo de ruim que existe, mas quer ser. Ultrapassada, viciada, corrupta e corruptora, descendente dos donos das capitanias hereditárias que comandavam o tráfico negreiro, a dizimação dos índios e a perseguição aos quilombolas, andou para trás na história… Quero dizer, nem a história mudou essa forma de pensar e de agir acostumada com a impunidade. Toda essa desconfiança e esse julgamento moral é inevitável, principalmente ao político profissional que representa a elite oligárquica que se diz tradicional para não usar conservadora como adjetivo. E conservadora é um eufemismo quando é correto dizer-se retrógrada, atrasada. Na linha retrógrada do tempo, encontramos racismo, anti-semitismo e machismo andando lado a lado, compondo o pacote básico de políticas de ultra-direita, como fascismo. O proselitismo tucano encontra aí sua forma decantada. O PSDB não incorporou o S de socialismo presente em sua sigla na política prática do partido, onde ainda figura como acessório do termo que significa o partido. Felizmente, há uma alternativa.
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De fato, Lopes. O problema é que este tipo de comportamento há 12 anos encontrou um adepto de peso, o qual vem com força igual ou superior. Ou, noutros termos: não há alternativa.
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O Aécio em sua vida pessoal particular, já andou dirigindo com carteira vencida, bêbado e já teria dado uns tapas na namorada.
Daí tanta agressividade e falta de respeito as mulheres, já tinha feio isso com a Genro, inclusive.
Imagine isso como presidente.
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Hahahaha… Assisti o debate e o que vi foram respostas firmes às ilações de Dilma. Não foi agressivo, longe disso. Ou o que vocês queriam, que ele ficasse quietinho sem responder as acusações mentirosas de Dilma?
Ela escorregou na casca da banana que tentou deixar para Aécio. Se deu muito mal. Teve um caso de nepotismo revelado e isso acabou o debate para ela.
Ficou tão atordoada que quando descobriu que era entrevistada ao vivo, fez um migué. Passou “mal”, mas se recuperou mais rápido que o Wolverine.
Mas claro, a petralhada vai acusar a “agressividade” de Aécio, afinal, só a Dilma pode bater, mesmo com dados mentirosos.
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É verdade, Edson. O sujeito tem no seu prontuário algumas incontinências, pra dizer o mínimo. Mas, havemos de convir que não quadra bem com a candidata à reeleição esta pose de “mulherzinha submissa e vitimada” que se esta querendo colar nela agora. E, diga, que isso certamente não parte dela. Afinal, ela pode ter lá seus defeitos enquanto gestora, gerente, presidente etc, mas justiça se faça, não se submete assim pessoalmente a ninguém. Prova disso é que mesmo passando mal, só entregou os pontos mesmo quando a vista escureceu e as pernas bambearam, Mas, mesmo assim, tão logo recobrou o mínimo dos sentidos, já tava dando ordens pra repórter e assessores, querendo retomar a entrevista, o que só não fez (sob protestos) por suposta necessidade de observância da lei eleitoral.
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Dilma jamais se posiciona como vítima, amigos. Muito pelo contrário até, e já foi inúmeras vezes criticada por isso aqui mesmo neste blog. Mulher de fibra e coragem ela sempre foi – e não estou exagerando. A queda de pressão depois do debate revelou a fadiga natural pela maratona de campanha. Faz parte. Mas o tom colérico e transtornado do tucano não passou incólume. A TV reproduz (e amplia) os exageros em todas as suas nuances. Considero ainda que o grande momento da noite foi a confissão de que escapou do teste do bafômetro, papel que jamais havia assumido. Num país em que tanta gente morre pelas mãos de motoristas embriagados isso sempre tem consequências. Ainda sobre a exacerbação de Aéreo, comentário de um colunista da Veja (ligadíssimo à campanha de Aéreo) no Twitter sinalizava preocupação com a repercussão junto ao eleitorado feminino da retórica excessivamente heavy do neto de Tancredo, beirando a misoginia. Os tempos são outros, as sensibilidades estão afloradas. É um perigo exagerar na agressividade, aliás sempre é. Ao observar as intervenções furibundas, olhos rútilos (lembrou até o estilo Collor), imediatamente pensei que algo pode não estar indo bem nas pesquisas tucanas (aquelas confiáveis, que eles guardam pra consumo interno). A conferir nas próximas rodadas dos tais institutos.
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Foi o que eu disse, “mulherzinha vitimada” é papel que a própria candidata rejeita, no que faz muito bem. Agora, que a turma dela tá querendo seguir esta vertente, ah isso tá. No FB isso fica bem nítido, é de misogenia pra frente.
Mas, nada disso é decisivo. Tanto não é que o antecessor e inventor da candidata se elegeu duas vezes pessoalmente, e uma com ela, dotado de prontuário semelhante, inclusive do ponto de vista dionisíaco. As Bolsas seguem como a “barca boa” da (re)eleição. Quem conseguir o botar as mãos no respectivo leme fatura o pleito.
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Caro Antônio, entenda. Bancos nunca terão prejuízo. O papel deles é fazer o dinheiro girar e lucrar com isso. O que os bancos querem, sonham, é com governos que paguem altas taxas de juros porque isso acenderia o modo moleza de ganhar dinheiro. Com juros baixos, eles têm que trabalhar mais para obter lucro, aí ligam o modo dureza para ter ganhos. A opção dos bancos é sempre por investimentos de menor risco de perder capital e ser credor do governo é a maior mamata, em qualquer governo. A política de juros baixos é uma marca do PT e é exatamente isso que garante crédito para os trabalhadores e possibilita programas como o minha casa minha vida. Isso também é responsável pelas condições atuais de aquisição de outros bens de consumo, como motos, carros e eletrodomésticos. O bolsa família como estratégia é o que permite que o país gere emprego em meio à crise porque movimenta o mercado interno. Políticas de incentivos à exportação necessariamente desvalorizam demais a moeda, o que pode causar efeitos indesejáveis na balança comercial porque o Brasil importa muita tecnologia, bem mais cara que as commodities exportadas. O país tem um mercado interno que ainda vai crescer muito, e falta à elite oligárquica a vontade de trabalhar, acostumada que está em receber benesses do governo como incentivos fiscais, perdão de dívidas e outras facilidades para continuar operando e ainda massacrando o trabalhador. As oligarquias representadas por Aécio voltarão com tudo ao poder e o trabalhador será mias uma vez penalizado. É só arriscar votar em Aécio para ver.
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Amigo Lopes, academicamente, este encadeamento que você descreve corresponde a um caminho plausível.
Em tese, o destino segue este iter.
Mas, na prática, nunca na historia deste país os bancos ganharam tanto, com destaque aos consignados, dado que o proprio ex metalúrgico fez a corretagem junto aos aposentados e demais alvos. O mesmo se diga dos demais capitalistas, especialmente as empreiteiras, que aumentaram as margens de lucro, mesmo tendo de morrer naqueles três por cento. Enfim, proliferaram as generosissimas bolsas p’ros capitalistas. Em contrapartida, vieram as esquálidas bolsas direcionadas aos milhões de familias que se encontram no pólo oposto dos capitalistas. E, no meio de tudo isso está a falência dos serviços públicos, tipo saúde, educação, transporte, segurança, telecomunicacoes, saneamento, energia, meio ambiente, reforma agrária, previdência etc, só pra não ir muito longe. E piorando tudo isso a espiral inflacionária que sacrifica todo o mundo mas principalmente aqueles que pensam ser beneficiarios das bolsas. O mais é propaganda do governo, onde, aliás, floresce outro privilegiado segmento do governo atual.
Daí que encerro dizendo: entenda Lopes, há o universo surrealista do governo. Mas, também há o mundo real que é aquele onde todos os brasileiros vivem, inclusive eu.
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Caro Oliveira, no mundo real, o nordeste cresce mais que o resto do Brasil. No entanto, observe que o Pará continua como o maior exportador de energia e de minério do Brasil, e um dos maiores na pecuária. Minérios e energia sustentam a indústria de base, que é predominantemente paulista e mineira. Curiosamente, essas riquezas são administradas pelo PSDB há décadas e as políticas locais, lá e cá, não transformam isso em algo positivo para o povo porque deixam muito a desejar. Isso também é parte do Brasil real. Neste mesmo Brasil real, muitas pessoas que antes não tinham o direito ao financiamento da casa própria, agora têm. Milhões de brasileiros saíram da miséria. Cogitar que o Brasil não melhorou para os brasileiros chega a ser um acinte. É preciso entender que investir no mercado interno foi a saída para o crescimento da China e da Índia. É muito importante sim investir no mercado interno. Mas temos uma oligarquia que se nega a reduzir a desigualdade social entre nós e eles, entre baianos/paraíbas e paulistas/sulistas. O sul/sudeste não tem crescido porque se ressente de trabalho árduo dos empresários, mal acostumados com as benesses oferecidas por seus candidatos eleitos.
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Lopes, a grande resposta do governo atual para as críticas que recebe é exatamente esta: o que eventualmente parece dar certo é obra dos governo federal, o que sempre concretamente dá errado, que é exatamente o Brasil real, é malfeitoria dos estados e dos municípios ou de qualquer outro usado para transferir a responsabilidade, tipo EUA, mídia tradiconal, imprensa golpista etc.
Agora é preciso lembrar que até pelas malfeitorias cometidas pelos Estados e municípios por exemplo, o governo federal, tem culpa, seja quem for que esteja à frente. Inclusive porque nalgumas hipóteses o governo federal é aliado firme da oligarquia estadual comandante como no caso do Maranhão e noutras simplesmente não cumpre seu papel interventor nos casos em que cabe, os quais não são poucos.
Ademais, sou de uma geração em que nao havia o p t e que testemunhou muita gente, muito pobre, por exemplo: adquirindo a casa financiada; estudando curso superior particular com financiamento do governo; passando em vestibular para faculdade publica sem cotas; frequentando faculdade pública federal; estudando em escola técnica federal; fazendo cursos profissionalizantes no sistema S etc. Enfim, antes do p t havia um país, uma existência, uma história, uma vida, cujo povo, por estar insatisfeito com ela, trabalhou muito pesado para colocar o p t no comando. O problema foi que o p t não avançou com aquilo tudo que já havia de satisfatório. Manteve e acentuou a parte ruim, especialmente a parte alusiva ao controle anti republicano do numerário público. Com verdade, o p t vive de propaganda, setor que ele investe pesadamente em prol de criar uma imagem desconstituída diariamente pela realidade concreta da vida.
O governo atual é exatamente o mesmo que era o governo anterior. O que é uma pena.
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Fernando Henrique Cardoso, você é um verdadeiro ADOLFO HITLER, quer enterrar os aposentados vivos, inclusive Guido Mantega nem parece que é filho de Judeu, esse Fator Previdenciário foi a maior BOSTA que vocês aplicaram na nossa aposentadoria, o meu benefício já não está dando para a alimentação da minha família, vocês estão ganhando muito dinheiro e não estão respeitando os idosos, o Lula recebeu os nossos votos e fez covardia, nem parece que foi um sofredor.
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