Rio de Janeiro vai decidir o 2º turno

Por Rodrigo Vianna

Primeiro uma informação importante: não é verdade que levantamentos internos do PT tenham apontado, desde segunda-feira, que Aécio já estivesse à frente de Dilma na largada do segundo turno. Uma fonte, na direção petista, garante-me que a primeira pesquisa (feita por telefone) só ficaria pronta nesta quarta à noite. O mais provável: empate técnico. A essa altura, há uma guerra de informações. As pesquisas, no primeiro turno, erraram demais. Em alguns casos, podemos concluir que foi mais do que “erro estatístico”. Portanto, desconfiemos de qualquer pesquisa.

Agora, vamos aos fatos. A campanha tucana diz que Aécio ganhará porque a vantagem em São Paulo será avassaladora. A campanha petista diz que o Norte e o Nordeste vão equilibrar esse jogo, colocando Dilma bem à frente. Um dirigente petista chegou a me dizer que trabalha “com os mesmos mapas de 2010: Aécio vence em São Paulo, no Sul e no Centro-Oeste; Dilma ganha no Norte e Nordeste, abrindo vantagem”.

Na verdade, os dois lados têm parte da razão. Mas há nuances. Dilma sai de um patamar mais baixo dessa vez, enfrenta uma onda conservadora em São Paulo, e terá Marina colada em Aécio. Quadro mais difícil. É preciso debrucar-se sobre os mapas de votação em cada Estado, para entender o que está em jogo. Isso é mais importante do que apoios de “A” ou “B” no segundo turno.

O “Serviço de Inteligência do Escrevinhador” (sim, ele existe) dedicou-se a um levantamento exaustivo – Estado por Estado. E a conclusão é que a eleição vai-se decidir no Rio de Janeiro. Sim, ali está o eleitorado mais fluído, menos aecista e menos petista do que em qualquer outra parte. Vamos ao mapa – que indica uma eleição equlibrada e que pode ser decidida por um diferença inferior a um milhão de votos.

Para nossos cálculos, tomamos como pré-suposto que Marina transfira seus votos de forma desigual para Aécio, a depender da região. Em São Paulo, transferência enorme (beirando 80%). No Sul e no Centro-Oeste, na proporção de 65% a 35%. E no Nordeste/Norte, uma transferência da ordem de 60% (Aécio) a 40% (Dilma).

SÃO PAULO

O PSDB, dessa vez, colherá uma vantagem muito maior em São Paulo do que em 2010. No primeiro turno, Aécio teve 10 milhões de votos, contra quase 6 milhões de Dilma. Marina ficou com 5,7 milhões. Mesmo que Lula consiga recuperar um pouco da votação histórica do PT no Estado, a tendência é que Aécio fique com mais de 70% dos votos de Marina no segundo turno. O antipetismo e o ódio da classe média chegaram a patamares assustadores.

Calculamos que a diferença de votos a favor de Aécio em São Paulo pode chegar a 8 milhões(numa proporção de 65% a 35% na votação final no Estado).

SUL DO BRASIL

Aécio deve ampliar a votação que teve no primeiro turno. O que pode segurar um pouco a votação tucana são dois fatores: a campanha de Tarso no Rio Grande do Sul. E alguma resistência de Requião no Paraná. Mesmo assim, calculamos uma diferença de 2,5 milhões (para Aécio) – conquistada especialmente no Paraná e em Santa Catarina (Dilma venceu entre os gaúchos, mas no segundo turno Aécio deve crescer; para o PT, será lucro “empatar” ou perder de pouco na terra de Tarso Genro).

CENTRO-OESTE

Aqui o jogo é um pouco mais equlibrado. Mas Goiás e Distrito Federal tendem a dar boa vantagem ao PSDB. Calculamos vantagem de 1,2 milhões de votos para Aécio na região.

NORDESTE

Será a grande fortaleza de votos pró-Dilma. Na Bahia, por exemplo, Dilma deve colocar 3 milhões de votos sobre Aécio (mesma vantagem do primeiro turno). No Ceará e no Maranhão, a vantagem deve superar os 2 milhões de votos. A execeção deve ser Pernambuco. Calculando que a família Campos e Marina transfiram para Aécio uma esmagadora soma de votos (Marina teve 2,3 milhões no primeiro turno), ainda assim Dilma e Aécio devem chegar empatados (isso, na pior das hipóteses para a petista, já que Dilma fez 2,1 milhões de votos no primeiro turno).

Calculamos que a candidata do PT pode conquistar uma vantagem de 10 milhões de votos no Nordeste.

NORTE

A vantagem pró-Dilma é enorme no Amazonas e no Pará. Mas não há um eleitorado tão volumoso. Acre e Roraima podem dar alguma vantagem para Aécio. Calculamos vantagem de 1,2 milhão de votos pró-Dilma. 

MINAS E ESPIRITO SANTO

Dilma venceu em Minas no primeiro turno. Mas Aécio pode reduzir a diferença com os votos de Marina, agora. A tendência, na pior das hipóteses para Dilma, é uma vitória por estreita margem para Aécio – algo próximo de um “empate” (lembrando que o Estado é também a terra natal de Dilma, e na sua porção norte vota fortemente no PT). Somando-se os votos pró-Aécio do Espírito Santo (ele já ganhou lá no primeiro turno), chegaríamos a uma vantagem de 500 mil votos a favor de Aécio nos dois Estados.

O cálculo até aqui indica:

São Paulo (8 milhões pró-Aécio), Sul (2,5 milhões pró-Aécio) Centro-Oeste (1,2 milhão pró-Aécio), Minas/ES (500 mil pró-Aécio) = 12,2 milhões de votos de vantagem para Aécio. 

x

Nordeste (10 milhões pró-Dilma) e Norte (1,2 milhões pór-Dilma) = 11,2 milhões de vantagem para a petista.

A conclusão é que o Rio de Janeiro fará a diferença. Ali, Dilma teve 3 milhões de votos no primeiro turno, contra 2,2 milhões de Aécio e 2,5 milhões de Marina. A grande dúvida é: para onde irá o voto pró-Marina no Rio? O Estado depende fortemente do Petróleo e do funcionalismo público. A tendência aqui é que Aécio não consiga vencer. Dilma precisaria abrir no Rio uma vantagem superior a 1 milhão de votos, para ganhar a eleição nacional.

Esse quadro geral indica que o segundo turno será decidido voto a voto. A não ser que se crie uma onda “pró-mudança” encabeçada por Aécio. Aparentemente, essa onda está avançando em São Paulo, de forma violenta. Mas a derrota do PSDB em Minas, a fortaleza petista no Nordeste e a lembrança dos anos FHC devem equilibrar o jogo.

Qualquer coisa diferente desse quadro extremamente equilibrado é manipulação estatística, ou torcida pura. A eleição será decidida com o eleitorado bastante consolidado em dois blocos São Paulo/Sul x Norte/Nordeste. Com Minas neutralizada, o Rio decidirá.

18 comentários em “Rio de Janeiro vai decidir o 2º turno

  1. Muito interessante esse cálculo.Acredito nisso,mesmo.O 2º turno vai ser voto-a-voto.A não ser que forças ocultas hajam da mesma forma que fizeram aecinho disparar de 20 para 33% como ninguém previa e dificilmente aconteceria.É esperar.

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  2. No RJ quem manda é o Romário, que sozinho obteve votação quase igual a da Dilma e do Aécio juntos. Romário é PSB, PSB fechando com Aécio. Registre-se que os evangélicos cariocas que votaram na Marina vão com o Aécio. Na verdade, quase todos os partidos estão fechando com Aécio, no PDT, Reguffe, Cristovam Buarque e Pedro Taques já falaram que vão apoiar o Aécio, e o que é melhor, não vão querer cargo no governo. O “seviço de inteligência desse escrivinhador que vos escreve” afirma: quem vai decidir a eleição, como sempre vai ser São Paulo, claro que Minas, onde o Aécio vai virar no segundo turno, pesa também por ser o segundo maior colégio eleitoral do país. A coisa está feia para o lado dos petistas. E viva a democracia. Viva a alternância do poder!

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  3. Um texto sensato, sem loucuras ideológicas políticas. O quadro deve ser esse mesmos, apesar de as pesquisas de intenção de voto “acertarem” novamente ao indicarem que candidato A ou B vai ganhar com pelo menos 49%.

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  4. Que vença a democracia. Eu, já desanulei, vou de 45, sem fanatismo, sem bate-boca, pela Saúde Pública, meu campo de atuação como médico e sabedor da real situação que o Mais médicos ousa escamotear.

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  5. O principal inimigo da Dilma não é só o Aécio, mas a grande mídia. Vão criar e alimentar todo tipo de notícias negativas para derrubar a imagem da candidata. A ética passa longe dos enfoques parciais, controlados por interesses nada democráticos.

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  6. Parece uma análise realista, mas devo admitir algo mais, esquecido nessa análise: Marina vem do PT. Para ela, a política acabou depois que saiu de lá. Não é pouca coisa. Essa história de nova política é um discurso, um meio de ela ressurgir como candidata a qualquer coisa. Dificilmente ela retomará a ascensão política que vinha desfrutando quando do governo. Gozando da idolatria própria da política brasileira se colocou como o novo Lula na campanha passada, quando fez aquela campanha com poucos recursos, o que foi surpreendente. Com isso, ela mostra rápida e fácil adaptação a um mote diferente de política: a da candidata independente, ou a da candidata que, acima de qualquer partido, carrega consigo as esperanças do povo. Isso sim é populismo. Proibido no Brasil, um candidato não pode pleitear vaga eletiva no legislativo ou no executivo sem estar vinculado a um partido. Isso evitaria um candidato populista e/ou messiânico. O partido mostra é para mostrar quem é o candidato. Criou então a REDE para ter uma sigla que lembra muito em comportamento o do PRN, de Fernando Collor de Melo, em 1989. Marina é tão fisiologista quanto os políticos de hoje. Soturnamente igual a eles, e igual a Carlos Lacerda, para lembrar um personagem histórico da política brasileira, inclusive no método Petrobras. No vale tudo pelo poder é o mais pobre quem tem mais a perder e, como quem decide a eleição é o pobre, que se decida então por Dilma.

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  7. 1º) Não existe mais eleição de cabresto. O eleitor de Osmarina tem vontade própria;
    2º Deve-se levar em conta os 38,7 milhões de ‘não votos’, ou seja, os 29,03% que não foram às urnas, anularam seu voto ou votaram em branco no primeiro turno. Desses, cerca de 9 milhões estão concentrados no Nordeste brasileiro;
    3º) No Rio de Janeiro, Romário teve grande votação apenas por ser celebridade, e não por seus projetos e lado político, também não por ser do PSB;ele poderia ser de outro partido que teria votação igual;
    4º) Ainda no Rio de Janeiro, estado que possui a maior população evangélica do Brasil, esses eleitores vão decidir a eleição, dando grande votação para Crivela (bispo da IURD), e ex-ministro da Dilma. Grande parte dos eleitores de Crivela e de Garotinho (dois evangélicos) votarão em Dilma, já que Pezão (também chamado de Aezão), está apoiando Aécio.

    Concluindo:
    Os votos do Norte, Nordeste, Minas, RS e RJ (não exatamente nessa ordem de importância) decidirão essa eleição. Torço que em favor da Dilma, para não haver retrocesso no processo de redução da desigualdade social, mal de que vem padecendo o país de 1500 a 2002.

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  8. De onde que tiraram isso de ditadura Bolivariana? PT está a 12 por força da democracia, PSDB está as quantos anos em São Paulo e ninguém fala em Alternancia do Poder.

    O Grande erro da Dilma foi na política Econômica, Antes, tinhamos baixo crescimento, mas não tinha inflação, agora temos inflação e crescimento quase negativo, foi ai o problema dela, não fosse isso teríamos alguma coisa do tipo 45% para Ela

    De modo algum vou de Aécio

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