Papão cai outra vez

Por Gerson Nogueira

Não se pode dizer que algumas derrotas surpreendem o torcedor. Pelo contrário. É triste admitir que de uns tempos pra cá a maioria das derrotas dos nossos times são absolutamente previsíveis. Mesmo quando o adversário não é lá essas coisas.

Foi justamente o que ocorreu ontem, em Campina Grande. O Papão, vindo de uma derrota “vitoriosa” frente ao Sport-PE pela Copa do Brasil, chegou com ares de que podia reverter seu retrospecto negativo em jogos fora de Belém.

Não deu. Apesar do equilíbrio nos primeiros minutos entre os dois times, até na vocação para os passes errados e a falta de criatividade, a defesa voltou a fraquejar muito e o Treze abriu o placar quase ao final do primeiro tempo. Rafael Oliveira, renegado pelo Papão, fez o gol, aos 38 minutos.

unnamedDepois do intervalo, quando normalmente se renovam as esperanças, eis que Bruno Aquino tratou de deixar as coisas ainda mais favoráveis para o Treze, logo aos 3 minutos. A defesa, que nas últimas partidas, se especializou em tomar três gols por partida, estava bem perto de sua marca.

O ataque trabalhava, sem grande criatividade, mas com tentativas insistentes de Pikachu, Marcos Paraná e os atacantes Jeferson e Gabriel Barcos. Todas as iniciativas se revelaram frustradas, seja pela boa atuação da defesa adversária, seja pela imperícia dos bicolores.

Aos 30 minutos do segundo tempo, a contagem foi fechada, com Rafael Oliveira marcando o terceiro gol em nova facilidade permitida pelos beques paraenses. Everton Silva e Aírton ainda foram expulsos, em lances de total descontrole.

O restante da partida teve um Papão empenhado em não levar mais gols, sem forças para empreender qualquer reação. Givanildo Oliveira, técnico do Treze e profundo conhecedor do futebol paraense, acertou na estratégia. Entrou fechado, com mais de seis homens sempre atrás da linha da bola, explorando toda e qualquer chance para contra-atacar e apostando nos buracos da defensiva bicolor.

Vica, ainda sem vitórias a festejar no comando do Papão, lamentava a perda de algumas chances no começo, mas não teve respostas para a sequência desastrada de gols que sua defesa anda tomando.

Sem acumular pontos desde a retomada do campeonato, o Papão se afasta do G4, cai para o oitavo lugar e está bem mais próximo dos times na zona de queda. É preciso reagir, e rápido.

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Leão sofre gol no fim, mas ganha ponto

Não foi uma atuação brilhante no primeiro tempo em Teresina, mas o gol de Michel Smoller logo aos 28 minutos de partida deu ao Remo tranquilidade para segurar os avanços do River. O meio-de-campo de tendência marcadora, com três volantes (o próprio Michel, Dadá e Jonathan) dava tranquilidade à defesa.

Na frente, Roni e Leandro Cearense não levavam vantagem sobre a marcação, apesar de terem sido bastante acionados no primeiro tempo. As ausências de Levy e Danilo Rios se fizeram sentir, pois os zagueiros se preocupavam excessivamente com o lado direito e a meia cancha não evoluía de maneira satisfatória.

Na etapa final, na base da valentia, o River empreendeu um certo que podia ter resultado em empate ainda no começo, mas Maick Douglas andou evitando situações mais difíceis para o Remo.

Já nos acrescimentos veio o lance polêmico do pênalti. A arbitragem viu um toque de mão do zagueiro Rafael Andrade e Eduardo converteu a cobrança, dando números finais ao jogo.

Com o empate, o Remo chegou a dois pontos no Grupo A2, logo atrás de River e Moto Clube. Na próxima rodada, no sábado, o Remo enfrenta o Interporto (Tocantins) também fora de casa. Nova oportunidade para tentar chegar à liderança da chave.

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Águia vence, sem sair da zona

Em situação de desespero antes da rodada, o Águia conseguiu finalmente uma vitória dentro do Zinho Oliveira. Não foi suficiente para sair da zona de rebaixamento, mas aproximou o time de equipes que estão no bloco intermediário da chave.

Ainda vacilando na saída para o ataque, com pouca criatividade no meio-de-campo, o Águia chegou ao gol em lance de oportunismo do atacante Aleílson. Ele aproveitou uma falha da zaga do Cuiabá e marcou aos 17 minutos.

Como permitia a pressão dos visitantes, o Águia tinha dificuldades para ir à frente e passou a sofrer ataques seguidos. Aos 34 minutos, o atacante Careca empatou o jogo, cobrando pênalti.

A etapa final foi marcada por tentativas de parte a parte, mas o Águia acabou levando a melhor. O lateral Leonardy aproveitou bem um passe do meio e desempatou aos 31 minutos.

Foi a segunda vitória do Águia no Brasileiro, mas dá ao técnico Everton Goiano tranquilidade para arrumar a casa e buscar uma recuperação que tire a equipe da desconfortável situação atual.

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Comandante só pensa nos bonés

Em conversa exclusiva com o programa Fantástico, ontem, o técnico Dunga foi taxativo sobre suas restrições à seleção de Felipão: para ele, nas entrevistas os jogadores deveriam usar os bonés dos patrocinadores. Um espanto. Nenhuma palavra sobre tática ou comportamento dos jogadores em campo.

Caso o nível de preocupação do técnico se restrinja ao sucesso das marcas que financiam o futebol da Seleção ou com as lágrimas dos atletas, é bem provável que o Brasil logo amargue outra chinelada histórica. Preocupante.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 28)

8 comentários em “Papão cai outra vez

  1. Penso que o Dunga ao se referir ao boné não estava preocupado com patrocinadores e sim com o comprometimento que um profissional deve ter com a sua atividade, o Neymar por exemplo, um bom jogador, porém coloca a mídia pessoa acima de tudo. Nesse ponto o Capitão Do Mato está certo.l

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  2. Também acho que a referência aos bonés foi apenas simbólicas no que respeita à necessidade de concentração, de foco, no objetivo. O mesmo se diga em relação a passagem alusiva ao cabelo “tingido” dalguns jogadores. Demais disso, ainda há de se destacar que ele respondeu às perguntas que lhe for feitas, maioria tendente para amenidades tipo a estilista, a roupa do treinador, ou para demonstrar que o Dunga já estava mais permeável à imprensa.

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  3. O Remo precisa contratar um psicólogo urgente, mas não é para os jogadores, e sim para o técnico que sofre de insegurança aguda, uma vez que insiste em trocar meios-campistas por zagueiros toda vez que o time está vencendo. Parece que o Roberto Fernandes não aprendeu a lição com a perda do segundo turno nos minutos finais e mais uma vez tirou um meia para por o Rubram e novamente cedeu o empate nos acréscimos. Errar é humano, mas persistir no erro é burrice.

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  4. O time bicolor tem uma defesa muito frágil e com a presença deste goleiro, Douglas, ai que o negócio piorou. Alguém terá que chegar forte no Vica e fazê-lo colocar de volta o Paulo Rafael que dos que já passaram é o menos frangueiro, e, infelizmente, também não sabe sair do gol!
    A partida contra o Treze teve no time campineiro um adversário de nível semelhante ao do time bicolor, de semelhante para baixo, porém, com o apoio da torcida, teve a empolgação e vibração das arquibancadas suficientes para refletir no gramado a vontade e a importância que a vitória significaria.
    Quanto ao Paysandú, que terá que cumprir mais 3 partidas longe dos olhos do seu verdadeiro torcedor, vai sentir muito esta falta de energia positiva. vejamos bem que a torcida já andava afastada a muito tempo dos estádios e agora com este pífio desempenho tenho quase certeza de que ela vai abandonar o barco de vez.
    Espero que não, mas…
    Quanto ao time azulino, já falei aqui, não classifica para a próxima fase, esta será apenas uma passeio pelo grupo a que pertence dentro da série de acesso.
    Os dois times do capital paraense somado com o Águia de Marabá, estão bem distantes dos clubes dos outros eixos, principalmente o nordestino.
    Quando se viu Paysandú e Remo não vencerem seus adversários do Maranhão ou Piaui? Logo, estamos na idade das trevas no futebol paraense!

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  5. Infelizmente, o PSC parece caminhar para a 4a Divisão…Parece até uma repetição do ”filme” visto ano passado… Uma lástima só…

    Cláudio, entendes esse MONTE de contratações, com indicações do Papelim, mas cuja maioria não funciona ?!

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