Ecos

Por Luis Fernando Verissimo

129_279-LFVerissimoUm jornal de Porto Alegre fazia a cobertura do carnaval em todo o interior do estado e, depois, todas as semanas publicava uma foto dos (como se dizia na época) “folguedos de Momo” em determinada cidade com a legenda “ecos do carnaval em…” e o nome do lugar.

Era uma maneira prática de o jornal encher espaço, porque os “ecos” duravam o ano inteiro. Ninguém mais se lembrava do carnaval, mas os “ecos” continuavam. Viraram uma seção permanente do jornal, pois era só escolher uma cidade e uma foto e estavam prontos os “ecos” da semana. E não faltavam cidades e fotos do seu carnaval para serem lembradas até o carnaval seguinte.

Há fatos que ecoam através dos tempos, e cujos ecos persistem quando as suas causas parecem esquecidas como velhos carnavais. O Mao Tsé-Tung não quis dizer outra coisa quando lhe perguntaram quais, na sua opinião, tinham sido os efeitos da Revolução Francesa na história do mundo e ele respondeu: “É cedo para saber.”

Mao ainda ouvia os ecos do fato, que enquanto ecoasse não poderia ser definitivamente avaliado. Para os que ouvem, os ecos da Revolução Francesa soam como clarins da guerra entre as duas protoideias de como a história do mundo deve e não deve ser. O que Mao disse é que dois séculos não bastam para saber o resultado de uma guerra.

Mudando de Mao a pior, durante quantos anos ecoarão entre nós os 7 a 1 da Copa? Gerações ainda por vir lembrarão os seis minutos que nos destroçaram a alma, até que chegue o bendito silêncio do esquecimento.

Que talvez nem chegue, e num remoto futuro, em certas noites sem grilos, latidos ou briga no vizinho, se ouvirá “Seteaum, seteaum…” Mas, se tiverem sorte, confundirão o eco com o ruído de apenas mais um foguete disparado para Marte, e dormirão tranquilos.

TRISTEZA

Infelizmente, convivemos pouco, eu e o João Ubaldo. Estivemos juntos mais em Copas do Mundo do que no Brasil. Mas encontrá-lo era sempre uma alegria. É triste saber que não nos encontraremos mais.

PAPO VOVÔ

Nossa neta de 6 anos acordou sorrindo e disse que tinha tido um sonho bonito. Perguntei: “Com quem você sonhou, Lucinda?” E ela: “Comigo.”

Amizade de Dunga e Gilmar tem mais de 30 anos

Do Blog do Boleiro (Luciano Borges)

Abril de 1999. Numa atitude inédita, a CBF publicou no site oficial uma nota em que desmentia o envolvimento do atacante Adriano em um tiroteio numa favela do Rio de Janeiro, o que aliviou a preocupação da Internazionale de Milão, na época equipe do jogador.

No dia 7, o Blog do Boleiro contou como a Confederação decidiu publicar o desmentido. A assessoria de imprensa atendeu a um pedido do então técnico da seleção, Dunga. Este, por sua vez, atendeu ao apelo do amigo e então empresário Gilmar Rinaldi.

Leia…

10523989_807665979296991_7939312690402728928_nNo domingo, o empresário do atleta, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, conversou com Dunga, de quem é amigo desde o tempo em que jogavam juntos no Internacional de Porto Alegre. Explicou que Adriano enfrenta um problema particular, mas que não esteve envolvido em tiroteios em uma favela do Rio de Janeiro. Esta notícia foi veiculada por dois jornais cariocas.

Preocupado com a repercussão dessa informação (que incluía a suspeita de que o jogador tivesse sido ferido), Gilmar pediu ajuda para esclarecer o caso. Dunga telefonou para o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, e os dois decidiram ajudar.

O site oficial da entidade, publicou – ainda no domingo – este comunicado: “O atacante Adriano, da Seleção Brasileira, está em casa, na companhia de familiares, no Rio de Janeiro. Adriano tem mantido contatos frequentes com o técnico Dunga e com os dirigentes do Internazionale, informando-os sobre o delicado momento pessoal que está vivendo. Diferentemente das versões e boatos que correm – e que não são verdadeiros – reitera-se, portanto, que Adriano está no Rio de Janeiro, com a sua família”.

O fato é raro. O supervisor da seleção brasileira, Américo Faria, lembra que o jogador “quando não está mais convocado, deixa de ser questão da CBF”. Rodrigo Paiva confirma esta posição e justifica a publicação do comunicado como uma forma de “ajudar a imprensa”.

Rinaldi, que esteve com Adriano nesta segunda-feira, diz que a ação de Dunga e Paiva ajudou a encerrar os boatos. De fato, Adriano esteve no complexo do Alemão na noite de sábado para domingo. Não se envolveu em confusão, garante seu empresário, e está em casa tentando resolver questões particulares. “Depois, ele volta à Itália e vamos ter uma reunião com a Inter”, disse

O episódio mostra o valor da amizade entre Dunga e Gilmar Rinaldi. Os dois se conhecem desde a década de 80, quando jogavam juntos no Internacional de Porto Alegre. Eles foram peças fundamentais na seleção brasileira que disputou e ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984.

Gilmar garantiu vaga na semifinal, defendendo pênaltis numa decisão contra o Canadá. Nos 90 minutos, os dois times empataram em 1 a 1. Gilmar defendeu duas penalidades e o Brasil venceu por 5 a 3. Dunga comandou o meio de campo de um time cuja base era o Internacional. Na época, o volante tinha 21 anos e mostrava a personalidade forte dentro e fora do campo. O Brasil só perdeu na final para a França.

Em 1994, quando os dois amigos disputaram a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Dunga, Gilmar e outros atletas montaram um “comando informal” do grupo de atletas, formado por jogadores que tinham passado pelo fracasso de 1990, na Itália. Eles controlavam o comportamento dentro e fora do campo da seleção. Deu certo. O Brasil foi tetracampeão mundial e o técnico Carlos Alberto Parreira sempre deu crédito à colaboração deste “comando”.

De gênios diferentes, Dunga e Gilmar sempre mantiveram a amizade. “Eles são carne e unha”, disse Francisco Noveletto  Neto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, que viu o amigo Dunga “desaparecer” desde o final da semana passada quando tinha dado um “ok” para a Federação Venezuelana de Futebol.

No sábado, dia 12, depois da derrota do Brasil para a Holanda,  Noveletto jantou com Dunga no Rio de Janeiro. “Eu conversei com ele e perguntei se  topava a proposta da Venezuela de dirigir o time por quatro anos. Ele disse que sim, que só faltaria acertar alguns detalhes e avisei o presidente da Federação Venezuelano”, disse Noveletto ao Blog do Boleiro. “Aí ele sumiu”, completou.

O dirigente gaúcho passou a procurar Dunga através de torpedos. Amigos de Noveletto disseram ter visto o treinador em São Paulo no início desta semana. “Na quarta-feira, ele me respondeu escrevendo que estava em São Paulo e voltaria na quinta e me procuraria”, contou. Isto não aconteceu. “E quando o Dunga tem coisa melhor, ele some”, afirmou.

Por isso, Noveletto disse a jornalistas nesta semana que se tivesse dez fichas para apostar, apostaria todas em Dunga como novo técnico da seleção brasileira. Para o dirigente gaúcho, a segunda passagem de Dunga vai exigir dele uma mudança de comportamento: “Ele precisa ter mais jogo de cintura”.

Dunga tem fama de mau. Não é.

Quando assumiu a seleção brasileira em 2006, ele quis terminar com o que ele entendia ser privilégios da TV Globo. Fechou a seleção e limitou o acesso às entrevistas diárias na zona mista (em treinos e depois de jogos) e nas coletivas que dava na Granja Comari e nos locais das partidas. Atuou na direção contrária do que tinha acontecido na preparação do selecionado na Suíça e durante o Mundial na Alemanha.

Na África do Sul, quando dirigiu o time brasileiro na Copa do Mundo de 2010, ele e os atletas concordaram em se fecharem num clube de golfe, sem saídas ou entrevistas fora dos espaços oficiais. Isso causou problemas iniciais e Dunga tinha certeza de que encontrou um inimigo na Globo. Na verdade, não há como dizer isso.

Sob o comando de Dunga, a seleção brasileira adulta venceu a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009, além de conseguir vaga na Copa do Mundo de 2010 com apenas duas derrotas em 18 jogos, terminando em primeiro nas eliminatórias sul americanas. No Mundial da África do Sul, o time brasileiro parou nas quartas de final diante da Holanda (1 x 2). Foi demitido logo em seguida, com a imagem em alta.

Como comandante da seleção olímpica, ele levou o Brasil à medalha de bronze. O time só perdeu na semifinal para a Argentina, de Messi e Di Maria, numa partida disputada em Pequim.

A experiência de Dunga foi positiva: na equipe principal, obteve 76,7% de aproveitamento e na olímpica, este índice sobe para 88,9%.

Se for confirmado na próxima terça-feira, Dunga retoma um caminho que foi cortado depois da África do Sul. O ex-assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, foi um dos conselheiros de Ricardo Teixeira que pediram a demissão do treinador em 2010. Paiva não está mais na Confederação. Jorginho, assistente técnico de Dunga na seleção, poderá ser chamado outra vez.

O trabalho de Dunga foi a de renovar o time. Ele foi criticado por não ter levado os garotos, em 2010, Neymar e Paulo Henrique Ganso. O time do Brasil jogava com um esquema bem definido: bom poder de marcação e saída para contra-ataques. Esta postura seria desejável no jogo contra a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

E se engana quem acha de Dunga não atua em equipe. Todas as decisões que ele tomou dentro e fora de campo foram discutidas e aprovadas pelas comissão técnica, jogadores e, mais importante, pelo próprio Ricardo Teixeira.

Por isso, Gilmar tem argumentos para indicar Dunga como sucessor de Luiz Felipe Scolari, continuando uma sequência de comando gaúcho na seleção brasileira que começou do o ex-volante em 2006 e passou por Mano Menezes e Felipão.

Resta saber se nada mudou até este domingo. A dupla Rinaldi/Verri (sobrenome de Gilmar e Dunga) se encaixa no perfil de campeões mundiais que José Maria Marin (presidente da CBF) e Marco Polo Del Nero (futuro presidente) adotaram quando chamara Felipão e Parreira para sucederem Andrés Sanchez e Mano Menezes.

Afinal, se a CBF chamou uma entrevista coletiva para a terça-feira, às 11 horas, é porque o novo técnico já está escolhido e acertado. O futuro vai dizer se a postura de Dunga com a imprensa, especialmente com a TV Globo, será mais flexível.

Talvez, os amigos Dunga e Gilmar consigam colocar a seleção brasileira na linha, com jogadores da olímpica entrando e com aposta em um esquema tático mais seguro.

Aécio mandou fazer aeroporto no terreno do tio

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Reportagem de Lucas Ferraz (https://twitter.com/lucasfferraz) é a manchete da Folha de S. Paulo: “Governo de Minas Gerais fez aeroporto em terreno de tio de Aécio Neves, candidato a presidente pelo PSDB”. O Estado de Minas Gerais gastou quase R$ 14 milhões para fazer a obra dentro de uma fazenda particular, ainda durante o mandato de Aécio como governador. http://uol.com/bkdM5R

Cabra danado esse Aecinho.. vá gostar de voar assim lá em Minas.

Aposta no mais do mesmo

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Por Gerson Nogueira

Nem bem passou a ressaca da Copa das Copas e eis que a torcida brasileira é surpreendida por um episódio inusitado, que faz pensar sobre o que de fato se passa na cabeça dos homens que comandam o futebol no Brasil. Refiro-me à comédia em torno da apresentação do novo coordenador de seleções da CBF. Gilmar Rinaldi, que todos conhecem dos tempos de goleiro do Inter e do São Paulo, passou os últimos anos representando interesses de jogadores e fechando transações entre clubes.

Seria a última das escolhas a se imaginar para um cargo que está diretamente ligado à valorização de atletas profissionais no Brasil. Nem o mais ingênuo dos torcedores desconhece o fato de que convocações para a Seleção significam a garantia de bons contratos futuros com clubes estrangeiros.

Não se está aqui pré-julgando Gilmar, como ele se fosse agir deliberadamente em prol de seus interesses, mas na escala de desconfianças envolvendo o futebol o papel dos empresários está lá no topo da lista, ao lado dos dirigentes de federações, e os motivos são mais do que conhecidos.

Até um dia antes de aceitar ser o coordenador das seleções (incluindo as amadoras), Gilmar ganhava a vida agenciando atletas e negociava com clubes do Brasil e do exterior. Como num passe de mágica, passou para o outro lado do balcão. A mudança de papel foi tão surpreendente quanto constrangedora para a CBF.

Pior foi a entrevista que o novo coordenador concedeu na quinta-feira, manifestando seus pontos de vista sobre os rumos do futebol brasileiro depois da vergonhosa surra diante da Alemanha. O máximo que foi possível extrair do pensamento vivo de Gilmar foi uma crítica ao uso de bonés com a expressão “Força, Neymar!”, que a Seleção usou antes do confronto fatídico na semifinal da Copa. Para ele, o correto teria sido um boné que expressasse apoio a Bernard, o substituto do camisa 10.

Cá pra nós, é muito pouco para um profissional que deveria chegar formulando ideias, apresentando planos de trabalho ou pelo menos esboçando um raciocínio aproveitável quanto ao futuro da Seleção e do próprio futebol brasileiro.

Pode ser que Gilmar nos surpreenda, mas por enquanto fica a sensação de que a CBF está apostando no mais do mesmo, evitando enfrentar de verdade os problemas que travam o futebol brasileiro e se refletem na seleção principal. A ausência de uma política de incentivo à formação adequada de craques é a mais grave das chagas que envolve o esporte das multidões no país.

Existem diversos outros problemas, mas o menosprezo pelas divisões de base está na origem dos demais. Enquanto não se achar uma saída para isso, pouco ou nada adiantará a troca de nomes determinada pelos caprichos dos maiorais da CBF.

É preciso atacar o mal pela raiz.

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A volta do Capitão do Mato?

Dunga, que saiu da Seleção em baixa depois do fracasso na Copa de 2010, parece estar a um passo de ser anunciado como novo comandante em substituição a Felipão. Neste fim de semana, segundo especula a imprensa sulista, o coordenador Gilmar Rinaldi deve sacramentar o retorno do Capitão do Mato ao escrete.

Ele assumiu o cargo há quatro anos com a missão de botar a casa em ordem depois da balbúrdia que afundou a campanha na Copa da Alemanha em 2006. Trabalhou com poucos veteranos e alguns novatos, conseguindo fazer uma boa campanha até cair diante da Holanda, em Porto Elizabeth, vitimado por falhas grotescas de Júlio César e Felipe Melo.

O problema é que, no comando da Seleção, Dunga imprimiu um estilo quase castrense, centrado na lei e na ordem, com algumas pitadas de fundamentalismo, por conta do fervor religioso de seu auxiliar Jorginho.

Poucos imaginariam que ele ganhasse nova chance, até por não conseguir emplacar na carreira depois de 2010. Ocorre que a confusão decorrente do desastre de Belo Horizonte afetou os dirigentes da CBF, que pelo visto ainda não têm ideia do grau de insatisfação do torcedor.

Pior do que as incertezas que rondam a aposta é constatar que o prestígio dos técnicos brasileiros está realmente na lona. Apesar de Marcelo Oliveira, Cuca e Tite serem merecedores de uma chance, Dunga volta a aparecer à frente de técnicos com longas carreiras no currículo.

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Desafios paraenses nos campeonatos nacionais

O Paissandu vai a Cuiabá conhecer a fabulosa arena da Copa e encarar um adversário animadíssimo, que está cada vez mais disposto a alcançar o acesso. Em terceiro lugar no grupo A, o Cuiabá passou todo o período da Copa treinando e fazendo amistosos, aprimorando conjunto. Bem diferente do Papão, que trocou de técnico e perdeu seu artilheiro (Lima).

Como perdeu pontos preciosos nas seis rodadas iniciais, o Paissandu terá que fazer a partir de hoje uma campanha de recuperação. Não pode mais se contentar em pontuar em casa (ou onde mandar seus jogos), pois tem que superar adversários como o Cuiabá, o CRB e o Crac, bem posicionados na tabela. Vica arma um time cauteloso, à espera de contra-ataques e tendo em Pikachu, posicionado como ala, a principal alternativa ofensiva.

Em Marabá, um Águia desesperado recebe o CRB de Ademir Fonseca. Na lanterna, o Azulão marabaense precisa reagir com vitórias para voltar ao bloco intermediário do grupo.

Já o Remo estreia finalmente na Série D neste domingo, recebendo o Moto Clube (MA), em Bragança, cercado de grande expectativa. A espera é alimentada pela torcida há mais de dois anos, com direito a choro, ranger de dentes e humilhações pelo caminho. Mas a ansiedade vem acompanhada de um sentimento de apreensão.

Com remanescentes da campanha vitoriosa no Parazão, o técnico Roberto Fernandes ainda não conseguiu dar ao time a solidez de jogo que uma competição nacional exige. A perda de peças importantes do setor de meio-de-campo contribuiu para isso.

A intenção de adotar um estilo ofensivo fica evidente com a opção pelos meias Robinho e Danilo Rios. Para o ataque, Fernandes confirmou Roni e Leandro Cearense, ficando Rafael Paty como opção para o segundo tempo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 20)