Presidente da CBF aceita demissão de Felipão

Agora é oficial. O técnico Luiz Felipe Scolari, como havia antecipado na coletiva de sábado, e seus companheiros de comissão técnica entregaram seus cargos à diretoria da Confederação Brasileira de Futebol. O pedido de demissão foi aceito pelo presidente Marin, que fez questão de agradecer a todos os integrantes da comissão e aos jogadores e também, por extensão, aos torcedores brasileiros pelo resgate da autoestima e pela demonstração de amor à Seleção Brasileira durante toda a campanha da Copa do Mundo. “O Scolari e toda a sua comissão técnica merecem o nosso respeito e agradecimento. Eles foram responsáveis por devolver ao povo brasileiro o seu amor pela Seleção, mesmo não tendo conseguido o nosso objetivo maior”. Na próxima quinta-feira, às 11 horas, Marin dará uma entrevista coletiva na sede da CBF, no Rio. (De Imprensa CBF)

Papão perde três mandos na Série C

A Comissão Disciplinar do STJD anunciou na tarde desta segunda-feira nova punição para o Paissandu. O clube perdeu três mandos (tendo que atuar com portões fechados ou fora de Belém) na Série C, mais uma multa de R$ 30 mil. A pena foi aplicada em função dos incidentes verificados na partida contra o Fortaleza no estádio Jornalista Edgar Proença, quando os torcedores atiraram morteiros em direção ao gramado e à torcida do clube visitante.

Uma taça em boas mãos

Por Gerson Nogueira
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Ninguém se empenhou mais, antes e durante, para ganhar a Copa, mas ainda assim a poderosa Alemanha sofreu para dobrar a Argentina. O golaço de Mario Gotze só veio aos 9 minutos do tempo final da prorrogação, premiando a melhor seleção do torneio e desfazendo o risco de uma festa entregue ao time apenas esforçado. Apesar da credencial de favorita, a Alemanha chegou ao título encarando um jogo duríssimo, que pôs à prova a força ofensiva e de conjunto do time de Joachin Loew.
Os 120 minutos de bola rolando tiveram amplo domínio germânico. No primeiro tempo da partida normal, Ozil e Kroos se revezavam nas investidas pelo meio, tentando abrir espaço na sólida marcação argentina. Lahm, funcionando como ponta esquerda, era o mais agudo dos alemães, mas as jogadas pecavam pela falta de objetividade, com erros seguidos no último arremate.
O excesso de troca de passes facilitava a chegada do bloqueio argentino, sempre liderado por Mascherano. Quando a situação permitia, Messi saía driblando em fila e sempre encontrava espaço para acionar Lavezzi e Higuaín. Aos 22 minutos, quase Higuaín chegou ao gol, depois de um cabeceio errado de Boateng. Aos 29 minutos, cruzamento de Lavezzi foi escorado por Higuaín em completo impedimento.
Com a Alemanha controlando o jogo no meio-de-campo, sem saber muito o que fazer com a bola, a Argentina aceitava excessivamente a pressão, apostando em roubadas de bola para encaixar o contra-ataque. Um cabeceio de Klose contra o poste de Romero foi a melhor situação criada pela Alemanha no ataque. Loew viu-se obrigado a substituir Kramer ainda no primeiro tempo. O centroavante Shuerrle o substituiu.
Na etapa final do jogo, Aguero substituiu Lavezzi e deu mais consistência ao miolo de ataque, fazendo Messi recuar para tentar recuperar a bola na intermediária. A pressão inicial surpreendeu a zaga alemã pela primeira vez na partida, mas não a ponto de dar grande vantagem aos argentinos por ali.
Aos poucos, a Argentina voltou à estratégia de esperar em seu campo, preocupada em não dar espaço para Kroos, Ozil e Muller. Às vezes, até Messi aparecia atrás da linha de meio-de-campo. Aos 31 minutos, Higuaín saiu para a entrada de Palácio, dando mais velocidade ao ataque argentino. Na Alemanha, Klose saiu aos 41 para a entrada de Gotze.
Quando a prorrogação começou, a Alemanha se manteve na ofensiva, buscando o gol o tempo todo, mas repetindo os mesmos erros na definição das jogadas. Aos 6 minutos, em bola que Boateng não cortou, Palácio encobriu Neuer e perdeu grande chance para a Argentina. A bola saiu à direita do gol.
Aos 6 minutos da prorrogação, Palacio desperdiça grande chance, encobrindo Neuer. Bola saiu à direita
A Alemanha não desistia, utilizando Lahm como ponta avançado, mas os cruzamentos para Muller, Gotze e Schuerrle não resultavam em oportunidades claras.
Quando a Argentina começou a acusar cansaço, errando passes seguidos, a Alemanha apertou a marcação no meio e avançou Kroos e Ozil para tentar o gol que evitaria as penalidades. E ele acabou se desenhando aos 9 minutos do tempo final da prorrogação. Lançado na área, Gotze girou e bateu cruzado, sem defesa para Romero. A Copa estava finalmente decidida. Messi ainda teve uma falta para cobrar a dois minutos do fim, mas a bola saiu por cima.
Gol nasceu da insistência ofensiva alemã
O matreiro Alejandro Sabella, ao contrário de Felipão, entendeu que não era possível partir para cima da Alemanha e decidiu ficar na encolha. Povoou seu meio-de-campo com Mascherano, Perez e Biglia concentrados exclusivamente em marcar, tendo ainda a colaboração de Lavezzi, Higuaín e Messi, que voltavam o tempo todo para bloquear a troca de passes entre Schweinsteiger, Kroos, Ozil, Mueller e Lahm. O expediente funcionou durante mais de 110 minutos, o que é uma façanha para um time que vinha de uma prorrogação contra a Holanda.
Depois de optar por esperar os alemães, Sabella tentou uma pequena ousadia ao colocar Aguero e Palacio em campo. Com a dupla, Messi ganhou parceiros rápidos para tentar infiltrações na zaga formada por Boateng e Hummels. No começo da prorrogação, quase Palácio abriu o placar ao encobrir Neuer na linha da pequena área. Errou o chute e a bola saiu pela linha de fundo.
Quis o destino, porém, que um lance pouco tentado pelos alemães ao longo da partida acabasse resultando no gol da vitória. O lançamento de Schuerrle para Gotze pegou os beques Garay e Demichelis num raro instante de desatenção. Livre na área, Gotze matou no peito e acertou o canto esquerdo de Romero.
Nenhum sistema de forte marcação é invencível. Joachin Loew provou que um time técnico e entrosado tem que insistir até o fim. Quase sempre dá certo.
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Prêmio de consolação para Messi
Lionel Messi não jogou mais que Kroos, Lahm ou Schweinsteiger, mas acabou levando para casa a Bola de Ouro. Soou como um consolo à Argentina. Artilheiro da equipe com quatro gols, decisivo em vários momentos, mas com rendimento muito abaixo do que dele se esperava, Messi teve presença ativa na final como condutor de sua seleção, embora brilhando pouco.
Para um craque de seu nível, ficou devendo. A Fifa, pelo visto, não observou esse detalhe. Além dos já citados, outros grandes jogadores fizeram muito mais ao longo do mundial. Robben, James Rodriguez e Thomas Muller mereciam mais.
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Festa final sem a alegria brasileira
A Copa das Copas ficará marcada por seu menosprezo pelo melhor da música brasileira. A cerimônia de encerramento, realizada minutos antes da partida final, ficou no mesmo nível da chocha festa de abertura, que exagerou nos clichês sobre o Brasil. Desta vez, deram destaque às baianas das escolas de samba do Rio, mas esqueceram de chamar grandes cantores do gênero, como Neguinho da Beija-Flor ou Zeca Pagodinho. A opção por Alexandre Pires para puxar o samba foi uma das escolhas mais esquisitas do show. Shakira e Ivete Sangalo fizeram o de sempre, gritando muito, sem que o público prestasse muita atenção à mistureba de estilos. Não deu nem para perceber direito o que Carlos Santana, ex-roqueiro em atividade, fazia ali naquela fuzarca.
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Insultos expõem deseducação e intolerância
As vaias e os insultos à presidenta Dilma, que voltaram a ser ouvidos ontem no Maracanã, espelham bem mais do que simples falta de educação. Como no Itaquerão, na abertura da Copa, os xingamentos grosseiros a uma mulher eleita democraticamente revelam uma intolerância política que não é própria do conjunto da população brasileira. Daí a certeza de que o coro é puxado e alimentado por uma parcela que jamais se conformou com as derrotas nas urnas.
A hostilidade gratuita a Dilma na cerimônia de encerramento, exposta pela transmissão de TV para todo o mundo, é ainda mais constrangedora diante do êxito incontestável da Copa do Mundo organizada pelo Brasil. E olha que o torneio foi cercado dos piores presságios e apostas, estimulados por segmentos que se fizeram representar na hora de agredir verbalmente a presidenta.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 14)