“Bild” dá 7 motivos para Brasil perder a Copa

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A atuação ruim do futebol brasileiro contra o Chile gerou repercussão ruim em parte da imprensa internacional. Entre os que agora olham com desconfiança para a seleção nacional está o diário alemão Bild, um dos maiores do país. Alternando análise com doses de humor e patriotada, o jornal publicou neste domingo em sua edição digital, uma lista com sete motivos pelos quais o Brasil não será campeão neste Mundial.

Confira a lista do Bild:

1 – Uma equipe não pode ser formada apenas com Neymar
2 – Alemanha será campeã do mundo e eliminará o Brasil nas semifinais, caso o país sede chegue tão longe
3 – Eles não vão dar sorte nos pênaltis duas vezes
4 – Hulk joga como um personagem de desenho animado.
5 – Nunca uma equipe foi campeã do mundo precisando de decisão por pênaltis para avançar às quartas de final
6 – James Rodriguez e a Colômbia vêm ai, nas quartas de final
7- Alemanha será campeã mundial, como anteciparam os Simpsons (essa última razão faz referência a um episódio do famoso desenho americano em que a Alemanha conquista o Mundial).

Hulk e Rodriguez: reencontro de R$ 300 milhões

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A decisão de quartas de final entre Brasil e Colômbia vai ser um dia de reencontro na Arena Castelão, em Fortaleza (CE), na próxima sexta-feira. O melhor jogador da primeira fase, eleito pela Fifa, James Rodriguez, vai rever seu velho companheiro de títulos no Porto, o Hulk. Agora, no entanto, os papéis estão invertidos: se o camisa 10 dos cafeteros era coadjuvante do estrelato do brasileiro naquele momento, a história até agora está mostrando que os tempos mudaram.

Faltando ainda duas semanas para o fim do Mundial, o jovem colombiano é um dos favoritos ao título de revelação desta edição. Com apenas 22 anos, em sua primeira Copa do Mundo, o atleta do Monaco já marcou cinco gols, entre eles o mais bonito de todos até agora, contra o Uruguai, nas oitavas de final, quando matou a bola no peito e chutou sem deixar cair no chão, de fora da área, o primeiro da vitória por 2 a 0, garantindo a vaga para as quartas.

O atacante escolhido por Luiz Felipe Scolari, por outro lado, não teve o mesmo brilho. Contestado em muitas convocações, Hulk ainda vive um processo de convencimento com a torcida brasileira. Na partida contra o Chile, por exemplo, ele foi um dos participantes do lance de erro que acabou no gol de Alexis Sánchez, empatando em 1 a 1. Apesar da falha, tentou se redimir, foi um dos poucos que jogou bem, teve um gol anulado, mas não conseguiu evitar que a seleção enfrentasse a prorrogação e mais tarde os pênaltis.

No clube português, juntos conquistaram uma (mini) tríplice coroa, com uma Liga Europa, um Campeonato Português e uma Taça de Portugal, fazendo o time voltar a brilhar e ganhar destaque internacional, em uma das melhores campanhas registradas. A formação, antes da saída de Hulk para o Zenit (RUS), lhes deu até mesmo o status de dupla no elenco.

Com James jogando pelos lados e às vezes como meia-atacante e o outro do mesmo jeito que se posiciona no time brasileiro, eles cresceram na carreira e dispertaram a atenção de outras equipes pelas boas temporadas que fizeram. Mais do que títulos, os dois renderam muito dinheiro ao Porto: as transferências somaram mais de 100 milhões de euros para a administração portense – James foi vendido ao Monaco por 45 milhões e Hulk por 60 milhões de euros ao time russo.

Brasil e Colômbia se enfrentam pelas quartas de final do Mundial, nesta sexta-feira, em Fortaleza, na Arena Castelão. Sob os olhares de milhões de torcedores do mundo inteiro, eles poderão mostrar qual papel terão na decisão mais importante da Copa até agora, em busca de uma vaga na semifinal da competição. (Da ESPN) 

Nem tão idiota de vaiar o hino do Chile e nem tão obtuso para elogiar o juiz

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Por Renato Rovai (Portal Fórum)

Um pouco de ufanismo não faz mal a ninguém. Gostar do seu país e cantá-lo em verso e prosa não é um problema em si. O que pode resultar disso, como a xenofobia, é outra coisa. Ou mesmo aquela visão do ame-o ou deixe-o que imperou por aqui na ditadura e que sempre tenta ser resgatada por governos democráticos.
Mas isso não significa que não se possa ser um tanto ufanista. Eu, por exemplo, sou daqueles que baba pela canto de onde vim. Sou santista de quatro costados. De time, de cidade, de região (a gloriosa baixada santista). Sou também um pouco um brasileiro babão. Gosto de cada canto dessa terra. Amo-a do Sul ao extremo Norte. Adoro viajar pelos seus interiores, sou apaixonado pelo seu litoral e encatado pelas suas montanhas. Por mais babaca que isso possa parecer, sou daqueles que acha o Brasil um dos países mais lindos do mundo. Ao menos do mundo que conheço e do que já rodei. Também sou fã do povo brasileiro. Ele é generoso, simpático, guerreiro. Poucos povos do mundo foram tão injustiçados e mal tratados pelas elites do seu país como o povo brasileiro.
Quanto à elite daqui, ela é o uma das coisas piores que temos. É uma das elites mais estúpidas do ponto de visita cultural e político. E uma das mais tacanhas do ponto de vista econômico. Nossa elite não gosta de museu e nem de história. Quando viaja fica correndo atrás de shoppings centers. Se diverte comprando tranqueiras em Miami. Por isso adora destruir o que temos de melhor, tanto do ponto de vista arquitetônico, quanto do ponto de vista cultural e ambiental.
622_2049b02c-7577-35f1-9cbf-644a8471d9deMas isso não me impede de amar meu país. E de me ufanar dele na medida que não me torne um idiota, um nacionalista babaca.
Por isso me envergonhei ontem com os brazucas idiotas que vaiaram o hino do Chile. Aliás, que torcida mais sem vida aquela. Não cantava, não gritava, não sofria. Era um misto de torcida ensaiada pela Globo e movida à Fifa. Era mais de maiameiros do que mineiros. Não tem nada a ver com aquele povo que levou recentemente o Galo a vencer a Libertadores e nem com o que empurrou a do Cruzeiro para o título brasileiro. Era um bando de coxinhas sem força, sem raça, sem vida. E por isso o que eles tinham a oferecer era uma vaia ao hino do Chile.
Agora, não vai ser essa torcida e nem os problemas que temos no país (e que não são poucos), que vão me fazer não gostar de futebol. Que me vão me fazer torcer contra a minha seleção. Contra o time do meu país. Não vai ser isso que me vai me fazer ignorar o talento de Neymar e que vai me fazer dizer que não foi pênalti no Hulk e que o gol dele não foi legal. Não vai ser isso que vai me fazer dizer que o Brasil não foi absurdamente roubado no jogo de ontem. E que além de não dar um pênalti e anular um gol legal, o juiz amarrou o jogo o tempo todo, invertendo faltas e favorecendo o Chile em diversos momentos
É verdade que o Brasil só não saiu da Copa por conta da trave, que talvez seja a única coisa que nos favoreceu no jogo de ontem. Ela era, sim, brasileira. Uma trave talvez feita de pau brasil, como disse o Xico Sá. Mas o Brasil podia ter deixado a Copa por conta do árbitro. E muita gente ia achar legal. Gente que está misturando eleição com futebol, que é uma das coisas mais imbecis que tanto esquerda quanto direita já fizeram e continuam a fazer. O Brasil pode perder a Copa e a Dilma ganhar no primeiro turno. Pode ser campeão e o Aécio se eleger. Não me surpreenderia com nenhum desses resultados. Por que eles são do jogo. E porque uma coisa não vai influenciar a outra.
É por isso que vou continuar gritando Brasil em todos os próximos jogos. É por isso que vou invocar todos os santos se houver uma nova disputa de pênalti. É por isso que vou xingar o juiz quando achar que ele errou. É por isso que vou defender o Neymar, como sempre fiz quando ele jogava no Santos. Eu sou torcedor, brasileiro, jornalista e de esquerda. E eu também amo o meu país. E sua seleção.
O fato é que em nome da Copa, muita sacanagem tem sido feita por aqui, principalmente do ponto de vista policial. Mas muita coisa boa tem acontecido também. O Brasil está voltando a se achar melhor do que se achava antes do Mundial começar. E isso é bom. Porque se somos um país com grandes e terríveis problemas, não somos o que tentaram nos transformar nos últimos meses. O Brasil é muito melhor do que a sua elite. E é muito melhor do que a sua mídia e do que ela tenta transformá-lo. E talvez perceber isso seja um dos grandes legados desta Copa. E não só para nós brasileiros. Para muitos que gostam de amar sua terra e sua gente, mas que não se furtam a lutar para melhorá-la.

Para imprensa estrangeira, Copa 2014 já é a melhor

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Os jornalistas estrangeiros estão gostando da Copa do Mundo do Brasil. Um pesquisa feita pelo UOL Esporte com 117 profissionais constatou com o Mundial deste ano é o melhor já visto pela maioria deles.

O levantamento ouviu jornalistas na primeira fase e concluiu que 38,5% dos entrevistados consideram o Mundial brasileiro como o melhor já visto. A Copa do Mundo de 2006, que foi realizada na Alemanha, aparece na segunda posição da pesquisa, com 19,7% das respostas. Vale destacar que 16,2% dos jornalistas disseram estar cobrindo sua primeira competição.

O torneio organizado na África do Sul, em 2010, fica em terceiro lugar na lista, com 5,1%. Já o palco do tetracampeonato brasileiro em 1994, nos EUA, foi o quarto melhor mundial na opinião dos profissionais. Aparecem na sequência Itália-1990 (3,4%), França-1998 (3,4%), Japão e Coreia-2002 (3,4%), México-1986 (1,7%), México-1970 (1,7%) e Alemanha-1974 (0,9%). Entre os entrevistados, 1,7% não respondeu a pesquisa.

Qual a melhor Copa já vista pelos jornalistas estrangeiros
  • 1º – Brasil 2014: 38,5% 
  • 2º – Alemanha 2006: 19,7% 
  • 3º – África do Sul 2010: 5,1% 
  • 4º – Estados Unidos 1994: 4,3%
  • 5º – Itália 1990: 3,4% 
  • 5º – França 1998: 3,4% 
  • 5º – Japão/Coreia 2002: 3,4% 
  • 8º – México 1986: 1,7% 
  • 8º – México 1970: 1,7% 
  • 10º – Alemanha 1974: 0,9% 

Veja quem votou:

Inglaterra 

Martin Fischer – HBS; Jeff Powell – “Daily Mail”; Peter Staunton – Goal.com; Ben Hayward – Goal.com; Gideon Long – Reuters; Johnatan Mark Lewis – Freelancer – Perform Group

Estados Unidos

Andrew Das – New York Times; Luis Sanches – jornal “El Nuevo Herald”; Richard Adams – Sports Ilustrated (EUA); Frank Chavez, Revista Centro Deportivo, da Califórnia; Eduard Caiuch – Hoy

Argentina

Emilio Jozami – El Liberal; Carlos Luna – Canal 7; Jeremias Prevosti – La Nacion; Juan Pablo Ferrari – Jornal Hoy; Daniel Ruiz – Repórter freelancer; Sergio Lewinski – Vanguarda

França

Julien Richard – Radio RMC Sport; Johan Maurice – Agência France Presse TV; Thomas Goubin – Sofoot; Lionel Dangoumau – L’Equipe

Alemanha

Christian Ralf Hermentin – Infronts Sport & Media; Holger Schelenz – rádio Baden-Wurttemberg; Raphael Honigstein -Suddeustch Zeitung; Ulrike Weinrich – SID; Maximiliam Haupt – Agência Deutsche Presse; Fabian Henning – ARD/ZDF; Erik Roos – Sport Information Dienst; Elmar Dreher – German Press Agency (DPA); Christian Ralf Hermentin – Infronts Sport & Media

Suécia

Markus Johannesson – SVT

México

Javier Rojas – Televisa; Marco Antonio Menendez -TV Azteca; Miguel Pardo – Televisa; Enrique Beas – MVS Television; Carlos Herrera – El Economist; Maria Pilar Suárez – Goal.com

China

Lui Ning – Xinhua – Agência de Notícias; Yan Zhao – Xinhua – Agência de Notícias; Xinlu Huang – CCTV

Itália

Jonne Roriz – Foto Arena; Enrico Sisti – La Republica; Gabrielle Marcotti – Corriere Della Sera

Chile

Matías Parker – Jornal La Tercera; Diego Saez – Radio ADN; Victor Cruces – Rádio ADN; Patricio La Barra – Radio Cooperativa

Espanha

Daniel Garcia -Deustche Press; Juan Jose Huerta Conde-Salazar – Agência EFE; German Aranda – diário “El Mundo” e AFP; Juan Bautista Martinez – Jornal La Vanguardia; Alice Lopez -Produtora da SNTV; Pablo San Roman – France Presse

Uruguai

Emilio Villar – Fotógrafo EFE; Juan Gari – El País; Francisco Escordo – Fotógrafo

Grécia

Vassiliki Papahonopoulou – Efimerida ton syntaktan

Costa Rica

Sandoval Pacheco – Rádio Columbia; Cristian Sandoval – Rádio Monumental; Josué Quesada – Rádio Columbia

Guatemala

Carlos Enrique Sagui – Rádio Red Deportiva Guatemala

Costa do Marfim

Oulivier Moussa – National Television

Japão

Hiroshi Hayano – NHK; Daisuke Kono – Diretor da Tokyo TV; Mitsuru Honda – Produtor da TV Asahi; Takashi Yanagisawa – Repórter da Nippon TV; Brasilina Jukio – Coordenadora da TBS TV; Shichino Yoshiaki – Kyodo News

India

Talan Namaskar – jornalista-documentarista independente; Shubfra Mukherjee – Gassashakti; Saumyajit Basu – The Times

Argélia

Temam Kamel – Rádio Algeria; Abdelghani Laieb – Radio Algeria; Mohamed Belarbi – Jornal El Liberté

Nigéria

Coli Udoh – Supersport International TV; Biakpo Timi Edkagboro – Agência Osmi

Escócia

Kieran Canning – France Presse; Matthews Lewis – Getty Images; Andrew Donne – Reuters

Peru

Moises Avila – AFP; Juan Palacios – Peru ATV

Colômbia

Enrique Delgado -Terra (Colômbia); José Luís Alarcón, RCN Radio (Colômbia); Juan Pablo Barrientos Hoyos, Apresentador da RCN Radio (Colômbia); Liliana Salazar, Apresentadora da Win Sports (Colômbia); Cesar Polonia – El País; Juan Pablo Coronado – Win Sports (Colômbia); David Sanches – Cinegrafista – Directv/Colômbia; Sara Castro – Radio Caracol

Polônia

Pavel Wilkowicz, polonês – Gazeta Wyborcza; Pawel Kapusta, revista polonesa “Pilka Nozna”

Croácia

Kromac Prnic – TV Kapital Network

Bósnia

Ahmed Radzic – Jornalista independente

Portugal

Manuel Rodrigues – Freelancer; Gustavo Bom – O Jogo

El Salvador

Carlos Lopez Vides – El Diário de Hoy

Suíça

Laurent Ducret – Sportinfrmation

Honduras

Julio Nuñez – Rádio HRN; Jose Luis Barralaga – Diario La pPrensa

Qatar

Ismael Sanchez Cruz – Bein sports; Bassel Tabbal – Bein Sports

Irã

Kaveh Meskat– BBC

Camarões

Simon Lyonga – Cameroon Radio Television

Coreia do Sul

Kim Hyunchul – SBS/MBC; Kim Chong – Ulsam TV

Gana

Michael Oti Adje – All Sports

Egito

Ahmed Zahran – Deursche Presse-Agentur

Holanda

Edwin Cornelissen – Rádio NOS

Turquia

Erdogan Arikan – EBU/TRT

Senegal

Babacar Dit Khalifan Ndiaye – Le Soleil

Bangladesh

Ehson Mohammed – Ekattor TV

Vietnã

Viet Minha Nguyen – Jornal Bond Da

Áustria

Tobias Wimpissinger – Sport Magazin

Indonesia

Latif Syahlevi, Digital Media Asia

Panamá

Juan Eduardo Zamorano – AP

Duas potências em apuros nas oitavas

Por Gerson Nogueira
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O que ocorreu na rodada de ontem com França e Alemanha deve servir de balizamento e exemplo para as demais seleções que buscam chegar à final desta Copa das Copas. Determinadas e guerreiras, as equipes de Nigéria e Argélia criaram enormes dificuldades para as duas potencias europeias. Suaram para passar às quartas de final. A Nigéria esteve a um passo de sair na frente, mas foi traída pela afobação e um certo desleixo nas jogadas ofensivas. No meio-de-campo, porém, a decantada equipe de Didier Deschamps foi envolvida com espantosa facilidade e seu homem de referência, Benzema, não teve vida tranquila em campo.
Como é comum nos times africanos, as preocupações defensivas são deixadas em segundo plano, o que ocasiona vacilos monumentais em situações de extrema importância. Foi o que ocorreu ontem, mais uma vez.
Quando era mais aguda nas saídas e pontadas pelos lados do campo com Musa e Emenike, em jogo sempre muito bem organizado pelo craque Obi Mikel, a Nigéria descuidou da proteção à zaga, permitindo pela primeira vez na partida que Pogba e seus companheiros de ataque criassem duas boas chances, incluindo um chute na trave e uma bola arrematada por Benzema que quase ultrapassou a linha fatal.
Veio, então, um erro individual por parte do excelente goleiro Enyeama. Saiu em falso para cortar um escanteio, tocou na bola com mãos de alface e a jogada se ofereceu limpa para a conclusão de Pogba, que se posicionava no segundo pau.
Com a necessidade de empatar o jogo, correndo contra o relógio, a Nigéria abriu mão de todas as cautelas. Ameaçou seguidamente o gol francês, mas abriu a guarda e permitiu contra-ataques seguidos. No final, em cruzamento do ágil Valbuena, o zagueiro Yobo desviou involuntariamente para as redes.
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Foi um dos mais movimentados embates das oitavas de final até aqui, e muito da qualidade do confronto deveu-se ao desembaraço e técnica dos africanos. Por diversas vezes, Mikel e demais jogadores da Nigéria fintavam os franceses com uma facilidade que lembrava o Brasil de outros tempos. Bateu uma certa inveja.
No fim das contas, porém, a França confirmou o favoritismo em lances de objetividade. Como saldo da jornada, ficou a sensação de que o time treinado por Stephen Keshi podia ter tido melhor sorte.
No outro confronto do dia, a Argélia quase conseguiu repetir a façanha de 1982. Marcou a Alemanha com competência e destemor. Não permitiu que o rápido meio-campo germânico prevalecesse ao longo dos 90 minutos. Foi poucas vezes ao ataque, mas meteu medo sempre que chegou.
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Alemanha, um gigante pressionado
O placar final de 2 a 1 revela o nível de dificuldade que a Alemanha enfrentou para dobrar a modesta Argélia. A tricampeã mundial precisou de 120 minutos para dobrar um time emergente, sem maior tradição em mundiais. Tocados pelo exemplo de 1982, quando derrotou a seleção germânica na primeira fase do Mundial da Espanha, os argelinos cumpriram à risca um planejamento de jogo que priorizava a marcação em campo inimigo. Poucas vezes se viu a Alemanha tão bem policiada nesta Copa, o que visivelmente tirou do eixo o forte setor de meia-cancha formado por Khedira, Kroos, Ozil e Lahm. Quem esperava ver em Porto Alegre a agressividade do artilheiro Thomas Muller e os dribles do jovem Mario Gotze teve o privilégio de conhecer Ghoulam, Djabou e Feghouli.
Determinação, bravura e disciplina tática. Assim pode ser resumido o comportamento da Argélia. O esforço quase deu certo. Atenta a todos os passos dos alemães, a equipe argelina exibiu concentração absoluta, beirando a perfeição no combate direto aos alemães. Isso foi feito ao longo de 105 minutos, uma proeza admirável.
No segundo tempo da prorrogação, a casa caiu, por desatenção e cansaço. Num contra-ataque bem articulado, Muller tocou para Schürrle (que havia substituído a Gotze), que finalizou para o gol meio desajeitadamente. Depois, com a Argélia lutando para empatar, um segundo contragolpe liquidou as esperanças dos emergentes. Mas, num gesto final de valentia, veio o gol de honra. E poucas vezes um gol foi tão honroso como o de Djabou, aos 15 minutos da etapa final do período de prorrogação.
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A seleção que mais se deixa marcar
Dos times que chegaram às oitavas o Brasil é o mais frágil na marcação – sofreu 109 desarmes nos quatro jogos que realizou. A Copa tem demonstrado que saber marcar os adversários é um dos caminhos seguros para a vitória. Tentando fugir a esse cenário, Felipão tem se empenhado nesta semana em resolver o crônico problema, mas tem um desafio de grandes proporções. Luiz Gustavo, o melhor marcador do time, está fora do próximo jogo.
Felipão terá então que solucionar a deficiência maior de sua estrutura defensiva com novas peças. Hernanes, Paulinho, Fernandinho, Ramires e Henrique são as opções para a proteção à zaga contra a Colômbia. Como fez em 2002 com Edmilson, zagueiro que virou volante, o técnico tende a aproveitar o ex-palmeirense Henrique na escalação, tendo provavelmente Paulinho como parceiro.
Uma outra dificuldade a ser transposta é a solidão de Oscar, relegado a escolta de Daniel Alves no difícil jogo contra o Chile. Meia-armador oficial da Seleção, Oscar tem sido muito afastado do corredor obrigatório dos jogadores de criação. Afastado da intermediária, é visto frequentemente nas laterais, auxiliando na marcação. É o chamado subaproveitamento de um jogador de talento.
Como Oscar não se movimenta por onde deveria, Neymar acaba vitimado no que poderia ser um dos pontos fortes do escrete. Sem que os mais habilidosos do time se aproximem, o time inteiro tende à dispersão. Contra uma Colômbia armada em cima de velocidade e passes curtos, buscar corrigir essas fragilidades do Brasil é o primeiro dos deveres de casa de Felipão. E ele corre contra o tempo.
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Cobertura internacional 
reconhece êxito brasileiro
Os jornais estrangeiros mais respeitados – casos de El País, London Times, The New York Times etc. – já admitem o que no Brasil alguns ainda relutam em aceitar. A Copa é um sucesso absoluto, tanto no aspecto técnico (média de gols, índice de bola rolando etc.) como no de organização. Sim, o que foi apregoado como um desastre inevitável acabou se transformando em um evento de alto padrão, com falhas pontuais e avaliação geral mais do que satisfatória.
Os jornalistas que vieram ao Brasil cobrir o Mundial não escondem nas conversas uma certa surpresa com o que testemunham aqui. Assustados inicialmente pelo noticiário interno desfavorável à Copa, que previa inclusive apagões aéreos e caos nas grandes cidades, eles revelam extrema simpatia pela maneira como têm sido recebidos em todas as cidades-sede.
Nesses momentos, soa ainda mais patético o discurso agressivamente anti-Copa que foi usado ao longo de 2013 e nos primeiros meses deste ano. Somente interesses não declarados justificam a campanha rasteira desfechada para sabotar um evento de interesse de todos os brasileiros. Mesmo com a cruzada contrária, o país está se saindo muito bem. Não é fácil derrotar o Brasil em Copa do Mundo, dentro ou fora de campo.
As torcidas estrangeiras são outra fonte preciosa de avaliação. Todas reconhecem a hospitalidade, gentileza e alegria dos anfitriões. Ressaltam a beleza natural das praias, dos pontos turísticos e a exuberante culinária nacional. Muitos estão atestando que este é o país do futebol e muitas coisas mais.
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Argentina de Messi encara primeiro mata-mata
Com uma legião de fãs ensandecidos em deslocamento pelo Brasil, a Argentina enfrenta um adversário relativamente fraco, a Suíça, que teve opaca passagem pela primeira fase. Ainda hesitante entre o antigo estilo fortemente retranqueiro e uma inovadora opção pelo ataque, a seleção suíça não conseguiu impressionar ninguém até agora.
Os argentinos também impressionaram discretamente, muito mais pelo talento pessoal de Lionel Messi, autor de gols decisivos nos primeiros três jogos. Sem entrosamento que convença, é através dele que os hermanos pretendem avançar até a final. Com um condutor tão qualificado, é bom não duvidar dessas pretensões, mesmo numa Copa marcada por surpresas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 01)