O triunfo da competência

 

Por Gerson Nogueira

A vitória acachapante por 4 a 0 na votação da Comissão Disciplinar permite ao Papão acreditar que não haverá reforma de decisão pelo Pleno do STJD. Portanto, comemorar o título da Copa Verde (e a vaga à Sul-Americana 2015) não constitui euforia exagerada por parte dos torcedores, mas respeito à própria tradição do tribunal. Pelo histórico, uma votação unânime raramente é revertida no julgamento de mérito.

De novo, em destaque máximo, o trabalho competente do departamento jurídico do clube, que tem à frente o advogado Alberto Maia. Foi dele a luta (que resultou triunfante) pelos pontos contra o Naviraiense, na Copa do Brasil 2013. A atenção a detalhes, com vigilância aos limites impostos pela legislação esportiva, mostra-se outra vez decisiva numa competição importante.

Os documentos arrolados pelo Papão, confirmando a irregularidade cometida pelo Brasília ao escalar quatro atletas não registrados no BID, juntaram-se à argumentação de Maia no julgamento de anteontem, formando um conjunto considerado irretocável pelos presentes à sessão do STJD.

O Brasília, que desdenhou inicialmente das reclamações do Papão na seara jurídica, chegando a zombar dos dirigentes paraenses, exibe agora um tom mais contido até mesmo na pretensão de recorrer da decisão inicial que lhe retirou o título da Copa Verde.

As críticas de seus dirigentes já se concentram no suposto erro cometido pela CBF, que alegou uma falha em seu sistema de informática para não ter incluído os atletas no BID antes da decisão do torneio.

A questão é que o tribunal avalia que, segundo o regulamento da competição, há a obrigatoriedade de registro no BID dos atletas que participam de jogos oficiais. Sem isso, todas as demais competições ficariam sob o risco de questionamentos jurídicos.

O fato é que, para recuperar no tribunal a taça que lhe fugiu por detalhes (erros na cobrança de penalidades) em campo, o Papão se cercou das garantias e provas, colhendo agora os frutos do trabalho meticuloso. Se alguém errou nessa história foi o Brasília ou a própria CBF, useira e vezeira em patrocinar deslizes que terminam por tumultuar campeonatos e colocar em descrédito o próprio futebol.

No domingo mesmo, um erro da entidade quase determinou punição ao Botafogo, cujos jogadores Emerson e Edilson não tinham seus nomes inscritos no BID, apesar de aptos a jogar.

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Um clube entregue ao desmando

Gestões desastrosas (e criminosas) fazem do Botafogo hoje um dos clubes mais endividados do Brasil. Deve cerca de R$ 700 milhões, sendo que a metade é referente a débitos fiscais. Há quem deva até mais (Flamengo e Atlético-MG), mas vou me ater ao clube da Estrela Solitária. Sob a destrambelhada administração do dentista Maurício Assunção, o Alvinegro acrescentou ainda mais perdas financeiras e pendências com a Justiça.

Como sonegou R$ 95 milhões nos últimos quatro anos, o Botafogo perdeu crédito na praça e teve sua receita bloqueada. Na reunião dos dirigentes de clubes com a presidente Dilma, no Palácio do Planalto, Assunção teve a pachorra de dizer que o Botafogo podia sair do Campeonato Brasileiro. Um gesto teatral para tentar conseguir anistia ou parcelamento das muitas dívidas.

Domingo, antes do clássico com o Flamengo no Maracanã, o desfecho constrangedor: os jogadores entraram em campo com uma faixa de protesto por salários e gratificações em atraso, desnudando ao mundo a incompetência da cartolagem botafoguense e derrubando a farsa do falso moderno Assunção.

O mais triste dessa situação é que o Botafogo, ao contrário do Galo, por exemplo, acumulou toda essa montanha de dívidas sem ostentar uma contrapartida de títulos e conquistas que ao menos justificasse o prejuízo.

Nos últimos anos, só conseguiu triunfar no esvaziado Campeonato Carioca. Significa que, seguramente, boa parte dessa dinheirama foi irrigar os bolsos de muita gente graúda no clube. Como, aliás, ocorre normalmente em dezenas de clubes brazucas.

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O futebol não é para amadores

Dona Fifa ainda não anunciou oficialmente, mas já se informa que faturou cerca de R$ 10 bilhões com a Copa das Copas, cerca de R$ 6,5 bilhões a mais que na África do Sul há quatro anos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)

Torcida do Bota quer impeachment de Assunção

Mauricio_Asump_o_Agencia_EstadoA relação do presidente do Botafogo, Maurício Assunção, com a torcida do clube, é a cada dia mais complicada e parece caminhar para um final de mandato que não deixará saudade nos torcedores alvinegros. Após ver a sede do clube invadida por torcedores revoltados com a difícil situação financeira que o Botafogo atravessa, os torcedores botafoguenses criaram mais uma forma de protestar contra o mandatário alvinegro. Circula na internet uma petição onde torcedores pedem o impeachment de Maurício Assunção, em prol da entrada de uma diretoria mais “profissional e transparente”, segundo diz a descrição da petição pública.

A petição pode ser encontrada no link: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR73442 e em poucas horas no ar, já conta com mais de 300 assinaturas de torcedores alvinegros.

Cresce o número de pastores candidatos

10jun2014---o-pastor-everaldo-pereira-candidato-do-psc-a-presidencia-da-republica-antes-de-fazer-seu-discurso-na-camara-dos-deputados-em-brasilia-1403914384246_300x300As eleições deste ano contarão com 270 candidatos que se declararam pastores, um crescimento de 40% com relação ao pleito de 2010 –quando 193 pessoas disseram ocupar o cargo. Além disso, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou a candidatura de 32 bispos (25% a menos do que em 2010) e 16 padres (30% a menos).

O PSC lidera a indicação de sacerdotes: são 37 clérigos evangélicos – um deles é o pastor Everaldo, que disputa a presidência da República pelo partido. Nas últimas pesquisas Datafolha e Ibope, ele estava em quarto lugar com 3% das intenções de voto. Os partidos de esquerda lideram as indicações de párocos católicos: o PT conta com cinco padres, e o PC do B, com três. Nenhum candidato adotou o termo rabino ou imã.

A população evangélica do país cresceu 61,5% em dez anos e atingiu a marca de 42,3 milhões de fiéis, cerca de 22,2% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2012. O voto evangélico é cortejado tanto pelo partido da presidente Dilma Rousseff (PT), quanto por seu principal adversário na disputa, o tucano Aécio Neves. Atualmente a bancada evangélica na Câmara Federal tem 66 parlamentares.

Nesta semana quinta-feira (31), a presidente deve participar da inauguração do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus. O local tem 74 mil metros quadrados de área construída (3,2 vezes maior a Basílica de Aparecida), o equivalente a 18 andares de altura e capacidade para 10 mil pessoas.

Durante as eleições presidenciais de 2010 a questão do aborto entrou na pauta dos candidatos. José Serra (então candidato do PSDB à Presidência) e seu vice, Índio da Costa (DEM), insinuaram que Dilma seria defensora da prática.

Propaganda no templo

No último dia 18, o pastor Everaldo participou de um culto evangélico em Brasília e intercalou orações e promessas para o futuro do país. A lei eleitoral proíbe a realização de campanha dentro de templos religiosos.

Se configurado o descumprimento da regra, o candidato pode ser multado por propaganda irregular. Os valores vão de R$ 2.000 a R$ 8.000. O candidato negou que tenha feito campanha. (Com Estadão Conteúdo) 

Ofício de pai pelos caminhos do homem

Por Waldemar Marinho

Diz o Código Civil: aos dezoito anos o indivíduo é declarado maior de idade, responsável, portanto, civil e criminalmente por todos os seus atos (a não ser que ele seja comprovadamente incapaz). O Regulamento do Imposto de Renda: o indivíduo só poderá ser considerado DEPENDENTE para efeito de declaração do imposto de renda até os 24 anos, se estiver cursando faculdade, fora dessa situação ele sai da dependência aos 18 anos (salvo os incapazes, novamente).

Diz o Coração: Filho é para sempre. Ajude quando ele estiver precisando. Diz a Razão: Ajude, mas tenha critério, não vá fabricar um parasita porque no dia que você se for ele é quem mais vai sofrer apanhando da vida, tudo o que você não queria enquanto esteve por perto.

Eis então os difíceis caminhos do Ofício de Pai (e mãe).
E como tudo na vida EQUILÍBRIO é a principal chave para o êxito.

Uma estrela sobe no vôlei

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Estrela da seleção de voleibol sub-19 do Cazaquistão, a jogadora Sabina Altynbekova reclamou ontem, em Londres, do excesso de holofotes e fofocas na mídia. Tudo porque tem uma legião de admiradores dentro e fora do vôlei, fascinados por sua beleza de traços orientais. Musa do público teen, Sabina é campeã de faturamento em campanhas publicitárias em seu país. Os percalços da fama começam, porém, a incomodar a jovem estrela.

O blog, sempre aliado às grandes causas, solidariza-se com a bela Sabina.

Pai adotivo de Tevez é libertado após sequestro

622_11025edd-7388-34ee-8616-881ff551f9a2Segundo Tevez, pai adotivo do atacante da Juventus, foi libertado pelos sequestradores após passar oito horas em cativeiro, na tarde desta terça-feira. Ele foi raptado às 5h da manhã desta terça-feira em Morón, no distrito de Buenos Aires, quando entrava em seu carro para ir ao trabalho.

Os três criminosos entraram em contato com dois familiares para cobrar o resgaste, que seria de 2 milhões de pesos (R$ 540 mil) – eles aumentaram a primeira pedida ao tomar conhecimento do parentesco com o jogador da Juventus.

Os investigadores, que tiveram o apoio da Divisão Antisequestros da Polícia Federal argentina, ainda não sabem se a ação foi planejada. Advogado da família, Gustavo Galasso disse que Segundo Tevez “se encontra bem”. Carlitos estava em pré-temporada com a Juventus, mas viaja à Argentina.

Segundo Tevez é o pai de criação de Carlitos – o sobrenome verdadeiro do jogador é Martinez, herdado da mãe. O pai biológico, Juan Carlos Cabral, morreu em um tiroteio quando o ex-Boca Juniors, Corinthians e Manchester City era um bebê.

Grêmio tira Felipão do desemprego

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O Grêmio anunciou nesta terça-feira que Luiz Felipe Scolari é o novo técnico da equipe. Ele retorna à equipe de Porto Alegre após 18 anos, já que comandou o clube entre 1993 e 1996, conquistando uma Libertadores, um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil, uma Recopa e três Campeonatos Gaúchos. Segundo informou o clube de Porto Alegre, Felipão chega à capital do Rio Grande do Sul nesta quarta, e será apresentado às 11h (horário de Brasília), na Arena do Grêmio.

“Luiz Felipe Scolari é o novo técnico do Grêmio. Treinador retorna ao comando do Tricolor depois de 18 anos. Bem-vindo, Felipão!”, escreveu o time gaúcho, em seu Twitter. A negociação foi toda resolvida nesta terça. O presidente gremista, Fábio Koff, viajou a São Paulo para se encontrar com o treinador e chegou rapidamente a um acordo. Segundo o jornal Zero Hora, o contrato de Scolari com o Grêmio irá até 2016.

“Estou muito contente e retornar ao clube que sempre tive carinho. Quero realizar novamente um grande trabalho no Grêmio. Estarão junto comigo o Murtosa e Ivo Wortmann que farão um trabalho integrado com a base do Grêmio”, disse Felipão, através de sua assessoria de imprensa

325_8a1a75b2-bd4f-3c63-8b04-c07ad7c81d68O último trabalho de Felipão foi na seleção brasileira. Ele comandou a equipe nacional entre 2012 e 2014, conquistando a Copa das Confederações em 2013. Na Copa do Mundo, caiu na semifinal, perdendo de goleada por 7 a 1 para a Alemanha. Na decisão do bronze, perdeu por 3 a 0 para a Holanda e terminou o Mundial em 4º lugar.

Já o último clube comandado por Scolari foi o Palmeiras, entre 2010 e 2012. No Palestra Itália, ele ganhou uma Copa do Brasil (inclusive eliminando o Grêmio na semifinal), mas acabou demitido em meio ao Brasileirão 2012, durante a péssima campanha que culminou com o rebaixamento alviverde para a Série B.

Essa será a terceira passagem de Luiz Felipe Scolari, de 65 anos, pelo tricolor gaúcho (1987 e 1993-1996). Ele esteve à frente da equipe em 352 jogos, com 11 títulos conquistados. Ao todo, o treinador já comandou 17 equipes diferentes na carreira: CSA, Juventude, Brasil de Pelotas, Al-Shabab, Grêmio, Goiás, Al Qadisiya, Criciúma, Al-Ahli, Júbilo Iwata, Palmeiras, Cruzeiro, Chelsea, Bunyodkor e seleções do Brasil, Portugal e Kuwait. (Da ESPN)

Obrigado, Bruxo!

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Por Frederico Bernis (*)

Era junho de 2012, acho. Eu estava trabalhando quando recebo a ligação de um amigo que estava de licença médica:

– Cê tá vendo o que eu tô vendo?

– Não. O que?

– O Ronaldinho está no CT do Galo treinando com o time!

– Como assim?

– Uai, parece que ele acertou com o Galo!

Nem acreditei. Entrei na internet e era verdade. Helicópteros sobrevoavam a cidade do Galo pra fazer as imagens. O Brasil todo comentando, a maioria das pessoas achando que tinha sido uma grande burrada do Kalil. Eu não. Na mesma hora tive certeza que ia dar certo: “Não tem como dar errado, gente. O Ronaldinho no seu pior dia é mil vezes melhor que o Escudero”. O Escudero era o nosso 10 na época.

A partir dali, a gente começou a ir ao campo e ver um espetáculo diferente. Tinha futebol mas tinha um quê de circo também, de show. Você chegava no Horto e lá estava o cara com a camisa do Galo, número 49. Quatro mais nove, treze. E era um tal de passe sem olhar, chapéu de canela, calcanhar no ar, cobrança de falta rasteira por baixo da barreira. Um repertório infinito de bruxarias que até quem assistia ao vivo tinha dificuldade de acreditar. Na arquibancada, eu via a torcida dando risada das jogadas do cara. Chegava a ser engraçado ver o que ele fazia com a bola na frente dos adversários mais difíceis.

Esse cidadão mudou tudo. Quem jogava mal passou a jogar bem. Bernard com 20 anos começou a jogar com confiança de veterano. Tardelli estava no Catar e quis voltar de qualquer jeito pra jogar no Galo com o cara. Só quem não mudou foi a torcida, porque a torcida do Galo não muda nunca.

Depois de mais de nem sei quantos anos sem disputar o torneio, vi o Galo começar a Libertadores voando. No primeiro jogo, o Bruxo deu a assistência pros 2 gols, e com requintes de crueldade. Quem não se lembra do garçon Rogério Ceni ali, com a toalhinha na mão, servindo água pro seu ídolo? Em seguida vimos o Galo começar perdendo um jogo na Argentina e depois meter cinco, com um pé nas costas. O pé de um monstro chamado Ronaldinho, que encaixou sucessivas assistências pra Bernard, Tardelli, Jô…

Vi, sob sua batuta, um time brasileiro ganhar um jogo na altitude de La Paz. E vi num lance, no jogo da volta contra os bolivianos, esse bruxo recuar, recuar e recuar com a bola como quem não queria nada. Na arquibancada, do meu lado, algumas pessoas reclamaram: “Pô, Ronaldinho! Vai pra cima dos caras!” Aí, de repente, ele espeta de costas um passe de mais de 30 metros rasgando a defesa toda pra encontrar lá na frente, do outro lado, o Marcos Rocha dentro da área. Pênalti! De dentro do campo, perseguido por dois adversários, ele vislumbrou de costas uma jogada que eu da arquibancada não tinha percebido. Foi o passe mais fantástico que eu já vi na vida. Eu me senti um cego perto daquele cara. Dava vontade de rir. Ou de chorar. Sei lá. Esse cara confunde muito a gente.

Aí, no outro jogo, ele entra na área pela esquerda e dá uma cavadinha. Todo mundo esperando uma coisa, mas a bola descreve uma trajetória diferente e entra por cobertura no mesmo canto onde está o goleiro que, coitado, não entendeu nada. Uma coisa impressionante, senhoras e senhores. Metemos cinco gols novamente e quando eu saio, vejo os comentaristas achando que ele não queria fazer o gol daquele jeito, que tinha sido sem querer. Da mesma forma que acharam que foi sorte quando ele fez aquele gol de falta na Copa de 2002, por cima do Seaman, goleiro inglês. Ele é assim. É tão craque que a gente não acredita que ele quis fazer aquilo. Mas ele quis, gente. Aceitem: ele quis. Ele é bom assim.

No jogo contra o São Paulo, quando ele provocou os caras falando que “quando tá valendo, tá valendo” eu fiquei preocupado: pra que botar pilha no adversário? Isso acaba motivando mais e tal… Mas ele não tava nem aí. Cruzaram uma bola na área e ele deu um totó de cabeça que a bola demorou uns 40 segundos pra beijar a rede. É igual aqueles pesadelos que você precisa correr mais não sai do lugar. O Rogério Ceni e o beque ficaram ali, pesando uns 700 quilos cada um, sem conseguir se mexer. Até hoje estão jogando a culpa um no outro. Esquenta não, gente, a culpa não é de vocês. Vocês apenas foram mais duas vítimas da bruxaria do R10.

Tanto que no jogo do Horto ele repetiu a dose jogando novamente os são paulinos um contra o outro. Ele ali, na beiradinha do campo, fez que estava perdendo o domínio da bola, só o suficiente pro volante fogoso dar o bote. O pobre rapaz entrou com força, chutando tudo que via pela frente. Imagino que por um breve momento o impetuoso volantão tenha ficado satisfeito, pensando: “consegui! Matei a jogada!”. Mas o urro delirante da torcida do Galo o alertou para o engano. Coitado, tinha ficado sem a bola e a dignidade. Levou uma caneta lisa e ainda chutou sem querer seu companheiro de time que passava por ali e acabou alvejado. Aos futuros marcadores desavisados, segue um recado caridoso: nunca caiam nessa. Ele nunca perde o controle da bola. Nunca.

Vi, num jogo contra o Inter no sul, o Victor dar um bicão pro alto na reposição de jogo. A bola viajou como num saque jornada nas estrelas e foi na direção do Ronaldo. Chovia muito, o campo estava encharcado, jogo pesado. Os marcadores correram tentando interceptar a bola antes, mas ele chegou primeiro e dominou a bola que vinha pesada do espaço com o peito do pé de um jeito que ela morreu ali mesmo, sem nenhum quique, nenhum barulho, nada. Simplesmente a bola morreu. Os zagueiros do Inter, tadinhos, viraram de costas e saíram correndo apavorados. Não acreditaram no que tinham acabado de ver. Eu também confesso que fiquei ali uns 15 minutos sem acreditar. O tempo passava, o jogo rolando e eu ali ainda agarrado àquela matada de bola, tentando decifrar o que tinha acontecido.

Esse dois anos que ele passou aqui mudaram a nossa vida. Não só por causa dos títulos, principalmente o da Libertadores, mas por mostrar pra gente o tanto que futebol pode ser bom. Eu achava que a melhor coisa do futebol era torcer pro Galo, mas me enganei. A melhor coisa do futebol é torcer pro Galo do Ronaldinho. Ou pro Ronaldinho do Galo, sei lá. Esse cara confunde muito a gente.

Agora, infelizmente, chegou a hora desse sonho acabar. O Bruxo vai embora fazer suas bruxarias em outra freguesia. Sei que ele já não vinha repetindo as atuações históricas que nos acostumamos a ver. Mas não consigo esquecer o que ele fez. Ir ao Horto ver R10 jogar com a nossa camisa, a famosa camisa preto e branca que nos faz torcer contra o vento, foi o melhor que o futebol me deu até hoje.

Obrigado, R10. Obrigado, Bruxo.

*Frederico Bernis é arquiteto.