Barbosa marca presença no palanque de Aécio

image_previewO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, participou hoje (21) de uma cerimônia oficial pelo feriado de Tiradentes, organizada pelo governo de Minas Gerais, em Ouro Preto. Convidado como orador do evento, Barbosa recebeu o Grande Colar, homenagem máxima oferecida a personalidades que, segundo o governo estadual, ajudaram no desenvolvimento de Minas e do Brasil, além de acompanhar e ser acompanhado o tempo todo pelo senador Aécio Neves, candidato do PSDB às eleições presidenciais do ano que vem.

Mas se oficialmente o presidente da instância máxima do Judiciário do país honrou com sua presença um evento institucional, por outro lado é evidente que aquilo é também um palanque político (todo mundo sabe disso), e o espectro da exploração política do julgamento do mensalão recomendaria que Barbosa mantivesse distância de tal cerimônia.

A delicadeza da situação é constatada pela ausência em Ouro Preto de outro senador mineiro, o aecista Clésio Andrade, réu no processo do mensalão tucano em Minas, ex-sócio do publicitário Marcos Valério, e vice-governador de Aécio Neves entre 2003 e 2006. Também não deu as caras outro ex-governador, o deputado Eduardo Azeredo (PSDB), um dos pivôs do esquema que o STF ainda não se dispôs a julgar.

Ganhou a esperteza política de Aécio, que marca território entre os eleitores que acreditam que Barbosa seja um arauto do combate à corrupção. Mas em se tratando do próprio Barbosa, que frequentemente tem sido protagonista de sucessivos episódios de conflitos entre outras instâncias do Judiciário e com veículos da velha mídia, que apesar de tudo ainda o apóia, o desgaste pode ser grande e uma nova saraivada de críticas pode estar a caminho.

Sabe-se lá se é a famosa picada da mosca azul, que leva pessoas a desejarem mais e mais poder, ou se é a esperteza dos tucanos mineiros que plantam notinhas pela imprensa espalhada pelo país, para depois checar os resultados junto à opinião pública, mas depois desse ato, corre a notícia de que Barbosa seria vice de Aécio. Melhor não duvidar. (Do Blog Rede Brasil Atual)

Será que o Torquemada do STF foi mesmo picado pela mosca azul?? Te contar… Vai ser divertido.

O Re-Pa segundo os torcedores

Por Gerson Nogueira

bol_ter_230413_11.psA terça-feira posterior a um Re-Pa é tradicionalmente dedicada a repercutir a opinião do torcedor-leitor. Espaço aberto para o posicionamento dos que amam discutir futebol e, por direito adquirido, se consideram técnicos informais. Por coincidência, um técnico amador está entre os escolhidos pela coluna para reverberar o que ocorreu sábado à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença, quando o Remo derrotou o Paissandu e ressuscitou no campeonato.

“Gerson e amigos, sempre falei que time que jogar contra o Paissandu de igual para igual vai encontrar sérios problemas para vencer. O Remo só respeitou uma vez o Paissandu, e por isso tinha saído vencedor. No sábado, quando saiu a escalação, falava que o Remo vinha respeitando o Paissandu, e voltou a vencer. Claro que, em se tratando do momento que vivia, não era só isso que faltava ao time, mas a vontade de vencer, a garra, a disposição em campo e isso o Remo teve ontem – e o Papão não”, opina Cláudio Santos, leitor da coluna e do blog e técnico do Columbia de Val-de-Cans.

Acrescenta que o Remo “tem jogadores fracos tecnicamente e só usando a inteligência de seu bom técnico, aliado a tudo que falei, poderá sonhar com o título deste 2º turno. Por isso, sempre falei que o Papão tinha mais time, mas o Remo tinha mais técnico. Que o Flávio Araújo não pense que deve usar o 3-6-1 apenas contra o Papão, mas sim, se passar, usar até o fim do Parazão, mudando apenas algumas peças, quando for necessário. Chega de mexer tanto nesse time”.

Já Rildo Medeiros avalia que o triunfo do Remo deveu-se à organização que o time mostrou e, em particular, à grande participação dos jogadores paraenses: “Parabéns pelo centenário, Leão! À torcida, ao Fabiano, Val Barreto (lembrança do Alcino), Jonathan, Endy, Alex Ruan e à estrela do Flávio Araújo, que todos esperam começará a brilhar na reta final”.

Charles Rezende opina que, em dois tempos distintos, Paissandu e Remo fizeram um jogo equilibrado, mas no primeiro tempo o Remo foi mais lúcido e aproveitou as oportunidades. “Jogou com mais vontade que o time bicolor, além de ter uma noite inspirada de Val Barreto, Jonathan e do bom de bola Alex Ruan, que mostrou excelente potencial desde o jogo frente ao Flamengo. Ou seja: vitória justa do Remo, pelo grande primeiro tempo que exerceu, superando suas latentes e visíveis limitações técnicas”.

Quanto ao Papão, avalia que o time teve uma noite bisonha no sábado. “Se tirarmos como parâmetro este jogo para a Série B, onde o nível técnico será incomparavelmente superior, o Paysandu precisará de bons reforços, pois, pelo que se viu anteontem, o plantel bicolor está seriamente fragilizado para o Campeonato Brasileiro”, observa.

Rezende ainda adverte para o risco da soberba. “O Paissandu é o melhor time, mas nem tanto assim. Entretanto, neste restante de Paraense, creio que continue favorito. Precisa demonstrar isso em campo, porém, e não achar que, pelo fato de tecnicamente ser superior aos demais, o campeonato já esteja ganho”.

Luís Antonio Mariano festeja o fato de Flávio Araújo ter “finalmente se convencido de que Jonathan é meia e não volante, e que não demore a entender que o Jerônimo também não é volante, mas lateral. No mais, parece que está indo bem, por enquanto”.

Maurício Carneiro viu merecimento na vitória remista, mas não observou tanta evolução no Remo. “A verdade é que o tempo todo parecia que o empate estava pra acontecer. Fizeram 2 a 0 no 1º tempo e não deram a impressão de que iriam matar fácil no 2º tempo em contra-ataques. Não se sentiu a possibilidade real de uma goleada como no último jogo. Com todo respeito ao rival e ao clássico, uma vitória simples do Papão é algo bem provável no próximo jogo, e olhem que eu não sou desses que falam com fanatismo”, afirma.

Antonio Oliveira comenta o lance da reversão do cartão vermelho aplicado ao zagueiro Mauro, do Remo: “Mesmo reconhecendo que a questão é muito controversa, digo que sim, o árbitro agiu certo ao cancelar o cartão, da forma como cancelou, atendendo ao que foi previamente assinalado pelo seu auxiliar. Afinal, foi um lance faltoso ocorrido na disputa da bola, onde tanto o atacante quanto o zagueiro, que estavam de costas para o bandeira, não viram que este já havia assinalado o impedimento”.

Oliveira complementa, admitindo que a entrada foi violenta (muito favorecida pelo estado pesado do gramado), “mas me parece que se o zagueiro tivesse agredido o atacante fora do lance de disputa da bola, aí sim, o árbitro poderia manter o cartão aplicado, eis que a falta estaria desvinculada do lance como um todo, inclusive da marcação feita pelo bandeira, e seria uma violência gratuita”.

E conclui: “Na verdade, foi apenas a retificação de um equívoco, com o árbitro atendendo uma marcação feita, inequivocamente, pelo auxiliar e em momento anterior ao da aplicação do cartão vermelho, retificação esta que, nestas condições, é atitude que tem amparo nas normas internacionais de arbitragem de futebol”.

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Bayern, Barça e a ética no esporte

Sobre o aguardado embate do ano entre Bayern e Barcelona, hoje, no portentoso Allianz Arena, chama minha atenção a preocupação dos alemães em não recorrer a Pep Guardiola em busca de informações sobre o adversário.  Homem que montou a atual máquina catalã, Guardiola tem contrato assinado com o Bayern para a próxima temporada.

Matthias Sammer, diretor esportivo do Bayern e famoso pelo futebol eficiente dos tempos de Borussia e seleção alemã, fez questão de declarar publicamente que o clube jamais pediria informes a Guardiola, por respeito ao profissional e ética na relação com o clube espanhol.

Como é bom saber que ainda há gente séria lidando com futebol.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 22)

Tapetão ameaça futuro da Copa do Brasil

O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmidt, garante que todas as medidas cabíveis vão ser tomadas para que a briga judicial entre Sousa e CSP, ambos da Paraíba, não prejudiquem o andamento da Copa do Brasil. Segundo ele, algumas atitudes enérgicas vão ser realizadas e define o caso como uma aberração. Devido à batalha judicial dos dois clubes paraibanos, o Coritiba não pôde estrear na competição nacional. Inicialmente, o adversário dos paranaenses era o CSP, mas o Sousa conquistou no STJD o direito de ser o segundo representante do Estado alegando que o torneio que classificou o rival para a Copa do Brasil não estava regularizado. Assim, ficou definido que o Sousa seria o adversário do Coritiba e o jogo foi marcado para o dia 18 de abril. Faltando pouco mais de uma hora para a bola rolar, todavia, chegou no Estádio Antônio Mariz uma determinação da Justiça Comum para que a partida não fosse realizada.

Com esse impasse, fica em dúvida até mesmo o futuro da Copa do Brasil. “É um problema que atinge os jogos sequenciais da competição. Não determina uma paralisação por completo, mas daquele agrupamento”, declara o procurador Schmidt, em entrevista à Rádio Transamérica. Por conta disso, o STJD e a CBF já se articulam para resolver o problema da forma mais rápida possível. “É preciso caçar a liminar para remarcar o jogo. Já estamos em contato com a Confederação Brasileira”, garante o procurador do STJD.

Além disso, Paulo Schmidt protesta contra a atitude adotada pelo CSP de ir à Justiça Comum. “É lamentável esse tipo de prática. Desafia a decisão do STJD, que é devidamente constituído. Futebol possui normas nacionais e internacionais. Ambos proíbem o ingresso à Justiça Comum”. O procurador reforça dizendo que a decisão judicial que deu ganho de causa ao CSP está cheia de falhas. “O caso concreto é uma aberração, já que o juízo foi induzido ao erro. O CSP (diz que) participou do processo, é mentira que ele não participou do processo. Chamar isso tudo de má fé, chega a ser elogio”, dispara. “Vamos tomar medidas enérgicas, responder a altura”, complementa. (Fonte: STJD)

O renascimento do Leão

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Por Gerson Nogueira

Não se sabe até onde vai a nova postura, mas o Remo de sábado foi muito diferente do time que vinha capengando no campeonato e que se deixou vencer pelo Flamengo de forma tão débil. Com um esquema não utilizado até então e aparentemente medroso, com seis homens no meio e um atacante, diminuiu a distância entre os setores e valorizou a posse de bola no primeiro tempo, fazendo por merecer a vantagem de dois gols.

Como é rotineiro nas atuações do Remo, notou-se acentuada queda de produção no segundo tempo, com excessiva timidez na marcação e pouca agilidade na saída de bola, o que quase permitiu que a vitória escapasse.

bol_seg_220413_23.psÉ importante, porém, registrar a reação e a disciplina tática do time. Depois do desgaste causado pela derrota na quarta-feira e as hostilidades sofridas na volta a Belém, os jogadores seguiram as determinações de Flávio Araújo e desfizeram o anunciado favoritismo do Paissandu. Prova de determinação e comprometimento.

A marcação rígida no meio, comum aos esquemas de Araújo, foi substituída desta vez por movimentação e prioridade para a transição. Essas virtudes deixaram o time mais ágil na frente porque Jonathan, Capela e Alex Ruan faziam com que a bola chegasse sempre a Val Barreto. Apesar de sozinho na frente, o atacante se mexia e dava muito trabalho à zaga do Paissandu com arrancadas e tentativas de chutes de média distância.

Não se pode desconsiderar, porém, o peso que o gol logo aos 10 minutos teve para a atuação do Remo. Inseguro nos primeiros minutos, o time ganhou confiança depois do gol e ficou ainda mais atento em campo. Cedeu algum espaço, mas os bicolores não souberam aproveitar, principalmente Pikachu e Iarley. Veio, então, o segundo gol, em lance de contragolpe que teve Jonathan como homem-surpresa.

Lecheva percebeu a lentidão excessiva de seu time e trocou Vânderson por João Neto, incendiando o jogo, pois passou a ter três atacantes em cima da defensiva remista. As alternativas criadas a partir daí confundiram a marcação e proporcionaram ao Paissandu seus melhores momentos na partida. O gol (de Pablo) saiu depois de seguidas tentativas aéreas e o empate poderia ter acontecido, não fosse a imperícia de Rafael na melhor chance criada nos instantes finais.

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Do lado azulino, com a troca de Capela por Ramon houve uma evolução na qualidade do passe e na organização do jogo, embora a mobilidade tenha diminuído. Bem mais participativo do que em outras oportunidades, Ramon ainda conduz muito e não ajuda na marcação. Teve nos pés a bola do jogo e errou o arremate. Depois, Branco também desperdiçou outro contra-ataque fulminante.

O jogo deixou a certeza de que a próxima batalha pode ser a mais encarniçada que os rivais já travaram nesta temporada. Certeza de um duelo ainda mais empolgante no próximo sábado.

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Surge um candidato a titular

Alex Ruan, jovem valor esquecido na reserva e às vezes lembrado apenas nos coletivos, confirmou qualidades para ser titular da lateral-esquerda remista. Depois de atuar bem contra o Flamengo, no Rio, apareceu com destaque no Re-Pa de sábado. Foi aplicado na marcação e muito útil na troca de passes no meio-de-campo. Em comparação com o atual dono da posição, Berg, tem a vantagem de ser muito mais ousado ofensivamente.

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Um século de futebol remista

Foram 4.065 jogos, 2.194 triunfos, 955 empates, 890 derrotas, 8.189 gols marcados e 4.405 gols sofridos. O Remo completou ontem 100 anos de futebol. Não é uma marca qualquer. Poucos clubes podem ostentá-la. Prova incontestável da grandeza histórica de uma das maiores agremiações brasileiras. Pena que a data tenha sido pouco festejada pela própria diretoria. De qualquer modo, parabéns a todos os azulinos.

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PFC encaminha classificação

A Tuna tem motivos de sobra para lastimar o empate de ontem, no Souza. Precisava da vitória para fugir ao rebaixamento e para inverter a vantagem do PFC nas semifinais. A Lusa não jogou bem, falhou em momentos importantes, mas teve um pênalti a seu favor em instante crucial do jogo. Desperdiçou e viu o PFC sair de Belém comemorando e ainda mais favorito à vaga na decisão do returno. Mais que isso: viu se aproximar, em cores vivas, o fantasma do rebaixamento. Será uma jornada dificílima para a Águia Guerreira em terras de Paragominas no próximo domingo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 22)

O passado é uma parada…

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Antiga avenida Tito Franco, hoje Almirante Barroso, à época com apenas duas pistas de concreto (no lado direito da imagem, aparece o trecho da pista ainda de terra batida), às proximidades de São Brás, em frente ao clube Monte Líbano. Supõe-se que a fotografia é da década de 30. (Do arquivo Nostalgia Belém) 

Dos chatos

Por Luis Fernando Veríssimo

129_279-LFVerissimoHá chatos e chatos. Há o chato pegajoso, o chato que telefona muito, o chato que cutuca. Há o enochato, que faz questão que você saiba que ele sabe tudo sobre vinhos, e o ecochato, assim chamado porque se preocupa demais com ecologia ou porque vive se repetindo, como um eco.

Há o egochato, cujo único assunto é ele mesmo, e o chato hipocondríaco, uma especialização do egochato, cujo único assunto é sua própria saúde, ou falta dela. Há o chato invasivo, que fala a centímetros do seu nariz, e o chato hiperglota, que não para de falar.

Mas também há — embora seja raro — o chato que se flagra, que tem consciência de que é chato e quer se regenerar, e que diz muito “Eu estou sendo chato? Hein? Hein?” e portanto é o pior chato de todos.

Tem o caso daquele chato com autocrítica que decidiu pedir ajuda, mas não sabia quem procurar. Chatice não se cura com remédios ou com exercícios, muito menos com cirurgia. Não existem clínicas para a recuperação de chatos. O que fazer? Nosso chato resolveu consultar um psicanalista.

— É que eu sou chato, doutor, e sei que sou chato.

— Deve ter alguma coisa a ver com sua mãe.

— Minha mãe? Por que minha mãe?

— É que na psicanálise sempre partimos da hipótese de que, seja o que for, a culpada é a mãe. Facilita o tratamento. Mas me fale da sua infância.

— Bem, na escola meu apelido era “Sarna”. Também me chamavam de “Desmancha Bolinho” porque, assim que eu chegava num grupo, o grupo se desfazia.

— Sua família também o achava chato?

— Não sei. Mas desconfiei quando, nos meus dezoito anos, eles me deram as chaves da casa e em seguida mudaram todas as fechaduras.

— E sua vida amorosa?

— É normal, eu acho. Até me casei, embora minha mulher alegue que meu pedido de casamento a fez dormir e que só saiu do estado comatoso no altar, onde teve que dizer “sim” para não dar vexame. Hoje vivemos bem, em casas separadas, apesar de eu só poder visitá-la nos dia 29 de fevereiro, se ela não mandar dizer que não está. Tivemos um filho que eu ninava quando era bebê, mas ele fingia que dormia para eu parar. É o efeito que eu tenho nas pessoas, doutor. Ser chato é uma fatalidade biológica ou a chatice é um produto do meio? É possível deixar de ser chato com algum programa de reorientação? É o meu tom de voz que chateia ou o que eu digo? Ou as duas coisas juntas? Hein, doutor? Doutor…? Doutor…? Acorde, doutor!