Mês: abril 2013
Papão terá uniforme novo na Série B
A Puma, marca alemã de artigos esportivos, confirmou acordo de fornecimento de material esportivo com o Paissandu. A estreia do novo uniforme deve ocorrer na Série B do Campeonato Brasileiro, no final de maio. O anúncio oficial acontece no dia em que se completam dez anos daquele que é considerado o maior triunfo da história do clube: no dia 24 de abril de 2003, Iarley marcou o gol da vitória do Paissandu sobre o Boca Juniors em La Bombonera, pelas oitavas de final da Copa Libertadores.
Mas, ao contrário do que acontece com o Botafogo, a Puma não fornecerá material diretamente ao clube paraense. A função ficará a cargo da Filon Confecções, que já era a parceira do Paissandu no contrato de material esportivo mantido com a antiga fornecedora. A Filon receberá as demandas do clube e distribuirá os uniformes aos pontos de venda. O design e o desenvolvimento das camisas foi feito pela Puma, que utilizou a mesma tecnologia e matérias-primas aplicadas nos uniformes dos clubes e seleções que patrocina em todo o mundo.
Parabéns, Fiel, a mais vitoriosa do Norte
Por Dennis Oliveira
10 anos que estivemos lá e vencemos.
10 anos que fizemos o que poucos fizeram.
10 anos que entramos para a história da Libertadores.
10 anos que reescrevemos a nossa história.
10 anos que fomos gigantes.
10 anos que o sonho virou realidade.
10 anos que mudamos o destino.
10 anos que o acaso não se fez presente.
10 anos que os endividados venceram os endinheirados.
10 anos que o menino pobre venceu o dono da bola.
10 anos que os anjos disseram amém.
10 anos que os deuses do futebol olharam por nós.
10 anos que o nosso sangue ferveu e fomos guerreiros.
10 anos que vivemos nosso final de Copa do Mundo.
10 anos que lembramos nossos irmãos mais fortes.
10 anos que a bola teve outro dono.
10 anos que veio a vitória do orgulho próprio.
10 anos que chutamos para longe a dúvida.
10 anos que colocamos o discurso em prática.
10 anos que calamos milhares de bocas.
10 anos que a festa futebolística virou festa cívica.
10 anos que ganhamos um jogo e muito respeito.
10 anos que as macumbas não deram certo.
10 anos que os invejoso saíram de campo.
10 anos que os olhos gordos lagrimaram.
10 anos que uma nação cantou e outra nação chorou.
10 anos que rompemos barreiras.
10 anos que futebol virou poesia.
10 anos que a humildade venceu a soberba.
Parabéns a torcida bicolor, a mais vitoriosa do futebol do Norte do Brasil.
A bola mudou de endereço
Por Gerson Nogueira
Houve um tempo, mais ou menos até meados dos anos 80, em que a gente acreditava de verdade que o Brasil era o país do futebol. Nossas convicções seriam seriamente abaladas com a era Maradona e, posteriormente, com a evolução técnica dos europeus. O que o talento brasileiro produzia de façanhas em campo, justificando a fama de pátria da bola, os gringos passaram a fazer a partir de dedicação febril ao aprendizado dos macetes e do maciço intercâmbio com boleiros sul-americanos.
O tema é fascinante, pois foca em várias virtudes humanas a partir da prática do futebol. É admirável que um povo pouco dado a dribles e filigranas tenha conseguido, em pouco mais de duas décadas, assimilar os movimentos que sempre fizeram dos sul-americanos (brasileiros em especial) verdadeiros artistas do esporte.
Quem vê um confronto entre Bayern e Barcelona, como o de ontem, não distingue mais brasileiros de europeus quando a comparação é meramente técnica. Está tudo nivelado, com evidente vantagem para o lado deles, que aprenderam as manhas e não desprezaram a disciplina e o método.
Ao longo de 90 minutos o mundo teve a oportunidade de se deliciar com os passes e fintas de craques como Robben, Ribéry, Pedro, Iniesta, Xavi, Müller, Lahm. Dos latinos presentes, algum destaque para os talentosos Dante e Daniel Alves. Detalhe: ambos defensores.
O mais incensado dos astros em campo, porém, não tinha condições de desfilar nem um terço de todo o seu talento. Messi, visivelmente fora de jogo, pouco se movimentou e foi figura decorativa na partida vencida com sobras pelos alemães.
Mais do que ressaltar a espantosa disciplina tática do Bayern, cuja vigilância em tempo integral não permitiu ao Barcelona muitas chances de gol e nem a infernal troca de passes, o confronto reafirma a condição europeia de protagonismo no futebol. Espanhóis e alemães têm as melhores seleções do planeta e é natural que tenham também os clubes mais vitoriosos, condição espelhada nas semifinais da Liga dos Campeões.
É importante notar que os avanços que permitiram aos europeus igualarem e superarem a vocação natural dos sul-americanos para o esporte não nasceram do dia para a noite. A evolução foi conquistada aos poucos, dentro e – principalmente – fora de campo. É simbólico lembrar que quando os holandeses assombraram o mundo em 1974 havia técnico brasileiro desdenhando das inovações. A Alemanha se sagraria campeã naquela Copa e, mesmo sem a badalação dada à Laranja Mecânica, mostrando ao mundo um punhado de craques.
Hoje, a pouco mais de um ano da Copa do Mundo, muitíssimo bem representadas por clubes de primeira linha, duas seleções canalizam o favoritismo, por motivos mais do que justificados. Têm uma geração fabulosa de jogadores e conseguiram montar excelentes seleções. Acima de tudo, jogam como o Brasil antigo jogava. Sem freios ou receios. O medo passou para o lado de cá, desgraçadamente.
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Felipão em mais um pré-teste
Contra o Chile, hoje, Felipão terá mais uma chance de avaliar o poder de fogo da seleção nativa em novo pré-teste para a Copa. Se deu uma espiada no jogaço de ontem entre Bayern e Barcelona certamente deve ter se assustado. Os gringos estão correndo muito, jogando em velocidade e trocando passes praticamente sem errar. Tudo o que o Brasil não tem hoje. Para piorar, eles têm craques aos montes, coisa que também é passado entre nós.
Acima de tudo, a Seleção Brasileira terá que romper o estágio da arrogância, que começa pelo próprio técnico, autor de frase assustadora em recente entrevista à Folha. Para Felipão, volantes inteligentes (que saem jogando) são o sonho de consumo apenas dos jornalistas. Os técnicos, segundo ele, preferem mesmo os brucutus.
Disse isso antes do show de colocação dos volantes do Bayern, que jogam tão bem que quase nem cometem faltas.
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Até parece que foi ontem
O mais significativo feito internacional do futebol paraense ocorreu há exatos dez anos, no tradicionalíssimo estádio de La Bombonera. Naquela noite, o Paissandu superou o temido Boca Juniors por 1 a 0, gol de Iarley, perpetrando uma façanha reservada somente a alguns poucos clubes brasileiros na história. Não faz tanto tempo assim, mas não se pode descuidar de sua comemoração, sob pena de cair no esquecimento, que é uma de nossas pragas mais danosas.
O time alinhou Ronaldo; Rodrigo (Gino), Jorginho, Tinho, Luís Fernando; Vânderson, Lecheva (Bruno), Sandro, Vélber (Rogério); Robson e Iarley. O técnico era Dario Pereyra. Iarley e Vânderson, heróis daquela jornada ainda jogam pelo clube. Lecheva e Ronaldo, também baluartes da vitória, integram a atual comissão técnica. Que as comemorações desta data sirvam de inspiração para futuras proezas.
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Expectativa para a grande decisão
Depois da surpresa que Flávio Araújo aprontou na escalação para o primeiro jogo, os bastidores do próximo Re-Pa estão alvoroçados. O que antes era tranquilidade absoluta no Paissandu já se transformou em justificada preocupação para sábado.
Alguns jogadores admitiram que o 3-6-1 anunciado no Mangueirão pegou Lecheva de surpresa e que mudanças de última hora foram orientadas quanto ao posicionamento, mas é fato que os primeiros 45 minutos foram inteiramente favoráveis ao Remo. Em alerta, o Paissandu deve ter nos próximos dois dias treinos variando simulações em relação ao adversário.
Do lado remista, apesar dos reiterados elogios à mudança feita por Araújo, há quem garanta que a maior transformação operada foi no aspecto emocional. Algumas declarações de jogadores do Papão foram muito exploradas e teriam funcionado como combustível para a gana com que os remistas entraram em campo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 24)
Capa do DIÁRIO, edição de quarta-feira, 24
Araújo tem problemas para escalar o Remo
Em recuperação de um quadro de virose, o técnico Flávio Araújo quebra a cabeça no Baenão para tentar montar um time para a partida decisiva de sábado, válida pelas semifinais do returno do Campeonato Paraense. Sem poder contar com Mauro, Carlinho Rech e Val Barreto, suspensos, ele recebeu ontem uma outra péssima notícia: o atacante Branco foi julgado pelo TJD e suspenso ainda pela expulsão no jogo contra o Águia de Marabá. O lado tabajara da história é que o Remo não mandou advogado para defender seu jogador no julgamento.
Para a definição da equipe, o técnico começou nesta terça-feira os treinos preparatórios e deixou no ar que deve manter o esquema 3-6-1, embora tenha muitos problemas, principalmente na defesa. Por ora, o time mais provável é: Fabiano; Zé Antonio, Henrique e Nata (Ian); Endy, Gerônimo, Jonathan, Capela (Ramon), Berg e Alex Ruan; Fábio Paulista (Leandro Cearense). (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)
Capa do Bola, edição de quarta-feira, 24
A arte de Atorres
Boston, um conto mal contado
Por Clóvis Rossi
Barack Obama tem toda a razão ao dizer que há muitas perguntas não respondidas no caso de Boston.
Algumas:
1 – Um assessor de um experimentado congressista disse ao “Boston Globe” que vários membros do Congresso estão querendo informações sobre a investigação que o próprio FBI confirmou ter feito, em 2011, sobre Tamerlan Tsarnaev, o suspeito morto pela polícia.
“O FBI tinha esse sujeito no radar, mas de alguma forma ele saiu. Ouvimos durante vários dias que não havia informação de inteligência [sobre os autores dos atentados]. Agora, descobrimos que poderia ter havido informações.”
Se o FBI mantivesse nos arquivos os dados básicos de um cidadão tido como suspeito, não precisaria exibir os vídeos em que aparecem os irmãos Tsarnaev para pedir ajuda à população, o que obviamente alarmou os suspeitos, levando-os às ações em que se envolveram.
Poderia ter havido uma caçada silenciosa e discreta, o que, em tese, pouparia pelo menos uma vida, a do segurança do MIT supostamente morto pelos irmãos em fuga.
Talvez ambos pudessem ser presos com vida, o que seria do interesse da investigação, cujo objetivo “nesta conjuntura crítica deveria ser o de recolher informações para proteger a nação de futuros ataques”, como disseram os senadores Johan McCain e Lindsay Graham.
2 – Que fuzilaria foi aquela nas imediações da casa em que Dzhokhar se refugiou em um barco?
Se o rapaz estava gravemente ferido, se não reagiu a tiros quando o proprietário do barco levantou a lona para verificar o que estava acontecendo, como é que poderia se envolver em uma troca de tiros cinematográfica com a polícia, como os vizinhos a descreveram?
Parece mais uma tentativa de fuzilamento sumário, o que dá margem a duas críticas: primeiro, é de novo contraproducente para a investigação, do que dá prova o fato de que Dzhokhar não está podendo ser devidamente interrogado, por causa dos ferimentos recebidos.
Segundo, fere um princípio civilizatório básico segundo o qual todos são inocentes até prova em contrário, prova que a polícia ainda não produzira, tanto que ele continuava a ser tratado como suspeito.
Afinal, é como escreveu Glenn Greenwald, colunista de direitos civis do “Guardian”: “Dezenas se não centenas de detidos em Guantánamo, acusados de serem os piores dos piores, não eram culpados de nada.
Evidências apresentadas pela mídia não substituem o devido processo legal e um julgamento com direito a contraditório”.
3 – Não é lógico que os irmãos em fuga soltassem o motorista que haviam tomado como refém, após dizerem que eram os responsáveis pelos atentados.
Sabiam que, se liberassem o refém, ele os denunciaria às autoridades, como de fato ocorreu. Se já haviam matado quatro, incluindo o guarda de segurança, não faz sentido que se apiedassem de uma quinta pessoa e a soltassem sem nem mesmo uma coronhada.
Se García Márquez tem razão ao dizer que um bom conto é aquele que parece verdade, o conto de Boston está devendo muito.
Som na madrugada – Ney Matogrosso, Poema
Menos um para atrapalhar
O paraguaio Nicolás Leoz, 84, renunciou ao cargo de integrante do Comitê-Executivo da Fifa, nesta terça-feira. Apesar de dizer que não deixou também a presidência da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), conforme foi publicado pela Fifa, o que está certo é que seu substituto será o uruguaio Eugenio Figueredo, que indicará um nome para ser o novo membro do Comitê da Fifa. Ele também pode indicar o próprio nome. (Da Folha SP)
Não chore, Marin!
Por Juca Kfouri
Quem chora somos nós. Chora a nossa pátria, mãe gentil. Choram Marias e Clarices no solo do Brasil. E choramos pela miséria a que está reduzido o nosso futebol, sob esta CBF dirigida tal e qual fosse pela dona de um bordel. Por mais que saibamos que temos talento para virar o jogo, por mais que mantenhamos a esperança equilibrista.
Porque, se o show de todo artista tem de continuar, é constrangedor vislumbrar a cena de terça, quando a tarde caía feito um viaduto na sede da Casa Bêbada do Futebol, trajando luto e sem lembrar de Carlitos, o nosso Mané Garrincha.
Eram 27 cartolas de chapéu-coco, todos com brilho de aluguel. Todos submissos, menos o que não foi, o presidente da federação mineira, talvez por tentar se equilibrar de sombrinha.
Como se fossem os irmãos do Henfil, os repórteres Leandro Colon, Martín Fernandez e Sérgio Rangel tinham publicado no mesmo dia, nesta Folha, a incrível história do prédio que custava R$ 39 milhões e foi comprado por R$ 70 milhões.
Fora os vazamentos com a voz de Marin humilhando o coletivo dos presidentes das federações estaduais, todos dispostos a fazer cena antes da assembleia para, depois de bons uísques, aprovar tudo por unanimidade. Não sem antes receber cheques entre R$ 100 e R$ 400 mil, para compensar a mesada, que é menos da metade do que recebem os atuais donos da CBF.
Evidente que tudo isso reflete diretamente em nossos campeonatos sem torcida e com audiência em queda e numa seleção que não comove mais o torcedor.
Canastrão, Marin não engana nem com suas lágrimas de crocodilo nem com sua simulada irritação. Ao dizer que só sairá morto da CBF não lembra Getúlio Vargas, mas Chaves, o mexicano, do seriado da televisão. Ninguém quer que Marin morra, ou que, aos 80 anos, seja preso.
O que se quer é que ele deixe nosso futebol, volte a desfrutar da vida com tudo o que amealhou nos tempos da ditadura a que serviu – como os documentos do SNI revelam sobre ele, segundo informaram, no UOL, do Grupo Folha, os repórteres Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos.
Será demais pedir a cada estrela fria que Marin parta num rabo de foguete, se não para Boca Raton, como o colega que fugiu, mas, tudo bem, para Nova York, onde também tem luxuoso apartamento?
É que o futebol brasileiro anda de luto, chupando manchas torturadas, incapaz daquelas velhas irreverências mil nas noites, e nas tardes, do Brasil. Chega de viver nas nuvens ou no fundo do poço. É hora de passar o mata-borrão do céu e acabar com esta dor pungente que não haverá de doer inutilmente, mestres Aldir Blanc e João Bosco.
E que cada passo desta linha, de Ronaldinho a Neymar, seja para machucar o gol do rival, livre, azar, desta cartolagem equilibrista.
Que sufoco. Louco!







