Leão volta a bater Papão e vai decidir returno

REXPA quarta de final Parazao2013-Mario Quadros (20)b

Por Gerson Nogueira

Com a mesma aplicação do primeiro jogo das semifinais, o Remo derrotou o Paissandu por 2 a 1 na noite deste sábado, no estádio Jornalista Edgar Proença, e está na decisão do returno do Campeonato Paraense (Taça Estado do Pará). A vitória azulina começou a se desenhar logo no primeiro ataque, aos 5 minutos de partida, quando Jonathan passou para Leandro Cearense finalizar diante de Paulo Rafael. Até então, o Paissandu tinha sido mais presente no ataque, mas com a desvantagem cedeu espaços e o Remo passou a predominar em campo.

Diogo Capela organizava a equipe no meio-campo, auxiliado de perto por Jonathan e Ramon, além das subidas do lateral-esquerdo Alex Ruan. Um dado fundamental: o time não isolava bolas, nem apelava para ligações diretas. A opção clara era pelo toque de bola, as jogadas em velocidade e o posicionamento avançado do volante Jonathan, que aparecia como elemento surpresa junto ao atacante Leandro Cearense.

REXPA quarta de final Parazao2013-Mario Quadros (5)b

Do lado bicolor, peças fundamentais não funcionavam. Pikachu, Iarley e Eduardo Ramos mostravam-se aquém das expectativas. Ainda assim, João Neto teve boa chance de empatar e disparou errado. Em seguida, Henrique cabeceou e acertou a trave alviceleste. Pikachu desfrutou de nova oportunidade, mas falhou na finalização. O Paissandu detinha a posse de bola, trocava passes, mas era pouco objetivo. Ramos, ao contrário de outros jogos, pouco finalizou e também quase não criou situações de perigo. Em contra-ataques bem armados, com rápida troca de passes, o Remo chegava a todo instante. Aos 34 minutos, Capela fez excelente jogada, mas foi desarmado na marca do pênalti pelo zagueiro Bispo.

No segundo tempo, com Alex Gaibu e Rafael Oliveira substituindo Iarley e Vanderson, a situação se inverteu. O Paissandu foi todo ao ataque e chegou ao empate aos 4 minutos. Oportunista, Djalma pegou rebote do goleiro Fabiano e chutou para as redes. Gaibu deu mais movimentação e fez o time subir de produção. Quatro minutos depois, Rafael desperdiçou a chance da virada. Em cruzamento de Diego Bispo, a bola chegou a Pablo, que cabeceou sozinho, mas em cima de Fabiano. O Remo não conseguia mais fazer a transição com a facilidade da etapa inicial, sentindo principalmente o cansaço de Leandro Cearense, Ramon e Capela.

Jogo Remo X Payssandu

Sob ameaça de sofrer o segundo gol, Flávio Araújo resolveu mexer e acabou tendo sorte, pois Clébson (que substituiu Ramon) acertou o pé logo no primeiro lance em que se envolveu. Pegou forte de fora da área, vencendo o goleiro Paulo Rafael, que falhou no lance.  Tiago Galhardo entrou no lugar de Capela, mas teve atuação discreta. Enquanto o Paissandu se desesperava, ansioso por novo empate, concedendo espaços para o Remo contra-atacar. A partida ficou emocionante, mas os times erravam seguidamente nas tentativas de chegar ao gol. Quase ao final, o árbitro mineiro expulsou Tiago Costa e Jonathan, depois que o zagueiro agrediu o volante remista.

Destaques do Remo: Diogo Capela, Jonathan, Yan e Alex Ruan. Destaques do Paissandu: Alex Gaibu e Diogo Bispo.

Com o resultado, o Remo se classificou para decidir o returno, aguardando agora o vencedor do confronto entre PFC e Tuna, que jogam neste domingo, na Arena Verde, em Paragominas. De quebra, os azulinos conquistaram o troféu alusivo aos 85 anos de aniversário da Rádio Clube do Pará. Foi o sexto Re-Pa disputado no Parazão. Até agora, três vitórias azulinas, duas bicolores e um empate.

Jogo Remo X Payssandu

Escalações:

Paissandu – Paulo Rafael; Pikachu, Tiago Costa, Diego Bispo e Pablo (Bruno); Vanderson (Gaibu), Esdras, Djalma e Eduardo Ramos; Iarley (Rafael Oliveira) e João Neto. Técnico: Lecheva.
Remo – Fabiano; Endy, Henrique, Yan e Alex Ruan (Gabriel); Nata, Gerônimo, Jonathan, Diogo Capela (Tiago Galhardo) e Ramon (Clébson); Leandro Cearense. Técnico: Flávio Araújo.
Árbitro: Ricardo Marques (Fifa-MG); assistentes: Márcio Eustáquio (MG) e Fábio Pereira (TO). Cartões amarelos: Jonathan, Clébson, Nata, Paulo Rafael, Pikachu e Bispo. Cartões vermelhos: Tiago Costa e Jonathan.
Renda: R$ 270.640,00. Público pagante: 15.531. Público não pagante: 1.490. Total: 17.021.

(Fotos: NEY MARCONDES, MÁRIO QUADROS/Bola) 

Paissandu x Remo (comentários on-line)

Campeonato Paraense – Semifinais do returno.

Paissandu x Remo – estádio Jornalista Edgar Proença, 18h30.

Na Rádio Clube, Claudio Guimarães narra; Carlos Castilho comenta. Reportagens: Valdo Souza, Dinho Menezes, Paulo Caxiado, Paulo Sérgio Pinto e Carlos Estácio. Banco de Informações: Adilson Brasil.

TV Cultura transmite ao vivo.

O passado é uma parada…

575395_494184953969251_514496277_n

Time do Papão campeão brasileiro da Série B de 1991, com Oberdan, Mazinho, Cacaio, Rogerinho e Jorginho Macapá na linha atacante (agachados).

O passado é uma parada…

379913_4054232973996_380478073_n

Um dos melhores times formados pelo Remo nos anos 90: Luís Carlos Nescau, Moreira, Belterra, Marcelo e Silvano, de pé; Alencar, Luciano Viana, Lamartine, Arthur, Rildon e Agnaldo, agachados.

A hora dos renegados

Por Gerson Nogueira

O jogo decisivo das semifinais do returno podia muito bem ser chamado de o Re-Pa da virose. Mais do que sobre táticas ou jogadores o noticiário da semana sobre o clássico abordou mais os sérios problemas de saúde que se alastraram dos dois lados, com baixas mais significativas do lado remista. O que virou uma dor de cabeça para os técnicos pode, porém, favorecer o regionalismo.

COLUNA GERSON_27-04Dos jogadores cotados para entrarem em campo hoje à noite, quase a metade veio das divisões de base dos dois rivais. No Paissandu, que há dois anos pratica uma política mais generosa em relação à garotada nativa, metade do time titular é formada por jogadores regionais.

Para hoje, é provável que Lecheva inicie o jogo com até oito paraenses: Paulo Rafael, Pikachu, Tiago Costa, Pablo, Billy, Vânderson, Djalma e Rafael Oliveira. Um verdadeiro recorde em escalações de times paraenses nestes tempos de importação desenfreada.

A destacar o fato de que são jogadores acostumados a jogar no time de cima, sendo que todos já maceteados quanto ao Re-Pa, o que conta muito em jogos decisivos. Caso quisesse ser um pouco mais ousado, Lecheva ainda podia lançar mão do garoto Romário, volante de recursos que só foi utilizado (e bem) uma vez no campeonato, contra o Águia em Marabá.

No Remo, o técnico Flávio Araújo lançou o olhar em direção aos jogadores da base por força de necessidade. Não há dúvida que a oportunidade que se abriu para o aproveitamento de jovens valores do clube tem a ver, exclusivamente, com a impossibilidade de escalação (por suspensão, lesão ou doença) dos titulares.

Por mais boa vontade que demonstre em relação à prata da casa, Araújo pouco fez no sentido de prestigiar jogadores saídos da base. Conforme a cartilha dos técnicos vindos de outras regiões, aposta todas as fichas nos  atletas de sua confiança – quase todos indicados por ele à diretoria.

Desse modo, apesar das carências surgidas nos últimos dias, o Remo terá em campo um número menor de paraenses que o Paissandu. A princípio, devem ser escalados Jonathan, Ian, Gabriel, Alex Ruan e Endy. Ainda assim, a ocasião deve ser ruidosamente comemorada pelos defensores das nossas categorias de base. Se precisar, pode contar também com os garotos Guilherme, Alan Peterson e Rodrigo.

Pouco prestigiadas pelos dirigentes, que normalmente citam a base apenas para enfeitar discursos, as categorias formadoras de atletas são o grande patrimônio dos clubes. Caso tivessem a atenção devida, certamente já teriam ajudado a dupla Re-Pa a deixar o abismo técnico em que se encontram há pelo menos oito anos.

Mesmo sem investimentos de grande monta, as divisões de base sempre socorrem os clubes na hora do aperreio, como agora. Faz pensar no quanto poderiam ser impulsionadoras de lucro e qualificação técnica caso fossem tratadas profissionalmente.

———————————————————–

Caso Branco: amadorismo e trapalhadas

Até as primeiras horas da noite de ontem, diretoria e advogados do Remo batalhavam pela liberação judicial para que o atacante Branco tenha condições de jogar hoje. Independentemente do fato de terem alcançado êxito ou não na empreitada, não se pode deixar de observar o componente absolutamente amadorista como a questão foi tratada pelos dirigentes.

Com julgamento marcado com antecedência – e noticiado amplamente pela imprensa –, Branco acabou julgado à revelia na comissão disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva. Pela reação da diretoria remista ficou a impressão de que acreditavam na punição do jogador por mais de quatro partidas, o que ensejaria o pedido de efeito suspensivo para que ele pudesse atuar.

Ocorre que o atleta terminou punido apenas por dois jogos, inviabilizando a manobra jurídica imaginada pelos azulinos. O pior da história foi a desculpa esfarrapada, digna de estudante gazeteiro. Alegaram que os dois advogados do clube não compareceram por motivo de viagem. Durante o julgamento, a auditora do tribunal revelou, porém, que vira um dos advogados passeando no shopping pela manhã.

É preciso competência até para inventar desculpas. O provável impedimento de Branco é a evidência pública da irresponsabilidade que norteia a ação dos clubes, geridos por diretores amadores num ambiente inteiramente profissionalizado. O descuido vai afetar o trabalho do técnico Flávio Araújo, que fica sem uma opção importante para armar o setor ofensivo do time no jogo mais importante do ano.

———————————————————–

Boleiros boêmios em apuros

Bernardo, o atacante vascaíno que teria sofrido tortura e escapado de ser executado por capangas de um traficante enciumado, tem motivos de sobra para erguer as mãos para o céu e agradecer pela graça alcançada. A ainda mal explicada questão está na esfera policial, mas, do ponto de vista profissional, deveria ser duramente punido pela direção do clube.

Em recuperação de lesão grave, parece mais dedicado aos folguedos dançantes dos morros cariocas do que ao tratamento. Como empregado (e patrimônio), deve satisfações sobre o grave deslize, que quase lhe custou a vida.

Curiosamente, Bernardo teria sido poupado por interferência direta de um companheiro de profissão, Wellington Silva, do Fluminense, que também se recupera de contusão.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 27)

TJD decide hoje a situação de Branco

O presidente do TJD, Barra Brito, despachará neste sábado, às 11h, o recurso apresentado pelo Remo tentando anular o julgamento que suspendeu o atacante Branco por duas partidas. O advogado remista, André Cavalcante, explicou através do Twitter que a apelação se baseia na tese da nulidade no recebimento da denúncia da 1ª Comissão Disciplinar e no cerceamento de defesa. Se reconhecida a nulidade, a punição aplicada ao jogador será prescrita. Segundo ele, “cerceamento do direito de defesa ocorreu quando o procurador desclassificou do artigo 254-B para o 254, o que impunha uma nova citação do atleta e não seu julgamento à revelia”. Dirigentes azulinos mostram-se confiantes que o recurso de Cavalcante será acatado pelo tribunal.

A Fifa está feliz

Por Juca Kfouri

Cinco bilhões de dólares é o que se projeta que a Fifa lucrará com a Copa no Brasil. Mais de 35% acima do que ganhou no Mundial de 2010 e 110% a mais do que em 2006.
Os números são da consultoria BBO, publicados recentemente e não contestados pela entidade.

Mas a Fifa nega que tenha havido uma troca de comando em seu escritório, como aqui informado na última segunda-feira: “Estamos muito satisfeitos com as instalações do Riocentro”, informa comunicado recebido pela coluna.

“Sobre a nota que menciona a chegada de Ron DelMont, gostaria de ressaltar que sua chegada não tem nenhuma relação com a mudança da Fifa e do COL para o Riocentro. Fulvio (Danilas) continua administrando o escritório, mas a chegada de Ron (…) significa que estamos nos aproximando da competição. Ron tem larga experiência tanto em Jogos Olímpicos como na Copa do Mundo, tendo sido o chefe do escritório da Fifa na África do Sul. Seu papel é realmente acima do de Fulvio, como diretor-geral, mas seu foco é totalmente voltado aos aspectos de organização do evento propriamente dito, pelo lado da Fifa. Sua interação é com Ricardo Trade, que desempenha um papel equivalente por parte do COL.”

Recordando: Trade, o Baka, de bacalhau, que até fisicamente lembra Chacrinha, foi indicado a Ricardo Teixeira para o COL por Danilas, e a mudança do COL para o Riocentro não só atrasou mais de um ano como reforçou a demissão da então diretora de planejamento, Fernanda Pizzi, que nada planejou, ela que foi indicada por Joana Havelange.

Mas, diante de uma perspectiva de lucro tão apetitoso, é natural que a Fifa se comporte como algodão entre cristais e negue em público aquilo que a incomoda, e muito, privadamente.
Basta dizer que o COL já praticamente esgotou seu orçamento.

Segundo representantes nas sedes da Copa, os escritórios em cada uma delas estão comprometidos e podem ser suspensos.

Na área de segurança, os cortes chegaram a tal ponto que uma onda absurda de furtos acontece dentro do COL, nas barbas do chefe do setor, Hilário (é ou não o país da piada pronta?) Medeiros, ex-polícia federal e ex-guarda-costas de Lula.

O COL impressiona pelo entra e sai de funcionários e tem um monte deles espalhados pelo Rio.

Daí não surpreender que Trade se diga surpreso quando informado de que o estádio de Brasília sofrerá novo atraso, tal é o descontrole que fez do COL um caos.

Fontes nas diversas sedes também garantem que o atendimento à imprensa mundial na Copa das Confederações será precário e que o material utilizado na maioria dos estádios é de segunda, o que poderia ser visto como maldade não fosse a recente interdição do Engenhão.

Ah, sim, o chefe dessa bagunça se chama José Maria Marin.