Qual a verdadeira face do Leão?

Por Gerson Nogueira

Qual é exatamente o Remo que vai disputar as finais do turno? O time competitivo, treinado para o contra-ataque, mas inegavelmente cauteloso e dado a retrancas, que se apresentou ao longo de toda a fase classificatória? Ou a equipe organizada no meio-de-campo e forte nas saídas para o ataque, vista pela primeira vez na partida de volta das semifinais contra o PFC, anteontem?

bol_ter_190213_11.psEsta é a grande dúvida que ronda o torcedor azulino a esta altura do pagode, na semana que antecede a decisão do turno. Pelo que se observa do técnico Flávio Araújo, seu perfil é conservador quanto à formulação de jogo. Prefere não perder a vencer correndo riscos. Defende-se quase sempre com mais de seis jogadores e costuma atacar com dois ou três – e olhe lá.

É, porém, um catalizador e tem conseguido extrair de seus atletas o máximo de doação em campo. Algumas das mais importantes vitórias do Remo no primeiro turno têm a ver exatamente com essa capacidade de o time suar a camisa do começo ao fim.

Impressiona também a formação de um ambiente de união, sem vaidades afloradas e com plena aceitação de suas decisões. Pode-se dizer, a partir do próprio estilo do técnico, que o elenco do Remo tem pelo menos 22 titulares, que se revezam de acordo com condições físicas e nível técnico.

O ataque, por exemplo, dispõe de quatro jogadores, que se submetem a um constante rodízio. Sem protestos. Fábio Paulista é o mais utilizado, mas os demais – Val Barreto, Leandro Cearense e Branco – são acionados regularmente.

Ficou provado, porém, que a campanha invicta teve um ponto fraco. O time raramente conseguiu ter domínio sobre os adversários. Para desespero do torcedor, Araújo esticou a corda até onde foi possível, mantendo o esquema quase suicida de recuar para sair em contra-ataques.

A exceção foi o jogo de domingo, quando o Remo finalmente se lançou à frente sem cair no aleijão de esperar a iniciativa do oponente. Isso foi possível porque a equipe contou pela primeira vez com dois alas de fato – Válber e Berg – e dois volantes, Jonathan e Gerônimo, que sabem passar e se movimentam bastante.

Apesar da pressão ofensiva, a vitória custou a se concretizar. Saltou aos olhos, principalmente do torcedor, a evolução do time. Foi a apresentação mais convincente, como se o Remo tivesse reservado seu traje de gala para a última sessão.

Ocorre que o adversário agora é outro e é improvável que Araújo se lance em busca do gol como fez contra o acuado PFC. No primeiro embate com Lecheva, saiu vitorioso justamente por ter se mantido em espera, só atacando nas boas. A questão é: manterá a proposta anterior ou abandonará a cautela para prestigiar o esquema solto e agressivo do último jogo? Aposto na primeira alternativa.

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Para pôr ordem na casa

Enquanto os dirigentes surpreendem com a importação de árbitros da Fifa, autoridades da área de segurança pública, promotores do Ministério Público e representantes da Justiça, Federação Paraense de Futebol, clubes e imprensa estão empenhados em acertar os ponteiros para evitar que os dois clássicos decisivos repitam as arruaças e transtornos verificados no primeiro da temporada.

Vejo como medida fundamental o funcionamento do Juizado Especial do Torcedor, que pode inaugurar um novo tempo em relação aos bárbaros dos estádios paraenses. Se funcionarem de verdade, será dado um grande passo para coibir a impunidade, que é prima-irmã dos abusos praticados pelos falsos torcedores.

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Na rota da transparência

O primeiro balancete a gente nunca esquece. O presidente do Paissandu, Vandick Lima, cumpriu o prometido em campanha e divulgou os números de seu primeiro mês de gestão. A receita chegou a R$ 1.133.446,68 e a despesa totalizou R$ 991.052,44, resultando num superávit de R$ 142.394,24.

Belo resultado para o começo dos trabalhos e, acima de tudo, gesto dos mais expressivos quanto à transparência administrativa. Parabéns.

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Oratório em mãos paraenses

O paraense André Tabosa vai comandar o Oratório de Macapá na Copa do Brasil e enfrenta o Goiás, no dia 10 de abril, pela primeira fase da competição. A curiosidade é que, no Curso de Qualificação de Treinadores Nível 3, realizado pela CBF na Granja Comary, o técnico Ênderson Moreira (do Goiás) foi o instrutor de Tabosa. Agora, aluno e professor têm a chance de um duelo em campo.

Em contato com o Fluminense, Tabosa tenta conseguir atletas sub-20 por empréstimo. Busca um acordo parecido com o América-MG e negocia com as diretorias de Remo e Paissandu a cessão de jogadores em disponibilidade. Na Curuzu, o alvo é um goleiro. No Baenão, o interesse é pelo centroavante Jaime.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 19) 

26 comentários em “Qual a verdadeira face do Leão?

  1. Esse negócio de Endy e Nata, pode descartar (somente reservas).

    Agora o Remo tem que ter o pensamento que a vaga da série D já está assegurada e começar o planejamento para a competição, já renovando os contratos dos jogadores de destaque.

  2. Gerson, o avanço do Remo contra o PFC, a meu ver, não foi mudança tática, antes consequência da fragilidade do adversário. Na final, além de manter o estilo chamando o adversário, ainda tem o regulamento a favor. Lecheva não pode cair na arapuca, esse Paulista é perigosíssimo. Quero vitória do Papão, mas creio num 0x0 no domingo.

    1. Respeito sua opinião, amigo. Mas foi evidente a mudança, para melhor, do time. E atribuo isso basicamente à presença de volantes mais avançados ao lado do Galhardo; à participação dos alas Válber e Berg; e à movimentação do Leandro Cearense, voltando para trabalhar jogadas na meia-cancha.

  3. Na Sua opinião Gerson Nogueira o Flávio Araújo vai enfrentar o papão jogando na retranca como fez no último rexpa ou vai enfrentar como jogou contra o paragominas no mangueirão?

  4. Hélio Gueiros, das catacumbas onde se encontra atualmente acaba de dar a notícia:
    “Meus amigos da capital e do interior, muito bom dia. Acaba de chegar o meu correligionário Almir Gabriel!”

  5. Acho que vai esperar e talvez até mexer na forma de jogar durante o jogo, mas ele é sempre conservador, ainda mais porque observou a evolução do adversário.

    Mas é visível e melhoria do Remo no aspecto técnico, e a aplicação tática é evidente.

    RRamos

  6. Concordo com as palavras do Gérson, mas teríamos que frisar o papel dos dois laterais que fizeram com que o Remo tivessem alternativas ao jogo centralizado, coisa que não vinha acontecendo desde que o Berg ficou contundido e que não tínhamos o Walber. Mas agora a tendência é que as coisas se entrosem e que Val Barreto possa começar jogando mesmo. O time do Remo é esse aí que vai se defender em bloco e atacar com velocidade pelos pés de Galhardo e pelos laterais. Te cuida, papãozinho

  7. Concordo Gerson. O que quis dizer é que o PFC contribuiu. Muito fraco, até fisicamente, sem ganhar divididas, chegando atrasado nas sobras, perdendo todas na velocidade. Também atesto a melhora do Remo, principalmente por causa do trio Galhardo, Paulista, Val Barreto mais afinado, mas não vai ficar à vontade como no domingo. Embate equilibradíssimo, não vejo a mínima superioridade do Papão, como muitos atestam. A face do Leão vai ser a conservadora, mas com contra-ataque melhorado.

  8. Se o Remo for pra cima será um REPA de muitos gols. O Leão tem um ataque forte e rápido, enquanto o Paysandú tem uma defesa ruim e lenta.
    Mas se o ataque bicolor encontrar um adversário aberto vai fazer chover na área azulina, porque tá jogando do meio pra frente como música, de maneira afinada.
    Agora eu acredito que o técnico azulino deve se fechar mais ainda confiante na última estratégia que lhe deu a vitória sobre o Papão da Curuzu.
    Vamos aguardar!
    Que vença o melhor!
    E que o melhor seja o meu Papão!

  9. Acredito que, pelo contrário, Flávio Araújo deva manter aquela postura ofensiva do time diante do PFC ainda contra o Paysandu. O pensamento é simples. A zaga do Paysandu é bem ruim, e só mostrou certa melhora porque o Paysandu ultimamente tem atacado bastante os adversários após o RE-PA da primeira fase. Ou seja, os adversários do Paysandu se intimidaram e cederam espaço pro meio-campo bicolor criar e o ataque executar as jogadas. Em contrapartida, o Remo levou mais gols porque não conseguia se manter no ataque e recuava demais por causa dos improvisos. Sem os improvisos, o Remo pode render bastante no ataque e defesa. Acredito que o Flávio Araújo pense mesmo em montar um esquema que anule o Ramos, o João Neto e o Pikachu, e ainda permita a saída rápida do leão para o ataque, como no primeiro jogo. Dessa vez, o Lecheva tem que se preocupar ainda mais com a saída rápida para o ataque e em não repetir os erros do primeiro clássico. Mas acho que o Paysandu vai sair pro jogo porque o empate não interessa. É 3×1 pro Leão, no domingo!

  10. Acho que a face que o FA pretende ver do Leão é esta que o time apresentou no domingo passado, e ensaiou apresentar no primeiro tempo de um dos jogos da fase classificatória, salvo engano, contra o próprio Paragominas. Não é possível que ele ao menos admita atuar como nos demais jogos, onde prevaleu a mais constrangedora e angustiante retranca.

    Nesse sentido, sendo certo que dentro das pouco flexíveis convicções táticas do FA, ele já fez tudo que lhe competia, agora, de reconhecer que no mais, a palavra está com os próprios jogadores. A eles cabe dizer em campo, se a face do Leão será a mesma de domingo, ou as anteriores.

    De fato, o FA já estabeleceu o formato tático com apenas um armador. No que diz respeito à escalação do time, já sentou o Guerra, efetivou o ala Valber e definiu a dupla de volantes, adotando a óbvia escalação do Jonathan ao lado do Gerônimo. Dele, pelo que se viu até aqui, não é razoável esperar muito mais, não. Inclusive, porque ele parece que tanto não gosta de atuar com dois armadores, quanto parece que, salvo o fora de forma Ramon, ele não gosta das opções de armadores de que o elenco dispõe (pelo menos não lhes dá a chance que deu ao Guerra e dá ao próprio Ramon, por exemplo).

    Agora, é com os jogadores, em campo. Estes é que devem manter e aprimorar a performance de domingo, pois do Clássico é lícito esperar dificuldades muito mais acentuada. Isto é, fazendo a aproximação, ajustar a marcação e redobrar a atenção quando a bola estiver com o adversário, manter e qualificar a posse de bola, evitar ao máximo os chutões, reduzir ao máximo o erro de passes, principalmente o último. E lógico, não desperdiçar as oportunidades que surjam, que em jogos como estes geralmente não são muitas.

    A rigor, e a bem da justiça, é dizer que se é verdade que o limitado e previsível formato tático usado pelo FA, é o responsável por muito do sufoco enfrentado pelo Remo em todas as partidas que jogou anteriormente ao domingo, também é verdade que outro tanto desta responsabilidade, em igual ou até maior quantidade, é devida à inobservância, pelos atletas (nomeadamente os meias e os zagueiros), dos fundamentos mínimos do futebol razoavelmente jogado. Afinal, tenho certeza que mesmo sendo responsável pela escalação p. ex, do Guerra, o FA não é responsável pelos chutões que os zagueiros e os meias invariavelmente vinham sapecando em qualquer bola.

    Enfim, como eu mesmo já disse em comentário anterior, se o Remo ao menos repetir o futebol jogado domingo, o rival não terá a mesma facilidade em manobrar que teve no Clássico passado. Mas, minha expectativa é que nos dois domingos vindouros, os Atletas Azulinos aprimorem ainda mais sua performance e mais uma vez cumpram o seu dever contra o rival, mantendo ou até acentuando a vantagem que o Clube já tem.

  11. Esqueci o mais importante, já diria Lulinha paz e amor: Nunca antes na história desse estado um clube divulgou resultado a todos.

    Parabéns à diretoria bicolor isso traz credibilidade junto à patrocinadores atuais e melhores perspectivas para patrocínios futuro, maior crédito aos credores, melhor ainda junto às instâncias judiciais, agora é sem dúvida uma grande ferramenta até para alavancar receitas perante o torcedor que começa a ver para onde o dindin está indo.

    RRamos

  12. Aliado a tudo isso que descreveu no texto sobre o time do Remo Amigo Gerson, acrescento um detalhe muito importante em numa equipe de futebol, a determinação, costume em não perder ou seja um objetivo. Nos jogos, apesar das críticas, os zagueiros ou os meias não sentem vergonha de chutões para os lados para não darem chances aos adversários. Você tem absoluta razão quando diz que o time não tem estrelas, e arrisco a dizer que são verdadeiros soldados obedecendo uma estratégia de guerra, determinadas por um comande astuto e acostumado às diversidades do jogo. Essa equipe nem se compara a do ano passado, que não podia receber pressão do adversário que levava gols. O Flávio Araújo com certeza manterá a cautela, não como no jogo passado contra o rival, pois com a entrada do berg e o jhoonatan não tem como não adiantar um pouquinho mais a marcação e consequentemente favorecer os atacantes com a aproximação de outras peças no ataque. A tendência é proporcionar mais chances de gol no adversário.

  13. Gerson, a propósito da participação da imprensa nas reuniões tendentes a tentar evitar que se repitam as arruaças e os transtornos nos dois clássicos decisivos, fico me perguntando se no caso específico dos Setoristas da Clube, se eles não poderiam qualificar mais o trabalho de promoção do clássico, inclusive baixando um pouco o tom das recíprocas provocações que fazem em nome das torcidas respectivas. Será que tal postura involuntariamente não tem o condão de acirrar ainda mais a violência já por demais acirrada entre os integrantes das organizadas?

  14. Acredito que ocorrerá um empate neste primeiro jogo da final e a decisão ficará para a segunda partida. Primeiro, porque ambos querem arrecadar dinheiro e uma vitória por placar dilatado afastaria a torcida derrotada no segundo confronto. Segundo, porque o Lecheva não vai querer perder o segundo RE-PA consecutivo e usará o primeiro embate para estudar o Remo. Terceiro porque o Flavio Araújo vai manter a tática de jogar no erro do adversário e este por sinal já vem escaldado da primeira derrota na fase classificatória e dificilmente cometerá erros. Penso que o segundo jogo será um duelo digno da tradição do RE-PA.

  15. Não sendo a face do Charles Guerreiro….Te dizer…rs

    O Flávio Araújo monta seus times, conforme o adversário(taticamente) e por isso, as vezes, precisa mexer numa peça ou outra… Ele sabe o que faz e sabe também, que o time do Paysandu é superior individualmente em alguns setores, além de estar melhor preparado fisicamente… Será um bom jogo, no domingo.

    Será que daqui a pouco esse André Tabosa já não vai ser lembrado por aqui pra Remo e Paysandu? Eu hein..

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