Reflexão sobre a mais nova vítima das torcidas

Por Flavio Gomes

O garoto Kevin tinha 14 anos, gostava de futebol, torcia para o San José, foi ao jogo e voltou num caixão.

De todo o amontoado de bobagens que escreverei a seguir, nada é mais pesado do que isso e nada tem a menor importância diante da dor que a família do menino está sentindo. Nada do que foi dito ou será vai mudar essa situação. Ele morreu, não existe mais.

Ouço e leio aqui e ali a palavra “fatalidade”. Não foi, óbvio. Tudo que pode ser previsto ou evitado não entra na categoria de “fatalidades”. Se um meteorito despencasse dos céus de Oruro e atingisse Kevin na cabeça, aí sim seria uma fatalidade. Se um escorpião venenoso se esgueirasse por dentro do tênis de Kevin debaixo da cama e o picasse mortalmente, seria uma fatalidade. Se Kevin estivesse comendo um chicharrón de cerdo e engasgasse com um grão de milho, perdesse a respiração e morresse na mesa de um restaurante, seria uma fatalidade.

Um morteiro disparado de dentro de um estádio de futebol não é uma fatalidade. É uma estupidez.

Eu divirjo da maioria, senão da totalidade, de meus colegas que recusam a tese da generalização para tentar conter a repetição dessas tragédias. “Não se pode generalizar” é a primeira coisa que ouço quando acontece qualquer coisa que envolva uma torcida de um time de futebol, seja ele qual for. Discordo. Acho que é absolutamente necessário generalizar quando o coletivo é bem maior e mais difícil de controlar do que o individual.

Desta forma, a culpa é, sim, da torcida do Corinthians. E é ela que tem de ser controlada, necessidade maior, a esta altura, do que identificar o infeliz que disparou o rojão que matou Kevin. E é punindo o coletivo, o Corinthians, que, quem sabe, assassinatos semelhantes possam ser evitados no futuro.

Calma, não é necessário ter nenhum ataque histérico diante da frase que abre o parágrafo acima. O que proponho para reflexão a seguir é quase um raciocínio estatístico, e lamento se alguém achar que estou partindo para uma discussão clubística.

Para desfazer tal impressão, vou usar como contra-exemplo (coloquei e tirei o hífen disso aí dez vezes; ficou melhor com) meu time e minha torcida, a Portuguesa. Partamos de dois números arredondados, mas não necessariamente chutados, uma vez que se baseiam em pesquisas recentes. Arredondados para facilitar a compreensão. O Corinthians tem 20 milhões de torcedores no Brasil. A Portuguesa, 200 mil. A proporção, pois, é facílima de calcular. O Corinthians tem 100 vezes mais torcedores que a Portuguesa.

Numa amostragem de 20 milhões, como numa amostragem de 200 mil, vai-se encontrar de tudo, rigorosamente todo tipo de gente. Assim, é possível afirmar, sem medo algum de errar, que entre corintianos há, em relação aos torcedores da Portuguesa, 100 vezes mais brancos, negros, nisseis, gays, aleijados, advogados, engenheiros, padeiros (sim, padeiros também), médicos, faxineiros, prêmios Nobel, padres, evangélicos, filantropos, pilotos de avião, asmáticos, mergulhadores, dançarinos, tocadores de tuba, ricos, pobres, porteiros de prédio, executivos de multinacionais, bancários, mulheres bonitas, mulheres feias, gordos, magros, cadeirantes, bigodudos, depiladas, juízes, promotores, desembargadores, delegados, policiais, jornalistas, tatuados, alcoólatras, bandidos, mocinhos, condenados, inocentados, pacifistas, gente violenta, lúcidos e idiotas.

Portanto, quando se quiser fazer qualquer comparação, qualquer uma, de categorias humanas, sejam elas divididas em classes social, profissional, econômica, sexual ou racial, a torcida do Corinthians será sempre, em qualquer circunstância, 100 vezes mais do que a da Portuguesa. Se há um tocador de tuba no Canindé, haverá 100 no Pacaembu. Se há uma morena linda no Canindé, haverá 100 no Pacaembu. Para cada taça exposta na sala de troféus do Canindé, há 100 no Parque São Jorge.

A conclusão é que sim, é possível dizer que a torcida do Corinthians é 100 vezes mais violenta que a da Portuguesa. E 100 vezes mais pacífica, também. Só que quando se fala de multidões, e 20 milhões representam uma multidão assim como 200 mil, individualizar a discussão perde o sentido e resulta em medidas inócuas. Trata-se de coletivos. Uns maiores — corintianos, flamenguistas, são-paulinos, vascaínos, palmeirenses, gremistas — e outros menores — juventinos, xavantes, lusos, americanos. E os indivíduos que fazem parte dessas coletividades dificilmente serão atingidos individualmente por punições se o coletivo não o for.

No Brasil, sei lá se no resto do mundo é assim, o medo de generalizar só emerge quando se trata de algo negativo. Às dezenas de ocorrências envolvendo a torcida do Corinthians, todos se apressam em clamar que “não é a torcida toda”. É óbvio. Tão óbvio, que desnecessário dizer. Mas, por outro lado, generaliza-se para o bem, porque é de bom tom afagar a massa. Quando se encontra um corintiano humilde que vendeu a geladeira, o fogão e a bicicleta para ver o time no Japão, todos se apressam em clamar que “a torcida do Corinthians é diferente, apaixonada, não mede esforços etc”. Aí a generalização é aceita. Mesmo sabendo-se que entre os 50 mil que foram ao Japão, havia também escroques, estelionatários, traficantes e proxenetas. Mas ninguém afirma, ao encontrar um desses, que “a torcida do Corinthians é diferente, um bando de procurados pela Justiça e ex-presidiários, não liga a mínima se está viajando com dinheiro fruto de ilegalidades”.

Tem de tudo, do humilde apaixonado ao bandidão que roubou dinheiro da merenda escolar, e assim não é possível determinar com precisão qual é o perfil majoritário que integra essa coletividade. Não é justo dizer que corintiano é tudo bandido, como é impreciso afirmar que é tudo apaixonado com auréola de santo. Mas é seguro afirmar que a torcida corintiana é violenta, porque o ser humano é, a sociedade é, e quando mais indivíduos qualquer grupo agrega, mais “tudo” ele é. Violento, inclusive. Donde é possível afirmar que a torcida do Corinthians é 100 vezes mais violenta que a da Portuguesa, pela única e simples razão de que ela é maior. 100 vezes maior.

O caso do futebol é bastante específico e há farta literatura disponível sobre o conjunto de medidas possíveis para reduzir a violência, inibindo os indivíduos de praticá-la a partir de punições coletivas, uma vez que é virtualmente impossível identificar e punir indivíduos que fazem parte de grandes massas humanas. O caso mais clássico é o da tragédia de Heysel, na Bélgica, em 1985, na final da Copa dos Campeões entre Liverpool e Juventus. Os hooligans ingleses já estavam fora controle havia muito tempo, espalhando o terror pela Europa, e nada era feito, até a briga generalizada que matou 38 pessoas no estádio de Bruxelas.

Entre as medidas punitivas impostas pela UEFA esteve a suspensão de TODOS os times ingleses de competições continentais por cinco anos. Não sei quantos hooligans foram presos e condenados. O que foi possível pegar, creio que pegaram. Mas o espírito da punição foi esse, coletivo. Não se atacou apenas uma torcida organizada, que poderia ser proibida de entrar nos estádios, ou um grupo específico de beberrões que se reuniam num determinado pub da cidade para sair barbarizando por aí. Nem mesmo o Liverpool, que poderia ter sido suspenso individualmente — digamos que, nesse caso, o Liverpool poderia ser comparado a um indivíduo entre o coletivo de “indivíduos” representados pelo conjunto de outros clubes.

Não. Coletivizou-se a condenação: toda a Inglaterra, por cinco anos. E foda-se.

O resultado, como se sabe, é que nunca mais algo parecido aconteceu em competições europeias, com as exceções de praxe — Sheffield, por superlotação, pancadarias isoladas na Grécia e na Turquia etc; os ingleses saíram do noticiário policial, ao menos com a frequência que lhes era dedicada. Não resolveu o problema integralmente, porque estamos falando da espécie mais mal-sucedida do planeta, o Homo sapiens, mas ao menos reduziu-se a violência ao ponto de ela poder ser controlada, o que já é alguma coisa.

O que aconteceu ontem na Bolívia poderia não ter acontecido se, por exemplo, o Corinthians (ou TODOS os times brasileiros) tivesse sido suspenso de todas as competições sul-americanas por cinco anos depois que sua torcida (OK, não foi toda, não precisam repetir o tempo todo) tentou invadir o campo no Pacaembu para bater em seus jogadores e nos do River Plate, em 2006. Sabe-se lá como aquela turba enfurecida foi detida por meia-dúzia de policiais que seguraram a massa literalmente no peito. Uma enorme tragédia poderia ter ocorrido. O Corinthians ficaria cinco anos sem Libertadores. Seus torcedores pensariam duas vezes antes de fazer algo parecido. O infeliz que disparou o morteiro e matou Kevin ontem, consciente de que seu clube, sua grande paixão, sua vida e seu amor poderia ser suspenso de novo, talvez enfiasse o rojão no próprio rabo, em vez de disparar contra outras pessoas.

E isso vale, obviamente, para qualquer indivíduo e para qualquer torcida. Se um manuel ou joaquim qualquer fizer isso no Canindé um dia, defenderei o mesmo rigor — como fiz, na TV, quando um paspalho invadiu o vestiário da Portuguesa com seguranças armados outro dia, fazendo com que jogadores e técnico se sentissem ameaçados; falei na TV que o correto seria rebaixar a Portuguesa para sei lá qual divisão, assim como deveriam ter rebaixado o Coritiba para o Desafio ao Galo quando seus torcedores promoveram cenas de horror no Couto Pereira no rebaixamento de 2009.

O que é preciso entender é que para controlar enormes coletividades, só com grandes punições e ameaças de. Não vai acontecer rigorosamente nada de realmente sério nesse caso de Oruro. Uma multa para o Corinthians, talvez, ou a prisão do responsável se ele for identificado. Mas a Conmebol não é uma entidade que tenha estatura moral para fazer nada, ela que há décadas é conivente com espetáculos de selvageria nos estádios de todos os países da América do Sul (Brasil, inclusive).

Kevin poderia estar vivo se não fosse a estupidez coletiva que passa pelas autoridades bolivianas, que não revistam os torcedores, pelos idiotas que vendem sinalizadores, morteiros e rojões que nada mais são do que armas de fogo, pelas autoridades que não proíbem explicitamente a entrada de tais artefatos nos estádios, pelos clubes que sustentam torcedores pau-pra-toda-obra, pelos acéfalos que acendem um rojão e miram nos caras que torcem para outro time, pelos amigos dos acéfalos que sabem que eles, mais cedo ou mais tarde, farão algo parecido.

Se prenderem o rapaz, ou a moça, que disparou o morteiro, azar dele, ou dela. Não creio que isso vá inibir outros corintianos, ou torcedores do Peñarol, ou do Boca, ou da Portuguesa, ou do Grêmio Barueri. “O cara se fodeu”, dirão. E continuarão fazendo suas merdas em maior ou menor quantidade dependendo do tamanho do grupo ao qual pertençam.

Punam o clube, ou o país, e a coisa começa a estancar.

Dor, punição e calma

Por Juca Kfouri

Nenhuma punição aos responsáveis diretos, ou indiretos, pela morte de um torcedor no estádio é suficientemente radical. Radical é a morte nas arquibancadas. Excluir o clube do torneio? Pode ser, por que não?

Ah, mas o clube não pode ser punido por causa de um bandido, até porque todos têm bandidos entre seus torcedores, como têm padres. Sim, mas os clubes, em regra, financiam esses bandidos e não os padres, aqui entendidos como os torcedores comuns, a Fiel, no caso do Corinthians, cuja marca uma torcida uniformizada tentou se apropriar.

Obrigar o clube a mandar seus jogos  com portões fechados? Pode ser, por que não? Ah, mas milhões (de padres) não podem ser punidos por causa de um bandido.

Sim, mas, então, qual a solução? Punir o San José porque organizador do jogo? É, a questão é repleta de nuances, mas a única solução inaceitável para ela é a impunidade. E, repita-se, nada é mais radical do que morrer num campo de futebol atingido por um sinalizador, um rojão, o que for.

Por ironia,  aqui se propôs que o Corinthians, do alto da sua força moral adquirida com a conquista da Libertadores, deveria exigir mudanças civilizatórias no torneio sob pena de não mais disputá-lo. Eis que o clube está, agora, diante do risco de ser dele excluído pela selvageria de um, de dois, de doze dos seus torcedores. Mas é preciso ter muita calma nesta hora.

Guedex_20120221A

Primeiramente, para provar o que parece óbvio, ou seja, a culpa dos que estão detidos. E, depois, não transformar a nova tragédia em mais uma guerra clubística imbecil. Desnecessário lembrar que a estupidez, infelizmente, não é monopólio de nenhuma torcida e que todas elas já causaram mortes por onde passaram.

Os torcedores corintianos  (outra bobagem é dizer que não são verdadeiros torcedores corintianos, porque são sim) que estão detidos são: Leandro Silva de Oliveira (21 anos), Tadeu Macedo Andrade (30 anos), Reinaldo Cohelo (35 anos), José Carlos da Silva Júnior (20 anos), Marco Aurélio Mecere (31 anos), Danielo Silva de Oliveira (27 anos), Hugo Nonato (27 anos), Clever Souza Clous (21 anos), Cleuter Barreto Barros (24 anos), Fávio Neves Domingos (32 anos), Rafael Machado Castilho Araújo (18 anos) e Tiago Aurélio dos Santos Ferreira (27 anos).

Alguém os conhece? As torcidas uniformizadas os reconhecerão como seus sócios? E aí, ex-promotores de Justiça, um que de tão incapaz virou deputado tucano e outro, igualmente, licenciou-se para virar funcionário do ministério do Esporte, cadê os cadastros desta gente?

Atleta paraense convocado para seleção de futsal

O jogador Dieguinho, revelado pela base do Clube do Remo e com passagens anteriores pelo Paissandu Skok e Esmac/Ananindeua, foi convocado para a Seleção Brasileira de futsal que disputará o Circuito Sul-Americano em Uberlândia (MG), de 22 a 24 de março. Diego Belém é campeão brasileiro pelo Minas Tênis Clube. Será o primeiro torneio disputado pela seleção de futsal depois de conquistar o heptacampeonato na Copa do Mundo 2012 na Tailândia. O Circuito Sul-Americano terá a participação de Paraguai, Venezuela e Colômbia. Sob o comando do treinador Ney Pereira, o Brasil terá como atrações o fixo Neto (melhor jogador do Mundial), Falcão, Rodrigo, Tiago, Vinicius, Jé e Simi.

Tribuna do torcedor

Por Sérgio Santana da Trindade

Tem que punir sim, e punir severamente, a violência nos estadios. Aqui em Belém, tem que haver uma fiscalização rígida e rigorosa contra as ditas “torcidas organizadas’. O primeiro passo é não liberar ingressos para essas “torcidas”, esse primeiro passo, deve ser dado pelos dirigentes de Remo e Paysandu. Segundo: instalar mais câmeras de monitoramento dentro do estádio e em seu entorno. Colocar a polícia inteligente, nos locais já previamente demarcados por essas torcidas. Todos nós sabemos onde elas se posicionam no mangueirão, será que só a inteligência policial não sabe ? Outro detalhe, vender ingressos pela internet, com identificação do torcedor, nome, CPF, endereço, RG.
Olha sinceramente, é possível minimizar a violência nos estádios de futebol, falta rigor dos órgãos de fiscalização, de segurança e da organização do evento.
Nos torcedores-contribuintes, temos que exigir organização e controle nas partidas de futebol, pois nós patrocinamos o campeonato paraense, é dinheiro público sendo “investido” no futebol. Portanto, nossa segurança, conforto, comodidade, lazer, diversão, em fim nossa paixão, não pode ser manchada por essas tragédias, como a morte desta criança. É bom lembrar que, aqui em um Re-Pa ocorreu o mesmo caso. Mas o que de fato foi feito para mudar esse triste cenário de verdadeira guerra e violência, em uma simples partida de futebol?

Revista Time chama Neymar de novo Pelé

960_1c13bac2-ffcd-3d7f-a0ae-9f95608716ac
300_978636f7-1b28-37fb-8c11-371507e5e364A pós ser expulso na última rodada do Campeonato Paulista e receber duras críticas de Pelé, Neymar ganhou um respaldo nesta semana ao ver o seu rosto estampar a edição latina da revista Time, uma das mais conceituadas no planeta, com o título “The Next Pelé” (‘O próximo Pelé’).
A publicação faz um perfil do santista, tanto fora quanto dentro de campo, e o compara com a boa fase da economia brasileira, que nos anos que seguem deve fazer girar os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. O faturamento dos quase R$ 4 milhões mensais pelo camisa 11 também foi lembrado.
Depois de receber o cartão vermelho no jogo contra a Ponte Preta, no último final de semana, Neymar foi ‘punido’ no jornal ‘O Estado de S.Paulo’ pelo Rei do Futebol, que vê o atacante muito preocupado com a mídia e pouco com o time. De acordo com a lenda do Peixe, o atleta de 20 anos precisa deixar a vaidade de lado.
Ribeiro detona o Rei
O empresário de Neymar, Wagner Ribeiro, classificou como “uma brincadeira de mau gosto” as críticas feitas por Pelé ao atleta do Santos. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o Rei do Futebol havia criticado o excesso de vaidade do atacante. O agente pediu que Pelé cuidasse de sua própria vida e relembrou as polêmicas pessoais do maior jogador de todos os tempos.

“Ele foi muito infeliz. Ele está querendo desvalorizar o patrimônio nacional. Acho que ele não deveria falar isso. Ele sabe que o Neymar é um ídolo brasileiro, precisamos dele na Copa, agora na Copa das Confederações. Ele fica fazendo essas brincadeiras de mau gosto”, disparou Ribeiro.
“Também acho que ele deveria parar de cuidar da vida pessoal dos outros. Vamos falar de futebol. Ele tem muitos problemas, uma vida muito mal resolvida, uma filha não reconhecida, dois netos que trabalham comigo que sentem falta do avô, são carentes e ele nem liga para os netos”, completou Wagner, fazendo referência a Gabriel, 12 anos, e Octávio, 14, que passaram pelo São Paulo na última temporada.
Preso numa reunião de negócios, Wagner Ribeiro não teve a oportunidade de conversar ainda com Neymar, mas aproveitou para destacar que o seu cliente joga contra adversários que impõem mais dificuldades do que aqueles enfrentados por Pelé no passado. (Da ESPN)

Pelo regulamento, Corinthians pode ser eliminado

622_2deebfe9-d994-304c-9d94-d02a1605213d
A morte de um garoto de 14 anos torcedor do San Jose, da Bolívia, na noite de quarta-feira, pode até levar à eliminação do Corinthians da Libertadores da América. Isso caso seja confirmado que o objeto explosivo disparado contra os fãs da equipe boliviana tenha partido da torcida alvinegra no estádio Jesús Bermúdez, em Oruro.
É o que prevê o regulamento da competição, que trata deste tipo de situação em seu artigo 10 e coloca as punições no 18. Vale destacar que uma possível exclusão de um time por conta de um episódio assim já constava do regulamento de 2012, logo, não é uma novidade como noticiado em alguns sites.
A Conmebol tem Tribunal de Disciplina e Câmara de Apelações, órgãos que entraram em vigor no final de janeiro deste ano e que devem tomar conta do caso. Até às 10h03 da manhã desta quinta, a entidade não se manifestara sobre o assunto em sua página oficial.
Doze corintianos foram presos ainda no estádio pela polícia boliviana, que afirma ter visto o sinalizador ter partido de um grupo de fãs alvinegros. Os nomes dos detidos foram divulgados na manhã desta quinta:
– Cleuter Barreto Barros – 24 anos
– Clever Souza Clous – 21 anos
– Daniel Silva de Oliveira – 27 anos
– Fávio Neves Domingos – 32 anos
– Hugo Nonato – 27 anos
– José Carlos da Silva Júnior – 20 anos
– Leandro Silva de Oliveira – 21 anos
– Marco Aurélio Mecere – 31 anos
– Rafael Machado Castilho Araújo – 18 anos
– Reinaldo Cohelo – 35 anos
– Tadeu Macedo Andrade – 30 anos –
– Tiago Aurélio dos Santos Ferreira – 27 anos

Artigo 11

Associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado da torcida
– Invasão ou tentativa de invasão de campo;
– Objetos atirados ao campo;
– Usar sinalizador, fogos de artifício ou qualquer outro objeto pirotécnico;
– Gestos, palavras, objetos ou outro meio para transmitir mensagem inapropriada em um evento esportivo, sobretudo se for de natureza política, ofensiva ou provocativa
– Causar estragos
– Qualquer falta de ordem ou disciplina que se possa cometer dentro do estádio ou em suas proximidades

As possíveis punições são colocadas no artigo 18
Advertência, repreensão, multa (de não menos do que 100 dólares ou mais que 200 mil dólares), anulação ou repetição de jogo, perda de pontos, determinação do resultado de jogo, atuar com portões fechados, proibição de jogar em um estádio ou no país, exclusão da competição (atual ou em edições futuras), perda de titulo ou prêmio, rebaixamento, perda de licença.

Ibope divulga pesquisa sobre as maiores torcidas

Maiores Torcidas 2010

Ranking das maiores torcidas brasileiras, segundo a pesquisa Ibope:

1º Flamengo (33,2 milhões, 17,2%)

2º Corinthians (25,8 milhões, 13,4%)
3º São Paulo (16,8 milhões, 8,7%)
4º Palmeiras (11,6 milhões, 6,0%)
5º Vasco da Gama (7,9 milhões, 4,1%)
6º Grêmio (7,7 milhões, 4,0%)
7º Cruzeiro (6,8 milhões, 3,5%)
8º Santos (5,2 milhões, 2,7%)
9º Atlético-MG (5 milhões, 2,6%)
10º Internacional (4,8 milhões, 2,5%)
11º Sport (3,3 milhões, 1,7%)
12º Botafogo (3,1 milhões, 1,6%)
13º Bahia (3,1 milhões, 1,6%)
14º Fluminense (3,1 milhões, 1,6%)
15º Vitória (2,3 milhões, 1,2%)
16º Ceará (1,5 milhões, 0,8%)
17º Santa Cruz (1,2 milhões, 0,6%)
17º Fortaleza (1,2 milhões, 0,6%)
17º Atlético-PR (1,2 milhões, 0,6%)

A pesquisa Ibope foi realizada no primeiro trimestre de 2010. Foram ouvidas 7.109 pessoas em todo o país e a margem de erro é de 1,2 ponto percentual para cima ou para baixo. (http://www.campeoesdofutebol.com.br/maiores_torcidas_2010.html)

O fabuloso poder da marcação

Por Gerson Nogueira

bol_qui_210213_15.psDois confrontos chamaram atenção ontem, na Europa e no Brasil, pela eficiência da marcação como arma fundamental para alcançar a vitória. Na Itália, pela Liga dos Campeões, o Milan impôs um cerco implacável ao moderno carrossel do Barcelona, vencendo por 2 a 0 e não permitindo a Messi e seus companheiros armar as habituais jogadas que envolvem as melhores defesas do planeta. E o importante é que foi uma vigilância exercida dentro dos limites, sem rispidez ou violência.

Assim que a bola rolou, o Milan definiu as cartas que usaria para conter o poderoso e temido adversário: bloqueio das jogadas na origem, pressionando o fabuloso trio Iniesta-Xavi-Messi. Vigiado de perto, sem tréguas, a máquina de passes do Barcelona entrou em pane.

O mérito foi ainda maior porque o Milan não se restringiu a se defender. Foi à frente também, e com muita força, chegando com até seis jogadores nas jogadas de ataque. Tirando clássicos com o Real Madri, poucas vezes vi a zaga do Barcelona ser tão fustigada quanto ontem. E, como qualquer defesa ao ser pressionada, a retaguarda catalã abriu buracos, permitindo que o Milan chegasse ao gol.

Ao contrário de outra célebre vitória do Barça, diante do Chelsea na Liga dos Campeões de 2011/2012, o Milan não se retrancou. Jogou altivamente, consciente de suas deficiências e atento para impedir que o adversário se aproveitasse disso.

Contra o Chelsea, o Barcelona sufocou, perdeu inúmeras chances, desperdiçou pênalti (com Messi) e vendeu muito caro a derrota. Ontem, o próprio Messi viu-se obrigado a voltar ao campo de defesa diversas vezes para conseguir tocar na bola.

Ainda assim, cabe reconhecer a importância do futebol de alta técnica consagrado pelo Barcelona. A própria surpresa em torno de sua derrota já representa o melhor elogio ao jogo que pratica há pelo menos quatro anos.

A outra partida ocorreu no Rio de Janeiro, válida pela Taça Libertadores. Um Grêmio determinado deu uma aula de futebol veloz, objetivo e essencialmente marcador. Seus atacantes foram decisivos no aproveitamento das chances, mas os zagueiros e volantes tiveram papel fundamental na construção da vitória de 3 a 0 sobre o Fluminense.

Campeão nacional, o Fluminense não perdia por três ou mais gols de diferença há 90 jogos. Esses números têm a ver com a sólida defesa montada por Abel Braga. Quase intransponível nas bolas aéreas, a muralha tricolor quedou-se ante as triangulações em velocidade de Vargas e Barcos no ataque gremista.

Zé Roberto, volante mais moderno em ação por aqui, liderou a esquadra gremista. Impôs velocidade quando havia espaço a ocupar, conteve o ímpeto dos mais jovens do time e distribuiu lançamentos e passes como poucos fazem hoje no futebol brazuca. Jogando assim, tem lugar fácil na Seleção de Felipão.

O trabalho dos volantes tornou menos pesada a missão dos zagueiros gremistas e ajudou na produção dos laterais André Santos e Pará. O placar de 3 a 0 foi até modesto diante da superioridade dos gaúchos sobre o Flu.

No fim das contas, dois grandes jogos, que constituem belos (e educativos) exemplos da importância que a marcação bem executada pode ter no futebol moderno.

———————————————————–

A passagem de Heber pelo Pará

Foram seis jogos arbitrados no Pará por Heber Roberto Lopes (SC), que tem a grande responsabilidade de comandar o primeiro jogo da decisão do turno, domingo. Ele apitou Paissandu 2 x 3 Ananindeua (2006, decisão do campeonato), Remo 4 x 1 Tuna, em 2007 (primeiro jogo da final), Remo 2 x 1 Paissandu, em 2008 (primeiro turno), S. Raimundo 3 x 2 Águia, em 2009 (semifinal do 2º turno), Paissandu 3 x 2 S. Raimundo, em 2009 (final) e Águia 1 x 0 Cametá, em 2010 (returno). Apesar de alguns pequenos senões, seu trabalho pode ser considerado bom.

———————————————————-

Insanidade faz nova vítima

A morte do garoto boliviano Kevin Beltran, de 14 anos, atingido no olho por um rojão no jogo entre San José 1 x 1 Corinthians, ontem à noite, faz lembrar um triste episódio ocorrido no Pará, há alguns anos. A vítima foi também um menino, alvejado por um rojão nas arquibancadas do estádio Mangueirão durante um Re-Pa.

O artefato que matou Beltran foi disparado por torcedores corintianos na comemoração do gol de Guerrero, logo no começo da partida.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 21 de fevereiro)