Vote no mico da semana

Escolha à vontade seu King Kong favorito:

1) Atacante Mendes, que marcou 2 gols pelo Remo, arranca R$ 81 mil na Justiça do Trabalho, alegando não ter recebido salários prometidos. Mais uma lambança da gestão Sérgio Cabeça.

2) Problemas intestinais derrubam 10 jogadores do Paissandu na manhã do jogo contra o Treze-PB. Para completar o desarranjo, presidente diz – depois da vitória – que iria dispensar atletas em caso de derrota.  

3) Mano Menezes, falando sério, destaca vitória brasileira por 6 a 0 sobre o semi-amador time do Iraque. Técnico está certo de que a Seleção está em franca evolução. 

Nas asas da ilusão

Por Gerson Nogueira

A cena mais impressionante da goleada brasileira sobre o Iraque, ontem, foi a comemoração do técnico Mano Menezes. Fiquei observando bem para tentar descobrir algum sinal de encenação. Mas, bestificado, constatei que ele estava mesmo satisfeito, esfuziante até, com a vitória imposta a um dos piores times do planeta.

Em situação normal, Mano deveria ter ficado preocupado. Sua seleção desfrutou de facilidades poucas vezes vistas em amistoso internacional. Os lances infantis dos iraquianos se repetiram ao longo dos 90 minutos e o ataque brasileiro só não disparou uma goleada maior por excesso de preciosismo.

Com Kaká na equipe, o passe melhorou, o meio-de-campo se impôs pela habilidade e é inegável que o estilo de jogo ficou mais bonito. Por afinidade natural, Oscar e Neymar ganharam bastante com a entrada do veterano meia, mas todas essas análises ficam prejudicadas por um detalhe mais expressivo: o Iraque inexistiu como adversário. Entrou em campo como quem vai disputar uma inocente pelada de fim de semana na firma.

Várias vezes foi possível ver os jogadores iraquianos assistindo Neymar, Kaká & cia., em estado de pura reverência. Como quermesse, tudo bem. Como teste, o jogo não teve a menor relevância. O que é terrível para uma seleção que, a dois anos do Mundial no Brasil, não encontrou a formação ideal e não se apresenta com a autoridade que um anfitrião de Copa do Mundo deve ter.

O pior de tudo é perceber que o técnico brasileiro parece não ter a dimensão exata do papel que a Seleção deve desempenhar daqui a dois anos. Satisfeito com os corintianos que consegue emplacar no escrete, Mano esquece a importância do cargo que ocupa. Não demonstra entender que o Brasil inteiro vai exigir resultados e bom futebol.

Enquanto perde tempo com joguinhos furrecas contra chineses e iraquianos, seleções do mundo inteiro se aprontam para a Copa brazuca. Espanha, Argentina, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Uruguai e França – para ficar nas mais temíveis – estão em febril atividade, jogando contra boas equipes e aperfeiçoando suas armas.

Assusta, por fim, notar que Kaká, Robinho e talvez Ronaldinho Gaúcho sejam as cartas na manga para a campanha em busca do hexa. Considerando o rendimento pífio desses jogadores nos últimos três anos, o Brasil não pode esperar muita coisa.

Contra a ingênua linha de beques do Iraque, Kaká e Oscar fizeram misérias com a bola. Neymar, idem. Até o tanque Hulk deixou o dele. Mas não alimentemos ilusões com base nas patriotadas de Galvão Bueno e sua turma. A continuar no ritmo maroto de hoje, com Mano festejando goleada em rachão, a parada em 2014 será mais indigesta do que se pensava.

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Zé Augusto, cansado de guerra, anuncia que vai parar com o futebol no fim da temporada. Decisão acertada porque a parte física já não permitia ao aguerrido atacante continuar em atividade e, como se sabe, a força e o arranque sempre foram suas principais características.

Pela dedicação, merece ganhar homenagem especial na despedida. O Paissandu, que usufruiu durante anos dos gols milagrosos do Zé da Fiel, tem a obrigação de reverenciar um dos símbolos da raça alviceleste, no mesmo nível de ídolos do passado, como João Tavares.

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Passou quase em brancas nuvens o cinquentenário da primeira conquista mundial de um clube brasileiro. No confronto final, o Santos de Pelé, Zito, Coutinho e Pepe massacrou, no estádio da Luz, em Lisboa, o fortíssimo Benfica de Eusébio, Coluna e Simões por 5 a 2. Atuação irrepreensível do Rei e seus súditos, arrancando aplausos da própria torcida encarnada.

O Santos chegou a fazer 5 a 0 e o time lusitano só descontou nos minutos finais. O segundo gol, com uma sucessão infernal de dribles, é um dos mais bonitos da extensa galeria de golaços da carreira de Pelé.

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A notícia de que Gian deve assumir o comando técnico do Independente Tucuruí não deixa de ser uma novidade interessante. Depois de grandes serviços prestados ao futebol paraense como atleta, jogando sempre ali na meiúca, onde tudo começa e termina, Gian tem chances de se tornar um bom treinador. Tem facilidade para o diálogo e sabe como organizar um time. Se terá sucesso ou não, já é outra história.

De qualquer maneira, vai se juntar a um time de ex-jogadores que deixaram as quatro linhas, mas continuam ligados ao futebol, como Artur Oliveira, Lecheva, Bira, Charles Guerreiro e Samuel Cândido.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12)

Santos, 50 anos do primeiro título mundial

Há exatos 50 anos, Pelé & cia. aplicavam um baile no Benfica e conquistavam o primeiro título mundial interclubes para o Brasil. À época, o Santos era uma máquina de jogar futebol, conseguindo derrotar em pleno estádio da Luz o melhor time europeu. Bons tempos.

Kalil, do Galo, solta o verbo contra STJD

Em declarações no Twitter, Ricardo Kalil, presidente do Atlético-MG, desabafou contra decisão do STJD, que suspendeu o meia-atacante Ronaldinho Gaúcho, tirando-o do jogo contra o Internacional, ontem. Algumas frases de Kalil:

“Pela decisão, eu fiquei envergonhado. E depois que eu recebi essa brincadeira do senhor, doutor, não sei quem é, Jonas Lopes Neto, estou absurdado, na mão de quem o futebol brasileiro está. Conheço o doutor Paulo Schmitt, que é sério, de Curitiba, conheço o presidente Flávio Zveiter, botafoguense muito sério, conheço desde garoto. Mas esse tipo de molecagem.”

 
“Esse rapaz que correu como um garotinho assustado para apagar o que fez no Facebook, é o mesmo que puniu o Loco Abreu, do Figueirense, que fez um sacrifício danado para contratar o jogador, por beijar o escudo do Botafogo perante a torcida do Flamengo.”

“Quero avisar para os presidentes de clubes, que estamos nas mãos desses garotinhos, meninos que brincam no Facebook, que não sabem que uma folha de pagamento custa dois, três, quatro, cinco, seis, sete milhões”.

Papão quer pagar salários antes de encarar Cuiabá

A Diretoria do Paissandu se mobiliza para pagar parte dos salários atrasados – em alguns casos, o atraso chega a três meses – antes do jogo decisivo de domingo diante do Cuiabá. Com folha salarial em torno de R$ 350 mil, o Paissandu é um dos clubes que mais gastou nesta Série C, ficando atrás apenas de Santa Cruz e Fortaleza. Despesas com técnicos demitidos (Roberval Davino e Givanildo Oliveira) aumentaram ainda mais o tamanho do aperreio. Ao mesmo tempo, o bloqueio judicial das verbas de patrocínio continua atrapalhando as finanças do clube e um pedido de empréstimo solicitado à CBF não obteve sucesso. Os dirigentes continuam buscando uma alternativa para solucionar o problema. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Arquivo Bola)

Hoje é dia de Kaká

Por Juca Kfouri

Kaká volta hoje à seleção brasileira. Pode ser apenas mais uma frustração, mas pode ser o começo da salvação da lavoura.

Por que não?

Ao contrário da situação em que se encontrava na Copa do Mundo passada, quando correu sério risco de encerrar a carreira por jogar no sacrifício, agora todas as informações dão conta de sua recuperação total. Falta apenas ritmo de jogo, algo que José Mourinho teima em não lhe proporcionar.

Em 2010, neste espaço, foi escrito, com admiração e preocupação, que Kaká arriscava tudo para jogar na África do Sul, e que mesmo assim ele desequilibrava. A exposição de seu problema o levou ao destempero de acusar o elogio e a notícia como perseguição religiosa, ele que era fervoroso adepto da bispa Sônia e do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer.

Era, não é mais.

Como não era verdade que houvesse qualquer outra intenção que não a de informar –e, eventualmente, alertá-lo para as consequências de seu esforço desumano.

O resto da história também é sabido. Kaká voltou à mesa de cirurgia, o cirurgião que o operou confirmou que ele esteve a ponto de ter de encerrar prematuramente a carreira, e o craque, que já foi o número 1 do mundo, teve longo e duro período de convalescença.

Vê-lo hoje, mesmo contra o Iraque, na cidade sueca de Malmö, ao lado de Neymar, pode significar a reconquista, adiante, do respeito que a seleção perdeu pelo mundo afora. E é o que todos esperamos.

Oremos. Amém.