É o 706º clássico da história e pode ser o último Re-Pa do ano, caso haja vitória do Paissandu. Para o Remo, um jogo que vale bem mais que a mera rivalidade. A partida põe em risco todo o projeto de ressurreição do clube depois do colapso de 2009, quando amargou nove meses sem disputar competições oficiais. No Evandro Almeida, a simples possibilidade de um retrocesso agora desperta pânico incontido. Depois de deixar escapar o título do primeiro turno, a conquista do returno do campeonato é o passaporte para a Série D.
O Paissandu, ao contrário, desfruta de situação bem mais confortável. Está garantido na Série C do Campeonato Brasileiro e tem boas chances de conquistar o tricampeonato estadual. Além disso, conta com um time menos instável que o rival.
Mesmo oscilando muito nas últimas rodadas – goleou o Águia por 6 a 1 e, em seguida, foi derrotado pelo Cametá por 4 a 3 –, a equipe tem um padrão definido. Sua formação titular funciona muito bem, principalmente em termos ofensivos. Tudo isso talvez resulte do fato de que vestem uniforme alviceleste os dois principais jogadores da competição, Moisés e Tiago Potiguar.
No Remo, Giba herdou um pacote pronto. Assumiu quando não havia mais chance de trazer reforços. Por falta de opções para modificar a equipe, foi buscar gente nova no sub-20 (Patrick) e recorreu a improvisações. Uma – Marlon na lateral-esquerda – deu certo. A outra, o esquema 3-5-2, foi um desastre.
Quando as coisas começavam a descarrilar, o técnico armou uma retranca monumental e conseguiu desbancar o maior rival. Foi o que faltava para resgatar a auto-estima dos jogadores e iniciar a recuperação no segundo turno. Ainda sofreu percalços pelo caminho, como o surpreendente empate cedido ao Independente no Baenão, mas depois conduziu a equipe à semifinal, com a vantagem do empate.
Mas, com boa dose de autocrítica, encontrou a melhor escalação lançando mão do sistema 4-4-2, que, como se sabe, dispensa maiores ensaios. Todo boleiro já nasce sabendo jogar com linha de quatro zagueiros, tornando tudo mais fácil e simples.
As mudanças sofridas pelo Remo tornam a disputa mais parelha, pois, em alguns momentos, a vocação ofensiva do time (nem sempre assumida pelo técnico Giba) faz com que o campeonato ainda pareça em aberto, apesar da vantagem obtida pelo Paissandu. Quando conta com Landu, Marciano, Vélber e Samir em campo, o Remo se torna um competidor perigoso.
O jogo de hoje vai definir a sorte de ambos nesta fase e pode vir a ter repercussão no andamento do torneio. Tradicionalmente, o clube que ganha o segundo turno adquire ânimo extra para as partidas decisivas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 08)