O cinema perde Belmondo

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O ator francês Jean Paul Belmondo morreu nesta segunda-feira, aos 88 anos de idade, de causas não divulgadas. Ícone da Nouvelle Vague, um dos preferidos de Jean-Luc Godard, deixa uma carreira recheada de êxitos em mais de 80 filmes. Apelidado carinhosamente de Bébel pelos fãs, ganhou fama com seu papel em “Acossado”, de 1960. Atuou nos mais diversos gêneros, de filmes de arte a comédias e thrillers. Estava aposentado desde 2001, quando sofreu um derrame.

Bastidores do rock

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Deep Purple original, com Gillan, Blackmore, Lord, Glover e Paice. Black Night (1972).

Remo abre inscrições para peneira das categorias de base e futebol feminino

Com informações do site oficial do clube

Sub-20

O Remo abriu inscrições para uma ampla peneira, a partir desta segunda-feira (06/09), no valor de R$ 50,00, na secretaria da sede social ou no Centro de Treinamento do clube, em Outeiro. A avaliação será para as categorias do Sub-13, Sub-15, Sub-17, Sub-20, no masculino; futebol feminino a partir dos 16 anos e adulto.

Os candidatos interessados ​​em participar da peneira devem apresentar uma cópia do RG, laudo ou atestado médico de aptidão física e comprovante de residência. Caso seja menor de idade, o responsável legal do atleta deve estar presente para assinar o termo de autorização e responsabilidade.

O treino de avaliação será realizado de 01 a 06 de oubruto, no CT do Leão. No dia da peneira, o candidato ou candidata deve apresentar RG, atestado médico e o comprovante de inscrição. Mais informações pelo telefone (91) 3116-2713.

Categorias – Sub-13, Sub-15, Sub-16, Sub-17, Sub-20 (masculino) / a partir de 16 anos e adulto (feminino) Inscrições – 06/09 a 30/09.

Valor – R$ 50,00.

Local de inscrição – Secretaria da sede social (Nazaré) ou no CT do Leão, em Outeiro, de 2ª a 6ª feira, de 08h às 18h; sábado, de 08h às 12h.

Avaliação – 01/10 a 06/10, no CT do Leão.

Vitória e renascimento

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu 1 x 0 Santa Cruz, pela Série C

A atuação não chegou a ser primorosa, mas o resultado foi importantíssimo para as ambições do PSC na Série C. O placar de 1 a 0 sobre o Santa Cruz, construído no 2º tempo, fez justiça ao esforço geral da equipe, depois de uma etapa inicial travada e pouco vibrante. Além disso, o jogo marcou o renascimento técnico do meia Ruy, que abriu a jogada que resultou no gol, teve boa movimentação e cumpriu sua melhor atuação pelo Papão.

Contra um adversário desesperado e com sérias limitações no meio-campo, o PSC abriu mão de uma postura mais agressiva no primeiro tempo, permitindo algumas pontadas perigosas de Jailson, Wallace e Pipico. Poucas vezes o time foi à frente, puxado principalmente por Marlon, que acertou um belo tiro aos 10 minutos para defesa de Jordan.

Apesar das tentativas do Santa, a zaga do PSC funcionou bem. Vítor Sallinas, substituto de Perema, mostrou segurança no jogo aéreo e foi bem auxiliado por Denilson. Na frente, Grampola ficou preso à marcação e somente Marlon conseguia se destacar com avanços pelo lado direito.

Ocorre que Marlon, lesionado, teve que ser substituído por Robinho no intervalo. Antes, também por contusão, Paulo Roberto havia sido trocado por Paulinho. Poupado, Rildo não jogou. Em seu lugar, entrou Luan Santos, que teve atuação pouco produtiva.

Toda a lentidão do primeiro tempo foi compensada por correria e intensidade na segunda etapa. Logo a 1 minuto, o meia Ruy girou sobre a marcação e cruzou na medida para o centro da área. Robinho e Marino se atrapalharam e a bola saiu alta, sem direção.

Logo em seguida, o Santa ameaçou com Lucas Rodrigues, que pegou de fora da área e quase surpreendeu Victor Souza, que desviou para escanteio. Na cobrança, Breno Calixto cabeceou e Pipico complementou para as redes, mas o gol foi invalidado por impedimento.

Aos 13’, o lance decisivo da partida. Ruy fez uma finta rápida no meio-campo livrando-se de dois marcadores. Lançou Leandro Silva, que se aproximou da área e cruzou para a cabeçada certeira de Marino.

O jogo teve poucas situações agudas na reta final, mas aos 42’ o atacante Danrlei, que substituiu Grampola, entrou livre na área e chutou forte em cima de Jordan. A bola subiu e ainda permitiu uma segunda intervenção do goleiro.

Pipico ainda teve uma chance aos 46′, mas bateu mal e em cima do goleiro. PSC foi determinado e saiu vitorioso num jogo duríssimo. 

Bola na trave não altera o placar

O versinho grudento da velha canção do Skank vem à mente ao ver o sufoco imposto pelo Remo no final do jogo com o Botafogo, sábado à noite, no Baenão. Se quisesse, Felipe Conceição podia apelar para o clichê da bola que não quis entrar. E não quis mesmo. Lucas Siqueira cabeceou no travessão, Jefferson deu um chutaço que também beijou a trave superior e no último minuto a zaga do Botafogo se safou de um bombardeio que teve quatro finalizações em direção ao gol.

Levando em conta que o Botafogo só teve uma chance clara para marcar – e fez o gol – pode-se avaliar que o visitante foi extremamente competente, enquanto o mandante se perdeu pelo caminho. O fato é que o Remo fez um jogo mais ou menos no primeiro tempo, com alguns lampejos, mas foi superior na etapa final depois de sofrer o gol.

Não se pode diminuir a importância das baixas que Felipe Conceição tem sido obrigado a compensar nas escalações. A zaga não é a mesma sem Romércio e o meio não funciona sem Erick Flores. Ainda assim, diante de um Botafogo em ascensão, o Remo foi melhor, articulou razoavelmente bem e de fato podia ter obtido um resultado positivo.

Logo aos 5 minutos, Victor Andrade entrou na área e bateu com perigo. O Botafogo equilibrou e o jogo ficou lá e cá. O bicho pegou mesmo depois do intervalo. O Remo deu a primeira estocada, o Bota se reaprumou e achou o gol em jogada de Pedro Castro para Warley.

Depois disso, o Remo tomou conta do jogo, mandou duas bolas na trave (Lucas Siqueira e Jefferson), um chute perigoso de Rafinha e a chance tripla na blitz final. O melhor em campo foi o goleiro Diego Loureiro, o que retrata a melhor atuação azulina.

Superioridade sem eficiência nas finalizações

Remo x Botafogo; Chay

Felipe Conceição, questionado pela lealdade ao sistema 4-1-4-1 e principalmente por não barrar Felipe Gedoz, acerta ao dizer que o Remo foi superior ao Botafogo. O problema é que faltou eficiência e objetividade para converter oportunidades em gols. 

Foi o 3º jogo consecutivo sem vitória, o que deixa o Remo em posição delicada. Está em 12º lugar, mas é pressionado por Ponte Preta, Cruzeiro e Vitória, o próximo adversário.

Em relação ao jogo com o Brasil, o Remo evoluiu bastante. Trocou passes, alternou jogadas, variou o repertório, mas falhou no quesito mais importante: a finalização. “Futebol é jogo, precisa de eficácia que acerte o último terço para que se saia com a vitória, isso nos faltou”. A frase do técnico é certeira, resume bem o que foi a partida.

De toda sorte, algumas escolhas precisam ser reavaliadas. Enquanto no Botafogo o meia Barreto quase não errou passes, Artur (posicionado à direita) abusou das falhas na distribuição de jogo. Wallace, Rafinha e Jefferson entraram bem, talvez só um pouco tarde demais.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 06)

Ex-empregado dos Bolsonaro revela segredos e supostos crimes da família

Por Guilherme Amado, no Metrópoles

Um ex-empregado que trabalhou durante 14 anos para a família Bolsonaro afirma ter testemunhado nesse período a prática de uma série de crimes que teriam sido cometidos pela advogada Ana Cristina Valle, atualmente ex-mulher do presidente, e pelos parlamentares Flávio e Carlos Bolsonaro, respectivamente primeiro e segundo filho de Jair Bolsonaro.

Em entrevista exclusiva à coluna, após se demitir por não receber o salário pedido, Marcelo Luiz Nogueira dos Santos reconstituiu detalhadamente todos os anos em que serviu à família, quando passou por quatro funções. Primeiro, trabalhou na campanha de 2002 de Flávio para deputado estadual. Entre 2003 e 2007, foi lotado no gabinete de Flávio na assembleia do Rio.

Depois da separação do presidente e de Ana Cristina, em 2007, passou a ser, a pedido de Bolsonaro, uma espécie de babá de Jair Renan, filho do casal, até a advogada deixar o Brasil e se mudar para a Europa. Finalmente, entre 2014 e 2021, trabalhou como empregado doméstico de Ana Cristina em suas casas, primeiro em Resende (RJ), e nos últimos meses em Brasília.

Marcelo confessa ter devolvido 80% de tudo o que recebeu no gabinete de Flávio nos quase quatro anos em que foi seu servidor na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj): cerca de R$ 340 mil no total.

Segundo ele, Ana Cristina foi quem precedeu Fabrício Queiroz e era a encarregada de recolher as rachadinhas não só no gabinete de Flávio, mas também no de Carlos, eleito vereador da Câmara do Rio em 2000. Somente depois da separação de Jair e Ana Cristina, em 2007, Flávio e Carlos teriam assumido a responsabilidade pelo recolhimento dos valores dos funcionários de seus gabinetes. Só que as denúncias do ex-empregado vão bem além.

Ele acusa Ana Cristina de ter formado todo o seu patrimônio, que em 2020 estava estimado em R$ 5 milhões, usando uma série de laranjas, inclusive na compra da mansão em que ela mora atualmente em Brasília, no Lago Sul, com o filho, Jair Renan.

Segundo Marcelo, Ana Cristina não alugou o imóvel, como ela conta, mas o comprou, por meio de dois laranjas, com quem firmou um contrato de gaveta, ou seja, um documento informal não registrado em cartório, para que eles repassem o imóvel para seu nome após o encerramento do financiamento.

O objetivo seria não chamar a atenção da imprensa para a compra de mais um imóvel de luxo pela família Bolsonaro – a mansão tem 1.200 m² de área total e 395 m² de área construída, uma piscina de 50 m², aquecimento solar e quatro suítes. 

O caso foi noticiado pelos repórteres Letícia Casado, Juliana Dal Piva, Eduardo Militão e Rafael Moraes Moura.

Marcelo conta que, inicialmente, a casa estava sendo negociada por um valor entre R$ 2,9 milhões e R$ 3,2 milhões. O ex-funcionário afirma não saber o valor final da transação, mas enfatiza que tanto ele quanto Jair Renan ouviram a advogada falando sobre a negociação.

A advogada teria usado, além do financiamento em nome dos falsos proprietários, os recursos da venda de um imóvel e de reservas que ela guarda desde a época em que comandava o desvio de dinheiro dos gabinetes de Flávio e Carlos.

Segundo ele, Ana Cristina não se envolvia no eventual recolhimento de valores dos funcionários do gabinete de Jair Bolsonaro como deputado federal, restringindo-se a articular o esquema na Alerj e na Câmara Municipal do Rio. Todo mês, segundo ele, sacava 80% de seu salário e entregava o dinheiro em espécie nas mãos da advogada. Todos os assessores de Flávio, de acordo com o ex-empregado, faziam o mesmo, bem como os de Carlos.

Após a separação do casal, quando Marcelo deixou o gabinete, Ana Cristina o levou para trabalhar em seu escritório de advocacia. Ele afirma ter sido procurado por Jair Bolsonaro, que teria lhe pedido que passasse a morar na casa de Ana Cristina, para cuidar de Jair Renan, na época com 9 anos. Ele morou com ela, como empregado doméstico, até 2009, quando a advogada se mudou para a Noruega, onde se casou novamente, com o norueguês Jan Raymond Hansen. A relação de trabalho se tornaria então uma relação de amizade, a ponto de ir visitá-la na Europa.

Em 2014, quando Ana Cristina retornou para o Brasil, Marcelo Luiz conta ter passado novamente a trabalhar na casa dela, em Resende, onde ficou até fevereiro de 2021, quando a advogada decidiu se mudar para Brasília e o convidou para acompanhá-la. Começaria ali a crise que o levou a pedir demissão, deixar sua casa e decidir contar tudo o que sabe.

“Você pensa que vou ser seu escravo?”

Marcelo Luiz acordou que receberia R$ 3 mil em Brasília, mas Ana Cristina teria descumprido o acordo e, alegando falta de dinheiro, pagava R$ 1,3 mil mensais. Todo mês, ele cobrava o valor acordado, sem sucesso. Sem meios de sair da mansão, o empregado acusou Ana Cristina de mantê-lo em condições análogas às de uma pessoa escravizada.

“Falei para ela: ‘Cristina, não sou obrigado a morar na sua casa. Trabalho para ter meu canto e em Brasília tudo é caro. Você pensa que vou ficar na sua casa e ser seu escravo? A escravidão já acabou. Você é racista. Isso é racismo. Você me tirou lá do Rio só porque em Brasília eu não tenho ninguém e não conheço nada? Acha que vou aceitar o que quer fazer comigo?’”, contou.

Em junho, ele deixou a casa, com a ajuda de Jair Renan, e passou algumas semanas no apartamento de Jair Bolsonaro, no Sudoeste, também em Brasília. Em agosto, retornou ao Rio de Janeiro, não sem antes procurar o Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal e fazer uma denúncia de violações trabalhistas contra a advogada. O MPT no DF confirmou à coluna que o empregado, de fato, fez a denúncia e uma investigação foi aberta para apurar o que aconteceu.

Marcelo nunca teve sua carteira assinada por Ana Cristina, tampouco por Jair Bolsonaro, quando o presidente o contratou para ser babá de Jair Renan. Ele conta ter conhecido a advogada por meio de um namorado dele, em 2002, que era cabeleireiro de Ana Cristina. Sabendo que ela era casada com Jair Bolsonaro, o cabeleireiro pediu a ela um emprego para Marcelo. Ana Cristina teria, então, indicado Marcelo para a campanha de Flávio a deputado estadual.

Após a eleição, Marcelo assumiu um cargo de assessor parlamentar de nível quatro no gabinete de Flávio, onde trabalhou de 19 de fevereiro de 2003 a 6 de agosto de 2007, com salário bruto oficial de R$ 7.326. A coluna confirmou no Diário Oficial da Alerj todas essas informações.

A própria Ana Cristina teria determinado a devolução de parte do salário. O esquema foi colocado como condição para obtenção do emprego. Jair, Flávio e Carlos teriam, segundo ele, conhecimento de tudo. Ainda de acordo com Marcelo, os percentuais repassados variavam caso a caso, e alguns dos funcionários eram também fantasmas.

Marcelo diz, no entanto, que, com o passar do tempo, Flávio e Carlos ficaram incomodados com o fato de ser Ana Cristina quem comandava o esquema, e passaram a ter embates com a madrasta. Ele chegou até a trabalhar com Fabrício Queiroz, mas num período em que o então PM ainda não era um dos cabeças do que o Ministério Público do Rio de Janeiro chamou de organização criminosa voltada para os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indébita.

O MP do Rio de Janeiro já tinha Marcelo Luiz em seu radar. Ele foi uma das pessoas que tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça do Rio em abril de 2019.

A defesa de Flávio Bolsonaro afirmou para a coluna que o parlamentar desconhece as afirmações de Marcelo Luiz Nogueira dos Santos. Também disse não saber de supostas irregularidades que possam ter sido praticadas por ex-servidores da Alerj ou possíveis acertos financeiros que eventualmente tenham sido firmados entre esses profissionais. A nota ainda afirmou que Flávio sempre seguiu as regras da Assembleia Legislativa e que tem sido vítima de uma campanha de difamação.

Carlos e Jair Renan Bolsonaro foram procurados, mas não responderam. A coluna não conseguiu contato com Ana Cristina Valle. O espaço está aberto para manifestações.

Colaboraram Isadora Teixeira e Victor Fuzeira

Rock na madrugada – Los Hermanos, “Sentimental”

A frase do dia

“Lula gramou 580 dias de cárcere, perdeu mulher, irmão e neto e saiu de lá forte, saradão, casado e presidente. Dilma foi torturada durante 3 anos, foi ilegalmente retirada da presidência, golpe e nunca baixou a cabeça. A direita é pateticamente frouxa”.

Jackie Vellego

“Patriotismo” dos Bolsonaro é tão falso quanto seu “conservadorismo”

Por Felipe Moura Brasil, no UOL

O filósofo conservador britânico Roger Scruton explicava a importância da questão territorial para a ideia de pátria e como essa base comum é capaz de unir povos marcados internamente por diferenças religiosas, tribais e familiares. Para Scruton, a lealdade nacional “coloca diante dos olhos do cidadão, como o foco de seu sentimento patriótico, não uma pessoa ou um grupo, mas um país”, “definido por um território, e pela história, pela cultura e pelas leis que tornaram esse território nosso”.

Como exemplo de fracasso, ele citava a Somália, que “nunca desenvolveu o tipo de soberania secular, territorial e legal que torna possível a um país se moldar como um Estado-nação, em vez de um agrupamento de tribos e famílias concorrentes”. “O mesmo é verdade para muitos outros países nos quais o Islã é a fé dominante”, prosseguia o filósofo. “Mesmo que esses países funcionem como Estados, como o Paquistão, eles frequentemente fracassam como nações. Eles parecem não gerar o tipo de lealdade territorial que permitiria a pessoas de diferentes religiões, diferentes redes de parentesco, diferentes tribos viverem pacificamente lado a lado e também lutarem lado a lado em nome de sua pátria do que a unir forças para protegê-la”.

Jair Bolsonaro, que nunca leu Scruton, é mais propenso a transformar o Brasil em uma Somália ou um Paquistão, incitando sua tribo de reacionários aloprados a lutar contra o STF, o TSE e o Congresso para que a posse da pátria fique com a família dele, como o salário dos funcionários fantasmas de seus gabinetes. Em sua live semanal, o presidente promoveu como “demonstração gigante de patriotismo” a manifestação pró-governo do feriado e defendeu a participação de policiais militares (vedada pelo parágrafo 3º do artigo 8º do regimento disciplinar da PM), fazendo-se de sonso sobre o cunho político do ato: “Sete de setembro é um ato da Independência, todo mundo sai na rua”.

Ao entregar no Senado o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes – relator do inquérito legitimado por Bolsonaro e seus apaniguados na AGU e na PGR -, o presidente já havia dito a bolsonaristas que “eu só posso fazer uma coisa se vocês assim o desejarem” e, no dia seguinte à live, ele deu um ultimato a Moraes e Luís Roberto Barroso em nome do “povo” brasileiro (embora a maioria rejeite seu governo, segundo as pesquisas): “Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando da força do poder, queiram dar outro rumo ao nosso país. Essas uma ou duas pessoas precisam entender o seu lugar. O recado de vocês nas ruas, na próxima terça-feira, será um ultimato para essas duas pessoas… Quem dá esse ultimato não sou eu, é o povo”.

D. Pedro foi aconselhado pela esposa, Maria Leopoldina, a declarar a Independência do Brasil após um novo decreto com exigências portuguesas chegar ao Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1822. De viagem a São Paulo, ele recebeu a carta da princesa em 7 de setembro e logo seguiu seu conselho, às margens do Riacho Ipiranga, encerrando os 322 anos de domínio colonial exercido por Portugal. Para demonstrar força, Dom Bolsonaro del Centrão tenta mobilizar uma multidão de Marias Leopoldina, incitando cavaleiros andantes da segunda realidade a autorizar nas ruas sua aclamação como Imperador, como ele autorizou os filhos a imperar sobre as “rachadinhas” após ser traído pela então esposa e operadora do esquema Ana Cristina Valle, segundo o ex-empregado Marcelo.

O pai do denunciado Flávio e do investigado Carlos investe na colisão entre a ‘dreampolitik’ e a ‘realpolitik’, operando para que as narrativas do mundo dos sonhos bolsonaristas – onde “liberdades” englobam crimes de ameaça e incitação a crimes – forcem nova crise no mundo real, capaz de amedrontar seus “inimigos” ou justificar uma ruptura que lhe dê ainda mais poder de blindagem contra o avanço de investigações do STF, do TSE, da CPI da Pandemia e do MP do Rio, além do derretimento eleitoral.

Dom Bolsonaro conta com seus reacionários aloprados, que, assim como a esquerda revolucionária provocava policiais em protestos para posar de vítima das reações, ameaçam ministros e incitam invasões de prédios institucionais com o mesmo fim. A sorte da democracia é que a competência do presidente para planejar e executar um golpe de Estado tende a ser tão ínfima quanto para debelar as crises sanitária, ambiental, energética, orçamentária e inflacionária, que dirá a da moralidade pública.

Edmund Burke, o pai do conservadorismo, ensinou em carta de 1791 que a verdadeira liberdade está conectada ao caráter pessoal: “Homens são qualificados para a liberdade civil na proporção exata da sua disposição a colocar as correntes morais sobre seus próprios apetites – em proporção ao seu amor pela Justiça estar acima de sua rapacidade; em proporção à sua sobriedade de entender estar acima de sua vaidade e presunção; em proporção à disposição de ouvir os conselhos dos sábios e bons em detrimento da adulação dos canalhas. A sociedade não pode existir a menos que o apetite e a vontade de um poder controlador seja dominado; e quanto menos disso tiver em seu âmago, mais livre será. Está escrito na constituição eterna das coisas que os homens de mente intemperada não podem ser livres. Suas paixões forjam suas penas.”

Dom Bolsonaro, que nunca leu Burke, é uma mente intemperada prisioneira de seus apetites, de sua rapacidade, de sua vaidade e presunção, da vontade de um poder controlador e da adulação em seu entorno. Seu patriotismo é tão falso quanto seu conservadorismo, porque o foco de seu sentimento alegadamente patriótico não é o país, mas sua pessoa e seu grupo, definidos por um território virtual e estatal sem correntes morais, onde ninguém aceita a aplicação das leis da primeira realidade, nem a perda de boquinhas, rachadinhas e foro privilegiado. O 7 de setembro bolsonarista é o dia da dependência dessa fantasia política.

A lealdade nacional se manifesta no dia 12, cobrando a pena do impeachment pelos efeitos deletérios de paixões tão vagabundas.

A arte do olhar

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Palm Beach, Flórida, em 1905.

Quem tange a boiada?

Por Iran Souza

Quem for à rua no 7 de setembro fantasiado de verde e amarelo não estará atendendo necessariamente a um chamado de Jair Bolsonaro. Diz-se que quem toca o berrante pra tanger a boiada bolsonarista é, de fato, Steve Bannon, o marqueteiro de Donald Trump, extremista de direita e conspirador notório.

Só pra lembrar, ele foi preso no ano passado por fraude e lavagem de dinheiro nos EUA. Conclusão: é triste ver as pessoas virando massa de manobra na mão de agitadores fascistas. É triste viver num país onde um miliciano delinquente achincalha a democracia que o fez presidente.